Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

PUCARÁ DE TILCARA

Para quem conhece a região do deserto do Atacama, sabe que ela se caracteriza por uma beleza natural bastante selvagem. O solo árido de altitude, o ar rarefeito, o horizonte infinito; a água perene, límpida e gelada, proveniente do degelo das montanhas. A luminosidade de uma coloração e nitidez que não consigo explicar em palavras. E no meio de tudo isso, a Cordilheira dos Andes!

Essa paisagem bela e austera não encontra limites nas fronteiras humanas. Ela expande além do Chile, em direção à Bolívia e Argentina. E é justamente nesse último país que encontramos o original sítio arqueológico de Pucará de Tilcara.

No mundo pré-colombiano, todo assentamento humano era realizado tendo em vista sua defesa, possibilidade de plantio e coleta d’água. O termo “Tilcara” designa um grupo específico, que fez parte de um grupo maior de características semelhantes, conhecido como Omaguacas (também chamados Humahuacas). Já “Pucará” - à grosso modo - significa “fortaleza”, um lugar onde a defesa é vantajosa.

Pucará de Tilcara está a 2.450 metros de altitude, avançando sobre um morro, distribuindo suas construções em leves plataformas. Está em um ponto geográfico próximo aos rios Grande e Huasamayo. Arqueólogos identificaram ali mais de 3 mil objetos que datam de aproximadamente 1160 dC, além de vários bairros demarcados, currais, um cemitério e um espaço cerimonial.

As principais escavações ocorreram entre 1908 e 1911. O etnógrafo Juan Bautista Ambrosetti (Diretor do Museu Etnográfico da Universidade de Buenos Aires) e seu discípulo Salvador Debenedetti, conseguiram reconstruir boa parte da vida rotineira daquele povo, antes da chegada dos espanhóis. Em 1929, Debenedetti ampliou as escavações juntamente com o arqueólogo Eduardo Casanova. Contudo, a reconstrução como a vemos hoje, é fruto de projeto de Casanova, que em 1948, criou também um museu arqueológico de sítio.

O povo Tilcara, ao que parece, vivia uma rotina pautada pelo plantio (batata, milho, quinoa) sem arado e com ferramentas simples; caça (vizcacha, vicuña, guanaco) e criação de animais como a lhama, de onde obtinham lã e carne. Mas também desenvolveram belos exemplares de cerâmica. Os Tilcaras sofreram a invasão Inca, mas mantiveram seus costumes. Somente com a chegada efetiva dos espanhóis em 1594 à região, é que foram submetidos, após uma longa resistência. Com a aplicação do Regime de Encomienda, foram separados e enviados a trabalhar em outras regiões, caindo o povoado em abandono.

Tilcará é considerada uma das povoações autônomas mais antigas da Argentina! Hoje é reconhecida não como uma cidade, mas como Monumento Histórico Nacional.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 20/05/2019 às 11h09 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


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PUCARÁ DE TILCARA

Para quem conhece a região do deserto do Atacama, sabe que ela se caracteriza por uma beleza natural bastante selvagem. O solo árido de altitude, o ar rarefeito, o horizonte infinito; a água perene, límpida e gelada, proveniente do degelo das montanhas. A luminosidade de uma coloração e nitidez que não consigo explicar em palavras. E no meio de tudo isso, a Cordilheira dos Andes!

Essa paisagem bela e austera não encontra limites nas fronteiras humanas. Ela expande além do Chile, em direção à Bolívia e Argentina. E é justamente nesse último país que encontramos o original sítio arqueológico de Pucará de Tilcara.

No mundo pré-colombiano, todo assentamento humano era realizado tendo em vista sua defesa, possibilidade de plantio e coleta d’água. O termo “Tilcara” designa um grupo específico, que fez parte de um grupo maior de características semelhantes, conhecido como Omaguacas (também chamados Humahuacas). Já “Pucará” - à grosso modo - significa “fortaleza”, um lugar onde a defesa é vantajosa.

Pucará de Tilcara está a 2.450 metros de altitude, avançando sobre um morro, distribuindo suas construções em leves plataformas. Está em um ponto geográfico próximo aos rios Grande e Huasamayo. Arqueólogos identificaram ali mais de 3 mil objetos que datam de aproximadamente 1160 dC, além de vários bairros demarcados, currais, um cemitério e um espaço cerimonial.

As principais escavações ocorreram entre 1908 e 1911. O etnógrafo Juan Bautista Ambrosetti (Diretor do Museu Etnográfico da Universidade de Buenos Aires) e seu discípulo Salvador Debenedetti, conseguiram reconstruir boa parte da vida rotineira daquele povo, antes da chegada dos espanhóis. Em 1929, Debenedetti ampliou as escavações juntamente com o arqueólogo Eduardo Casanova. Contudo, a reconstrução como a vemos hoje, é fruto de projeto de Casanova, que em 1948, criou também um museu arqueológico de sítio.

O povo Tilcara, ao que parece, vivia uma rotina pautada pelo plantio (batata, milho, quinoa) sem arado e com ferramentas simples; caça (vizcacha, vicuña, guanaco) e criação de animais como a lhama, de onde obtinham lã e carne. Mas também desenvolveram belos exemplares de cerâmica. Os Tilcaras sofreram a invasão Inca, mas mantiveram seus costumes. Somente com a chegada efetiva dos espanhóis em 1594 à região, é que foram submetidos, após uma longa resistência. Com a aplicação do Regime de Encomienda, foram separados e enviados a trabalhar em outras regiões, caindo o povoado em abandono.

Tilcará é considerada uma das povoações autônomas mais antigas da Argentina! Hoje é reconhecida não como uma cidade, mas como Monumento Histórico Nacional.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 20/05/2019 às 11h09 | daltonmaziero@uol.com.br



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