Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Mestre Desconhecido

 Programa de domingo - final de semana sim, final de semana não - era ir almoçar na casa dos sogros, intercalado com meus pais. Assim dividíamos nossos compromissos. Família grande, a casa estava sempre cheia, crianças e adultos. Uma baderna só.

Mais introspectivo que os demais e envolvido em minhas leituras, tinha o hábito de ficar recolhido na sala de visitas, na parte frontal a casa, próximo a rua e a porta principal. Lá viajava sem sair da onde estava.

O almoço estava para ser servido e um cheiro contagiante de churrasco se espalhava por toda a casa. Naquela época eu ainda comia carne, que era a especialidade do meu sogro, e sem falar na maionese, sobremesas e tudo mais.

Talvez um pouco distraído pela leitura ou pela atenção ao que estava próximo de ser servido, tomei um susto quando com firmeza bateram na porta. De pronto levantei e fui a janela verificar.

Estranhamente nada vi, então abri a porta com cuidado para entender o que se passava. Foi quando percebi um homem de aparente meia idade e muito mal vestido do lado de fora do cercado, sobre a calçada. Certamente era um andarilho.

Então ele me pediu um prato de comida. De bate-pronto respondi que nada tinha pois já havíamos almoçado. Aquela resposta pronta que vem a boca sem pensar ou medir as consequências. Uma inverdade!

Foi quando ele olhou para mim com seus olhos marejados e um breve sorriso nos lábios e falou: “tudo bem, o problema da fome é meu, não seu”.

Fiquei paralisado e demorei um pouco para entender o que havia se passado. Quando acordei do meu transe o sujeito já não estava mais ali. Fui para a rua, caminhei de um lado para o outro e nada, ele sumiu.

Hoje, quando sou abordado por alguém pedindo algo, ajudo e evito julgar. Lembro sempre daquela manhã de um domingo distante e penso:

Obrigado meu Mestre desconhecido! 

Escrito por Fernando Baumann, 08/12/2017 às 09h58 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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