Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Saintly

 Fico vagando entre esperar e esperançar.

Tenho esperança em um país melhor e mais justo, com acesso a ensino de qualidade e famílias comprometidas com a educação de seus filhos. Tenho esperança na nossa mudança de compreensão com relação ao compromisso com o outro. Tenho esperança que a vaidade, o orgulho e o egoísmo sejam gradativamente dilapidados da nossa existência, quando possamos viver em comunhão. Tenho esperança que a gratidão seja a palavra primeira em nosso vocabulário.

Mas não há muito o que esperar, há muito o que fazer. Não espero que nossos governantes resolvam nossas dificuldades, não espero que o outro motorista seja gentil, não espero que meu vizinho não deposite seu lixo na frente da minha casa, e também não espero que meu colega de trabalho vá resolver o que cabe a mim. Esperar e esperançar são graficamente semelhantes, mas muito distintas em seus significados.

Sendo menos teórico e mais prático, eu tenho muita esperança que os próximos eleitos em outubro deste ano cumpram com sua missão de forma digna e adequada, melhor do que os que serão substituídos, mas não espero milagres.

O milagre para mim não vai existir porque os santos continuam os mesmos. Os santos e os fiéis.

Por mais que se fale em renovação e que os discursos ataquem as mazelas sociais, não há fórmula mágica se não houver mudança comportamental, que está longe de existir. Pego exemplo dos candidatos ao legislativo estadual e federal de nossa região, a quantidade de nomes em campanha é simplesmente incompreensível, sujeito a eleger ninguém. É a velha política travestida de novo, e o mesmo projeto de poder de sempre. E porquê? Novamente por conta da vaidade, do orgulho e do egoísmo. Não vi até agora proposta concreta a ser defendida em prol de nossa região, apenas falácias e balelas. Não há nada em discussão com a sociedade, e já está provado que super-heróis não existem.

Também o eleitor não mudou a forma de avaliar os candidatos, pois o “nome conhecido” é o mais seguro. Vale ser redundante e lembrar que o legislativo de Balneário Camboriú  em 2016 reelegeu 80% dos que concorreram à reeleição. E falamos de uma região com bom nível de esclarecimento!

Bom, quanto ao número de candidatos eu tenho mais um palpite: querem aproveitar 2018 e firmar seu nome para 2020, que é o que verdadeiramente interessa. Meu caro (e)leitor, vou deixar perguntas para você avaliar: nos enganamos ou somos enganados? Esperamos ou esperançamos?

Aí podemos voltar no segundo parágrafo e refletir sobre nossa educação e conhecimento, família e escola.

Santo sem virtude é charlatão.

Escrito por Fernando Baumann, 24/08/2018 às 10h14 | fernando@bba-reiki.com.br

A estupidez

 Tinha acabado de fazer 40 anos e comprado uma moto nova. Me achava “o cara” no auge da crise da meia idade, querendo provar não sei o que para não sei quem. Coisas de jovem senhor abestalhado.

Sempre que podia utilizava a moto para viagens. Então surgiu um compromisso na Associação Empresarial de Rio do Sul e lá fui eu em disparada com minha moto. O dia estava ótimo para andar, com céu limpo e temperatura agradável.

Não tinha pra ninguém. Eu estava possuído em cima do meu cavalo mecânico. Passando por Ascurra placas de sinalização surgiram avisando que a estrada estava em reforma, e que era para os motoristas estarem atentos. Eu nem ai continuei enrolando o cabo. Na ponte em curva sobre o rio Itajaí-açu entrei forte, parecia que a moto ia sair de baixo de mim. Os “S” na sequência da rodovia atiçaram ainda mais meu desejo insano.

Então a sequência de placas se intensificou e no início de uma longa reta um pouco antes da entrada de Ibirama percebo os veículos parando em cima da pista. Tranquilamente começo a frear a moto mas....quem diz que ela para? A traseira de um Celta branco começou a crescer no visor do meu capacete. Caramba!!!

Não tinha mais o que fazer, então usei a experiência de competição e dei uma “alicatada” no freio dianteiro, derrubando a moto que deslizou até bater no carro, e eu sair rolando pelo acostamento.

Enquanto rolava sentido acostamento pensei: será que isto está acontecendo comigo? Quando parei de rolar já estatelado no chão pensei: será que isso aconteceu comigo? Quando consegui levantar e entender o estrago na minha perna direita pensei: isso realmente aconteceu comigo!!

Bom, o primeiro sentimento pós choque foi de vergonha pela lambança que fiz. Na sequência junta uma pequena multidão querendo saber como eu estava, e outra que foi levantar a moto caída no asfalto. Interessante a comoção de todos e eu não sabendo onde enfiar a minha cara.

O carro que bati na traseira já estava um tanto detonado, e o impacto não modificou muito o estado dele. Então o motorista me deu um tapa nas costas e me desejou juízo, indo embora.

Olhando o estado da moto percebi que mesmo bastante danificada tinha condições de andar. Minha perna apesar da desconexão do joelho com o resto que tinha para baixo ainda permitia pilotar a moto. Talvez por ainda estar aquecido ou pela adrenalina me despachei sentido Rio do Sul bem “queridinho” em cima da moto.

Chegando lá o pessoal da ACIRS me levou para o hospital, onde foi constatado semi-ruptura de dois ligamentos, ruptura do ligamento cruzado anterior e leve fratura do joelho. Dali para frente foram seis meses de muita fisioterapia e tratamento para recuperar o movimento do joelho.

Na volta para Balneário de carona no veículo da Associação uma voz me soou nos ouvidos dizendo: “seu bobo, te derrubamos para salvar a tua vida. Do jeito que estava indo não ia chegar vivo no destino”. Fechei os olhos e cheio de lágrimas agradeci aos meus anjos a nova chance que recebi.

Escrito por Fernando Baumann, 17/08/2018 às 10h06 | fernando@bba-reiki.com.br

Detalhes tão pequenos

 Tinha o hábito de assistir um programa sobre desastres aéreos num canal pago. A questão que me prendia ao seriado não era a tragédia em si, mas aos fatos que levavam ela a ocorrer.

Uma das que mais me marcou foi o acidente com um dos últimos aviões concorde em operação, no aeroporto Charles de Gaulle na França no ano de 2000.  O concorde era um avião de bico fino e levemente arcado para baixo, com design marcante, o jato supersônico viajava a aproximadamente dois mil quilômetros por hora, o dobro dos jatos tradicionais. O assento custava muito caro, mas valia a pena para quem não tinha tempo a perder.

O voo 4590 da Air France entre Paris e Nova Iorque era um voo regular. Naquele 25 de julho assim que decolou explodiu, ainda no final da cabeceira da pista, sem conseguir ganhar altitude, matando todos os seus ocupantes.

Como de praxe, os restos da aeronave foram recolhidos para iniciar a investigação e determinar as causas do acidente, sempre com o objetivo de assegurar melhores condições de segurança para os voos futuros.

A primeira descoberta foi de que houve uma ruptura no tanque de combustível número 5, que cheio vazou e deu ignição à explosão. O próximo passo foi descobrir o que provocou esta ruptura. Em visita à pista de decolagem que estava fechada enquanto a perícia prosseguia, encontraram um parafuso bem na rota do pneu do trem de pouso, e pela marcação foi identificado como pertencente a um DC 10 que levantara voo instantes antes. Numa análise mais técnica e apurada perceberam que faltava uma lasca do pneu do trem de pouso do concorde.  

Na conclusão do relatório técnico a constatação da trágica sequência de fatos. Um parafuso mal apertado de outra aeronave que decolou anteriormente caiu na pista na rota da decolagem, que atingiu o pneu exatamente na posição em que rasgou um pedaço, e que esse pedaço foi projetado com velocidade exatamente na direção da asa, que furou e vazou combustível, causando a explosão.

No relatório prático, a lição de que a causa de um acidente não é apenas um único e derradeiro fato, mas sim a sequência de pequenos acontecimentos que isoladamente seriam irrelevantes, mas que no conjunto se potencializam e podem derrubar um avião.

Os detalhes! Na conversão do aprendizado, fica registrado a importância de cuidar das pequenas coisas, das decisões diárias que ao final de uma vida irão representar a relevância da existência de cada um. O caminho reto ou o caminho torto.

É tudo soma das escolhas que fizemos.

B x P = D, onde “B” é a bússola(princípios, valores e crenças),  “P” são os passos(fazer ou não fazer) e “D” é o destino.

Muito simples.

Escrito por Fernando Baumann, 13/08/2018 às 10h20 | fernando@bba-reiki.com.br

Apenas provas de amor

 Quando levanto de manhã, ato contínuo a higiene básica é ler as principais notícias nos jornais que tenho acesso. Demoro um bom tempo nisso. O Página 3 de hoje fala sobre importantes obras viárias licitadas pela prefeitura municipal de Balneário Camboriú, que visam melhorar o fluxo de veículos. Li e guardei a informação no “meu” HD.

Moro na região da Quarta Avenida e trabalho no bairro Nova Esperança. Sempre que possível vou de bicicleta, por três objetivos: ativar meu corpo, não poluir e colaborar com um carro a menos. Hoje foi um desses dias. Temperatura agradável e céu claro atiçaram meu desejo de pedalar, sem falar que não tinha nenhum compromisso fora da empresa.

Este trecho demora em média 15 minutos de bicicleta, no que aproveito para repassar minha agenda ou então para refletir sobre qualquer assunto, deixando minha mente livre para fluir por onde desejar.

Já na Quarta Avenida indo para a minha empresa, nos cruzamentos com semáforos, deparo com a dificuldade por conta de não haver sinalização para as bicicletas. Em que momento eu posso passar? Passo quando está aberto para a avenida ou para quando está aberto para a rua transversal? Então busco no “meu” HD a informação que li no Página 3 hoje de manhã. Novas vias, ligações, novas ruas...

As eleições municipais de 2016 já ocorreram num cenário de indignação e mudanças. Lembro que os primeiros movimentos mais substanciais aconteceram em 2013. Quando fomos às urnas já falávamos de uma nova consciência e de um novo perfil dos postulantes aos cargos públicos, e também da melhoria na qualidade das escolhas e de uma nova ordem pública.

Novas ideias, novo sangue e juventude.

Tento muito perceber mudanças, mas não consigo. Talvez seja consequência da minha visão míope ou da minha incapacidade de entender as entranhas do poder e a dificuldade de movimentar este mastodonte.

Ouço e leio sobre mega projetos daqui e dali, mas não vejo nada com relação aos detalhes, ao carinho que os munícipes merecem receber nas pequenas ações. Vou exemplificar: apesar de existir em boa quantidade, as ciclovias são péssimas, mal projetadas e mal executadas(a recém inaugurada no prolongamento da Quarta Avenida empossa água); as calçadas não tem cuidado algum, cheias de desníveis e inclinações, sem falar nas lixeiras plantadas em cima delas, um risco eminente; sinaleiras sem estágio para travessia de pedestres; pedintes e desocupados por todos os cantos; venda de produtos em sinaleiras, farto consumo de drogas na orla  e assim vai. Tenho uma relação enorme para publicar se necessário, fáceis de executar, é só querer fazer.

Mas aí vem o ponto central deste texto. Aonde estão as figuras públicas responsáveis por isso? Àquelas eleitas em 2016 para uma nova ordem? Cadê os vereadores para fiscalizar, que é a principal função deles? Ah desculpe, não havia lembrado, estão preocupados em conceder homenagens e participar da próxima corrida eleitoral. Realmente uma grande atribuição para este tempo que exige mudanças urgentes.

Sou um eterno otimista e sempre acredito que, mesmo piorando, as coisas podem melhorar. Tenho muita alegria em viver numa das melhores regiões que, apesar de tudo, está a frente de muitas outras. Mas apenas novas ideias não bastam, é preciso ter novas atitudes. E então se está bom vamos cuidar para não piorar. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/08/2018 às 09h52 | fernando@bba-reiki.com.br

A trama

 Acredito na transformação através do diálogo e da discussão de ideias, e também no poder do entendimento mesmo quando discordante. A razão não é propriedade particular de um determinado ser, e sim o entendimento coletivo construído ao longo do tempo. Participar do processo eleitoral é fundamental, como também após a posse, contribuindo para a melhoria do que está aí.

Entendo que toda a dificuldade e instabilidade política que estamos vivenciando é de extrema importância para a melhoria do sistema. O fogo transforma e também dói bastante, mas é necessário.

Na reta final da definição dos candidatos, percebo grande movimentação entre os partidos políticos, num verdadeiro frenesi de intenções e possibilidades. Como eleitor me interesso pelo tema, até porque mesmo não concordando com muito do que está aí, não posso deixar de participar do processo, tomando a decisão da escolha, que não será branca nem nula.

Infelizmente temos muitos motivos para não pensar assim. Os partidos continuam tendo dono, sendo geridos como um negócio. A discussão ideológica ou de ideias está longe da pauta, o que deveria ser assunto primeiro dada a grave crise. Não vi em nenhum momento algum partido destes que estão aí assumir alguma responsabilidade sobre o que está acontecendo. Chamar para si o compromisso de acertar, admitindo que errou. Isto sim seria um ato de extrema grandeza. Até parece que os acontecimentos são obra do acaso. Engraçado, todos se dizem vítimas!

Observando o momento tenho a sensação de que pouco aprendemos com as dificuldades vividas. Na apresentação dos pré-candidatos nada se fala sobre planos efetivos de governo e ações concretas de restabelecimento da ordem econômica, social e política. O próximo governo tem uma bomba relógio para desarmar, queira ele ou não.

Traições, acertos e interesses espúrios ainda estão na pauta das composições que herdarão(ou continuarão) o próximo governo. Cabe ao eleitor então, dentro do seu entendimento, depurar isto que está aí. Não dá para ficar alheio ou fazer de conta que tanto faz, por que não é verdade. Por mais difícil que seja, a escolha precisa ser feita.

Eu ainda não sei em quem vou votar(também nuca participei de pesquisa de intenção), mas já defini duas premissas: não voto em candidato que esteja cumprindo mandato ou que tenha renunciado para concorrer; para quem conseguir, vou avisar que vou votar nele, para que ele saiba que vou cobrar.

O momento é ótimo. Sorte pra nós!

Escrito por Fernando Baumann, 03/08/2018 às 09h24 | fernando@bba-reiki.com.br

Materialidade

Nossa cidade é destaque em aparências. Talvez pela praia ou pelo clima, ou então pelo multiculturalismo, e também pela vida noturna. Possivelmente tudo isso junto e mais algumas coisas que não consigo alcançar.

O culto ao corpo encontra aqui forte adesão, junto com veículos espetaculares e apartamentos deslumbrantes. Balneário é lugar para aparecer e causar. Conheci algumas pessoas que em sua cidade de origem levavam vida simples e regrada, e que aqui se soltavam. Algo errado com isso? Acho que não, a “wibe” aqui é outra. E também os carnês na gaveta não importam, isso ninguém vê.

Quando comecei a usar bicicleta em meus deslocamentos diários, muito antes de virar moda e ter ciclovias, houve alguns conhecidos que me ligaram perguntando se eu estava precisando de ajuda, como se o veículo falasse da minha situação financeira. Eu ria e agradecia, dizendo que tinha muito pouco, mas o suficiente para viver com dignidade.

Teve inclusive uma passagem muito engraçada. Numa transmissão de presidência de uma importante entidade que já dirigi, realizada num hotel bem bacana aqui de Balneário, fui de bicicleta pela facilidade do estacionamento, já que o evento era em área central da cidade. Chegando lá de terno e gravata pretos o manobrista olhou para mim e num movimento rápido bateu dois dedos em cima do relógio de pulso e disse: “você está atrasado, os garçons já estão servindo os convidados”, e me encaminhou pela porta de serviços para um rápido acesso ao local de trabalho. Não falei nada e entrei no clima, me divertindo com a situação. Pena que no final da noite fiquei sem as gorjetas!

Não quero aqui impor meu olhar sobre o tema, pois cada um o faz conforme a sua medida. Ter ou ser. Ser ou ter. Cada um decide o seu caminho.

Essa é apenas a minha percepção de um mundo cada vez mais visual que valoriza posses antes de virtudes. 

Escrito por Fernando Baumann, 25/07/2018 às 10h08 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Saintly

 Fico vagando entre esperar e esperançar.

Tenho esperança em um país melhor e mais justo, com acesso a ensino de qualidade e famílias comprometidas com a educação de seus filhos. Tenho esperança na nossa mudança de compreensão com relação ao compromisso com o outro. Tenho esperança que a vaidade, o orgulho e o egoísmo sejam gradativamente dilapidados da nossa existência, quando possamos viver em comunhão. Tenho esperança que a gratidão seja a palavra primeira em nosso vocabulário.

Mas não há muito o que esperar, há muito o que fazer. Não espero que nossos governantes resolvam nossas dificuldades, não espero que o outro motorista seja gentil, não espero que meu vizinho não deposite seu lixo na frente da minha casa, e também não espero que meu colega de trabalho vá resolver o que cabe a mim. Esperar e esperançar são graficamente semelhantes, mas muito distintas em seus significados.

Sendo menos teórico e mais prático, eu tenho muita esperança que os próximos eleitos em outubro deste ano cumpram com sua missão de forma digna e adequada, melhor do que os que serão substituídos, mas não espero milagres.

O milagre para mim não vai existir porque os santos continuam os mesmos. Os santos e os fiéis.

Por mais que se fale em renovação e que os discursos ataquem as mazelas sociais, não há fórmula mágica se não houver mudança comportamental, que está longe de existir. Pego exemplo dos candidatos ao legislativo estadual e federal de nossa região, a quantidade de nomes em campanha é simplesmente incompreensível, sujeito a eleger ninguém. É a velha política travestida de novo, e o mesmo projeto de poder de sempre. E porquê? Novamente por conta da vaidade, do orgulho e do egoísmo. Não vi até agora proposta concreta a ser defendida em prol de nossa região, apenas falácias e balelas. Não há nada em discussão com a sociedade, e já está provado que super-heróis não existem.

Também o eleitor não mudou a forma de avaliar os candidatos, pois o “nome conhecido” é o mais seguro. Vale ser redundante e lembrar que o legislativo de Balneário Camboriú  em 2016 reelegeu 80% dos que concorreram à reeleição. E falamos de uma região com bom nível de esclarecimento!

Bom, quanto ao número de candidatos eu tenho mais um palpite: querem aproveitar 2018 e firmar seu nome para 2020, que é o que verdadeiramente interessa. Meu caro (e)leitor, vou deixar perguntas para você avaliar: nos enganamos ou somos enganados? Esperamos ou esperançamos?

Aí podemos voltar no segundo parágrafo e refletir sobre nossa educação e conhecimento, família e escola.

Santo sem virtude é charlatão.

Escrito por Fernando Baumann, 24/08/2018 às 10h14 | fernando@bba-reiki.com.br

A estupidez

 Tinha acabado de fazer 40 anos e comprado uma moto nova. Me achava “o cara” no auge da crise da meia idade, querendo provar não sei o que para não sei quem. Coisas de jovem senhor abestalhado.

Sempre que podia utilizava a moto para viagens. Então surgiu um compromisso na Associação Empresarial de Rio do Sul e lá fui eu em disparada com minha moto. O dia estava ótimo para andar, com céu limpo e temperatura agradável.

Não tinha pra ninguém. Eu estava possuído em cima do meu cavalo mecânico. Passando por Ascurra placas de sinalização surgiram avisando que a estrada estava em reforma, e que era para os motoristas estarem atentos. Eu nem ai continuei enrolando o cabo. Na ponte em curva sobre o rio Itajaí-açu entrei forte, parecia que a moto ia sair de baixo de mim. Os “S” na sequência da rodovia atiçaram ainda mais meu desejo insano.

Então a sequência de placas se intensificou e no início de uma longa reta um pouco antes da entrada de Ibirama percebo os veículos parando em cima da pista. Tranquilamente começo a frear a moto mas....quem diz que ela para? A traseira de um Celta branco começou a crescer no visor do meu capacete. Caramba!!!

Não tinha mais o que fazer, então usei a experiência de competição e dei uma “alicatada” no freio dianteiro, derrubando a moto que deslizou até bater no carro, e eu sair rolando pelo acostamento.

Enquanto rolava sentido acostamento pensei: será que isto está acontecendo comigo? Quando parei de rolar já estatelado no chão pensei: será que isso aconteceu comigo? Quando consegui levantar e entender o estrago na minha perna direita pensei: isso realmente aconteceu comigo!!

Bom, o primeiro sentimento pós choque foi de vergonha pela lambança que fiz. Na sequência junta uma pequena multidão querendo saber como eu estava, e outra que foi levantar a moto caída no asfalto. Interessante a comoção de todos e eu não sabendo onde enfiar a minha cara.

O carro que bati na traseira já estava um tanto detonado, e o impacto não modificou muito o estado dele. Então o motorista me deu um tapa nas costas e me desejou juízo, indo embora.

Olhando o estado da moto percebi que mesmo bastante danificada tinha condições de andar. Minha perna apesar da desconexão do joelho com o resto que tinha para baixo ainda permitia pilotar a moto. Talvez por ainda estar aquecido ou pela adrenalina me despachei sentido Rio do Sul bem “queridinho” em cima da moto.

Chegando lá o pessoal da ACIRS me levou para o hospital, onde foi constatado semi-ruptura de dois ligamentos, ruptura do ligamento cruzado anterior e leve fratura do joelho. Dali para frente foram seis meses de muita fisioterapia e tratamento para recuperar o movimento do joelho.

Na volta para Balneário de carona no veículo da Associação uma voz me soou nos ouvidos dizendo: “seu bobo, te derrubamos para salvar a tua vida. Do jeito que estava indo não ia chegar vivo no destino”. Fechei os olhos e cheio de lágrimas agradeci aos meus anjos a nova chance que recebi.

Escrito por Fernando Baumann, 17/08/2018 às 10h06 | fernando@bba-reiki.com.br

Detalhes tão pequenos

 Tinha o hábito de assistir um programa sobre desastres aéreos num canal pago. A questão que me prendia ao seriado não era a tragédia em si, mas aos fatos que levavam ela a ocorrer.

Uma das que mais me marcou foi o acidente com um dos últimos aviões concorde em operação, no aeroporto Charles de Gaulle na França no ano de 2000.  O concorde era um avião de bico fino e levemente arcado para baixo, com design marcante, o jato supersônico viajava a aproximadamente dois mil quilômetros por hora, o dobro dos jatos tradicionais. O assento custava muito caro, mas valia a pena para quem não tinha tempo a perder.

O voo 4590 da Air France entre Paris e Nova Iorque era um voo regular. Naquele 25 de julho assim que decolou explodiu, ainda no final da cabeceira da pista, sem conseguir ganhar altitude, matando todos os seus ocupantes.

Como de praxe, os restos da aeronave foram recolhidos para iniciar a investigação e determinar as causas do acidente, sempre com o objetivo de assegurar melhores condições de segurança para os voos futuros.

A primeira descoberta foi de que houve uma ruptura no tanque de combustível número 5, que cheio vazou e deu ignição à explosão. O próximo passo foi descobrir o que provocou esta ruptura. Em visita à pista de decolagem que estava fechada enquanto a perícia prosseguia, encontraram um parafuso bem na rota do pneu do trem de pouso, e pela marcação foi identificado como pertencente a um DC 10 que levantara voo instantes antes. Numa análise mais técnica e apurada perceberam que faltava uma lasca do pneu do trem de pouso do concorde.  

Na conclusão do relatório técnico a constatação da trágica sequência de fatos. Um parafuso mal apertado de outra aeronave que decolou anteriormente caiu na pista na rota da decolagem, que atingiu o pneu exatamente na posição em que rasgou um pedaço, e que esse pedaço foi projetado com velocidade exatamente na direção da asa, que furou e vazou combustível, causando a explosão.

No relatório prático, a lição de que a causa de um acidente não é apenas um único e derradeiro fato, mas sim a sequência de pequenos acontecimentos que isoladamente seriam irrelevantes, mas que no conjunto se potencializam e podem derrubar um avião.

Os detalhes! Na conversão do aprendizado, fica registrado a importância de cuidar das pequenas coisas, das decisões diárias que ao final de uma vida irão representar a relevância da existência de cada um. O caminho reto ou o caminho torto.

É tudo soma das escolhas que fizemos.

B x P = D, onde “B” é a bússola(princípios, valores e crenças),  “P” são os passos(fazer ou não fazer) e “D” é o destino.

Muito simples.

Escrito por Fernando Baumann, 13/08/2018 às 10h20 | fernando@bba-reiki.com.br

Apenas provas de amor

 Quando levanto de manhã, ato contínuo a higiene básica é ler as principais notícias nos jornais que tenho acesso. Demoro um bom tempo nisso. O Página 3 de hoje fala sobre importantes obras viárias licitadas pela prefeitura municipal de Balneário Camboriú, que visam melhorar o fluxo de veículos. Li e guardei a informação no “meu” HD.

Moro na região da Quarta Avenida e trabalho no bairro Nova Esperança. Sempre que possível vou de bicicleta, por três objetivos: ativar meu corpo, não poluir e colaborar com um carro a menos. Hoje foi um desses dias. Temperatura agradável e céu claro atiçaram meu desejo de pedalar, sem falar que não tinha nenhum compromisso fora da empresa.

Este trecho demora em média 15 minutos de bicicleta, no que aproveito para repassar minha agenda ou então para refletir sobre qualquer assunto, deixando minha mente livre para fluir por onde desejar.

Já na Quarta Avenida indo para a minha empresa, nos cruzamentos com semáforos, deparo com a dificuldade por conta de não haver sinalização para as bicicletas. Em que momento eu posso passar? Passo quando está aberto para a avenida ou para quando está aberto para a rua transversal? Então busco no “meu” HD a informação que li no Página 3 hoje de manhã. Novas vias, ligações, novas ruas...

As eleições municipais de 2016 já ocorreram num cenário de indignação e mudanças. Lembro que os primeiros movimentos mais substanciais aconteceram em 2013. Quando fomos às urnas já falávamos de uma nova consciência e de um novo perfil dos postulantes aos cargos públicos, e também da melhoria na qualidade das escolhas e de uma nova ordem pública.

Novas ideias, novo sangue e juventude.

Tento muito perceber mudanças, mas não consigo. Talvez seja consequência da minha visão míope ou da minha incapacidade de entender as entranhas do poder e a dificuldade de movimentar este mastodonte.

Ouço e leio sobre mega projetos daqui e dali, mas não vejo nada com relação aos detalhes, ao carinho que os munícipes merecem receber nas pequenas ações. Vou exemplificar: apesar de existir em boa quantidade, as ciclovias são péssimas, mal projetadas e mal executadas(a recém inaugurada no prolongamento da Quarta Avenida empossa água); as calçadas não tem cuidado algum, cheias de desníveis e inclinações, sem falar nas lixeiras plantadas em cima delas, um risco eminente; sinaleiras sem estágio para travessia de pedestres; pedintes e desocupados por todos os cantos; venda de produtos em sinaleiras, farto consumo de drogas na orla  e assim vai. Tenho uma relação enorme para publicar se necessário, fáceis de executar, é só querer fazer.

Mas aí vem o ponto central deste texto. Aonde estão as figuras públicas responsáveis por isso? Àquelas eleitas em 2016 para uma nova ordem? Cadê os vereadores para fiscalizar, que é a principal função deles? Ah desculpe, não havia lembrado, estão preocupados em conceder homenagens e participar da próxima corrida eleitoral. Realmente uma grande atribuição para este tempo que exige mudanças urgentes.

Sou um eterno otimista e sempre acredito que, mesmo piorando, as coisas podem melhorar. Tenho muita alegria em viver numa das melhores regiões que, apesar de tudo, está a frente de muitas outras. Mas apenas novas ideias não bastam, é preciso ter novas atitudes. E então se está bom vamos cuidar para não piorar. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/08/2018 às 09h52 | fernando@bba-reiki.com.br

A trama

 Acredito na transformação através do diálogo e da discussão de ideias, e também no poder do entendimento mesmo quando discordante. A razão não é propriedade particular de um determinado ser, e sim o entendimento coletivo construído ao longo do tempo. Participar do processo eleitoral é fundamental, como também após a posse, contribuindo para a melhoria do que está aí.

Entendo que toda a dificuldade e instabilidade política que estamos vivenciando é de extrema importância para a melhoria do sistema. O fogo transforma e também dói bastante, mas é necessário.

Na reta final da definição dos candidatos, percebo grande movimentação entre os partidos políticos, num verdadeiro frenesi de intenções e possibilidades. Como eleitor me interesso pelo tema, até porque mesmo não concordando com muito do que está aí, não posso deixar de participar do processo, tomando a decisão da escolha, que não será branca nem nula.

Infelizmente temos muitos motivos para não pensar assim. Os partidos continuam tendo dono, sendo geridos como um negócio. A discussão ideológica ou de ideias está longe da pauta, o que deveria ser assunto primeiro dada a grave crise. Não vi em nenhum momento algum partido destes que estão aí assumir alguma responsabilidade sobre o que está acontecendo. Chamar para si o compromisso de acertar, admitindo que errou. Isto sim seria um ato de extrema grandeza. Até parece que os acontecimentos são obra do acaso. Engraçado, todos se dizem vítimas!

Observando o momento tenho a sensação de que pouco aprendemos com as dificuldades vividas. Na apresentação dos pré-candidatos nada se fala sobre planos efetivos de governo e ações concretas de restabelecimento da ordem econômica, social e política. O próximo governo tem uma bomba relógio para desarmar, queira ele ou não.

Traições, acertos e interesses espúrios ainda estão na pauta das composições que herdarão(ou continuarão) o próximo governo. Cabe ao eleitor então, dentro do seu entendimento, depurar isto que está aí. Não dá para ficar alheio ou fazer de conta que tanto faz, por que não é verdade. Por mais difícil que seja, a escolha precisa ser feita.

Eu ainda não sei em quem vou votar(também nuca participei de pesquisa de intenção), mas já defini duas premissas: não voto em candidato que esteja cumprindo mandato ou que tenha renunciado para concorrer; para quem conseguir, vou avisar que vou votar nele, para que ele saiba que vou cobrar.

O momento é ótimo. Sorte pra nós!

Escrito por Fernando Baumann, 03/08/2018 às 09h24 | fernando@bba-reiki.com.br

Materialidade

Nossa cidade é destaque em aparências. Talvez pela praia ou pelo clima, ou então pelo multiculturalismo, e também pela vida noturna. Possivelmente tudo isso junto e mais algumas coisas que não consigo alcançar.

O culto ao corpo encontra aqui forte adesão, junto com veículos espetaculares e apartamentos deslumbrantes. Balneário é lugar para aparecer e causar. Conheci algumas pessoas que em sua cidade de origem levavam vida simples e regrada, e que aqui se soltavam. Algo errado com isso? Acho que não, a “wibe” aqui é outra. E também os carnês na gaveta não importam, isso ninguém vê.

Quando comecei a usar bicicleta em meus deslocamentos diários, muito antes de virar moda e ter ciclovias, houve alguns conhecidos que me ligaram perguntando se eu estava precisando de ajuda, como se o veículo falasse da minha situação financeira. Eu ria e agradecia, dizendo que tinha muito pouco, mas o suficiente para viver com dignidade.

Teve inclusive uma passagem muito engraçada. Numa transmissão de presidência de uma importante entidade que já dirigi, realizada num hotel bem bacana aqui de Balneário, fui de bicicleta pela facilidade do estacionamento, já que o evento era em área central da cidade. Chegando lá de terno e gravata pretos o manobrista olhou para mim e num movimento rápido bateu dois dedos em cima do relógio de pulso e disse: “você está atrasado, os garçons já estão servindo os convidados”, e me encaminhou pela porta de serviços para um rápido acesso ao local de trabalho. Não falei nada e entrei no clima, me divertindo com a situação. Pena que no final da noite fiquei sem as gorjetas!

Não quero aqui impor meu olhar sobre o tema, pois cada um o faz conforme a sua medida. Ter ou ser. Ser ou ter. Cada um decide o seu caminho.

Essa é apenas a minha percepção de um mundo cada vez mais visual que valoriza posses antes de virtudes. 

Escrito por Fernando Baumann, 25/07/2018 às 10h08 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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