Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Regozijo

 Tudo está certo.

Experimente subir o Morro da Cruz em Itajaí. No mirante com vista leste, para o mar,  observe a grandeza da natureza, com a visão infinita do mar fundindo-se com o horizonte, também a morraria e a própria dimensão do Morro da Cruz. Tudo está no lugar certo e concorre harmonicamente entre si. Uma beleza sensível e equilibrada.

Agora movimente-se sentido norte, indo para sobre o muro de pedras, tendo a Univali aos seus pés. A catedral e os portos de Itajaí e Navegantes um pouco mais distantes, e o movimento frenético de duas cidade ativas separadas por um rio.

Aliás, é esse rio o pano de fundo  do texto que escrevo. Vou explicar melhor o meu “causo”: em um determinado dia de atividade profissional, já no meu limite entre a sensatez e a explosão, percebendo que estava a beira de colapso pelas pressões recebidas, decidi abandonar meu posto e reequilibrar minhas energias e sai sem destino. Peguei minha moto e acabei indo para Itajaí. Preciso de contato vivo para me restabelecer, e encontro esta fonte na natureza. Seja andando descalço, curtindo minha bicicleta por locais com ar puro ou simplesmente contemplando belos visuais. Naturalmente subi o Morro da Cruz.

Lá em cima fiz minha caminhada na sequência como sugerido no primeiro parágrafo. O belo visual funcionou como um bálsamo para as minhas angústias e lentamente fui me reconectando com as energias que mantém o universo em equilíbrio, e me reequilibrei. Neste estágio de serenidade as coisas fluem e o propósito fica claro: preciso evoluir!

Em cima da mureta olhando para noroeste comecei a observar o rio Itajaí-açú, e chamou atenção o fato de até a BR 101 seu leito ser praticamente reto e, a partir dali serpentar rumo ao mar. Pensei: caramba!! Que belo exemplo a natureza está me dando. Certamente teria sido muito mais fácil para ele seguir em linha reta até o final para cumprir seu objetivo de desembocar no mar, mas por qualquer motivo ele não conseguiu. Mas não desistiu, não arrumou desculpas e não se justificou. Foi lá e fez, encontrando alternativas para superar os obstáculos, e conseguiu. Desde então trago este endimento de vida comigo.

Daquilo que teria sido apenas mais um dia ruim foi a oportunidade que tive de perceber as respostas às minhas angústias na própria natureza. A sequência de acontecimentos de início nada agradáveis foram as mesmas que me permitiram entender que tudo está certo, independente do meu sentimento a cada momento.

Então, por mais difícil que seja, tudo está certo. É a natureza que diz!

Escrito por Fernando Baumann, 06/04/2018 às 13h27 | fernando@bba-reiki.com.br

Idas e Vindas

  O que eu ganho com isso?? Esta era a frase que eu mais escutava quando estava à frente de uma entidade empresarial aqui em Balneário Camboriú. Frase pronta e corriqueira em nosso vocabulário, pode até passar despercebida, mas expressa categoricamente nosso “modus operandi”. Só nos entregamos a algo se objetivamente tivermos algum lucro pessoal e imediato.

Tive a oportunidade em visitar a HWK(Handwerkskammer) na cidade de Munique, Alemanha. A HWK, ou Câmara de Artes e Ofícios, desempenha um papel parecido com nossas entidades empresariais. Só que diferente, pois no modelo alemão a qualificação profissional é tripartite entre empresa, sindicato e governo. Perguntei a um empresário de lá se ele não se preocupava em investir anos na profissionalização de seus funcionários, e depois perde-los para a concorrência, e ele respondeu: “Não, se perco um qualificado busco outro no mercado!” É óbvio, se cada um faz sua parte, o todo é imbatível.

Por volta do ano de 2005 houve um movimento em Balneário Camboriú para a criação de uma entidade com o intuito de desenhar o futuro da cidade, com a participação maciça da sociedade civil organizada representada por suas entidades. Entendia-se que o plano caberia à sociedade e não aos governos, que são transitórios, e que a estes caberia a execução. Então criou-se o CONDES(Conselho Econômico e Social) baseado na experiência do CODEM de Maringá-PR.

De cunho consultivo e sem interesses políticos-partidários, o CONDES recebeu apoio público e de uma centena de entidades e ONG’s. Durante seus anos de existência produziu belos trabalhos até hoje presentes em nossa cidade. Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino!

Quando a máxima do primeiro parágrafo, do interesse pessoal sobrepor o coletivo, se fez valer, nosso plano de planejar sucumbiu por falta de apoio político e econômico. Falamos dos problemas de Brasília, mas Brasília está aqui, em Balneário Camboriú. Muito trabalho e dedicação deixados escapar pelo ralo. Mesmo com as conquistas,poderia ter se ido muito mais longe.

Bom, falamos de 10 anos atrás, agora vejo noticiado na imprensa local sobre movimento das entidades em prol da união frente as reinvindicações coletivas. Parece engraçado, onde estavam quando tínhamos um instrumento estruturado de discussão coletiva funcionando e engajado? Porque não se movimentaram quando foi pedido socorro? Eu tenho a minha resposta, mas não vou dizer.

Acho ótimo e apoio toda iniciativa que objetive o bem comum. Mesmo tendo perdido tempo, sempre é possível um novo recomeço. E que assim seja, coletiva e despretensiosamente discutindo profundamente quais são os NOSSOS INTERESSES.

Escrito por Fernando Baumann, 30/03/2018 às 10h28 | fernando@bba-reiki.com.br

Meu Bom, Meu Mal

Sabe, eu confesso, não é fácil lidar comigo. às vezes nem eu mesmo consigo. Não sei se pra você é assim, mas pra mim parece que sou dois, ora bonzinho ora malzinho. É um conflito interno que nunca tem fim.

Se há um lugar onde a sociedade interage é o trânsito. Todos estão ali, independente da condição econômica, social, religiosa ou partidária. E é ali que o malzinho aparece. Fico muito irritado com a falta de colaboração, a individualidade e o egoísmo. Ainda bem que o bonzinho nunca me abandona e quando o negócio esquenta ele toma a frente e dá um basta no malzinho. É difícil e chato mas tem funcionado. Mas está errado. Num determinado dia precisei ir a Florianópolis e decidi, quando liguei o carro, que deixaria o malzinho em casa. Foi incrível! Ninguém me atrapalhou, o trânsito fluiu e eu cheguei tranquilo ao meu destino. Deu tudo certo.

O que aconteceu? Onde estavam àqueles que me atrapalhavam? Pois é. Nós temos olhos que enxergam pra fora, os olhos físicos, que apontam as falhas e os erros dos outros de maneira exemplar. Àqueles que olham pra dentro, os olhos da alma, normalmente estão fechados por falta de conexão com nossa energia vital. Somos os atores principais do filme de nossas vidas, mas só temos condições de avaliar adequadamente nosso desempenho nesse papel quando saímos de cena e vamos para a plateia apreciar nosso espetáculo, que normalmente não é tão bom quanto imaginamos.

Bom, quando sai de casa achei que o malzinho tinha ficado lá. Bobagem, ele estava sentado no banco de traz. Daí na volta o pau pegou.

Hoje entendo que os dois nunca irão se separar, inclusive que é boa esta dualidade, mas que meu papel enquanto ser em evolução é buscar o equilíbrio, que não se dá pela divisão em partes iguais, mas diminuindo a importância de um e aumentando a importância do outro. Acho que essa é a minha história. Acho que essa é minha busca.

Escrito por Fernando Baumann, 23/03/2018 às 12h09 | fernando@bba-reiki.com.br

A Cadela Angelina

  

Tenho uns amigos esquisitos, daqueles que inventam caminhar longas jornadas. Zé, Agilson e Enir. São pais de família, avós até, e também muito ocupados. Se você olhar eles na rua vai até achar que são normais. Profissionais bem sucedidos em suas áreas, ficam procurando coisas pra se incomodar. E eu acabei entrando nessa de graça iludido por um deles.  Só que não.

Bom, concluímos que caminhar aqui entre Balneário, Itajaí, Camboriú e Brusque já não tinha mais graça, então resolvemos ser mais ousados, e surgiu a ideia de ir até Angelina. Plano traçado tínhamos um impedimento com o Enir, que podia ir somente até Tijucas.

Chegado o dia combinei encontrar o Agilson às 6:00h na esquina da rua 1500 com Quarta avenida. Como estava chovendo, usei uma capa vermelha antiga que não sei de onde veio, muito feia por sinal. O Agilson também usava uma capa estranha. Então um carro passou por nós e um cara colocou a cabeça pra fora do vidro e gritou: “bichooooonas”!!  Olhamos assustado um para o outro e começamos a rir. Começou bem, pensei.

Seguindo adiante encontramos Zé e Enir e caminhamos até o destino final daquele dia, em Tijucas. Os pés arrebentados de bolha e uma dor danada nas costas me faziam xingar o tempo todo o cara que teve àquela ideia idiota. De lá o Enir voltou para casa e nós fomos procurar um hotel pra dormir.

No dia seguinte, um pouco restabelecidos, seguimos caminho até Major Gercino, nossa próxima pernoite. O dia estava muito quente e fomos fritados pela radiação solar que vinha de cima e pelo calor que subia do asfalto. Um inferno! O Zé com as pernas curtinhas demorava muito tempo entre um passo e outro, quase o dobro dos demais, atrasando a viagem. Chegamos quase meia noite, isso sem antes ele tentar catequisar um ciclista embriagado que teimava em nos acompanhar.

Começamos nosso terceiro dia rumo ao destino final, Angelina. Caminho difícil mas agradável, seguia por estradinhas de chão batido e pequenos sítios, além da serrinha que dividia o ponto de partida do ponto de chegada. Nesta serrinha entre uma curva e outra o Agilson escutou o grunhido de um animal vindo de um mato ralo e foi olhar o que era. Para nossa surpresa era uma filhote de cão provavelmente abandonada ali a própria sorte por alguém sem coração. Decidido ele a acomodou no seu chapéu e disse: vou levar junto! Que cara louco. Ela estava molhada e fedida, quem sabe doente ou coisa pior. Mas ele não desistiu.

Deu muito trabalho levar a tal cadelinha. Além de pesada ela estava muito assustada. Às vezes revezávamos na função. Minha esposa veio  nos buscar em Angelina, e eu pensava se ela ia concordar em colocar àquele animal mal cheiroso dentro do seu carro. Mas como ela mesmo disse depois,  não sabia o que era do cachorro ou o que era nosso.

Essa história aconteceu a mais ou menos seis anos a traz, e hoje a cadelinha corre faceira na casa dos pais do Agilson, muito saudável e querida, e como não podia deixar de ser,  foi batizada com o nome do nosso destino: Angelina.

Escrito por Fernando Baumann, 16/03/2018 às 15h07 | fernando@bba-reiki.com.br

Maria, Maria

  

Refletindo esta semana sobre o dia da mulher lembrei de um acontecimento muito interessante que marcou definitivamente a minha vida. O ano era 2013 e estava vindo de bicicleta de Buenos Aires a Balneário Camboriú com meu amigo Luiz, num desafio contra o tempo, pedalando em média 230,0 km a cada 24:00h. Um evento muito intenso.

Desde muito tempo tenho uma ligação próxima com Maria, a mãe de Jesus. Não sei porque nem quando isso aconteceu, mas sinto sempre a presença dela, me orientando e protegendo(é certo que tenho dificuldade em escutar).

Entramos no Brasil por Uruguaiana e seguimos para Porto Alegre via BR 290. Uma rodovia sinistra e com intenso fluxo de caminhões. Pista simples e boa parte sem acostamento adequado para pedalar, o que exigia uma dose exagerada de atenção, aguçando os sentidos.

Era final do dia e àquele período do ano o sol se punha mais tarde. O Luiz, mais disposto, havia aberto uma boa distância de mim, sendo que eu já não mais o via. Foi quando senti uma uma luz me envolvendo, então imaginei que o sol tivesse surgido por detraz de alguma nuvem e criado àquele efeito encantador. Me virei para traz e pude perceber que o sol no horizonte oeste continuava tímido e encoberto, preparando para se recolher após um longo dia de exposição.

De forma natural e espontânea comecei a conversar com meus anjos e guias protetores, num desabafo em voz alta e digna  de perturbação se alguém pudesse assistir. Por sorte não havia mais nenhum ser humano naquele local. Também nem sei se veículos passaram por mim. Um papo-cabeça prá deixar as pendências em dia. Tomei muita bronca. Chorei, gritei, sorri!

Então, de repente, eles se silenciaram. Um profundo sentimento de paz acalmou meu coração. Numa fração de tempo passei a  escutar uma voz feminina e suave vinda de longe, se aproximando  cada vez mais até ficar compreensível. Imediatamente reconheci Maria, a mãe de Jesus. Seu amor e sua luz confirmaram toda a minha crença na existência de um Deus bondoso e justo, de amor, esperança e perdão.

Não tenho noção de quanto tempo se passou, se uma hora ou um minuto.

Quando Maria se foi e retomei o meu estado de consciência física me senti pleno, num profundo sentimento de  contemplação e gratidão pelo que tinha acontecido. Jamais  vi isso. Mas as surpresas não tinham acabado, pois nesse momento olho para a esquerda e no acostamento do outro lado da rodovia avisto um grande altar com a imagem da mãe de Jesus. Em estado de graça paro a minha bicicleta, ajoelho e oro.

Seguindo viajem em razão do objetivo a cumprir, quilômetros a frente chego a cidade de Rosário do Sul e entendo o por que da imagem a beira da rodovia.

Até hoje sempre que lembro ou conto esta história a alguém sinto um arrepio percorrer o meu corpo de ponta-a-ponta. Foi uma experiência única e indivisível e que cabe apenas a mim saber o quanto foi real. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/03/2018 às 15h48 | fernando@bba-reiki.com.br

Fato Relevante

Desenvolvi minha atividade profissional no ramo de esquadrias de alumínio, onde utilizávamos perfis para este fim. Este material vinha de fábrica já tratado com o acabamento superficial que dá a proteção e a cor. Para a montagem das esquadrias é necessário o corte destes perfis, que causa um dano as suas bordas e são corrigidas com retoque manual de tinta e pincel.

Tínhamos a época estoque de cores diversas, comprado em latas pequenas dado o retoque ser um detalhe, e também porque invariavelmente as mesmas eram descartadas antes de acabar seu conteúdo, pela simples razão de mau uso e inadequado fechamento da tampa, por conta do acúmulo de tinta em sua borda. Os longos e persistentes anos ceifaram minha tolerância para com este assunto.

Num determinado dia estava em reunião com nosso encarregado de instalação mais um ajudante de serviços gerais, este último o menos escolarizado de nossos funcionários, tratando de assuntos relativos a um cliente, quando o encarregado de produção entrou na sala e falou: “Fernando, mais uma lata que estou jogando fora porque a tinta secou”!

Fiquei enlouquecido e falei: “o cara que fez isso é um ##########!”

Percebi que o semblante do nosso funcionário menos estudado ficou diferente mas não dei bola, continuei com meu desabafo.

Naquele mesmo dia no final da tarde este funcionário veio ao meu encontro e disse: “Fernando, eu não sou àquilo que você falou. Fui eu que amassei a lata.”

Minha cara caiu no chão. Por mais que eu tivesse razão não tinha o direito de agir como agi. Independente do acontecimento, respeito e tolerância são condições primeira para o convívio entre as pessoas, e eu quebrei  essa premissa. Àquele homem simples me deu uma grande lição.

O que pude fazer minimamente para reparar meu erro foi chamar as pessoas envolvidas no fato e pedir desculpas a ele. Também aproveitei para agradecer a sua iniciativa em falar, e na oportunidade que deu em me retratar e corrigir ante uma atitude tão grave.

Reconheci a duras penas que mesmo em posição hierárquica superior, não sou melhor do que ninguém.

Foi muito dolorido mais valeu.

 

Escrito por Fernando Baumann, 02/03/2018 às 18h12 | fernando@bba-reiki.com.br



1 2 3 4 5 6

Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br