Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

OS GEOGLIFOS DE CORO

Quando falamos em geoglifos, imediatamente nos recordamos das famosas Linhas de Nazca-Palpa (Peru), como símbolo máximo desse tipo de manifestação arqueológica. E com razão, observamos que a cada dia, a América do Sul torna-se a região com maior incidência de geoglifos no planeta. Sabe-se atualmente que todo o continente foi utilizado de algum modo, como suporte para a criação de enormes figuras no solo, algumas delas ultrapassando os 300 metros de comprimento. Apenas para mencionar alguns desses aglomerados de geoglifos, citamos aqui o de Nazca-Palpa (Peru), os do Acre (Brasil) e os de Pintados (Chile).

Contudo, há pouco mais de duas semanas, outro enorme campo de geoglifos foi descoberto nas proximidades de Coro (Venezuela); em um litoral semidesértico não muito distante das paradisíacas ilhas de Aruba e Curaçao. Arqueólogos e zoólogos da Universidade Nacional Experimental Francisco de Miranda (Unefm) anunciaram a descoberta de cerca de 60 geoglifos representando animais, árvores e figuras geométricas. Nenhuma figura antropomorfa (humana) foi localizada até o momento. Curioso notar que a descoberta foi realizada graças ao uso de satélites. Segundo Felipe Torrealba (Centro de Investigaciones Antropológicas y Paleontológicas de Unefm) o achado ocorreu quando buscavam o local de impacto de um meteorito no povoado de Pedregal.

Este novo agrupamento de geoglifos está situado em um platô a 700 metros de altura e ocupando uma superfície de 18 hectares. Um dos exemplares mais intrigantes é uma formação geométrica que atinge 350 metros de comprimento por 170 de largura. Toda a região entre Coro e Pedregal é formada hoje por um semideserto litorâneo, que pode ter sido no passado, ainda mais seco. Se isso de fato ocorreu, é provável que suas condições climáticas fossem muito propícias para a manifestação dos geoglifos.

Torrealba explica a semelhança com os demais desenhos conhecidos no Peru pelo procedimento em sua execução. Da mesma maneira que no Peru, na Venezuela também os nativos aplicavam basicamente duas técnicas: usavam a oxidação do solo a seu favor, retirando as pedras escuras da superfície e deixando o solo claro em evidência; ou amontoavam essas mesmas pedras escuras formando linhas que determinavam a obra.

Ainda é cedo para apontar os motivos que levaram os antigos habitantes daquela região a executarem tamanha obra. Não sabemos quais foram suas reais intenções. No momento, Torrealba juntamente com a Drª Angela Martino e o Drº Alexis Arends (zoólogos da Unefm) planejam uma expedição para coletar dados e tentar lançar alguma luz sobre essa incrível descoberta.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “América Misteriosa – Crônicas de um continente mágico”. Visite o Blog “Arqueologia Americana” 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 08/09/2020 às 09h47 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.














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OS GEOGLIFOS DE CORO

Quando falamos em geoglifos, imediatamente nos recordamos das famosas Linhas de Nazca-Palpa (Peru), como símbolo máximo desse tipo de manifestação arqueológica. E com razão, observamos que a cada dia, a América do Sul torna-se a região com maior incidência de geoglifos no planeta. Sabe-se atualmente que todo o continente foi utilizado de algum modo, como suporte para a criação de enormes figuras no solo, algumas delas ultrapassando os 300 metros de comprimento. Apenas para mencionar alguns desses aglomerados de geoglifos, citamos aqui o de Nazca-Palpa (Peru), os do Acre (Brasil) e os de Pintados (Chile).

Contudo, há pouco mais de duas semanas, outro enorme campo de geoglifos foi descoberto nas proximidades de Coro (Venezuela); em um litoral semidesértico não muito distante das paradisíacas ilhas de Aruba e Curaçao. Arqueólogos e zoólogos da Universidade Nacional Experimental Francisco de Miranda (Unefm) anunciaram a descoberta de cerca de 60 geoglifos representando animais, árvores e figuras geométricas. Nenhuma figura antropomorfa (humana) foi localizada até o momento. Curioso notar que a descoberta foi realizada graças ao uso de satélites. Segundo Felipe Torrealba (Centro de Investigaciones Antropológicas y Paleontológicas de Unefm) o achado ocorreu quando buscavam o local de impacto de um meteorito no povoado de Pedregal.

Este novo agrupamento de geoglifos está situado em um platô a 700 metros de altura e ocupando uma superfície de 18 hectares. Um dos exemplares mais intrigantes é uma formação geométrica que atinge 350 metros de comprimento por 170 de largura. Toda a região entre Coro e Pedregal é formada hoje por um semideserto litorâneo, que pode ter sido no passado, ainda mais seco. Se isso de fato ocorreu, é provável que suas condições climáticas fossem muito propícias para a manifestação dos geoglifos.

Torrealba explica a semelhança com os demais desenhos conhecidos no Peru pelo procedimento em sua execução. Da mesma maneira que no Peru, na Venezuela também os nativos aplicavam basicamente duas técnicas: usavam a oxidação do solo a seu favor, retirando as pedras escuras da superfície e deixando o solo claro em evidência; ou amontoavam essas mesmas pedras escuras formando linhas que determinavam a obra.

Ainda é cedo para apontar os motivos que levaram os antigos habitantes daquela região a executarem tamanha obra. Não sabemos quais foram suas reais intenções. No momento, Torrealba juntamente com a Drª Angela Martino e o Drº Alexis Arends (zoólogos da Unefm) planejam uma expedição para coletar dados e tentar lançar alguma luz sobre essa incrível descoberta.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “América Misteriosa – Crônicas de um continente mágico”. Visite o Blog “Arqueologia Americana” 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 08/09/2020 às 09h47 | daltonmaziero@uol.com.br



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