Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

O enigma dos fornos Andinos

No mundo pré-colombiano, a fundição de minérios alcançou o status de culto. Muito antes da introdução do amálgama e mercúrios no período colonial, pelos espanhóis, os povos andinos já empregavam uma técnica de fundição que só recentemente está sendo compreendida.

Os fornos andinos – conhecidos como huayrachina – são rústicos, aparentemente simples, mas capazes de atingir 1200ºC de calor! A temperatura alcançada, por si, já é motivo de admiração. Mas ela ocorre através de um pequeno recipiente de argila cilíndrica, furado em várias partes, que pode ser carregado facilmente por uma pessoa. Por anos, os cientistas tentaram reproduzir os efeitos desses fornos andinos em outros países, contudo, sem sucesso.

Ao que parece, os povos andinos desenvolveram uma técnica de queima, capaz de explorar os melhores recursos oferecidos pela Cordilheira: o vento e a altitude! Por esse motivo o artefato só consegue excepcional desempenho em altas regiões. Com ventos que alcançam entre 4 e 11 metros por segundo, os pequenos fornos são capazes de um alto desempenho. Com apenas seis quilogramas de combustível (carvão vegetal), são capazes de fundir 3 quilos de metal puro.

Para os nativos, os fornos huayrachina eram objetos de culto, mágicos e sagrados, associados aos poderes provenientes da altitude. Tanto que mesmo após a conquista espanhola, continuaram a ser utilizados, em especial na região de Potosí (Bolívia). Muita dessa magia proveniente dos fornos está relacionada às luzes de diferentes cores, ao cheiro peculiar dos metais e também aos sons provenientes do vento que passa em alta velocidade pelos orifícios do cilindro.

A experiência recente com esses fornos ocorreu na Mina Aguilar, localidade de Tilcara, Argentina. Segundo Télam Pablo Cruz (investigador do Conicet), o processo revelou o baixo uso de carvão vegetal, o que altera nossa noção de custo ecológico dos povos pré-colombianos, para a produção de metais. Também revelou que o processo em altíssima temperatura produzia um efeito diferenciado no brilho e características finais da peça produzida. Todo o processo – da extração do metal bruto da terra ao polimento final da peça – era quase um processo de “alquimia”, amplamente mágico no conceito dos antigos povos.

Os Incas, que expandiram suas terras pautadas nos assentamentos de minérios, viram os espanhóis fazerem o mesmo. Todo o projeto colonial – em especial Potosí – foi baseado em muito, nos assentamentos já existentes.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 05/06/2018 às 09h29 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


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No mundo pré-colombiano, a fundição de minérios alcançou o status de culto. Muito antes da introdução do amálgama e mercúrios no período colonial, pelos espanhóis, os povos andinos já empregavam uma técnica de fundição que só recentemente está sendo compreendida.

Os fornos andinos – conhecidos como huayrachina – são rústicos, aparentemente simples, mas capazes de atingir 1200ºC de calor! A temperatura alcançada, por si, já é motivo de admiração. Mas ela ocorre através de um pequeno recipiente de argila cilíndrica, furado em várias partes, que pode ser carregado facilmente por uma pessoa. Por anos, os cientistas tentaram reproduzir os efeitos desses fornos andinos em outros países, contudo, sem sucesso.

Ao que parece, os povos andinos desenvolveram uma técnica de queima, capaz de explorar os melhores recursos oferecidos pela Cordilheira: o vento e a altitude! Por esse motivo o artefato só consegue excepcional desempenho em altas regiões. Com ventos que alcançam entre 4 e 11 metros por segundo, os pequenos fornos são capazes de um alto desempenho. Com apenas seis quilogramas de combustível (carvão vegetal), são capazes de fundir 3 quilos de metal puro.

Para os nativos, os fornos huayrachina eram objetos de culto, mágicos e sagrados, associados aos poderes provenientes da altitude. Tanto que mesmo após a conquista espanhola, continuaram a ser utilizados, em especial na região de Potosí (Bolívia). Muita dessa magia proveniente dos fornos está relacionada às luzes de diferentes cores, ao cheiro peculiar dos metais e também aos sons provenientes do vento que passa em alta velocidade pelos orifícios do cilindro.

A experiência recente com esses fornos ocorreu na Mina Aguilar, localidade de Tilcara, Argentina. Segundo Télam Pablo Cruz (investigador do Conicet), o processo revelou o baixo uso de carvão vegetal, o que altera nossa noção de custo ecológico dos povos pré-colombianos, para a produção de metais. Também revelou que o processo em altíssima temperatura produzia um efeito diferenciado no brilho e características finais da peça produzida. Todo o processo – da extração do metal bruto da terra ao polimento final da peça – era quase um processo de “alquimia”, amplamente mágico no conceito dos antigos povos.

Os Incas, que expandiram suas terras pautadas nos assentamentos de minérios, viram os espanhóis fazerem o mesmo. Todo o projeto colonial – em especial Potosí – foi baseado em muito, nos assentamentos já existentes.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 05/06/2018 às 09h29 | daltonmaziero@uol.com.br



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