Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

HUACA PUCLLANA – OS ADORADORES DO MAR

A cidade de Lima está situada na costa desértica do Peru, banhada pelo Oceano Pacífico. O viajante que chega de avião costuma ficar impressionado com a monocromia da paisagem e a secura da terra. É difícil imaginar que ali, viveram grandes civilizações. Contudo, Lima guarda alguns dos maiores tesouros arqueológicos de nosso continente. Um deles – Huaca Pucllana – na forma de uma enorme pirâmide de adobe encravada hoje em meio à cidade moderna. Para os viajantes, é bastante estranho ver tamanha construção de tijolos de adobe em contraste aos edifícios modernos. O nome verdadeiro deste templo do antigo povo Lima, perdeu-se no tempo. O termo “pucllana” é de origem quéchua e foi criado no século XVI.

O povo Lima viveu na região litorânea do Peru entre 200 e 700 dC. Ocupou todos os vales próximos à atual capital, dedicando-se economicamente à pesca, coleta de produtos naturais, plantio de legumes e frutas, assim como artigos manufaturados, como cerâmica e tecidos. A cerâmica foi uma de suas atividades mais importantes, pois eram utilizadas tanto nos afazeres cotidianos como em suas cerimônias religiosas. É notável de observar seus desenhos estilizados, geralmente feitos em apenas três cores: branco, negro e vermelho. Uma de suas criações mais famosas é o de um tubarão com duas cabeças, que parece representar a força oriunda dos oceanos.

A Huaca Pucllana era parte fundamental na religião e administração do povo Lima. Possui mais de 25 metros de altura e ocupa cerca de 6 hectares. Ela ergueu-se sobre sete plataformas escalonadas, local onde foram enfileirados milhares de tijolos de barro feitos à mão. Ali criaram recintos administrativos, praças, depósitos, salas de reuniões e espaços para atividades sagradas, que incluía banquetes com carne de tubarão, rompimento de vasilhas de cerâmica sagrada (com imagens marinhas), oferendas de peixes e animais marinhos, e eventuais sacrifícios humanos com crianças e mulheres. Uma das principais funções de Huaca Pucllana era servir a uma casta de sacerdotes que buscavam controlar os recursos hídricos naturais, dos rios e oceano.

Assim como outras construções regionais, Pucllana foi abandonada por volta de 750 dC. Arqueólogos notaram um declínio nas oferendas e mesmo na arquitetura local. Recintos elaborados foram substituídos por pequenas edificações de material reciclado e tosco. Pouco depois, a presença do povo Wari submete o que restou dos Lima, transformando a antiga Pucllana em necrópole entre 800 e 1000 dC. Uma vez utilizada como cemitério, a enorme pirâmide passa a ser venerada, transformando-se em “Nawpallacta” (estrutura ou povoado antigo de caráter sagrado). E assim permaneceu ao longo do domínio Inca até a chegada dos espanhóis. Hoje, a pirâmide é uma das principais atrações arqueológicas da capital peruana.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 21/03/2019 às 13h41 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

HUACA PUCLLANA – OS ADORADORES DO MAR

A cidade de Lima está situada na costa desértica do Peru, banhada pelo Oceano Pacífico. O viajante que chega de avião costuma ficar impressionado com a monocromia da paisagem e a secura da terra. É difícil imaginar que ali, viveram grandes civilizações. Contudo, Lima guarda alguns dos maiores tesouros arqueológicos de nosso continente. Um deles – Huaca Pucllana – na forma de uma enorme pirâmide de adobe encravada hoje em meio à cidade moderna. Para os viajantes, é bastante estranho ver tamanha construção de tijolos de adobe em contraste aos edifícios modernos. O nome verdadeiro deste templo do antigo povo Lima, perdeu-se no tempo. O termo “pucllana” é de origem quéchua e foi criado no século XVI.

O povo Lima viveu na região litorânea do Peru entre 200 e 700 dC. Ocupou todos os vales próximos à atual capital, dedicando-se economicamente à pesca, coleta de produtos naturais, plantio de legumes e frutas, assim como artigos manufaturados, como cerâmica e tecidos. A cerâmica foi uma de suas atividades mais importantes, pois eram utilizadas tanto nos afazeres cotidianos como em suas cerimônias religiosas. É notável de observar seus desenhos estilizados, geralmente feitos em apenas três cores: branco, negro e vermelho. Uma de suas criações mais famosas é o de um tubarão com duas cabeças, que parece representar a força oriunda dos oceanos.

A Huaca Pucllana era parte fundamental na religião e administração do povo Lima. Possui mais de 25 metros de altura e ocupa cerca de 6 hectares. Ela ergueu-se sobre sete plataformas escalonadas, local onde foram enfileirados milhares de tijolos de barro feitos à mão. Ali criaram recintos administrativos, praças, depósitos, salas de reuniões e espaços para atividades sagradas, que incluía banquetes com carne de tubarão, rompimento de vasilhas de cerâmica sagrada (com imagens marinhas), oferendas de peixes e animais marinhos, e eventuais sacrifícios humanos com crianças e mulheres. Uma das principais funções de Huaca Pucllana era servir a uma casta de sacerdotes que buscavam controlar os recursos hídricos naturais, dos rios e oceano.

Assim como outras construções regionais, Pucllana foi abandonada por volta de 750 dC. Arqueólogos notaram um declínio nas oferendas e mesmo na arquitetura local. Recintos elaborados foram substituídos por pequenas edificações de material reciclado e tosco. Pouco depois, a presença do povo Wari submete o que restou dos Lima, transformando a antiga Pucllana em necrópole entre 800 e 1000 dC. Uma vez utilizada como cemitério, a enorme pirâmide passa a ser venerada, transformando-se em “Nawpallacta” (estrutura ou povoado antigo de caráter sagrado). E assim permaneceu ao longo do domínio Inca até a chegada dos espanhóis. Hoje, a pirâmide é uma das principais atrações arqueológicas da capital peruana.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 21/03/2019 às 13h41 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade