Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

De Cristo a Cristo - 2ª parte de 2

 Continuação texto publicado 19/06....

Perto do meio dia e com aproximadamente 700,0 km rodados alcançamos a rodovia Regis Bittencourt, na região de Miracatu, dentro do tempo previsto. Dali para frente seguimos até o início da serra do azeite, 10,0 km após Cajati, onde chegamos por volta das 22:00h.

Não comentei, mas cada bicicleta estava equipada com rastreador, e havia na equipe um quinto elemento, o Carlos, que nos acompanhava de sua casa pela internet. Acontece que no ponto em que paramos não havia posto de apoio,  o que nos obrigou ir para o outro lado da rodovia, sentido São Paulo, só que nesse ponto as pistas se afastam bastante uma da outra. Nossa mudança da rota prevista causou estranheza ao Carlos, que acionou o Luiz e o Adão, só que os dois haviam parado alguns quilômetros antes para descansar, e acordaram sobressaltados com o toque do celular. Para completar a sequência dos fatos, onde Zoanir e eu estávamos não tinha sinal de celular. Foram duas horas de espera nossa e busca por parte deles, que imaginaram que havíamos sido sequestrados.

Esclarecidas as coincidências desatinadas, descansamos um pouco e às 3:00h começamos a subir a serra do azeite, com sequências de curvas e aproximadamente 25,0km de aclive. Pela falta de acostamento nos obrigávamos a andar na borda da pista, o que era assustador com a aproximação dos caminhões, principalmente os cegonheiros, com a “batenção” metálica de suas carrocerias. Subimos roda com roda para aumentar nossa segurança, se é que de alguma forma ela existia, com luzes de identificação e coletes refletivos.

Na sequência o dia transcorreu dentro do previsto e no final da tarde passamos por Curitiba. Seguimos pedalando madrugada a dentro e às 4:30h chegamos no posto Santa Rosa em Itajaí. Como nosso horário previsto para chegada em Balneário era 9:00h decidimos descansar um pouco. Às 7:00h saímos rumo ao nosso destino final.

Próximo a Balneário na beira da pista nosso amigo Ricardo e meu filho Henrique nos esperavam com suas bicicletas. Uma emoção muito forte tomou conta de mim e comecei a chorar copiosamente. Olhei para o Zoanir e lágrimas também escorriam do seu rosto. Indescritível àquele momento!

No trevo de acesso a nossa cidade mais amigos nos aguardavam e às 8:30h encerramos nosso desafio aos pés do monumento do Cristo Luz em Balneário Camboriú. Nossos familiares e uma multidão de pessoas nos aguardavam, que também puderam nos acompanhar on line desde a partida até a chegada, no blog escrito durante a viagem pelo Adão.

Foram 1186,0 km  percorridos em 95:30h. Cumprimos nosso objetivo, graças ao trabalho em equipe e o apoio incondicional de pais, esposas e filhos.

Escrito por Fernando Baumann, 22/06/2018 às 08h21 | fernando@bba-reiki.com.br

De Cristo a Cristo - 1ª parte de 2

 No ano anterior eu e o Zoanir havíamos feito de bicicleta Balneário a São Paulo “sem parar”. Então pensávamos num novo desafio nos mesmos moldes, que também fosse desafiador e realizável. Também queríamos inverter o sentido, ou seja, chegar em Balneário ao invés de sair daqui, pois descobrimos que o maior significado de sair é poder voltar. Da outra vez a chegada na frente do MASP foi emocionante, mas vazia pela falta da família. A nossa casa é onde está a nossa verdade, então chegar é melhor que partir.

Decidimos manter o ritmo de 300,0 km a cada 24h. Este era nosso objetivo. Pensando em várias alternativas decidimos escolher Rio a Balneário, praticamente o dobro do desafio anterior. Adão e Luiz convidados decidimos a data da partida. Seriam necessários seis dias, sendo um para a viagem de carro, um para o descanso e quatro para o retorno.

Ninguém acreditava, mas coube tudo num carro. Três bicicletas(uma reserva), bagagens e mantimentos para quatro adultos. Fomos pela Rio-Santos, exatamente o caminho contrário ao que percorreríamos,  para reconhecimento das dificuldades. Eu já tinha noção, pois em 2004 já havia feito este caminho de bicicleta.

Nosso desejo era sair da base da estátua do Cristo Redentor, e para isto foi necessário ir na sede da administração localizada dentro do Parque Nacional da Tijuca. Pelas informações obtidas seria difícil conseguir tal autorização. Após uma hora de espera o responsável nos atendeu e de imediato concedeu a referida autorização. Nem acreditamos!

No dia seguinte logo cedo subimos de carro até o último ponto possível, daí retiramos nossas bicicletas do porta-malas e as montamos, colocando rodas e selim. Bicicletas prontas carregamos elas até a base da estátua do Cristo Redentor. Como era cedo o parque ainda não estava aberto ao público. Uma forte emoção nos acometeu naquele momento. Uma das sete novas maravilhas nas nossas costas e um mundo para ser conquistado aos nossos pés(ou pedais).

O primeiro dia foi difícil para mim, pois havia comido algo no dia anterior que embaralhou o estômago. Pedalei o dia inteiro sem conseguir me alimentar. Final da tarde após passar Angra dos Reis parei minha bicicleta no canto da estrada e consegui pôr para fora àquilo que me incomodava. Dali para frente as coisas começaram a fluir melhor. Por volta da meia noite paramos para dormir um pouco num posto de gasolina no trevo de Paraty.

A rodovia Rio-Santos tem trechos muito acidentados com subidas e descidas íngremes e constantes. Na bicicleta speed que utilizamos a troca da marcha se dá num movimento lateral com a mão. Ao final de 24h pedalando, após um rápido descanso, percebi a perda do movimento da mão direita, bem como os dedos não esticavam e não encostavam mais uns aos outros, me obrigando a partir dali trocar as marchas apenas com o punho. A recuperação total demorou mais de 30 dias. Essa é a tal da LER(lesão por esforço repetitivo).

A passagem por Santos na madrugada do segundo dia foi um tanto tensa, num longo trecho desabitado e sem iluminação, pois a região é conhecida por muitos roubos e assaltos. Já na rodovia Padre Manoel da Nóbrega perto de Peruíbe, num movimento brusco consegui entortar o aro traseiro da minha bicicleta, o que nos tomou muito tempo para o conserto, a encargo do Luiz.

..segunda parte na publicação de 22/06.

Escrito por Fernando Baumann, 19/06/2018 às 12h31 | fernando@bba-reiki.com.br

Estropiados

 Em outro texto falei sobre minhas experiências de caminhada com amigos um tanto sem noção. Sempre digo para a minha mãe que sou o melhor de todos. Ela diz que é difícil acreditar. Deixa pra lá, a questão aqui é conceitual.

Pois bem, numa destas vezes decidimos ir de Curitiba a Morretes  pelo caminho de Itupava. Saímos cedo de Balneário Camboriú e estacionamos nosso carro na Rodoferroviária em Curitiba. Dali pegamos nossas mochilas e seguimos a pé até Quatro Barras, nosso destino àquele dia. Foram aproximadamente 25 km percorridos entre avenidas e ruas da cidade e a rodovia Regis Bittencourt - um trecho bastante monótono – até chegarmos ao hotel em Quatro Barras.

No dia seguinte, já recompostos do primeiro trecho, saímos pela cidade de Quatro Barras rumo a entrada do caminho de Itupava. Como sempre baixei a cabeça e saí em disparada, deixando meus parceiros para traz. O dia estava nublado e muito propenso a chuvas. Próximo ao início da trilha lembrei que não estava sozinho e sentei no canto da rua para esperar os “mal-acabados” dos meus amigos. O tempo passou e nada deles. Já estava me aprontando para retornar quando eles apareceram dando risadas com o tênis do Agilson na mão com a sola descolada. Coisa de amador! Por sorte acharam um comércio aberto e conseguiram comprar outro.

Logo que entramos na trilha as coisas começaram a se complicar. No início maravilha, caminho bem aberto, depois foi fechando cada vez mais, com declives bastante acentuados, onde aproveitávamos, com a presença da chuva, para deslizar morro abaixo. Às vezes não era opção, a gente caia mesmo. E a chuva...bem essa veio com toda a força e persistência, parecia querer provar a nossa determinação.

Eu não havia falado, mas conta a história que o caminho de Itupava foi a primeira ligação entre o litoral e o planalto, subindo (ou escalando) a serra do mar, tendo sido originalmente trilhas indígenas, e depois melhoradas e utilizadas pelos jesuítas e colonizadores para ir a Curitiba, tanto que em alguns trechos ainda conservam a pavimentação de pedras originais.

Num dado momento a trilha cruza pela primeira vez a estrada de ferro que liga Paranaguá a Curitiba. Então propus ao Enir, ao Zé e ao Agilson que seguíssemos pelo caminho da ferrovia que ia ser bem mais divertido. Acho que eles não entenderam bem a “caca” que ia ser e aceitaram. Não deu 500 metros de caminhada daí apareceu uma litorina da Polícia Ferroviária que nos abordou, querendo saber o que nós engraçadinhos estávamos pensando em fazer.  Nos colocaram para cima, deram uma lição de moral aos quatro marmanjos e nos ficharam. Por fim dos deixaram de volta ao caminho, no ponto em que nos desviamos.

Se a primeira parte estava difícil, a segunda então foi punk. Eu e o Agilson despencamos trilha abaixo com uma chuva torrencial nas costas e muito frio. Olhávamos um para o outro e não nos reconhecíamos, de tão feio que estávamos. Então pela segunda vez cruzamos a estrada de ferro num ponto chamado Nossa Sra. do Cadeado. Nos abrigamos em baixo de uma pequena construção para tentar nos aquecer e comemos alguma coisa.

Uma hora depois o Enir chega carregando o Zé, que havia se machucado durante a descida. O Enir bastante solidário e o Zé bastante manhoso.  Eu e o Agilson nos arrependemos e ter deixado os dois para traz - só que não muito.

 Daí para frente a situação melhorou, com caminho menos íngreme, mais aberto e menos chuva. Ao final do dia chegamos a uma belíssima pousada já na estrada de Itupava, a 10 km de Morretes. Estropiados, irreconhecíveis, malcheirosos mas muito felizes.

No dia seguinte foi moleza, a caminhada até Morretes foi tranquila e prazerosa, onde pegamos o trem de volta para Curitiba. Corpo todo dolorido, mas a alma leve e preguiçosa.

 

Escrito por Fernando Baumann, 15/06/2018 às 10h32 | fernando@bba-reiki.com.br

Brasilidade

 Da série “o Brasil que queremos”, promovida por importante canal televisivo, mostra uma preocupação maciça dos brasileiros com a corrupção. De modo geral, de norte a sul, todos abordam este tema.

Isto mostra o grau de maturidade que estamos vivendo, promovido principalmente  pelas movimentações punitivas a respeito. Jamais se imaginou condenar e fazer cumprir as condenações de medalhões do meio político e empresarial. Já é uma grande quebra de paradigma. Mesmo cometendo possíveis erros, o judiciário tem demonstrado que está no caminho certo, mostrando que o crime não compensa. O jargão “rouba mas faz” já não é unanimidade, e o fato de alguém em algum momento ter feito algo de bom não chancela que se aproprie do que é não é seu, seja direta ou indiretamente.

Mas não é apenas isto. Nós precisamos reconhecer que tirar vantagem e pensar apenas em si faz parte da nossa cultura, e isto é sintoma de uma sociedade doente com tendência a corromper. Segundo Calil Simão, é pressuposto necessário para a instalação da corrupção a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum. Vou explicar melhor antes que você possa condenar minha opinião:

1 - O que significa estacionar o carro em vaga de deficiente ou idoso sem ter direito a isso?   

2 - O que significa um veículo sair do posto de gasolina da rua 904 por cima da faixa de segurança sem respeitar a vez de quem está na fila ou do pedestre que está atravessando?

3 - O que significa o funcionário pedir o maldito acordo para sacar o FGTS e receber o seguro desemprego quando quer sair da empresa onde trabalha?

4 – O que significa colar a prova ou pagar para alguém fazer um trabalho escolar?

5 – O que significa um profissional pago para especificar algo receber comissão de quem ele indicou sem o conhecimento do cliente?

6 – O que significa sonegar impostos, mesmo que esta seja a condição para sobreviver como muitos justificam?

7 – O que significa o saque da carga de um caminhão acidentado?

8 – O que significa entregar um falso atestado de saúde?

Minha análise está adequada e os sintomas acima dizem respeito a nós? Você concorda que temos muito a fazer por nós mesmos, e que se não começar por cada um não vai ter jeito? Quero então sugerir, para que este momento difícil mas importante não passe em vão, que cada um julgue a si antes de julgar os outros ou o sistema. Provavelmente muitos de nós já cometemos as faltas mencionadas. Eu me encaixo em algumas.

Então, “bora” fazer um novo país?

 

Escrito por Fernando Baumann, 12/06/2018 às 05h05 | fernando@bba-reiki.com.br

O Sistema TBC

 Vivemos tempos difíceis, de muita incerteza e insegurança. Não lembro em minha existência de algo semelhante. Parece que tudo está perdido. Crise financeira, crise política, crise social, um estado de ebulição constante.

Mas sabe, acredito que este momento está sendo muito rico para abrirmos em definitivo as discussões do que somos e do que queremos ser. A dificuldade nos empurra a sair do estado de letargia que nos encontramos, passivos diria assim, onde sempre esperamos que o outro faça por nós. Acho que as verdades estão sendo expostas.

Os piores momentos na verdade são sempre os melhores. Muito provavelmente hoje não consigamos enxergar, mas daqui a algum tempo, quando olharmos para traz, veremos que avanços importantes ocorreram. O fogo transforma, a exemplo do ferro em aço e do vidro comum em vidro temperado. Então que saibamos aproveitar este fogo que está aí com responsabilidade, civilidade e respeito para nos tornarmos mais fortes.

Uma questão que sempre me perturbou e agora decidi me posicionar é quanto aos legisladores municipais, estaduais e federais. Não concordo e não aceito que após eleitos os mesmos ocupem outra função que não a sua, como exemplo o vereador que vira secretário. Também o caso do executivo que renuncia a sua função para concorrer a outros níveis. Isto é virar as costas para o eleitor, que o elegeu para àquela função, usando-o como degrau para servir aos seus próprios interesses. O eleitor não é mais tão bobinho para não perceber isto, e eu não voto mais em candidatos com este histórico.

Também entendo que estamos em condições de discutir a carga tributária que carregamos. Não os impostos como causa, e sim como efeito(vou sugerir trocar o nome de “imposto” por “benefício”).  Sendo mais claro: o problema não é o quanto pagamos, mas o quanto recebemos. Pagar altas alíquotas de modo geral é aceitável, o que não é aceitável é que pagamos e não recebemos. Não tem estrada, não tem educação, não tem saúde e tudo precisa ser novamente contratado de forma particular por quem pode. Numa conta simples concluo que o custo é dobrado. Vender e não entregar é estelionato, e é isto que o sistema nos impõe, pois o mesmo é incapaz de cumprir suas funções, isto hoje é claro.

Por fim, a divisão do bolo. Não podemos mais concordar que o maior percentual caiba ao governo federal. A pirâmide precisa ser invertida, e o município tem que ficar com a maior fatia, que é onde efetivamente as coisas acontecem e nós conseguimos ver e controlar. O governo federal, este ogro, repleto de privilégios e luxos não precisa ter o tamanho que tem. Apartamentos funcionais, veículos de luxo com motoristas, ascensoristas, assessores, passagens aéreas, aviões, auxílios, aposentadorias e privilégios de toda ordem(cabelo, terno e o escambau)não cabem mais. Eu não aceito mais pagar esta conta.

É o que tenho para hoje.

(sistema TBC – Tirar a Bunda da Cadeira)

 

Escrito por Fernando Baumann, 08/06/2018 às 12h50 | fernando@bba-reiki.com.br

Eu, o menino

 Não lembro bem, mas eu devia ter uns 10 anos de idade. Estudava no Colégio João Goulart com a Dona Diva. Ela tinha um fusca branco que eu adorava, placa BB 0045 se não me engano. Era o máximo!

Aos sábados tínhamos nosso momento cívico, com o canto do hino em posição de sentido em respeito ao pavilhão nacional, sempre vigiados pela Dona Orieta. Ai de algum “abobado” fazer algo errado. Sempre tinha um, é claro, mas era firmemente repreendido.

Adorava esse dia simplesmente por que era diferente.

Meus pais sempre lutaram com dificuldades para manter os quatro filhos menores. Não nos faltava nada de essencial, mas luxos não nos eram permitidos. Lembro da conga que eu usava sonhando em ter um kichute, o “the best power” do momento. Com certeza meu futebol ia melhorar(bobagem, eu era muito ruim mesmo).

Vinha de bicicleta pelas trilhas que ligavam minha casa ao colégio. Colocava um gorro na cabeça pensando que era um capacete com balaclava e pedalava me sentindo o piloto do momento. Era muito divertido mas de vez em quando dava errado. Lembro de uma vez que vinha junto com o Nabor e tentei ultrapassar ele pelo mato, só que tinha um tronco, daí foi um “pacote” fenomenal. Até hoje ele me zoa por conta disso.

Mas o mais bacana de tudo era que no sábado meus pais me davam dinheiro para comprar o lanche na escola. Que delícia! O dinheiro era contado para comprar a laranjinha na cantina e a bananinha de um senhor que vinha vender no portão.

Primeiro eu ia comprar a bananinha. Era uma “muvuca” àquelas crianças com os braços estendidos através da grade do portão com o dinheiro na mão. Eu igual desesperado e boca salivando louco pela iguaria. Então num destes sábados  de braço estendido, um outro moleque pelo lado de fora do portão arrancou o dinheiro que tinha na minha mão e saiu correndo. Fiquei paralisado, decepcionado e muito triste. Chorei muito àquele dia.

Meu desejo de todo sábado indo embora correndo feito louco por conta de um moleque safado.

Hoje sempre que vou a uma padaria procuro pela bananinha e compro. Não é mais como no passado, mas como com satisfação. Talvez àquele menino entristecido que perdeu o seu dinheiro ainda chore dentro de mim, envolvido nas doces lembranças de um passado um pouco distante.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 05/06/2018 às 13h34 | fernando@bba-reiki.com.br



1 2 3 4 5 6 7 8 9

Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

De Cristo a Cristo - 2ª parte de 2

 Continuação texto publicado 19/06....

Perto do meio dia e com aproximadamente 700,0 km rodados alcançamos a rodovia Regis Bittencourt, na região de Miracatu, dentro do tempo previsto. Dali para frente seguimos até o início da serra do azeite, 10,0 km após Cajati, onde chegamos por volta das 22:00h.

Não comentei, mas cada bicicleta estava equipada com rastreador, e havia na equipe um quinto elemento, o Carlos, que nos acompanhava de sua casa pela internet. Acontece que no ponto em que paramos não havia posto de apoio,  o que nos obrigou ir para o outro lado da rodovia, sentido São Paulo, só que nesse ponto as pistas se afastam bastante uma da outra. Nossa mudança da rota prevista causou estranheza ao Carlos, que acionou o Luiz e o Adão, só que os dois haviam parado alguns quilômetros antes para descansar, e acordaram sobressaltados com o toque do celular. Para completar a sequência dos fatos, onde Zoanir e eu estávamos não tinha sinal de celular. Foram duas horas de espera nossa e busca por parte deles, que imaginaram que havíamos sido sequestrados.

Esclarecidas as coincidências desatinadas, descansamos um pouco e às 3:00h começamos a subir a serra do azeite, com sequências de curvas e aproximadamente 25,0km de aclive. Pela falta de acostamento nos obrigávamos a andar na borda da pista, o que era assustador com a aproximação dos caminhões, principalmente os cegonheiros, com a “batenção” metálica de suas carrocerias. Subimos roda com roda para aumentar nossa segurança, se é que de alguma forma ela existia, com luzes de identificação e coletes refletivos.

Na sequência o dia transcorreu dentro do previsto e no final da tarde passamos por Curitiba. Seguimos pedalando madrugada a dentro e às 4:30h chegamos no posto Santa Rosa em Itajaí. Como nosso horário previsto para chegada em Balneário era 9:00h decidimos descansar um pouco. Às 7:00h saímos rumo ao nosso destino final.

Próximo a Balneário na beira da pista nosso amigo Ricardo e meu filho Henrique nos esperavam com suas bicicletas. Uma emoção muito forte tomou conta de mim e comecei a chorar copiosamente. Olhei para o Zoanir e lágrimas também escorriam do seu rosto. Indescritível àquele momento!

No trevo de acesso a nossa cidade mais amigos nos aguardavam e às 8:30h encerramos nosso desafio aos pés do monumento do Cristo Luz em Balneário Camboriú. Nossos familiares e uma multidão de pessoas nos aguardavam, que também puderam nos acompanhar on line desde a partida até a chegada, no blog escrito durante a viagem pelo Adão.

Foram 1186,0 km  percorridos em 95:30h. Cumprimos nosso objetivo, graças ao trabalho em equipe e o apoio incondicional de pais, esposas e filhos.

Escrito por Fernando Baumann, 22/06/2018 às 08h21 | fernando@bba-reiki.com.br

De Cristo a Cristo - 1ª parte de 2

 No ano anterior eu e o Zoanir havíamos feito de bicicleta Balneário a São Paulo “sem parar”. Então pensávamos num novo desafio nos mesmos moldes, que também fosse desafiador e realizável. Também queríamos inverter o sentido, ou seja, chegar em Balneário ao invés de sair daqui, pois descobrimos que o maior significado de sair é poder voltar. Da outra vez a chegada na frente do MASP foi emocionante, mas vazia pela falta da família. A nossa casa é onde está a nossa verdade, então chegar é melhor que partir.

Decidimos manter o ritmo de 300,0 km a cada 24h. Este era nosso objetivo. Pensando em várias alternativas decidimos escolher Rio a Balneário, praticamente o dobro do desafio anterior. Adão e Luiz convidados decidimos a data da partida. Seriam necessários seis dias, sendo um para a viagem de carro, um para o descanso e quatro para o retorno.

Ninguém acreditava, mas coube tudo num carro. Três bicicletas(uma reserva), bagagens e mantimentos para quatro adultos. Fomos pela Rio-Santos, exatamente o caminho contrário ao que percorreríamos,  para reconhecimento das dificuldades. Eu já tinha noção, pois em 2004 já havia feito este caminho de bicicleta.

Nosso desejo era sair da base da estátua do Cristo Redentor, e para isto foi necessário ir na sede da administração localizada dentro do Parque Nacional da Tijuca. Pelas informações obtidas seria difícil conseguir tal autorização. Após uma hora de espera o responsável nos atendeu e de imediato concedeu a referida autorização. Nem acreditamos!

No dia seguinte logo cedo subimos de carro até o último ponto possível, daí retiramos nossas bicicletas do porta-malas e as montamos, colocando rodas e selim. Bicicletas prontas carregamos elas até a base da estátua do Cristo Redentor. Como era cedo o parque ainda não estava aberto ao público. Uma forte emoção nos acometeu naquele momento. Uma das sete novas maravilhas nas nossas costas e um mundo para ser conquistado aos nossos pés(ou pedais).

O primeiro dia foi difícil para mim, pois havia comido algo no dia anterior que embaralhou o estômago. Pedalei o dia inteiro sem conseguir me alimentar. Final da tarde após passar Angra dos Reis parei minha bicicleta no canto da estrada e consegui pôr para fora àquilo que me incomodava. Dali para frente as coisas começaram a fluir melhor. Por volta da meia noite paramos para dormir um pouco num posto de gasolina no trevo de Paraty.

A rodovia Rio-Santos tem trechos muito acidentados com subidas e descidas íngremes e constantes. Na bicicleta speed que utilizamos a troca da marcha se dá num movimento lateral com a mão. Ao final de 24h pedalando, após um rápido descanso, percebi a perda do movimento da mão direita, bem como os dedos não esticavam e não encostavam mais uns aos outros, me obrigando a partir dali trocar as marchas apenas com o punho. A recuperação total demorou mais de 30 dias. Essa é a tal da LER(lesão por esforço repetitivo).

A passagem por Santos na madrugada do segundo dia foi um tanto tensa, num longo trecho desabitado e sem iluminação, pois a região é conhecida por muitos roubos e assaltos. Já na rodovia Padre Manoel da Nóbrega perto de Peruíbe, num movimento brusco consegui entortar o aro traseiro da minha bicicleta, o que nos tomou muito tempo para o conserto, a encargo do Luiz.

..segunda parte na publicação de 22/06.

Escrito por Fernando Baumann, 19/06/2018 às 12h31 | fernando@bba-reiki.com.br

Estropiados

 Em outro texto falei sobre minhas experiências de caminhada com amigos um tanto sem noção. Sempre digo para a minha mãe que sou o melhor de todos. Ela diz que é difícil acreditar. Deixa pra lá, a questão aqui é conceitual.

Pois bem, numa destas vezes decidimos ir de Curitiba a Morretes  pelo caminho de Itupava. Saímos cedo de Balneário Camboriú e estacionamos nosso carro na Rodoferroviária em Curitiba. Dali pegamos nossas mochilas e seguimos a pé até Quatro Barras, nosso destino àquele dia. Foram aproximadamente 25 km percorridos entre avenidas e ruas da cidade e a rodovia Regis Bittencourt - um trecho bastante monótono – até chegarmos ao hotel em Quatro Barras.

No dia seguinte, já recompostos do primeiro trecho, saímos pela cidade de Quatro Barras rumo a entrada do caminho de Itupava. Como sempre baixei a cabeça e saí em disparada, deixando meus parceiros para traz. O dia estava nublado e muito propenso a chuvas. Próximo ao início da trilha lembrei que não estava sozinho e sentei no canto da rua para esperar os “mal-acabados” dos meus amigos. O tempo passou e nada deles. Já estava me aprontando para retornar quando eles apareceram dando risadas com o tênis do Agilson na mão com a sola descolada. Coisa de amador! Por sorte acharam um comércio aberto e conseguiram comprar outro.

Logo que entramos na trilha as coisas começaram a se complicar. No início maravilha, caminho bem aberto, depois foi fechando cada vez mais, com declives bastante acentuados, onde aproveitávamos, com a presença da chuva, para deslizar morro abaixo. Às vezes não era opção, a gente caia mesmo. E a chuva...bem essa veio com toda a força e persistência, parecia querer provar a nossa determinação.

Eu não havia falado, mas conta a história que o caminho de Itupava foi a primeira ligação entre o litoral e o planalto, subindo (ou escalando) a serra do mar, tendo sido originalmente trilhas indígenas, e depois melhoradas e utilizadas pelos jesuítas e colonizadores para ir a Curitiba, tanto que em alguns trechos ainda conservam a pavimentação de pedras originais.

Num dado momento a trilha cruza pela primeira vez a estrada de ferro que liga Paranaguá a Curitiba. Então propus ao Enir, ao Zé e ao Agilson que seguíssemos pelo caminho da ferrovia que ia ser bem mais divertido. Acho que eles não entenderam bem a “caca” que ia ser e aceitaram. Não deu 500 metros de caminhada daí apareceu uma litorina da Polícia Ferroviária que nos abordou, querendo saber o que nós engraçadinhos estávamos pensando em fazer.  Nos colocaram para cima, deram uma lição de moral aos quatro marmanjos e nos ficharam. Por fim dos deixaram de volta ao caminho, no ponto em que nos desviamos.

Se a primeira parte estava difícil, a segunda então foi punk. Eu e o Agilson despencamos trilha abaixo com uma chuva torrencial nas costas e muito frio. Olhávamos um para o outro e não nos reconhecíamos, de tão feio que estávamos. Então pela segunda vez cruzamos a estrada de ferro num ponto chamado Nossa Sra. do Cadeado. Nos abrigamos em baixo de uma pequena construção para tentar nos aquecer e comemos alguma coisa.

Uma hora depois o Enir chega carregando o Zé, que havia se machucado durante a descida. O Enir bastante solidário e o Zé bastante manhoso.  Eu e o Agilson nos arrependemos e ter deixado os dois para traz - só que não muito.

 Daí para frente a situação melhorou, com caminho menos íngreme, mais aberto e menos chuva. Ao final do dia chegamos a uma belíssima pousada já na estrada de Itupava, a 10 km de Morretes. Estropiados, irreconhecíveis, malcheirosos mas muito felizes.

No dia seguinte foi moleza, a caminhada até Morretes foi tranquila e prazerosa, onde pegamos o trem de volta para Curitiba. Corpo todo dolorido, mas a alma leve e preguiçosa.

 

Escrito por Fernando Baumann, 15/06/2018 às 10h32 | fernando@bba-reiki.com.br

Brasilidade

 Da série “o Brasil que queremos”, promovida por importante canal televisivo, mostra uma preocupação maciça dos brasileiros com a corrupção. De modo geral, de norte a sul, todos abordam este tema.

Isto mostra o grau de maturidade que estamos vivendo, promovido principalmente  pelas movimentações punitivas a respeito. Jamais se imaginou condenar e fazer cumprir as condenações de medalhões do meio político e empresarial. Já é uma grande quebra de paradigma. Mesmo cometendo possíveis erros, o judiciário tem demonstrado que está no caminho certo, mostrando que o crime não compensa. O jargão “rouba mas faz” já não é unanimidade, e o fato de alguém em algum momento ter feito algo de bom não chancela que se aproprie do que é não é seu, seja direta ou indiretamente.

Mas não é apenas isto. Nós precisamos reconhecer que tirar vantagem e pensar apenas em si faz parte da nossa cultura, e isto é sintoma de uma sociedade doente com tendência a corromper. Segundo Calil Simão, é pressuposto necessário para a instalação da corrupção a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum. Vou explicar melhor antes que você possa condenar minha opinião:

1 - O que significa estacionar o carro em vaga de deficiente ou idoso sem ter direito a isso?   

2 - O que significa um veículo sair do posto de gasolina da rua 904 por cima da faixa de segurança sem respeitar a vez de quem está na fila ou do pedestre que está atravessando?

3 - O que significa o funcionário pedir o maldito acordo para sacar o FGTS e receber o seguro desemprego quando quer sair da empresa onde trabalha?

4 – O que significa colar a prova ou pagar para alguém fazer um trabalho escolar?

5 – O que significa um profissional pago para especificar algo receber comissão de quem ele indicou sem o conhecimento do cliente?

6 – O que significa sonegar impostos, mesmo que esta seja a condição para sobreviver como muitos justificam?

7 – O que significa o saque da carga de um caminhão acidentado?

8 – O que significa entregar um falso atestado de saúde?

Minha análise está adequada e os sintomas acima dizem respeito a nós? Você concorda que temos muito a fazer por nós mesmos, e que se não começar por cada um não vai ter jeito? Quero então sugerir, para que este momento difícil mas importante não passe em vão, que cada um julgue a si antes de julgar os outros ou o sistema. Provavelmente muitos de nós já cometemos as faltas mencionadas. Eu me encaixo em algumas.

Então, “bora” fazer um novo país?

 

Escrito por Fernando Baumann, 12/06/2018 às 05h05 | fernando@bba-reiki.com.br

O Sistema TBC

 Vivemos tempos difíceis, de muita incerteza e insegurança. Não lembro em minha existência de algo semelhante. Parece que tudo está perdido. Crise financeira, crise política, crise social, um estado de ebulição constante.

Mas sabe, acredito que este momento está sendo muito rico para abrirmos em definitivo as discussões do que somos e do que queremos ser. A dificuldade nos empurra a sair do estado de letargia que nos encontramos, passivos diria assim, onde sempre esperamos que o outro faça por nós. Acho que as verdades estão sendo expostas.

Os piores momentos na verdade são sempre os melhores. Muito provavelmente hoje não consigamos enxergar, mas daqui a algum tempo, quando olharmos para traz, veremos que avanços importantes ocorreram. O fogo transforma, a exemplo do ferro em aço e do vidro comum em vidro temperado. Então que saibamos aproveitar este fogo que está aí com responsabilidade, civilidade e respeito para nos tornarmos mais fortes.

Uma questão que sempre me perturbou e agora decidi me posicionar é quanto aos legisladores municipais, estaduais e federais. Não concordo e não aceito que após eleitos os mesmos ocupem outra função que não a sua, como exemplo o vereador que vira secretário. Também o caso do executivo que renuncia a sua função para concorrer a outros níveis. Isto é virar as costas para o eleitor, que o elegeu para àquela função, usando-o como degrau para servir aos seus próprios interesses. O eleitor não é mais tão bobinho para não perceber isto, e eu não voto mais em candidatos com este histórico.

Também entendo que estamos em condições de discutir a carga tributária que carregamos. Não os impostos como causa, e sim como efeito(vou sugerir trocar o nome de “imposto” por “benefício”).  Sendo mais claro: o problema não é o quanto pagamos, mas o quanto recebemos. Pagar altas alíquotas de modo geral é aceitável, o que não é aceitável é que pagamos e não recebemos. Não tem estrada, não tem educação, não tem saúde e tudo precisa ser novamente contratado de forma particular por quem pode. Numa conta simples concluo que o custo é dobrado. Vender e não entregar é estelionato, e é isto que o sistema nos impõe, pois o mesmo é incapaz de cumprir suas funções, isto hoje é claro.

Por fim, a divisão do bolo. Não podemos mais concordar que o maior percentual caiba ao governo federal. A pirâmide precisa ser invertida, e o município tem que ficar com a maior fatia, que é onde efetivamente as coisas acontecem e nós conseguimos ver e controlar. O governo federal, este ogro, repleto de privilégios e luxos não precisa ter o tamanho que tem. Apartamentos funcionais, veículos de luxo com motoristas, ascensoristas, assessores, passagens aéreas, aviões, auxílios, aposentadorias e privilégios de toda ordem(cabelo, terno e o escambau)não cabem mais. Eu não aceito mais pagar esta conta.

É o que tenho para hoje.

(sistema TBC – Tirar a Bunda da Cadeira)

 

Escrito por Fernando Baumann, 08/06/2018 às 12h50 | fernando@bba-reiki.com.br

Eu, o menino

 Não lembro bem, mas eu devia ter uns 10 anos de idade. Estudava no Colégio João Goulart com a Dona Diva. Ela tinha um fusca branco que eu adorava, placa BB 0045 se não me engano. Era o máximo!

Aos sábados tínhamos nosso momento cívico, com o canto do hino em posição de sentido em respeito ao pavilhão nacional, sempre vigiados pela Dona Orieta. Ai de algum “abobado” fazer algo errado. Sempre tinha um, é claro, mas era firmemente repreendido.

Adorava esse dia simplesmente por que era diferente.

Meus pais sempre lutaram com dificuldades para manter os quatro filhos menores. Não nos faltava nada de essencial, mas luxos não nos eram permitidos. Lembro da conga que eu usava sonhando em ter um kichute, o “the best power” do momento. Com certeza meu futebol ia melhorar(bobagem, eu era muito ruim mesmo).

Vinha de bicicleta pelas trilhas que ligavam minha casa ao colégio. Colocava um gorro na cabeça pensando que era um capacete com balaclava e pedalava me sentindo o piloto do momento. Era muito divertido mas de vez em quando dava errado. Lembro de uma vez que vinha junto com o Nabor e tentei ultrapassar ele pelo mato, só que tinha um tronco, daí foi um “pacote” fenomenal. Até hoje ele me zoa por conta disso.

Mas o mais bacana de tudo era que no sábado meus pais me davam dinheiro para comprar o lanche na escola. Que delícia! O dinheiro era contado para comprar a laranjinha na cantina e a bananinha de um senhor que vinha vender no portão.

Primeiro eu ia comprar a bananinha. Era uma “muvuca” àquelas crianças com os braços estendidos através da grade do portão com o dinheiro na mão. Eu igual desesperado e boca salivando louco pela iguaria. Então num destes sábados  de braço estendido, um outro moleque pelo lado de fora do portão arrancou o dinheiro que tinha na minha mão e saiu correndo. Fiquei paralisado, decepcionado e muito triste. Chorei muito àquele dia.

Meu desejo de todo sábado indo embora correndo feito louco por conta de um moleque safado.

Hoje sempre que vou a uma padaria procuro pela bananinha e compro. Não é mais como no passado, mas como com satisfação. Talvez àquele menino entristecido que perdeu o seu dinheiro ainda chore dentro de mim, envolvido nas doces lembranças de um passado um pouco distante.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 05/06/2018 às 13h34 | fernando@bba-reiki.com.br



1 2 3 4 5 6 7 8 9

Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade