Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Por Favor, Eduquem os Pais

 Cena 1: Indo pela Quinta Avenida em Balneário Camboriú sentido sul, paro num sinal vermelho, logo ao meu lado para uma senhora com sua filha de dois ou três anos no banco de traz do seu veículo, e observo que a criança está solta. Por instinto de pai baixo o vidro e falo: “senhora, sua criança está solta”; e ela responde: “ela não deixa amarrar”. Sem saber o que falar pensei: na adolescência vai bater nos pais!

Cena 2: Estou no shopping almoçando com minha esposa quando duas crianças correm por entre as mesas. De volta em volta param em uma mesa mais distante onde dois casais bebem e conversam animadamente, sem se importarem claramente com os pequenos. Possivelmente são os pais ou responsáveis. Uma vez, duas vezes...na terceira vez tranquei o maiorzinho com minha perna e falei: “aqui não é lugar de correr, logo vocês vão se machucar”

Cena 3: Participei durante um bom tempo da coordenação de um grupo de jovens meninas, entre 10 e 20 anos. Primeiro para acompanhar a minha filha, depois pelo interesse em auxiliar as demais em seu desenvolvimento nessa fase tão importante. Queria me fazer presente, e confesso que mais aprendi que ensinei. Durante este período sessenta ou setenta jovens participaram deste grupo, cujos encontros eram sábado à tarde, a cada quinze dias. Os pais, na maioria das vezes, deixavam suas filhas na porta do local e iam embora, nunca participando daquele momento, possivelmente por terem ocupações mais importantes. Conheci no máximo vinte deles durante esses anos todos.

Cena 4: Antes do natal fui corta o cabelo no local habitual. Há na sala um ambiente dividido com parede de madeira a 2/3 de altura, onde uma profissional da área da beleza presta seu serviço. Cheguei um pouco adiantado e fiquei aguardando minha hora. Então percebo que a referida profissional está atendendo uma cliente, e que esta está com uma ou duas crianças. Objetos caem a todo instante e não há nenhuma interferência da mãe, apenas risos pela “esperteza” da criança, sempre muito ativa, segundo ela. Chega minha vez e sou chamado a lavar o cabelo. Daí entra em cena um brinquedo de fricção, soltado com violência contra a parede de madeira. Algumas vezes depois a possível mãe intervém e diz:” filho, não faz isso...” desse jeito, com voz reticente e sem nenhuma autoridade. Bom, o entrevero continuou durante os quarenta e cinco minutos que estive lá.

P.S.: Nenhum dos relatos é obra de ficção, e qualquer semelhança é mera realidade.

Escrito por Fernando Baumann, 04/01/2018 às 21h29 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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