Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

O MUNDO SUBAQUÁTICO MAIA: CAMINHO PARA O INFRAMUNDO

Foto Herbert Meyrl - Proyecto Gam

No mundo pré-colombiano, a água possuía um importante papel. Não apenas em seu estado líquido, como fonte de vida e plantio; mas também por seu simbolismo como espaço etéreo e sublime. Um espaço idolatrado pelos vivos, mas onde podiam as entidades e mortos, avançar do plano terrestre ao Inframundo, ou mundo dos mortos.

Nos últimos anos, inúmeras descobertas foram realizadas por arqueólogos em diversos países americanos. Sejam em lagos, rios ou cavernas inundadas, vários artefatos encontrados revelaram a ligação existente entre os homens e este espaço fluido e sagrado. No norte da Guatemala, no lago Peten Itza, mergulhadores localizaram 800 peças, entre cerâmicas, taças cerimoniais e lâminas de obsidiana. Junto a elas, pequenos pedaços de ossos de vários animais, supostamente sacrificados. O ato de jogar artefatos nas profundezas das águas – provavelmente um rito cerimonial – vem de longa data, pois muitas das peças datam de 150 aC a 1697 dC; ou seja, mais de 170 anos após a conquista do México pelos espanhóis.

Da mesma forma que ocorreu no lago Titicaca (Peru/Bolívia) e no Guatavita (Colômbia), na Mesoamérica essas porções de água eram acessadas por meio de um barco ou balsa, cuja função era transportar um grupo de sacerdotes ao ponto mais profundo, lugar onde suas oferendas eram lançadas. Os artefatos encontrados no fundo desses locais, revelam muito sobre a cultura material dos antigos povos, assim como a relação que tinham com os seres sobrenaturais.

Na Mesoamérica, um impressionante sistema de cavernas submersas foi localizado no Estado mexicano de Quintana Roo (Yucatã). Esse complexo de mais de 346 quilômetros de extensão forma a maior caverna submersa do mundo. Guillermo de Anda, diretor do Projeto Gran Acuífero Maya, afirma que a caverna é também o mais importante sítio arqueológico submerso do planeta.

O mergulhador alemão Robert Schmittner explica que há mais de 20 anos explora esse labirinto subaquático, e que existem trechos com até 20 quilômetros de profundidade. O mais impressionante é observar a existência de muros, escadarias e altares nas profundezas. Espaços modificados pelos homens que faziam parte de antigas civilizações, entre elas os Maias.

Não importa se a água ocupava uma laguna ou um complexo gigantesco de cavernas submersas. Ela sempre ocupou um importante papel nas crenças humanas sobre o Inframundo. No caso particular das cavernas submersas de Yucatã, mais do que uma oferenda, os homens adentravam fisicamente nesse mundo das profundezas, inserindo-se e aproximando-se do que acreditavam ser, o espaço das entidades que idolatravam e lá viviam.


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 05/08/2019 às 12h16 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


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No mundo pré-colombiano, a água possuía um importante papel. Não apenas em seu estado líquido, como fonte de vida e plantio; mas também por seu simbolismo como espaço etéreo e sublime. Um espaço idolatrado pelos vivos, mas onde podiam as entidades e mortos, avançar do plano terrestre ao Inframundo, ou mundo dos mortos.

Nos últimos anos, inúmeras descobertas foram realizadas por arqueólogos em diversos países americanos. Sejam em lagos, rios ou cavernas inundadas, vários artefatos encontrados revelaram a ligação existente entre os homens e este espaço fluido e sagrado. No norte da Guatemala, no lago Peten Itza, mergulhadores localizaram 800 peças, entre cerâmicas, taças cerimoniais e lâminas de obsidiana. Junto a elas, pequenos pedaços de ossos de vários animais, supostamente sacrificados. O ato de jogar artefatos nas profundezas das águas – provavelmente um rito cerimonial – vem de longa data, pois muitas das peças datam de 150 aC a 1697 dC; ou seja, mais de 170 anos após a conquista do México pelos espanhóis.

Da mesma forma que ocorreu no lago Titicaca (Peru/Bolívia) e no Guatavita (Colômbia), na Mesoamérica essas porções de água eram acessadas por meio de um barco ou balsa, cuja função era transportar um grupo de sacerdotes ao ponto mais profundo, lugar onde suas oferendas eram lançadas. Os artefatos encontrados no fundo desses locais, revelam muito sobre a cultura material dos antigos povos, assim como a relação que tinham com os seres sobrenaturais.

Na Mesoamérica, um impressionante sistema de cavernas submersas foi localizado no Estado mexicano de Quintana Roo (Yucatã). Esse complexo de mais de 346 quilômetros de extensão forma a maior caverna submersa do mundo. Guillermo de Anda, diretor do Projeto Gran Acuífero Maya, afirma que a caverna é também o mais importante sítio arqueológico submerso do planeta.

O mergulhador alemão Robert Schmittner explica que há mais de 20 anos explora esse labirinto subaquático, e que existem trechos com até 20 quilômetros de profundidade. O mais impressionante é observar a existência de muros, escadarias e altares nas profundezas. Espaços modificados pelos homens que faziam parte de antigas civilizações, entre elas os Maias.

Não importa se a água ocupava uma laguna ou um complexo gigantesco de cavernas submersas. Ela sempre ocupou um importante papel nas crenças humanas sobre o Inframundo. No caso particular das cavernas submersas de Yucatã, mais do que uma oferenda, os homens adentravam fisicamente nesse mundo das profundezas, inserindo-se e aproximando-se do que acreditavam ser, o espaço das entidades que idolatravam e lá viviam.


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 05/08/2019 às 12h16 | daltonmaziero@uol.com.br



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