Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Carta em Defesa aos Políticos

 Quero aqui fazer uma defesa à classe política e sua função, tão desprestigiada ultimamente. Acho que é uma injustiça o que está acontecendo, como se esta fosse a única responsável pelas mazelas econômicas e sociais. É bem verdade que sua responsabilidade é grande. Mas não é só dela. E também não dá para dispensá-la.

Minha única tentativa em me tornar alguém público foi frustrada pela discordância e falta de apoio na minha família. Lembro meu pai dizer: "Fernando, por quê? Àquele não é lugar para você!” Daí falei: "pai, a vaga existe, alguém vai ocupar...” . Pois é assim que enxergamos a política, como algo que não nos pertence, mas que nos afeta diretamente.

Os políticos por assim dizer são pessoas comuns, iguais a nós. Nasceram e cresceram na cidade, correram e jogaram bola. Estudaram, se divertiram e frequentaram igrejas. Namoraram, casaram, tiveram filhos. Então por que são diferentes?  O que os distancia de nós?

Absolutamente nada!

Aquilo que enxergamos para fora é exatamente igual ao que acontece para dentro. Somos ótimos em criticar o que os outros fazem de errado, mas incapazes de perceber e corrigir o que nós mesmo fazemos de errado. Somos os atores principais do filme da nossa vida, e para avaliarmos nossa atuação precisamos sair da tela e ir para a plateia.

Os exemplos são muitos. Do pedestre que caminha na ciclovia, do ciclista que não respeita a sinalização e anda contramão, do motociclista que acha que tem preferência sobre tudo, do motorista que estaciona seu veículo em duas vagas, pouco se importando se alguém vai ficar sem - e assim vai. Da prova que o aluno colou, do nome que colocou no trabalho que outros fizeram, da assinatura na lista de presença que não o seu nome. Do empresário que sonega, que engana seus clientes, que paga propina. Do cliente que não devolve o troco errado, que fura fila, que compra produto sem nota ou roubado. Do eleitor que vende o voto ou negocia benefícios futuros – e a vida segue. Será que isso não é comigo?

Por mais outro tanto que poderia continuar escrevendo penso que o problema é nosso, e não deles. A classe política é causa e efeito da sociedade egoísta que nos tornamos, aonde se dar bem é o que importa. Aliás, para mim corrupção e egoísmo andam de mãos dadas e uma é consequência da outra.

Há um vácuo entre a sociedade real e a sociedade ideal, uma distância enorme entre dois pontos e que não é uma reta. Esta distância é o tanto que  enxergo o defeito no outro,  que diminui a medida  que enxergo o defeito em mim. Íntegro e consciente das minhas fraquezas, tenho a oportunidade de me corrigir. Mas é muito difícil.

Então, quando meu senso crítico aflora e passa a disparar contra `aqueles que condeno, meu senso de responsabilidade me chuta e diz: quem é você? O que está fazendo para melhorar? Qual sua contribuição para uma sociedade mais justa?

Muitas vezes não sei o que responder. E o problema é o político.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 22/12/2017 às 00h31 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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Carta em Defesa aos Políticos

 Quero aqui fazer uma defesa à classe política e sua função, tão desprestigiada ultimamente. Acho que é uma injustiça o que está acontecendo, como se esta fosse a única responsável pelas mazelas econômicas e sociais. É bem verdade que sua responsabilidade é grande. Mas não é só dela. E também não dá para dispensá-la.

Minha única tentativa em me tornar alguém público foi frustrada pela discordância e falta de apoio na minha família. Lembro meu pai dizer: "Fernando, por quê? Àquele não é lugar para você!” Daí falei: "pai, a vaga existe, alguém vai ocupar...” . Pois é assim que enxergamos a política, como algo que não nos pertence, mas que nos afeta diretamente.

Os políticos por assim dizer são pessoas comuns, iguais a nós. Nasceram e cresceram na cidade, correram e jogaram bola. Estudaram, se divertiram e frequentaram igrejas. Namoraram, casaram, tiveram filhos. Então por que são diferentes?  O que os distancia de nós?

Absolutamente nada!

Aquilo que enxergamos para fora é exatamente igual ao que acontece para dentro. Somos ótimos em criticar o que os outros fazem de errado, mas incapazes de perceber e corrigir o que nós mesmo fazemos de errado. Somos os atores principais do filme da nossa vida, e para avaliarmos nossa atuação precisamos sair da tela e ir para a plateia.

Os exemplos são muitos. Do pedestre que caminha na ciclovia, do ciclista que não respeita a sinalização e anda contramão, do motociclista que acha que tem preferência sobre tudo, do motorista que estaciona seu veículo em duas vagas, pouco se importando se alguém vai ficar sem - e assim vai. Da prova que o aluno colou, do nome que colocou no trabalho que outros fizeram, da assinatura na lista de presença que não o seu nome. Do empresário que sonega, que engana seus clientes, que paga propina. Do cliente que não devolve o troco errado, que fura fila, que compra produto sem nota ou roubado. Do eleitor que vende o voto ou negocia benefícios futuros – e a vida segue. Será que isso não é comigo?

Por mais outro tanto que poderia continuar escrevendo penso que o problema é nosso, e não deles. A classe política é causa e efeito da sociedade egoísta que nos tornamos, aonde se dar bem é o que importa. Aliás, para mim corrupção e egoísmo andam de mãos dadas e uma é consequência da outra.

Há um vácuo entre a sociedade real e a sociedade ideal, uma distância enorme entre dois pontos e que não é uma reta. Esta distância é o tanto que  enxergo o defeito no outro,  que diminui a medida  que enxergo o defeito em mim. Íntegro e consciente das minhas fraquezas, tenho a oportunidade de me corrigir. Mas é muito difícil.

Então, quando meu senso crítico aflora e passa a disparar contra `aqueles que condeno, meu senso de responsabilidade me chuta e diz: quem é você? O que está fazendo para melhorar? Qual sua contribuição para uma sociedade mais justa?

Muitas vezes não sei o que responder. E o problema é o político.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 22/12/2017 às 00h31 | fernando@bba-reiki.com.br



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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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