Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Quando a terra parou

 Esta história de nós e eles está muito chata, estou de saco cheio com isso. Se tem uma coisa importante a ser feita neste momento é a solidariedade, não enfrentamento e bate-boca. Pra mim isto demonstra o quanto ainda somos imaturos e inconsequentes.

Sempre acreditei que é melhor errar pelo excesso do que pela falta, e nisso quero parabenizar a atitude corajosa do governador e do prefeito Fabrício em fechar a cidade e ordenar o isolamento social. Não é momento de desconsiderar o que está acontecendo lá fora e o que ainda está por vir aqui. Aliás, se tivéssemos prestado melhor atenção desde o início estaríamos melhor preparados agora, afinal o assunto rola a mais de três meses (porque fomos pegos de surpresa?).

Quanto as consequências econômicas sem dúvida, serão desastrosas. Como empresário estou muito preocupado com o que está por vir, certamente sofreremos bastante. Desde o início da crise minha empresa perdeu quase 100% da receita prevista, e as despesas não param.

Momentos difíceis.

Mas a questão econômica tem tratamento, o vírus ainda não.

Mas olha só, me parece que se realmente nos unirmos e pararmos de ficar buscando culpados e criando teorias constrangedoras sairemos mais rápido e melhor desta crise. A crise pode ser uma grande oportunidade para avaliar tudo o que fizemos até aqui.

Bem, penso que esse é o chamado, uma nova oportunidade que está sendo dada para rever, reavaliar e reconduzir nossos atos.

 

Escrito por Fernando Baumann, 27/03/2020 às 17h19 | fernando@bba-reiki.com.br

Mestre cão

 Fui a empresa de um amigo buscar um produto que solicitei. Chegando lá avistei um cachorro sentado na lateral esquerda do prédio, sendo que meu acesso era por uma porta à direita. Tive uma visão distante do animal e ao entrar brinquei com o profissional se tinha contratado um cão de guarda, pois havia recentemente sido roubado. Falou que não, que o animal havia aparecido ali durante a noite e que achava que era um cão de rua que a alguns dias se “hospedava” numa construção próxima.

Assunto esquecido tratamos do nosso negócio e ao final nos despedimos. Quando saio do galpão vejo o animal caminhando com muita dificuldade sentido a rua, visivelmente machucado e abatido. Nisso um automóvel vem ao seu encontro e os dois param próximos, cachorro e carro. Ele não tinha força para prosseguir. O motorista sai do automóvel e vai ao seu encontro, e com paciência tira o mesmo da sua frente e vai embora.

Nisso o pobre animal vem cambaleando em minha direção e entra debaixo do meu veículo. No mesmo instinto do motorista anterior, fui para negociar com ele a saída dali, por conta dos meus horários e compromissos, eu não podia me demorar.

Ao ver o cachorro de perto e prestar atenção em seu estado fiquei assustado. Um profundo machucado na perna traseira esquerda, aberto e com cheiro de carne apodrecida, extremamente magro e cheio de carrapatos. Meu Deus!!

Mas o que mais me abalou foi o seu olhar, profundamente triste e submisso. Quanta violência já deve ter sofrido.

Sem saber o que fazer liguei para minha irmã, que tem o hábito de resgatar animais em condição de abandono. Chocada com o acontecido imediatamente contatou uma importante ONG aqui da região, que orientou a levar numa veterinária que presta serviço para eles.

Com nenhuma resistência do animal coloquei ele no meu veículo e levei para a veterinária, que de pronto iniciou os procedimentos na busca de seu salvamento. Ainda não sei como ele está, se sobreviverá ou não. Estou aqui no aguardo.

Àqueles olhos profundamente tristes não saem da minha cabeça, e penso como por pouco não sou mais um a dar as costas para uma vida que clama socorro. Quanta indiferença com o sofrimento alheio, e não importa se é “apenas” um animal, ele é uma criação divina igual a todos que aqui habitam.

Senhor Cão, espero que consiga passar por essa e possa nos dar outra oportunidade de demonstrar que não somos tão maus assim. Apenas nosso grau de evolução é inferior ao seu. Seus olhos me disseram isso.

Escrito por Fernando Baumann, 12/03/2020 às 16h14 | fernando@bba-reiki.com.br

Proposta pública três(e última)

Para fechar meu estado estúpido de classe e raciocínio, ouvi dizer que o postulante ao executivo algumas vezes precisa negociar política e economicamente suas boas intensões, e que chegar lá limpo e puro é uma árdua missão.

Dizem que financeiramente uma campanha é muito cara e que recursos são necessários, bem como fatiar o governo entre aliados e outros interessados é normal.

Não acredito que seja assim, mas supondo que em algum momento possa acontecer, cumprir compromissos de campanha atrelados a dívidas é algo de mais nocivo que possa existir, pois premia as benesses de uma minoria barulhenta que submete o desenvolvimento coletivo ao seu próprio eixo. Vai lá, faz o prefeito ser um pau mandado**.

Peço aos nossos candidatos para serem absolutamente inflexíveis às tentações, mesmo que custe o intento. Não vença a qualquer custo, pois não existe almoço gratuito, diz a lenda.

No final, quem paga a conta é o munícipe.

 

**pessoa que obedece a tudo incondicionalmente, sem objeções, resistência ou protesto. 

Escrito por Fernando Baumann, 05/03/2020 às 08h43 | fernando@bba-reiki.com.br

Salve o prefeito

Recentemente nossa cidade sofreu com intensas chuvas acima da média pluviométrica para o período, o que gerou o caos. Ruas alagadas, veículos danificados e transtornos diversos foram a tônica do momento.

Naqueles dias fui a um grande shopping realizar uma compra. Em conversa com o atendente o mesmo me relatou que novamente o estacionamento havia sido invadido pelas águas e causado muitos prejuízos. É assim, chove e enche.

Então me lembrei que naquele local, antes da construção, àquela área era um banhado, tanto que a avenida construída ao lado possui várias depressões por conta da instabilidade do terreno. Ora, então não foi a água que invadiu o estacionamento, e sim o estacionamento é que invadiu a água.

Isso acontece em boa parte da cidade. Minha casa é um exemplo, para dois pavimentos tem dezoito metros de estaca. Eu também invadi o banhado! Meu pai falava que em Balneário você comprava o espaço, depois fazia o terreno.

Vídeos “viralizados” na internet culpavam o prefeito (ou prefeitura) por este caos. Sinceramente, é muita falta de noção das coisas. Ele tem sim responsabilidade, como a autorização de novas obras em locais inapropriados (e quem consegue?), limpeza dos bueiros, desassoreamento de canais e rios e limpeza urbana. E só!

E o lixo jogado nas ruas, que com a chuva entope os canais de escoamento, é responsabilidade do prefeito ou da população? Móveis, utensílios e as mais diversas bugigangas descartadas de qualquer forma é responsabilidade de quem? Dele, o onipresente?

Também não esqueçamos das alterações climáticas, seja por causas naturais ou por indução humana, mesmo contra a vontade daqueles que alegam o contrário. Então, quando ligarmos nossos automóveis para irmos à padaria, lembramo-nos que somos mais um a somar CO2 na atmosfera, e paremos de reclamar de pedestres e ciclistas, esses estorvos.

 

Escrito por Fernando Baumann, 26/02/2020 às 09h46 | fernando@bba-reiki.com.br

Proposta pública dois

 Jogue o plano de governo no lixo.

Isso mesmo, jogue fora. Plano de governo atende o interesse de um pequeno grupo que estará no poder por quatro ou eventualmente oito anos. Tenha um plano de trabalho baseado no desejo de cidade construído pela sociedade civil organizada. Incentive e apoie as entidades a construir uma visão de futuro, olhando vinte anos para frente. Envolva todas que estiverem regulares, e das mais diversas categorias e segmentos.

Por entidade para não pessoalizar a discussão.

Crie um plano de trabalho, este sim fundamental, e deixe que a parte estratégica a comunidade decide. Desde o primeiro dia de governo viabilize para que isto aconteça. Esqueça as diferença ideológicas, religiosas e tudo mais. Trabalhe incansavelmente para que no final do mandato as primeiras sementes estejam plantadas. Sim, por que isso demanda tempo, maturidade e alinhamento, muito difícil em tempos de “eu sei sobre tudo”.

Daqui a alguns anos o eleitor irá escolher entre os postulantes àquele que se comprometer em executar o plano de cidade. O plano, este propósito, compete ao dono, e o dono da cidade é quem mora nela, é ele quem decide o que fazer.

É isso, o plano de cidade decide o que fazer. O plano de trabalho decide como fazer.

Plano de cidade = morador através de entidade representativa

Plano de trabalho = executivo

Plano de governo = lixo 

Escrito por Fernando Baumann, 05/02/2020 às 14h54 | fernando@bba-reiki.com.br

Proposta pública um

 O setor público é diferente do privado, isto é verdade. No público só se pode fazer o que está permitido, e no privado o que não está proibido. Um detalhe que faz muita diferença.

Outra questão, o funcionalismo público tem direito a estabilidade de emprego e via de regra não tem meta de entrega. Se mais ou menos tanto faz. O funcionário privado está sempre com o dele na reta, sujeito a cortes inesperados e com relação direta entre entrega versus salário e/ou promoção. Estão comigo?

Então o fato de alguém ser bem sucedido na iniciativa privada não chancela seu passaporte para o setor público, por que não é a mesma coisa. Choque de gestão? Esquece. Mais um ponto, e aqui estou sendo cruelmente genérico, é de que na iniciativa privada você trabalha para você, e na pública para os outros, tanto que o funcionalismo é chamado de servidor, por servir ao outro.

Na iniciativa privada o gestor toma a decisão e coloca em prática. Pronto. Na pública ele depende da câmara, da ideologia(?) do partido, da base de apoio, da população... sem falar na turma que joga contra, que sou capaz de apostar que é da ordem de 30%.

Agora sim, nós podemos misturar as experiências pública e privada e extrair daí algo bem interessante. Um exemplo muito bacana que conheci em outra cidade brasileira é a figura do gerente municipal. Como funciona? Toda a parte política, pompa e circunstância do cargo fica com o prefeito, ele é a figura pública. O dia a dia, a operação em si, com o gerente municipal.

Mas qual a lógica disso? Muito simples, e é o que a iniciativa privada faz muito bem: análise de perfil. Cada macaco no seu galho. O prefeito é a pessoa que gosta de estar na rua, falando com as pessoas, distribuindo sorrisos e abraços, empático e carismático. Vai a jantares, aniversários e velórios. Emoção é sua palavra de ordem. O gerente é o técnico, o analista que gosta de estar no seu ambiente de trabalho, entre uma reunião e outra, tomando decisões equilibradas. Sabe lidar com conflitos e não cede a pressões. É durão e a razão é o seu “modus operandi”.

Não como uma conta matemática, nas relações humanas as diferenças somam e uma composição antagônica, certamente com respeito e tolerância, seria potencialmente eficiente. Infelizmente os agrupamentos políticos, vou chamar assim, se dão por interesse particular e não por complementariedade.

Quer ver uma coisa bem bacana seria o vice-prefeito ser o técnico. Além do equilíbrio de forças evitaria a disputa por holofotes e nova contratação. Mas para fazer o papel tem que ter perfil para isto, e a construção começa muito antes da eleição, quem sabe até como proposta de trabalho que convença o eleitor.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/02/2020 às 11h54 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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 Esta história de nós e eles está muito chata, estou de saco cheio com isso. Se tem uma coisa importante a ser feita neste momento é a solidariedade, não enfrentamento e bate-boca. Pra mim isto demonstra o quanto ainda somos imaturos e inconsequentes.

Sempre acreditei que é melhor errar pelo excesso do que pela falta, e nisso quero parabenizar a atitude corajosa do governador e do prefeito Fabrício em fechar a cidade e ordenar o isolamento social. Não é momento de desconsiderar o que está acontecendo lá fora e o que ainda está por vir aqui. Aliás, se tivéssemos prestado melhor atenção desde o início estaríamos melhor preparados agora, afinal o assunto rola a mais de três meses (porque fomos pegos de surpresa?).

Quanto as consequências econômicas sem dúvida, serão desastrosas. Como empresário estou muito preocupado com o que está por vir, certamente sofreremos bastante. Desde o início da crise minha empresa perdeu quase 100% da receita prevista, e as despesas não param.

Momentos difíceis.

Mas a questão econômica tem tratamento, o vírus ainda não.

Mas olha só, me parece que se realmente nos unirmos e pararmos de ficar buscando culpados e criando teorias constrangedoras sairemos mais rápido e melhor desta crise. A crise pode ser uma grande oportunidade para avaliar tudo o que fizemos até aqui.

Bem, penso que esse é o chamado, uma nova oportunidade que está sendo dada para rever, reavaliar e reconduzir nossos atos.

 

Escrito por Fernando Baumann, 27/03/2020 às 17h19 | fernando@bba-reiki.com.br

Mestre cão

 Fui a empresa de um amigo buscar um produto que solicitei. Chegando lá avistei um cachorro sentado na lateral esquerda do prédio, sendo que meu acesso era por uma porta à direita. Tive uma visão distante do animal e ao entrar brinquei com o profissional se tinha contratado um cão de guarda, pois havia recentemente sido roubado. Falou que não, que o animal havia aparecido ali durante a noite e que achava que era um cão de rua que a alguns dias se “hospedava” numa construção próxima.

Assunto esquecido tratamos do nosso negócio e ao final nos despedimos. Quando saio do galpão vejo o animal caminhando com muita dificuldade sentido a rua, visivelmente machucado e abatido. Nisso um automóvel vem ao seu encontro e os dois param próximos, cachorro e carro. Ele não tinha força para prosseguir. O motorista sai do automóvel e vai ao seu encontro, e com paciência tira o mesmo da sua frente e vai embora.

Nisso o pobre animal vem cambaleando em minha direção e entra debaixo do meu veículo. No mesmo instinto do motorista anterior, fui para negociar com ele a saída dali, por conta dos meus horários e compromissos, eu não podia me demorar.

Ao ver o cachorro de perto e prestar atenção em seu estado fiquei assustado. Um profundo machucado na perna traseira esquerda, aberto e com cheiro de carne apodrecida, extremamente magro e cheio de carrapatos. Meu Deus!!

Mas o que mais me abalou foi o seu olhar, profundamente triste e submisso. Quanta violência já deve ter sofrido.

Sem saber o que fazer liguei para minha irmã, que tem o hábito de resgatar animais em condição de abandono. Chocada com o acontecido imediatamente contatou uma importante ONG aqui da região, que orientou a levar numa veterinária que presta serviço para eles.

Com nenhuma resistência do animal coloquei ele no meu veículo e levei para a veterinária, que de pronto iniciou os procedimentos na busca de seu salvamento. Ainda não sei como ele está, se sobreviverá ou não. Estou aqui no aguardo.

Àqueles olhos profundamente tristes não saem da minha cabeça, e penso como por pouco não sou mais um a dar as costas para uma vida que clama socorro. Quanta indiferença com o sofrimento alheio, e não importa se é “apenas” um animal, ele é uma criação divina igual a todos que aqui habitam.

Senhor Cão, espero que consiga passar por essa e possa nos dar outra oportunidade de demonstrar que não somos tão maus assim. Apenas nosso grau de evolução é inferior ao seu. Seus olhos me disseram isso.

Escrito por Fernando Baumann, 12/03/2020 às 16h14 | fernando@bba-reiki.com.br

Proposta pública três(e última)

Para fechar meu estado estúpido de classe e raciocínio, ouvi dizer que o postulante ao executivo algumas vezes precisa negociar política e economicamente suas boas intensões, e que chegar lá limpo e puro é uma árdua missão.

Dizem que financeiramente uma campanha é muito cara e que recursos são necessários, bem como fatiar o governo entre aliados e outros interessados é normal.

Não acredito que seja assim, mas supondo que em algum momento possa acontecer, cumprir compromissos de campanha atrelados a dívidas é algo de mais nocivo que possa existir, pois premia as benesses de uma minoria barulhenta que submete o desenvolvimento coletivo ao seu próprio eixo. Vai lá, faz o prefeito ser um pau mandado**.

Peço aos nossos candidatos para serem absolutamente inflexíveis às tentações, mesmo que custe o intento. Não vença a qualquer custo, pois não existe almoço gratuito, diz a lenda.

No final, quem paga a conta é o munícipe.

 

**pessoa que obedece a tudo incondicionalmente, sem objeções, resistência ou protesto. 

Escrito por Fernando Baumann, 05/03/2020 às 08h43 | fernando@bba-reiki.com.br

Salve o prefeito

Recentemente nossa cidade sofreu com intensas chuvas acima da média pluviométrica para o período, o que gerou o caos. Ruas alagadas, veículos danificados e transtornos diversos foram a tônica do momento.

Naqueles dias fui a um grande shopping realizar uma compra. Em conversa com o atendente o mesmo me relatou que novamente o estacionamento havia sido invadido pelas águas e causado muitos prejuízos. É assim, chove e enche.

Então me lembrei que naquele local, antes da construção, àquela área era um banhado, tanto que a avenida construída ao lado possui várias depressões por conta da instabilidade do terreno. Ora, então não foi a água que invadiu o estacionamento, e sim o estacionamento é que invadiu a água.

Isso acontece em boa parte da cidade. Minha casa é um exemplo, para dois pavimentos tem dezoito metros de estaca. Eu também invadi o banhado! Meu pai falava que em Balneário você comprava o espaço, depois fazia o terreno.

Vídeos “viralizados” na internet culpavam o prefeito (ou prefeitura) por este caos. Sinceramente, é muita falta de noção das coisas. Ele tem sim responsabilidade, como a autorização de novas obras em locais inapropriados (e quem consegue?), limpeza dos bueiros, desassoreamento de canais e rios e limpeza urbana. E só!

E o lixo jogado nas ruas, que com a chuva entope os canais de escoamento, é responsabilidade do prefeito ou da população? Móveis, utensílios e as mais diversas bugigangas descartadas de qualquer forma é responsabilidade de quem? Dele, o onipresente?

Também não esqueçamos das alterações climáticas, seja por causas naturais ou por indução humana, mesmo contra a vontade daqueles que alegam o contrário. Então, quando ligarmos nossos automóveis para irmos à padaria, lembramo-nos que somos mais um a somar CO2 na atmosfera, e paremos de reclamar de pedestres e ciclistas, esses estorvos.

 

Escrito por Fernando Baumann, 26/02/2020 às 09h46 | fernando@bba-reiki.com.br

Proposta pública dois

 Jogue o plano de governo no lixo.

Isso mesmo, jogue fora. Plano de governo atende o interesse de um pequeno grupo que estará no poder por quatro ou eventualmente oito anos. Tenha um plano de trabalho baseado no desejo de cidade construído pela sociedade civil organizada. Incentive e apoie as entidades a construir uma visão de futuro, olhando vinte anos para frente. Envolva todas que estiverem regulares, e das mais diversas categorias e segmentos.

Por entidade para não pessoalizar a discussão.

Crie um plano de trabalho, este sim fundamental, e deixe que a parte estratégica a comunidade decide. Desde o primeiro dia de governo viabilize para que isto aconteça. Esqueça as diferença ideológicas, religiosas e tudo mais. Trabalhe incansavelmente para que no final do mandato as primeiras sementes estejam plantadas. Sim, por que isso demanda tempo, maturidade e alinhamento, muito difícil em tempos de “eu sei sobre tudo”.

Daqui a alguns anos o eleitor irá escolher entre os postulantes àquele que se comprometer em executar o plano de cidade. O plano, este propósito, compete ao dono, e o dono da cidade é quem mora nela, é ele quem decide o que fazer.

É isso, o plano de cidade decide o que fazer. O plano de trabalho decide como fazer.

Plano de cidade = morador através de entidade representativa

Plano de trabalho = executivo

Plano de governo = lixo 

Escrito por Fernando Baumann, 05/02/2020 às 14h54 | fernando@bba-reiki.com.br

Proposta pública um

 O setor público é diferente do privado, isto é verdade. No público só se pode fazer o que está permitido, e no privado o que não está proibido. Um detalhe que faz muita diferença.

Outra questão, o funcionalismo público tem direito a estabilidade de emprego e via de regra não tem meta de entrega. Se mais ou menos tanto faz. O funcionário privado está sempre com o dele na reta, sujeito a cortes inesperados e com relação direta entre entrega versus salário e/ou promoção. Estão comigo?

Então o fato de alguém ser bem sucedido na iniciativa privada não chancela seu passaporte para o setor público, por que não é a mesma coisa. Choque de gestão? Esquece. Mais um ponto, e aqui estou sendo cruelmente genérico, é de que na iniciativa privada você trabalha para você, e na pública para os outros, tanto que o funcionalismo é chamado de servidor, por servir ao outro.

Na iniciativa privada o gestor toma a decisão e coloca em prática. Pronto. Na pública ele depende da câmara, da ideologia(?) do partido, da base de apoio, da população... sem falar na turma que joga contra, que sou capaz de apostar que é da ordem de 30%.

Agora sim, nós podemos misturar as experiências pública e privada e extrair daí algo bem interessante. Um exemplo muito bacana que conheci em outra cidade brasileira é a figura do gerente municipal. Como funciona? Toda a parte política, pompa e circunstância do cargo fica com o prefeito, ele é a figura pública. O dia a dia, a operação em si, com o gerente municipal.

Mas qual a lógica disso? Muito simples, e é o que a iniciativa privada faz muito bem: análise de perfil. Cada macaco no seu galho. O prefeito é a pessoa que gosta de estar na rua, falando com as pessoas, distribuindo sorrisos e abraços, empático e carismático. Vai a jantares, aniversários e velórios. Emoção é sua palavra de ordem. O gerente é o técnico, o analista que gosta de estar no seu ambiente de trabalho, entre uma reunião e outra, tomando decisões equilibradas. Sabe lidar com conflitos e não cede a pressões. É durão e a razão é o seu “modus operandi”.

Não como uma conta matemática, nas relações humanas as diferenças somam e uma composição antagônica, certamente com respeito e tolerância, seria potencialmente eficiente. Infelizmente os agrupamentos políticos, vou chamar assim, se dão por interesse particular e não por complementariedade.

Quer ver uma coisa bem bacana seria o vice-prefeito ser o técnico. Além do equilíbrio de forças evitaria a disputa por holofotes e nova contratação. Mas para fazer o papel tem que ter perfil para isto, e a construção começa muito antes da eleição, quem sabe até como proposta de trabalho que convença o eleitor.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/02/2020 às 11h54 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.