Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Pobres homens bons

 Levado pelo momento, onde ataques morais ganham relevância subjugando a beleza da criação humana, estava eu buscando entender qual o nosso elemento vital, àquilo que de fato nos caracteriza, que nos faz ser bons ou não, se é que isso existe.

Entendo por crença particular que todos os seres são bons. Trazemos isto em nossa característica essencial, no sopro existencial da origem. Talvez a natureza, a combinação específica de qualidades e não qualidades, seja o ponto de inflexão.

Mas como esta natureza se compõe? Não sei exatamente, mas penso que seja um somatório de muitas variáveis difíceis de se repetir mais de uma vez. Para começar, a razão pela qual cada um nasceu, que entendo diferente dado o nível de evolução individual. Depois vem a herança genética e histórica da família. Também a educação (princípios, valores e limites) que cada um recebeu. Por fim o ambiente onde tudo isso se desenvolveu, se terra fértil ou arrasada.

Numa comparação, arrisco a dizer que a essência é o veículo, a natureza é o motorista e o propósito é o destino. Com a natureza consolidada, seguimos então o caminho em busca do nosso propósito, desconhecendo o outro veículo que está ao lado.

 Então quem é cada um de nós para julgar o outro, para apontar o que é certo ou errado, classificando os bons e os não bons? Claro, tudo em sua devida proporção.

Ataques verbais que objetivam desconstruir a conduta moral de oponentes me parece muito mais uma reação a incapacidade de discutir ideias e pontos de vista do que propriamente um alerta sobre possíveis ameaças comportamentais. Eu entendo o ataque como uma fraqueza, o avanço sobre uma ameaça.

O ringue eleitoral expõe o apodrecimento comportamental das relações coletivas. Mas também não é apenas neste ambiente. Vivemos uma sociedade histérica e doentia que gosta de sangue e se alimenta da carniça ética e moral, àquilo que sobrou de nós.

Mas a essência é pura e a natureza é manipulável. Apesar dos gladiadores modernos, continuo acreditando que somos todos bons. Ruim é o que fazemos com isso.

 

Escrito por Fernando Baumann, 19/10/2018 às 13h21 | fernando@bba-reiki.com.br

Nuances

 Percebo, olho, desconfio,

A forte presença de enxofre no ar,

Pólvora na mão denuncia,

A ideia agora é matar.

 

Matar a opinião alheia,

Porque a verdade comigo está,

De jeito nenhum eu aceito,

O que o outro de mim discordar.

 

Tempos estranhos, tudo parece fora do lugar;

A justa forma sobreposta ao padrão,

onde o padrão fora de moda está.

 

Amigos te enquadram querendo saber de que lado está,

Como se fosse possível construir um país,

Tomando gosto de cá ou de lá.

 

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 10/10/2018 às 15h11 | fernando@bba-reiki.com.br

O país do faz de conta

 Véspera de eleições e os ânimos exaltados começam a aparecer situações indesejadas. Como o exemplo de empresários que publicam mensagens em tom inadequado contendo opiniões implícitas mas compreensíveis sobre possível vitória de candidato A ou B.

Os empresários não são apenas agentes econômicos, mas principalmente sociais, gerando empregos e distribuição de rendas, bem como o recolhimento de impostos que devidamente utilizados servem para a investimentos em saúde, educação e outros. Os empresários são em essência agentes de transformação social, mesmo que o objetivo principal seja o lucro ou a própria sobrevivência. Sua responsabilidade é gigantesca.

Então é de extrema relevância que cada qual cuide daquilo que expressa. Não é “o que”, é “o como”. A extensão da fala em tempos digitais é de longo alcance, aplicado a isso a importância de quem fala, têm-se a natureza do resultado. Não é a questão de ter medo ou não, é apenas prudência e respeito às opiniões contraditórias. Falar em exercício a democracia é em essência entender o outro, não necessariamente concordando. Respeito é via de mão dupla.

Mas aí tem um ponto que me perturba, e muito. Essas falas geraram inúmeras manifestações, intensamente exploradas pela mídia como algo inusitado. Mas qual a novidade? Aonde isso nunca aconteceu? Olhem os exemplos dos governos, principalmente os locais por que é onde as relações são mais próximas e perceptíveis, que usam toda a estrutura em prol do seus candidatos?

O que dizer dos cargos nomeados que são convocados para fazer campanha para o candidato da situação? Convocados e ameaçados de desligamento caso não cumpram a determinação? Ora, eu havia entendido que os tempos eram outros, que as escolhas eram técnicas e não mais apenas por apadrinhamento partidário. O executivo definir publicamente seu apoio é algo normal e esperado, mas fazer toda a máquina pública trabalhar a favor, não. Se é para ser assim então esquece mudança. Alguém vê isso?

Ah, mas isto é do jogo...justamente, se é do jogo então não vai mudar. A mesma receita não faz um bolo diferente. 

Mais quanto tempo vamos viver na escuridão?

Escrito por Fernando Baumann, 03/10/2018 às 10h34 | fernando@bba-reiki.com.br

A serenidade

 Às vésperas da eleição de outubro, sinto que percorremos um curto caminho longo, que não estamos preparados para vivenciar o que ai está posto. Assim como exigimos que os partidos políticos revejam sua conduta, que façam o dever de olhar para dentro e assumir onde erraram, nós eleitores precisamos fazer o mesmo.

Me parece que estamos experimentando a democracia da pior forma possível, com divisão de classes e opiniões tão extremadas que beiram a insanidade. Ser democrático é ter a possibilidade de expressar opiniões as mais diversas, mas não é só isso. Ser democrático é também ter a capacidade de ouvir opiniões diferentes das nossas e aceita-las como são.

E não só na política. Isto está intrínseco na religião e no esporte, o futebol em especial. Até a questão de gênero virou base para acaloradas discussões. Como ser de um jeito ou de outro nos torna menos iguais. Nascemos e morremos do mesmo jeito, é só fazer uma visita a maternidade e ao cemitério para verificar.

No meu entendimento falta capacidade de diálogo, onde saber ouvir e não falar faz toda a diferença. Falta respeito por quem discorda e tolerância para quem é diferente. Aliás, não falta muito para quem é igual ficar diferente também. Tenho me sentido mal por ser empresário, branco, hétero, escolarizado, não ser portador de deficiência física e ainda não ser idoso segundo o entendimento da lei. Falo isso por que o respeito é uma relação de mão dupla.

Por fim, não observo nenhum movimento no sentido de tornar o substantivo “gratidão” como regra existencial. Agradecer por estarmos vivos, por ser quem somos e por ter as relações que temos, por fim, de poder desfrutar de um mundo interessante e cheio de possibilidade.

Pra que simplificar se dá pra complicar né? Criar confusão parece ser  bem mais interessante.

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/10/2018 às 12h22 | fernando@bba-reiki.com.br

Os bons amigos

 Hoje um amigo desde a infância e juventude partiu.

Tínhamos um time e futebol de salão que jogava semanalmente no Guadalajara. Ele não podia faltar, porque era o único que tinha algum talento. Muito inteligente, estava sempre entre os primeiros da classe naqueles tempos de João Goulart.

Lembro da vez em que já morando em Joinville fizemos de trem o caminho entre Curitiba e Paranaguá. E noutro momento em que fomos na fazendo do seu avô em Bom Retiro. Magro e alto, devia pesar no máximo 70 quilos.

Bons tempos de juventude. Podíamos dizer que Balneário Camboriú era “nossa”. Na turma tínhamos corcel, opala, dodginho, passat e kombi. Quando a avenida Brasil terminava na avenida Atlântica, um “cotovelo” um pouco antes do início do que é hoje a avenida Beira Rio era nosso desafio, muitas vezes contornado raspando espelho com espelho.

Essa pequena e unida turma cresceu junta. Aos 18 anos fizemos nossa primeira festa conjunta de aniversário na casa do Luizão. Depois vieram outras, sendo que a última foi para fechar a fatura, aos 40 anos. Um estrago.

Todos casaram, alguns descasaram, outros tiveram filhos. Poucos se afastaram, e àquele espírito de união nunca se abalou. Ao longo dos anos vários foram os momentos de confraternização e risadas, de gozação e cumplicidade. Uma turma unida que de certa forma se protegeu. Podíamos ficar tempo sem falar, ao primeiro encontro parecia que o último contato havia sido no dia anterior.

Mas a vida segue e tudo são escolhas, sendo cada um responsável pelas suas. Razões pessoais são inquestionáveis e cada qual as faz conforme sua intensão, não cabe julgar nem lamentar. Mas ele partiu muito cedo, e nós não conseguimos ajudar. Escapou dentre nós a olhos vistos, como que escorregando das mãos. Foi seu último drible.

Repensando em todos os momentos vividos sinto que tudo valeu, que as amizades valeram e que ajudaram o moldar quem sou. Sou grato a cada um pela influência e diferença que fez e faz na minha vida. Pela bronca, pelo riso e pela cumplicidade. Isso é o que realmente importa. Pena este sentimento de gratidão surgir apenas neste momento.

Rogério, meu irmão, obrigado por tudo! Siga em paz no retorno à sua Essência. Fique bem por que aqui estamos bem.

Apenas a saudade vai se acumular.

Até mais amigão!

 

Escrito por Fernando Baumann, 25/09/2018 às 10h47 | fernando@bba-reiki.com.br

Saintly

 Fico vagando entre esperar e esperançar.

Tenho esperança em um país melhor e mais justo, com acesso a ensino de qualidade e famílias comprometidas com a educação de seus filhos. Tenho esperança na nossa mudança de compreensão com relação ao compromisso com o outro. Tenho esperança que a vaidade, o orgulho e o egoísmo sejam gradativamente dilapidados da nossa existência, quando possamos viver em comunhão. Tenho esperança que a gratidão seja a palavra primeira em nosso vocabulário.

Mas não há muito o que esperar, há muito o que fazer. Não espero que nossos governantes resolvam nossas dificuldades, não espero que o outro motorista seja gentil, não espero que meu vizinho não deposite seu lixo na frente da minha casa, e também não espero que meu colega de trabalho vá resolver o que cabe a mim. Esperar e esperançar são graficamente semelhantes, mas muito distintas em seus significados.

Sendo menos teórico e mais prático, eu tenho muita esperança que os próximos eleitos em outubro deste ano cumpram com sua missão de forma digna e adequada, melhor do que os que serão substituídos, mas não espero milagres.

O milagre para mim não vai existir porque os santos continuam os mesmos. Os santos e os fiéis.

Por mais que se fale em renovação e que os discursos ataquem as mazelas sociais, não há fórmula mágica se não houver mudança comportamental, que está longe de existir. Pego exemplo dos candidatos ao legislativo estadual e federal de nossa região, a quantidade de nomes em campanha é simplesmente incompreensível, sujeito a eleger ninguém. É a velha política travestida de novo, e o mesmo projeto de poder de sempre. E porquê? Novamente por conta da vaidade, do orgulho e do egoísmo. Não vi até agora proposta concreta a ser defendida em prol de nossa região, apenas falácias e balelas. Não há nada em discussão com a sociedade, e já está provado que super-heróis não existem.

Também o eleitor não mudou a forma de avaliar os candidatos, pois o “nome conhecido” é o mais seguro. Vale ser redundante e lembrar que o legislativo de Balneário Camboriú  em 2016 reelegeu 80% dos que concorreram à reeleição. E falamos de uma região com bom nível de esclarecimento!

Bom, quanto ao número de candidatos eu tenho mais um palpite: querem aproveitar 2018 e firmar seu nome para 2020, que é o que verdadeiramente interessa. Meu caro (e)leitor, vou deixar perguntas para você avaliar: nos enganamos ou somos enganados? Esperamos ou esperançamos?

Aí podemos voltar no segundo parágrafo e refletir sobre nossa educação e conhecimento, família e escola.

Santo sem virtude é charlatão.

Escrito por Fernando Baumann, 24/08/2018 às 10h14 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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Pobres homens bons

 Levado pelo momento, onde ataques morais ganham relevância subjugando a beleza da criação humana, estava eu buscando entender qual o nosso elemento vital, àquilo que de fato nos caracteriza, que nos faz ser bons ou não, se é que isso existe.

Entendo por crença particular que todos os seres são bons. Trazemos isto em nossa característica essencial, no sopro existencial da origem. Talvez a natureza, a combinação específica de qualidades e não qualidades, seja o ponto de inflexão.

Mas como esta natureza se compõe? Não sei exatamente, mas penso que seja um somatório de muitas variáveis difíceis de se repetir mais de uma vez. Para começar, a razão pela qual cada um nasceu, que entendo diferente dado o nível de evolução individual. Depois vem a herança genética e histórica da família. Também a educação (princípios, valores e limites) que cada um recebeu. Por fim o ambiente onde tudo isso se desenvolveu, se terra fértil ou arrasada.

Numa comparação, arrisco a dizer que a essência é o veículo, a natureza é o motorista e o propósito é o destino. Com a natureza consolidada, seguimos então o caminho em busca do nosso propósito, desconhecendo o outro veículo que está ao lado.

 Então quem é cada um de nós para julgar o outro, para apontar o que é certo ou errado, classificando os bons e os não bons? Claro, tudo em sua devida proporção.

Ataques verbais que objetivam desconstruir a conduta moral de oponentes me parece muito mais uma reação a incapacidade de discutir ideias e pontos de vista do que propriamente um alerta sobre possíveis ameaças comportamentais. Eu entendo o ataque como uma fraqueza, o avanço sobre uma ameaça.

O ringue eleitoral expõe o apodrecimento comportamental das relações coletivas. Mas também não é apenas neste ambiente. Vivemos uma sociedade histérica e doentia que gosta de sangue e se alimenta da carniça ética e moral, àquilo que sobrou de nós.

Mas a essência é pura e a natureza é manipulável. Apesar dos gladiadores modernos, continuo acreditando que somos todos bons. Ruim é o que fazemos com isso.

 

Escrito por Fernando Baumann, 19/10/2018 às 13h21 | fernando@bba-reiki.com.br

Nuances

 Percebo, olho, desconfio,

A forte presença de enxofre no ar,

Pólvora na mão denuncia,

A ideia agora é matar.

 

Matar a opinião alheia,

Porque a verdade comigo está,

De jeito nenhum eu aceito,

O que o outro de mim discordar.

 

Tempos estranhos, tudo parece fora do lugar;

A justa forma sobreposta ao padrão,

onde o padrão fora de moda está.

 

Amigos te enquadram querendo saber de que lado está,

Como se fosse possível construir um país,

Tomando gosto de cá ou de lá.

 

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 10/10/2018 às 15h11 | fernando@bba-reiki.com.br

O país do faz de conta

 Véspera de eleições e os ânimos exaltados começam a aparecer situações indesejadas. Como o exemplo de empresários que publicam mensagens em tom inadequado contendo opiniões implícitas mas compreensíveis sobre possível vitória de candidato A ou B.

Os empresários não são apenas agentes econômicos, mas principalmente sociais, gerando empregos e distribuição de rendas, bem como o recolhimento de impostos que devidamente utilizados servem para a investimentos em saúde, educação e outros. Os empresários são em essência agentes de transformação social, mesmo que o objetivo principal seja o lucro ou a própria sobrevivência. Sua responsabilidade é gigantesca.

Então é de extrema relevância que cada qual cuide daquilo que expressa. Não é “o que”, é “o como”. A extensão da fala em tempos digitais é de longo alcance, aplicado a isso a importância de quem fala, têm-se a natureza do resultado. Não é a questão de ter medo ou não, é apenas prudência e respeito às opiniões contraditórias. Falar em exercício a democracia é em essência entender o outro, não necessariamente concordando. Respeito é via de mão dupla.

Mas aí tem um ponto que me perturba, e muito. Essas falas geraram inúmeras manifestações, intensamente exploradas pela mídia como algo inusitado. Mas qual a novidade? Aonde isso nunca aconteceu? Olhem os exemplos dos governos, principalmente os locais por que é onde as relações são mais próximas e perceptíveis, que usam toda a estrutura em prol do seus candidatos?

O que dizer dos cargos nomeados que são convocados para fazer campanha para o candidato da situação? Convocados e ameaçados de desligamento caso não cumpram a determinação? Ora, eu havia entendido que os tempos eram outros, que as escolhas eram técnicas e não mais apenas por apadrinhamento partidário. O executivo definir publicamente seu apoio é algo normal e esperado, mas fazer toda a máquina pública trabalhar a favor, não. Se é para ser assim então esquece mudança. Alguém vê isso?

Ah, mas isto é do jogo...justamente, se é do jogo então não vai mudar. A mesma receita não faz um bolo diferente. 

Mais quanto tempo vamos viver na escuridão?

Escrito por Fernando Baumann, 03/10/2018 às 10h34 | fernando@bba-reiki.com.br

A serenidade

 Às vésperas da eleição de outubro, sinto que percorremos um curto caminho longo, que não estamos preparados para vivenciar o que ai está posto. Assim como exigimos que os partidos políticos revejam sua conduta, que façam o dever de olhar para dentro e assumir onde erraram, nós eleitores precisamos fazer o mesmo.

Me parece que estamos experimentando a democracia da pior forma possível, com divisão de classes e opiniões tão extremadas que beiram a insanidade. Ser democrático é ter a possibilidade de expressar opiniões as mais diversas, mas não é só isso. Ser democrático é também ter a capacidade de ouvir opiniões diferentes das nossas e aceita-las como são.

E não só na política. Isto está intrínseco na religião e no esporte, o futebol em especial. Até a questão de gênero virou base para acaloradas discussões. Como ser de um jeito ou de outro nos torna menos iguais. Nascemos e morremos do mesmo jeito, é só fazer uma visita a maternidade e ao cemitério para verificar.

No meu entendimento falta capacidade de diálogo, onde saber ouvir e não falar faz toda a diferença. Falta respeito por quem discorda e tolerância para quem é diferente. Aliás, não falta muito para quem é igual ficar diferente também. Tenho me sentido mal por ser empresário, branco, hétero, escolarizado, não ser portador de deficiência física e ainda não ser idoso segundo o entendimento da lei. Falo isso por que o respeito é uma relação de mão dupla.

Por fim, não observo nenhum movimento no sentido de tornar o substantivo “gratidão” como regra existencial. Agradecer por estarmos vivos, por ser quem somos e por ter as relações que temos, por fim, de poder desfrutar de um mundo interessante e cheio de possibilidade.

Pra que simplificar se dá pra complicar né? Criar confusão parece ser  bem mais interessante.

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/10/2018 às 12h22 | fernando@bba-reiki.com.br

Os bons amigos

 Hoje um amigo desde a infância e juventude partiu.

Tínhamos um time e futebol de salão que jogava semanalmente no Guadalajara. Ele não podia faltar, porque era o único que tinha algum talento. Muito inteligente, estava sempre entre os primeiros da classe naqueles tempos de João Goulart.

Lembro da vez em que já morando em Joinville fizemos de trem o caminho entre Curitiba e Paranaguá. E noutro momento em que fomos na fazendo do seu avô em Bom Retiro. Magro e alto, devia pesar no máximo 70 quilos.

Bons tempos de juventude. Podíamos dizer que Balneário Camboriú era “nossa”. Na turma tínhamos corcel, opala, dodginho, passat e kombi. Quando a avenida Brasil terminava na avenida Atlântica, um “cotovelo” um pouco antes do início do que é hoje a avenida Beira Rio era nosso desafio, muitas vezes contornado raspando espelho com espelho.

Essa pequena e unida turma cresceu junta. Aos 18 anos fizemos nossa primeira festa conjunta de aniversário na casa do Luizão. Depois vieram outras, sendo que a última foi para fechar a fatura, aos 40 anos. Um estrago.

Todos casaram, alguns descasaram, outros tiveram filhos. Poucos se afastaram, e àquele espírito de união nunca se abalou. Ao longo dos anos vários foram os momentos de confraternização e risadas, de gozação e cumplicidade. Uma turma unida que de certa forma se protegeu. Podíamos ficar tempo sem falar, ao primeiro encontro parecia que o último contato havia sido no dia anterior.

Mas a vida segue e tudo são escolhas, sendo cada um responsável pelas suas. Razões pessoais são inquestionáveis e cada qual as faz conforme sua intensão, não cabe julgar nem lamentar. Mas ele partiu muito cedo, e nós não conseguimos ajudar. Escapou dentre nós a olhos vistos, como que escorregando das mãos. Foi seu último drible.

Repensando em todos os momentos vividos sinto que tudo valeu, que as amizades valeram e que ajudaram o moldar quem sou. Sou grato a cada um pela influência e diferença que fez e faz na minha vida. Pela bronca, pelo riso e pela cumplicidade. Isso é o que realmente importa. Pena este sentimento de gratidão surgir apenas neste momento.

Rogério, meu irmão, obrigado por tudo! Siga em paz no retorno à sua Essência. Fique bem por que aqui estamos bem.

Apenas a saudade vai se acumular.

Até mais amigão!

 

Escrito por Fernando Baumann, 25/09/2018 às 10h47 | fernando@bba-reiki.com.br

Saintly

 Fico vagando entre esperar e esperançar.

Tenho esperança em um país melhor e mais justo, com acesso a ensino de qualidade e famílias comprometidas com a educação de seus filhos. Tenho esperança na nossa mudança de compreensão com relação ao compromisso com o outro. Tenho esperança que a vaidade, o orgulho e o egoísmo sejam gradativamente dilapidados da nossa existência, quando possamos viver em comunhão. Tenho esperança que a gratidão seja a palavra primeira em nosso vocabulário.

Mas não há muito o que esperar, há muito o que fazer. Não espero que nossos governantes resolvam nossas dificuldades, não espero que o outro motorista seja gentil, não espero que meu vizinho não deposite seu lixo na frente da minha casa, e também não espero que meu colega de trabalho vá resolver o que cabe a mim. Esperar e esperançar são graficamente semelhantes, mas muito distintas em seus significados.

Sendo menos teórico e mais prático, eu tenho muita esperança que os próximos eleitos em outubro deste ano cumpram com sua missão de forma digna e adequada, melhor do que os que serão substituídos, mas não espero milagres.

O milagre para mim não vai existir porque os santos continuam os mesmos. Os santos e os fiéis.

Por mais que se fale em renovação e que os discursos ataquem as mazelas sociais, não há fórmula mágica se não houver mudança comportamental, que está longe de existir. Pego exemplo dos candidatos ao legislativo estadual e federal de nossa região, a quantidade de nomes em campanha é simplesmente incompreensível, sujeito a eleger ninguém. É a velha política travestida de novo, e o mesmo projeto de poder de sempre. E porquê? Novamente por conta da vaidade, do orgulho e do egoísmo. Não vi até agora proposta concreta a ser defendida em prol de nossa região, apenas falácias e balelas. Não há nada em discussão com a sociedade, e já está provado que super-heróis não existem.

Também o eleitor não mudou a forma de avaliar os candidatos, pois o “nome conhecido” é o mais seguro. Vale ser redundante e lembrar que o legislativo de Balneário Camboriú  em 2016 reelegeu 80% dos que concorreram à reeleição. E falamos de uma região com bom nível de esclarecimento!

Bom, quanto ao número de candidatos eu tenho mais um palpite: querem aproveitar 2018 e firmar seu nome para 2020, que é o que verdadeiramente interessa. Meu caro (e)leitor, vou deixar perguntas para você avaliar: nos enganamos ou somos enganados? Esperamos ou esperançamos?

Aí podemos voltar no segundo parágrafo e refletir sobre nossa educação e conhecimento, família e escola.

Santo sem virtude é charlatão.

Escrito por Fernando Baumann, 24/08/2018 às 10h14 | fernando@bba-reiki.com.br



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