Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

CENTÉOTL – A DEUSA DO MILHO

Algumas civilizações da história, como a egípcia, hindu ou mesopotâmica, possuíram uma gama enorme de deuses, cada qual destinado a um fenômeno natural, sentimento, objeto ou ação. Da mesma forma, a antiga América também apresentou seu panteão de divindades com centenas de representantes para todas as classes e categorias imagináveis. Um dos mais importantes deuses americanos – chamado Centéotl – foi dedicado ao milho.

Na mitologia dos Mexicas (México), Centéotl era o deus do milho e patrono dos embriagados. Isso porque com o milho fermentado, se tirava uma bebida alcoólica espiritual, usada em rituais. Também devia sua importância ao fato de o milho ser uma das principais fontes de alimento na Mesoamérica. Um dado interessante desta entidade era sua dualidade sexual. Ele foi representado como homem (Centéotl) ou como mulher (Chicomecóatl).

Sua celebração ocorria no quarto mês mexica (Huey Tozoztli) e era associada ao milho seco, que serviria de semente para gerar na terra, novos milhos. Devido ao seu caráter germinador, a imagem desse deus remetia à fertilidade, agricultura, colheita, natureza, beleza e sexualidade. Embora existam várias versões de sua lenda, uma das mais correntes fala da entidade como filho de Piltzinteuctli e Xochiquétzal, que o geraram na terra, lugar onde Centéotl se escondia. Uma vez debaixo da terra, passa a germinar outras plantas com suas características. Dessa forma, seus cabelos – fios loiros da espiga – geraram o algodão; assim como seus dedos geraram os camotes (batata doce). Por essa contribuição, o deus do milho é chamado comumente de “Deus Amado”.

Existiam vários cultos dedicados a Centéotl. Em um deles, os grãos secos do milho eram agrupados em sete unidades, e levados ao templo de Chicomecóatl. Aqueles grãos “abençoados” seriam então armazenados e posteriormente utilizados nos plantios. Existia também um ritual mais pessoal, onde cada agricultor recolhia os melhores grãos de seu próprio cultivo, secando-os. Esses grãos eram oferecidos à deusa em suas casas e depois utilizados como sementes em novo plantio.

O estudo representativo desse deus mesoamericano não é fácil, pois é possível que essa entidade dual represente também uma série de outras entidades partilhadas, ou seja, que Centéotl seja um conjunto de deusas. Algumas delas serial: Tlatlauhquicenteotl (deusa do milho vermelho); Iztaccenteotl (deusa do milho branco); Xilonen (fase de crescimento da espiga), entre outros. Da mesma forma, o deus foi ritualizado por outros grupos, como os totonacas, que para ele construíram cinco templos – inclusive no topo de montanhas – dedicando-lhe sacerdotes próprios e sacrifícios de animais, como coelhos e codornas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/02/2019 às 09h52 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


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CENTÉOTL – A DEUSA DO MILHO

Algumas civilizações da história, como a egípcia, hindu ou mesopotâmica, possuíram uma gama enorme de deuses, cada qual destinado a um fenômeno natural, sentimento, objeto ou ação. Da mesma forma, a antiga América também apresentou seu panteão de divindades com centenas de representantes para todas as classes e categorias imagináveis. Um dos mais importantes deuses americanos – chamado Centéotl – foi dedicado ao milho.

Na mitologia dos Mexicas (México), Centéotl era o deus do milho e patrono dos embriagados. Isso porque com o milho fermentado, se tirava uma bebida alcoólica espiritual, usada em rituais. Também devia sua importância ao fato de o milho ser uma das principais fontes de alimento na Mesoamérica. Um dado interessante desta entidade era sua dualidade sexual. Ele foi representado como homem (Centéotl) ou como mulher (Chicomecóatl).

Sua celebração ocorria no quarto mês mexica (Huey Tozoztli) e era associada ao milho seco, que serviria de semente para gerar na terra, novos milhos. Devido ao seu caráter germinador, a imagem desse deus remetia à fertilidade, agricultura, colheita, natureza, beleza e sexualidade. Embora existam várias versões de sua lenda, uma das mais correntes fala da entidade como filho de Piltzinteuctli e Xochiquétzal, que o geraram na terra, lugar onde Centéotl se escondia. Uma vez debaixo da terra, passa a germinar outras plantas com suas características. Dessa forma, seus cabelos – fios loiros da espiga – geraram o algodão; assim como seus dedos geraram os camotes (batata doce). Por essa contribuição, o deus do milho é chamado comumente de “Deus Amado”.

Existiam vários cultos dedicados a Centéotl. Em um deles, os grãos secos do milho eram agrupados em sete unidades, e levados ao templo de Chicomecóatl. Aqueles grãos “abençoados” seriam então armazenados e posteriormente utilizados nos plantios. Existia também um ritual mais pessoal, onde cada agricultor recolhia os melhores grãos de seu próprio cultivo, secando-os. Esses grãos eram oferecidos à deusa em suas casas e depois utilizados como sementes em novo plantio.

O estudo representativo desse deus mesoamericano não é fácil, pois é possível que essa entidade dual represente também uma série de outras entidades partilhadas, ou seja, que Centéotl seja um conjunto de deusas. Algumas delas serial: Tlatlauhquicenteotl (deusa do milho vermelho); Iztaccenteotl (deusa do milho branco); Xilonen (fase de crescimento da espiga), entre outros. Da mesma forma, o deus foi ritualizado por outros grupos, como os totonacas, que para ele construíram cinco templos – inclusive no topo de montanhas – dedicando-lhe sacerdotes próprios e sacrifícios de animais, como coelhos e codornas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: ARQUEOLOGIA AMERICANA (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 18/02/2019 às 09h52 | daltonmaziero@uol.com.br



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