Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Apenas provas de amor

 Quando levanto de manhã, ato contínuo a higiene básica é ler as principais notícias nos jornais que tenho acesso. Demoro um bom tempo nisso. O Página 3 de hoje fala sobre importantes obras viárias licitadas pela prefeitura municipal de Balneário Camboriú, que visam melhorar o fluxo de veículos. Li e guardei a informação no “meu” HD.

Moro na região da Quarta Avenida e trabalho no bairro Nova Esperança. Sempre que possível vou de bicicleta, por três objetivos: ativar meu corpo, não poluir e colaborar com um carro a menos. Hoje foi um desses dias. Temperatura agradável e céu claro atiçaram meu desejo de pedalar, sem falar que não tinha nenhum compromisso fora da empresa.

Este trecho demora em média 15 minutos de bicicleta, no que aproveito para repassar minha agenda ou então para refletir sobre qualquer assunto, deixando minha mente livre para fluir por onde desejar.

Já na Quarta Avenida indo para a minha empresa, nos cruzamentos com semáforos, deparo com a dificuldade por conta de não haver sinalização para as bicicletas. Em que momento eu posso passar? Passo quando está aberto para a avenida ou para quando está aberto para a rua transversal? Então busco no “meu” HD a informação que li no Página 3 hoje de manhã. Novas vias, ligações, novas ruas...

As eleições municipais de 2016 já ocorreram num cenário de indignação e mudanças. Lembro que os primeiros movimentos mais substanciais aconteceram em 2013. Quando fomos às urnas já falávamos de uma nova consciência e de um novo perfil dos postulantes aos cargos públicos, e também da melhoria na qualidade das escolhas e de uma nova ordem pública.

Novas ideias, novo sangue e juventude.

Tento muito perceber mudanças, mas não consigo. Talvez seja consequência da minha visão míope ou da minha incapacidade de entender as entranhas do poder e a dificuldade de movimentar este mastodonte.

Ouço e leio sobre mega projetos daqui e dali, mas não vejo nada com relação aos detalhes, ao carinho que os munícipes merecem receber nas pequenas ações. Vou exemplificar: apesar de existir em boa quantidade, as ciclovias são péssimas, mal projetadas e mal executadas(a recém inaugurada no prolongamento da Quarta Avenida empossa água); as calçadas não tem cuidado algum, cheias de desníveis e inclinações, sem falar nas lixeiras plantadas em cima delas, um risco eminente; sinaleiras sem estágio para travessia de pedestres; pedintes e desocupados por todos os cantos; venda de produtos em sinaleiras, farto consumo de drogas na orla  e assim vai. Tenho uma relação enorme para publicar se necessário, fáceis de executar, é só querer fazer.

Mas aí vem o ponto central deste texto. Aonde estão as figuras públicas responsáveis por isso? Àquelas eleitas em 2016 para uma nova ordem? Cadê os vereadores para fiscalizar, que é a principal função deles? Ah desculpe, não havia lembrado, estão preocupados em conceder homenagens e participar da próxima corrida eleitoral. Realmente uma grande atribuição para este tempo que exige mudanças urgentes.

Sou um eterno otimista e sempre acredito que, mesmo piorando, as coisas podem melhorar. Tenho muita alegria em viver numa das melhores regiões que, apesar de tudo, está a frente de muitas outras. Mas apenas novas ideias não bastam, é preciso ter novas atitudes. E então se está bom vamos cuidar para não piorar. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/08/2018 às 09h52 | fernando@bba-reiki.com.br

A trama

 Acredito na transformação através do diálogo e da discussão de ideias, e também no poder do entendimento mesmo quando discordante. A razão não é propriedade particular de um determinado ser, e sim o entendimento coletivo construído ao longo do tempo. Participar do processo eleitoral é fundamental, como também após a posse, contribuindo para a melhoria do que está aí.

Entendo que toda a dificuldade e instabilidade política que estamos vivenciando é de extrema importância para a melhoria do sistema. O fogo transforma e também dói bastante, mas é necessário.

Na reta final da definição dos candidatos, percebo grande movimentação entre os partidos políticos, num verdadeiro frenesi de intenções e possibilidades. Como eleitor me interesso pelo tema, até porque mesmo não concordando com muito do que está aí, não posso deixar de participar do processo, tomando a decisão da escolha, que não será branca nem nula.

Infelizmente temos muitos motivos para não pensar assim. Os partidos continuam tendo dono, sendo geridos como um negócio. A discussão ideológica ou de ideias está longe da pauta, o que deveria ser assunto primeiro dada a grave crise. Não vi em nenhum momento algum partido destes que estão aí assumir alguma responsabilidade sobre o que está acontecendo. Chamar para si o compromisso de acertar, admitindo que errou. Isto sim seria um ato de extrema grandeza. Até parece que os acontecimentos são obra do acaso. Engraçado, todos se dizem vítimas!

Observando o momento tenho a sensação de que pouco aprendemos com as dificuldades vividas. Na apresentação dos pré-candidatos nada se fala sobre planos efetivos de governo e ações concretas de restabelecimento da ordem econômica, social e política. O próximo governo tem uma bomba relógio para desarmar, queira ele ou não.

Traições, acertos e interesses espúrios ainda estão na pauta das composições que herdarão(ou continuarão) o próximo governo. Cabe ao eleitor então, dentro do seu entendimento, depurar isto que está aí. Não dá para ficar alheio ou fazer de conta que tanto faz, por que não é verdade. Por mais difícil que seja, a escolha precisa ser feita.

Eu ainda não sei em quem vou votar(também nuca participei de pesquisa de intenção), mas já defini duas premissas: não voto em candidato que esteja cumprindo mandato ou que tenha renunciado para concorrer; para quem conseguir, vou avisar que vou votar nele, para que ele saiba que vou cobrar.

O momento é ótimo. Sorte pra nós!

Escrito por Fernando Baumann, 03/08/2018 às 09h24 | fernando@bba-reiki.com.br

Materialidade

Nossa cidade é destaque em aparências. Talvez pela praia ou pelo clima, ou então pelo multiculturalismo, e também pela vida noturna. Possivelmente tudo isso junto e mais algumas coisas que não consigo alcançar.

O culto ao corpo encontra aqui forte adesão, junto com veículos espetaculares e apartamentos deslumbrantes. Balneário é lugar para aparecer e causar. Conheci algumas pessoas que em sua cidade de origem levavam vida simples e regrada, e que aqui se soltavam. Algo errado com isso? Acho que não, a “wibe” aqui é outra. E também os carnês na gaveta não importam, isso ninguém vê.

Quando comecei a usar bicicleta em meus deslocamentos diários, muito antes de virar moda e ter ciclovias, houve alguns conhecidos que me ligaram perguntando se eu estava precisando de ajuda, como se o veículo falasse da minha situação financeira. Eu ria e agradecia, dizendo que tinha muito pouco, mas o suficiente para viver com dignidade.

Teve inclusive uma passagem muito engraçada. Numa transmissão de presidência de uma importante entidade que já dirigi, realizada num hotel bem bacana aqui de Balneário, fui de bicicleta pela facilidade do estacionamento, já que o evento era em área central da cidade. Chegando lá de terno e gravata pretos o manobrista olhou para mim e num movimento rápido bateu dois dedos em cima do relógio de pulso e disse: “você está atrasado, os garçons já estão servindo os convidados”, e me encaminhou pela porta de serviços para um rápido acesso ao local de trabalho. Não falei nada e entrei no clima, me divertindo com a situação. Pena que no final da noite fiquei sem as gorjetas!

Não quero aqui impor meu olhar sobre o tema, pois cada um o faz conforme a sua medida. Ter ou ser. Ser ou ter. Cada um decide o seu caminho.

Essa é apenas a minha percepção de um mundo cada vez mais visual que valoriza posses antes de virtudes. 

Escrito por Fernando Baumann, 25/07/2018 às 10h08 | fernando@bba-reiki.com.br

A escuridão

 Muitas vezes me pego pensando por que estou aqui, aliás, por que não, mas para que. Qual o meu objetivo e a minha missão enquanto ser humano? Acredito que pela perfeição e detalhamento do “projeto” certamente não é apenas para passear ou gozar os prazeres da carne. Não teria muito sentido isso pois é tudo efêmero e ilusório.

Olhando uma foto aérea de um rio com vários barcos notei a marola produzida no rastro de suas passagens. Me chamou a atenção que apesar de suave e delicada as jornadas deixavam rastros que mudavam conforme o tipo e possivelmente a velocidade e modo de condução de cada embarcação. Então é isso: qual o rastro que estou deixando? Se tudo é transitório, qual a minha marola?

Não sei como é para você, mas eu tenho o hábito de reclamar dos outros e achar que eu sempre estou certo, que a minha verdade é a que vale e que o meu mundo é melhor que o do outro. Por muito tempo acreditei que minha missão seria consertar tudo que está aí. Por vezes ainda penso assim.

Por me achar perfeito cego meus olhos às verdades expostas. Talvez por querer esconder os meus defeitos procuro encontrar os dos outros. E qual o resultado disso? Qual a minha “marola”?

Na lida diária da existência, entre tombos sequenciais que dilapidam o meu estado de auto proteção, janelas de luz abrem caminho a compreensão de que sou um ser em desenvolvimento, que está no controle de suas decisões e de que é incapaz de corrigir o que está fora. Verdade dita, isto é impossível e desnecessário.

A marola dos outros até impactam na minha estabilidade, mas eu não posso impedir nem corrigir. Elas são o que são. O que eu preciso e devo é corrigir a minha marola. Esta é a minha missão aqui.

Difícil, não impossível.

Então eu quero e posso!

Escrito por Fernando Baumann, 18/07/2018 às 10h43 | fernando@bba-reiki.com.br

Mentes tão bem

 A mente, esta parte incorpórea ou sensível do ser humano, onde se desenvolve o raciocínio e o intelecto, é originada do latim méntem e significa pensar, conhecer, entender, e também medir, visto que alguém que pensa não faz outro que medir, ponderar as idéias(Wilkipedia).

Mas análogo ao significado original, também quero acrescentar a comparação com o verbo mentir. Mente de mentir. Normalmente nossa mente nos trai, levando nossos pensamentos para o passado, pensando no que poderíamos ter feito, ou para o futuro, pensando no que vamos fazer. É muito difícil nos mantermos em estado de plenitude, que é viver o presente pelo presente.

Ora, se o passado não volta e o futuro não existe, porque nossa mente transita nesses dois momentos? Simples, porque ela nos poupa do medo que temos de enfrentar nossas realidades e frustrações. Assim fica fácil transferir a responsabilidade para os outros e não assumir as nossas próprias.

Escuto dizer que a saúde é o bem mais precioso, mas quero aqui discordar. Entendo que o bem mais precioso é o momento presente, o aqui e agora, que não dá pra reservar ou estocar. Ele é o que é e não se repete. Do que adianta a saúde se a vida não existir?

Não tenho formação e tão pouco sou estudioso disso,  mas presto atenção em fatos. Olhe para a criança que aprende a andar. Durante muito tempo ela conhece o desequilíbrio. Somente após entender como funciona o desequilíbrio que ela conhece o equilíbrio, daí aprende a andar. Sua mente está livre, não julga e não restringe sua capacidade considerando-se inferior as demais crianças. Simplesmente vai.

Trabalhei durante 12 anos sem tirar férias, achei que estava fazendo o que era o certo, até que um dia minha filha, então com 09 anos, olhou pra mim e disse: pai, porque você não sorri? Você fica mais bonito quando sorri!

Desperdiçamos nosso tempo valorizando tanta coisa inútil. A vida, esse milagre Divino, jogado ao ócio por prazeres fúteis, condicionado a um pensamento atrasado ou adiantado, que não se ocupa em estar “no tempo”, que é o estado de graça e plenitude da existência.

Desculpe, acho que esse texto está um tanto confuso, sem ser muito claro ou inteligível, talvez por conta do tema difícil, ou da minha mente que não para de pensar nas contas que tenho que pagar amanhã, ao invés de curtir o descanso de hoje.

Triste fim de domingo.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/07/2018 às 17h42 | fernando@bba-reiki.com.br

É nóis!

 Não são os políticos, isso é papo furado!!

Estou ficando desorientado com tanta besteira que estamos falando por aí, dizendo que a responsabilidade por tudo que está acontecendo é deles, chega de tanta bobagem. Vamos parar de transferir nossa responsabilidade e culpa, assumindo o compromisso de mudar o que está aí a partir de nós?

Os bobalhões que se divertem em país estrangeiro humilhando uma pessoa que desconhece a língua significa o que? O esperto do funcionário de uma loja na rua da minha casa que vem de moto contramão todo dia porque tem preguiça de dar a volta na quadra é o que?

Outro exemplo: semana passada fui ao Rio, e chegando próximo a serra das Araras o trânsito estava impedido por conta do tombamento de uma carreta. Então quando vêm uma ambulância todos dão um jeito de liberar espaço para ela passar, mas aí atrás segue um batalhão de sem noção aproveitando a oportunidade de burlar a fila. Sem falar os que passaram pelo acostamento!

Mais um: almoço habitualmente num restaurante na terceira avenida que invariavelmente lota, então algumas pessoas que entram já procuram mesa livre e a reservam com bolsas, celulares e chaves, chamando de idiota àqueles que se servem primeiro para depois sentar,  que é a ordem natural das coisas.  Amigo leitor, sinceramente, o que significa isso para você?

Então são os políticos os abestados que destroem o país, ou é nossa falta de cultura, individualidade, ganância e egoísmo? Nos achamos espertos, safos ou o que quer que seja, sendo que na verdade somos a pólvora que destrói o tecido social, e as consequências estão aí: “os políticos”. A verdade é a seguinte, não estamos nem aí para o outro. Ele que se dane. Farinha pouca meu pirão primeiro.

Recentemente li em importante definição que precisamos do termo VOE para mudar nosso modelo comportamental, que significa combater a Vaidade, o Orgulho e o Egoísmo. Somados, estes três elementos compõe o coquetel da insanidade social que vivemos. O resto é consequência. Tem dúvida de que nossa sociedade está doente? Observe o trânsito.

Chega de falação!! Voe, voe, voe, para poder decolar desse chão de misérias míopes.

É “nóis”, pombas.

 

Escrito por Fernando Baumann, 26/06/2018 às 10h12 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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Por Fernando Baumann

Apenas provas de amor

 Quando levanto de manhã, ato contínuo a higiene básica é ler as principais notícias nos jornais que tenho acesso. Demoro um bom tempo nisso. O Página 3 de hoje fala sobre importantes obras viárias licitadas pela prefeitura municipal de Balneário Camboriú, que visam melhorar o fluxo de veículos. Li e guardei a informação no “meu” HD.

Moro na região da Quarta Avenida e trabalho no bairro Nova Esperança. Sempre que possível vou de bicicleta, por três objetivos: ativar meu corpo, não poluir e colaborar com um carro a menos. Hoje foi um desses dias. Temperatura agradável e céu claro atiçaram meu desejo de pedalar, sem falar que não tinha nenhum compromisso fora da empresa.

Este trecho demora em média 15 minutos de bicicleta, no que aproveito para repassar minha agenda ou então para refletir sobre qualquer assunto, deixando minha mente livre para fluir por onde desejar.

Já na Quarta Avenida indo para a minha empresa, nos cruzamentos com semáforos, deparo com a dificuldade por conta de não haver sinalização para as bicicletas. Em que momento eu posso passar? Passo quando está aberto para a avenida ou para quando está aberto para a rua transversal? Então busco no “meu” HD a informação que li no Página 3 hoje de manhã. Novas vias, ligações, novas ruas...

As eleições municipais de 2016 já ocorreram num cenário de indignação e mudanças. Lembro que os primeiros movimentos mais substanciais aconteceram em 2013. Quando fomos às urnas já falávamos de uma nova consciência e de um novo perfil dos postulantes aos cargos públicos, e também da melhoria na qualidade das escolhas e de uma nova ordem pública.

Novas ideias, novo sangue e juventude.

Tento muito perceber mudanças, mas não consigo. Talvez seja consequência da minha visão míope ou da minha incapacidade de entender as entranhas do poder e a dificuldade de movimentar este mastodonte.

Ouço e leio sobre mega projetos daqui e dali, mas não vejo nada com relação aos detalhes, ao carinho que os munícipes merecem receber nas pequenas ações. Vou exemplificar: apesar de existir em boa quantidade, as ciclovias são péssimas, mal projetadas e mal executadas(a recém inaugurada no prolongamento da Quarta Avenida empossa água); as calçadas não tem cuidado algum, cheias de desníveis e inclinações, sem falar nas lixeiras plantadas em cima delas, um risco eminente; sinaleiras sem estágio para travessia de pedestres; pedintes e desocupados por todos os cantos; venda de produtos em sinaleiras, farto consumo de drogas na orla  e assim vai. Tenho uma relação enorme para publicar se necessário, fáceis de executar, é só querer fazer.

Mas aí vem o ponto central deste texto. Aonde estão as figuras públicas responsáveis por isso? Àquelas eleitas em 2016 para uma nova ordem? Cadê os vereadores para fiscalizar, que é a principal função deles? Ah desculpe, não havia lembrado, estão preocupados em conceder homenagens e participar da próxima corrida eleitoral. Realmente uma grande atribuição para este tempo que exige mudanças urgentes.

Sou um eterno otimista e sempre acredito que, mesmo piorando, as coisas podem melhorar. Tenho muita alegria em viver numa das melhores regiões que, apesar de tudo, está a frente de muitas outras. Mas apenas novas ideias não bastam, é preciso ter novas atitudes. E então se está bom vamos cuidar para não piorar. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/08/2018 às 09h52 | fernando@bba-reiki.com.br

A trama

 Acredito na transformação através do diálogo e da discussão de ideias, e também no poder do entendimento mesmo quando discordante. A razão não é propriedade particular de um determinado ser, e sim o entendimento coletivo construído ao longo do tempo. Participar do processo eleitoral é fundamental, como também após a posse, contribuindo para a melhoria do que está aí.

Entendo que toda a dificuldade e instabilidade política que estamos vivenciando é de extrema importância para a melhoria do sistema. O fogo transforma e também dói bastante, mas é necessário.

Na reta final da definição dos candidatos, percebo grande movimentação entre os partidos políticos, num verdadeiro frenesi de intenções e possibilidades. Como eleitor me interesso pelo tema, até porque mesmo não concordando com muito do que está aí, não posso deixar de participar do processo, tomando a decisão da escolha, que não será branca nem nula.

Infelizmente temos muitos motivos para não pensar assim. Os partidos continuam tendo dono, sendo geridos como um negócio. A discussão ideológica ou de ideias está longe da pauta, o que deveria ser assunto primeiro dada a grave crise. Não vi em nenhum momento algum partido destes que estão aí assumir alguma responsabilidade sobre o que está acontecendo. Chamar para si o compromisso de acertar, admitindo que errou. Isto sim seria um ato de extrema grandeza. Até parece que os acontecimentos são obra do acaso. Engraçado, todos se dizem vítimas!

Observando o momento tenho a sensação de que pouco aprendemos com as dificuldades vividas. Na apresentação dos pré-candidatos nada se fala sobre planos efetivos de governo e ações concretas de restabelecimento da ordem econômica, social e política. O próximo governo tem uma bomba relógio para desarmar, queira ele ou não.

Traições, acertos e interesses espúrios ainda estão na pauta das composições que herdarão(ou continuarão) o próximo governo. Cabe ao eleitor então, dentro do seu entendimento, depurar isto que está aí. Não dá para ficar alheio ou fazer de conta que tanto faz, por que não é verdade. Por mais difícil que seja, a escolha precisa ser feita.

Eu ainda não sei em quem vou votar(também nuca participei de pesquisa de intenção), mas já defini duas premissas: não voto em candidato que esteja cumprindo mandato ou que tenha renunciado para concorrer; para quem conseguir, vou avisar que vou votar nele, para que ele saiba que vou cobrar.

O momento é ótimo. Sorte pra nós!

Escrito por Fernando Baumann, 03/08/2018 às 09h24 | fernando@bba-reiki.com.br

Materialidade

Nossa cidade é destaque em aparências. Talvez pela praia ou pelo clima, ou então pelo multiculturalismo, e também pela vida noturna. Possivelmente tudo isso junto e mais algumas coisas que não consigo alcançar.

O culto ao corpo encontra aqui forte adesão, junto com veículos espetaculares e apartamentos deslumbrantes. Balneário é lugar para aparecer e causar. Conheci algumas pessoas que em sua cidade de origem levavam vida simples e regrada, e que aqui se soltavam. Algo errado com isso? Acho que não, a “wibe” aqui é outra. E também os carnês na gaveta não importam, isso ninguém vê.

Quando comecei a usar bicicleta em meus deslocamentos diários, muito antes de virar moda e ter ciclovias, houve alguns conhecidos que me ligaram perguntando se eu estava precisando de ajuda, como se o veículo falasse da minha situação financeira. Eu ria e agradecia, dizendo que tinha muito pouco, mas o suficiente para viver com dignidade.

Teve inclusive uma passagem muito engraçada. Numa transmissão de presidência de uma importante entidade que já dirigi, realizada num hotel bem bacana aqui de Balneário, fui de bicicleta pela facilidade do estacionamento, já que o evento era em área central da cidade. Chegando lá de terno e gravata pretos o manobrista olhou para mim e num movimento rápido bateu dois dedos em cima do relógio de pulso e disse: “você está atrasado, os garçons já estão servindo os convidados”, e me encaminhou pela porta de serviços para um rápido acesso ao local de trabalho. Não falei nada e entrei no clima, me divertindo com a situação. Pena que no final da noite fiquei sem as gorjetas!

Não quero aqui impor meu olhar sobre o tema, pois cada um o faz conforme a sua medida. Ter ou ser. Ser ou ter. Cada um decide o seu caminho.

Essa é apenas a minha percepção de um mundo cada vez mais visual que valoriza posses antes de virtudes. 

Escrito por Fernando Baumann, 25/07/2018 às 10h08 | fernando@bba-reiki.com.br

A escuridão

 Muitas vezes me pego pensando por que estou aqui, aliás, por que não, mas para que. Qual o meu objetivo e a minha missão enquanto ser humano? Acredito que pela perfeição e detalhamento do “projeto” certamente não é apenas para passear ou gozar os prazeres da carne. Não teria muito sentido isso pois é tudo efêmero e ilusório.

Olhando uma foto aérea de um rio com vários barcos notei a marola produzida no rastro de suas passagens. Me chamou a atenção que apesar de suave e delicada as jornadas deixavam rastros que mudavam conforme o tipo e possivelmente a velocidade e modo de condução de cada embarcação. Então é isso: qual o rastro que estou deixando? Se tudo é transitório, qual a minha marola?

Não sei como é para você, mas eu tenho o hábito de reclamar dos outros e achar que eu sempre estou certo, que a minha verdade é a que vale e que o meu mundo é melhor que o do outro. Por muito tempo acreditei que minha missão seria consertar tudo que está aí. Por vezes ainda penso assim.

Por me achar perfeito cego meus olhos às verdades expostas. Talvez por querer esconder os meus defeitos procuro encontrar os dos outros. E qual o resultado disso? Qual a minha “marola”?

Na lida diária da existência, entre tombos sequenciais que dilapidam o meu estado de auto proteção, janelas de luz abrem caminho a compreensão de que sou um ser em desenvolvimento, que está no controle de suas decisões e de que é incapaz de corrigir o que está fora. Verdade dita, isto é impossível e desnecessário.

A marola dos outros até impactam na minha estabilidade, mas eu não posso impedir nem corrigir. Elas são o que são. O que eu preciso e devo é corrigir a minha marola. Esta é a minha missão aqui.

Difícil, não impossível.

Então eu quero e posso!

Escrito por Fernando Baumann, 18/07/2018 às 10h43 | fernando@bba-reiki.com.br

Mentes tão bem

 A mente, esta parte incorpórea ou sensível do ser humano, onde se desenvolve o raciocínio e o intelecto, é originada do latim méntem e significa pensar, conhecer, entender, e também medir, visto que alguém que pensa não faz outro que medir, ponderar as idéias(Wilkipedia).

Mas análogo ao significado original, também quero acrescentar a comparação com o verbo mentir. Mente de mentir. Normalmente nossa mente nos trai, levando nossos pensamentos para o passado, pensando no que poderíamos ter feito, ou para o futuro, pensando no que vamos fazer. É muito difícil nos mantermos em estado de plenitude, que é viver o presente pelo presente.

Ora, se o passado não volta e o futuro não existe, porque nossa mente transita nesses dois momentos? Simples, porque ela nos poupa do medo que temos de enfrentar nossas realidades e frustrações. Assim fica fácil transferir a responsabilidade para os outros e não assumir as nossas próprias.

Escuto dizer que a saúde é o bem mais precioso, mas quero aqui discordar. Entendo que o bem mais precioso é o momento presente, o aqui e agora, que não dá pra reservar ou estocar. Ele é o que é e não se repete. Do que adianta a saúde se a vida não existir?

Não tenho formação e tão pouco sou estudioso disso,  mas presto atenção em fatos. Olhe para a criança que aprende a andar. Durante muito tempo ela conhece o desequilíbrio. Somente após entender como funciona o desequilíbrio que ela conhece o equilíbrio, daí aprende a andar. Sua mente está livre, não julga e não restringe sua capacidade considerando-se inferior as demais crianças. Simplesmente vai.

Trabalhei durante 12 anos sem tirar férias, achei que estava fazendo o que era o certo, até que um dia minha filha, então com 09 anos, olhou pra mim e disse: pai, porque você não sorri? Você fica mais bonito quando sorri!

Desperdiçamos nosso tempo valorizando tanta coisa inútil. A vida, esse milagre Divino, jogado ao ócio por prazeres fúteis, condicionado a um pensamento atrasado ou adiantado, que não se ocupa em estar “no tempo”, que é o estado de graça e plenitude da existência.

Desculpe, acho que esse texto está um tanto confuso, sem ser muito claro ou inteligível, talvez por conta do tema difícil, ou da minha mente que não para de pensar nas contas que tenho que pagar amanhã, ao invés de curtir o descanso de hoje.

Triste fim de domingo.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/07/2018 às 17h42 | fernando@bba-reiki.com.br

É nóis!

 Não são os políticos, isso é papo furado!!

Estou ficando desorientado com tanta besteira que estamos falando por aí, dizendo que a responsabilidade por tudo que está acontecendo é deles, chega de tanta bobagem. Vamos parar de transferir nossa responsabilidade e culpa, assumindo o compromisso de mudar o que está aí a partir de nós?

Os bobalhões que se divertem em país estrangeiro humilhando uma pessoa que desconhece a língua significa o que? O esperto do funcionário de uma loja na rua da minha casa que vem de moto contramão todo dia porque tem preguiça de dar a volta na quadra é o que?

Outro exemplo: semana passada fui ao Rio, e chegando próximo a serra das Araras o trânsito estava impedido por conta do tombamento de uma carreta. Então quando vêm uma ambulância todos dão um jeito de liberar espaço para ela passar, mas aí atrás segue um batalhão de sem noção aproveitando a oportunidade de burlar a fila. Sem falar os que passaram pelo acostamento!

Mais um: almoço habitualmente num restaurante na terceira avenida que invariavelmente lota, então algumas pessoas que entram já procuram mesa livre e a reservam com bolsas, celulares e chaves, chamando de idiota àqueles que se servem primeiro para depois sentar,  que é a ordem natural das coisas.  Amigo leitor, sinceramente, o que significa isso para você?

Então são os políticos os abestados que destroem o país, ou é nossa falta de cultura, individualidade, ganância e egoísmo? Nos achamos espertos, safos ou o que quer que seja, sendo que na verdade somos a pólvora que destrói o tecido social, e as consequências estão aí: “os políticos”. A verdade é a seguinte, não estamos nem aí para o outro. Ele que se dane. Farinha pouca meu pirão primeiro.

Recentemente li em importante definição que precisamos do termo VOE para mudar nosso modelo comportamental, que significa combater a Vaidade, o Orgulho e o Egoísmo. Somados, estes três elementos compõe o coquetel da insanidade social que vivemos. O resto é consequência. Tem dúvida de que nossa sociedade está doente? Observe o trânsito.

Chega de falação!! Voe, voe, voe, para poder decolar desse chão de misérias míopes.

É “nóis”, pombas.

 

Escrito por Fernando Baumann, 26/06/2018 às 10h12 | fernando@bba-reiki.com.br



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