Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Sambaquis - Arquivos da pré-história

Quando os portugueses chegaram ao litoral brasileiro no século XVI, encontraram estranhas formações de conchas, de formas e tamanhos diferentes. Eram montes artificiais, já muito antigos, que precediam os tupis-guaranis, ocupantes de nossa costa. Ao serem indagados, os tupis mencionaram “cernabi” e “sambaqui” - existem várias terminologias -, que significa basicamente taba (conchas) e ki (amontoado).

E foi com sua descoberta pelos europeus, que começou também sua depredação. Já no século XVI, as camadas sedimentadas de conchas são extraídas para fabricação de cal e argamassa que uniu as pedras que formaram nossos edifícios coloniais, como palácios, engenhos, fortificações e colégios. Mesmo assim, existem hoje milhares de sambaquis ao longo de toda costa, praias e foz de rios.

Essas formações – também conhecidas como concheiros – são encontradas em outros países das América, na África e também na Europa. Contudo, em nenhum desses lugares alcançam a quantidade e tamanho dos existentes no Brasil. Os maiores estão em Santa Catarina. Alguns ultrapassam os 30 metros de altura – Sambaqui Garopaba do Sul –, com mais de 200 metros de diâmetro. Essa verdadeira montanha de conchas teve um propósito, utilização e função; e foram criados por um povo chamado genericamente de Povo do Sambaqui, ao longo de milhares de anos.

No século XX, quando efetivamente começaram a ser estudados, pensou-se tratar-se apenas de depósitos de conchas, provenientes da alimentação desses grupos pré-históricos. Contudo, as escavações mostraram tratar-se muito mais do que meros depósitos de “lixo” alimentar. Sobre eles existiram casas, plataformas e sepulturas. Somente em uma unidade  (SC), foram identificados mais de 43 mil corpos. Contudo, existiam finalidades específicas de cada comunidade na construção de um sambaqui, entre elas, estava a demarcação de um território e a utilização do espaço para rituais funerários.

Arqueólogos dataram essas formações entre 8.000 e 2.000 mil anos de antiguidade, o que faz de muitos Sambaquis, construções tão antigas como as pirâmides egípcias de Gizé, os muros da Babilônia, ou a cidade de Caral, no Peru. As centenas de camadas que formam esses concheiros determinam a passagem do tempo, e revelam uma estrutura hierárquica desse antigo povo, que sepultava com certa pompa, pessoas importantes. Muitas delas acompanhadas de zoólitos em pedra, figuras realistas de animais, a ponto de ser possível até hoje, identificar sua espécie.

Os sambaquis são hoje, verdadeiras cápsulas do tempo, com potencial ainda para revelar muito sobre o passado de nosso país.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/02/2018 às 10h25 | daltonmaziero@uol.com.br



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.


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Sambaquis - Arquivos da pré-história

Quando os portugueses chegaram ao litoral brasileiro no século XVI, encontraram estranhas formações de conchas, de formas e tamanhos diferentes. Eram montes artificiais, já muito antigos, que precediam os tupis-guaranis, ocupantes de nossa costa. Ao serem indagados, os tupis mencionaram “cernabi” e “sambaqui” - existem várias terminologias -, que significa basicamente taba (conchas) e ki (amontoado).

E foi com sua descoberta pelos europeus, que começou também sua depredação. Já no século XVI, as camadas sedimentadas de conchas são extraídas para fabricação de cal e argamassa que uniu as pedras que formaram nossos edifícios coloniais, como palácios, engenhos, fortificações e colégios. Mesmo assim, existem hoje milhares de sambaquis ao longo de toda costa, praias e foz de rios.

Essas formações – também conhecidas como concheiros – são encontradas em outros países das América, na África e também na Europa. Contudo, em nenhum desses lugares alcançam a quantidade e tamanho dos existentes no Brasil. Os maiores estão em Santa Catarina. Alguns ultrapassam os 30 metros de altura – Sambaqui Garopaba do Sul –, com mais de 200 metros de diâmetro. Essa verdadeira montanha de conchas teve um propósito, utilização e função; e foram criados por um povo chamado genericamente de Povo do Sambaqui, ao longo de milhares de anos.

No século XX, quando efetivamente começaram a ser estudados, pensou-se tratar-se apenas de depósitos de conchas, provenientes da alimentação desses grupos pré-históricos. Contudo, as escavações mostraram tratar-se muito mais do que meros depósitos de “lixo” alimentar. Sobre eles existiram casas, plataformas e sepulturas. Somente em uma unidade  (SC), foram identificados mais de 43 mil corpos. Contudo, existiam finalidades específicas de cada comunidade na construção de um sambaqui, entre elas, estava a demarcação de um território e a utilização do espaço para rituais funerários.

Arqueólogos dataram essas formações entre 8.000 e 2.000 mil anos de antiguidade, o que faz de muitos Sambaquis, construções tão antigas como as pirâmides egípcias de Gizé, os muros da Babilônia, ou a cidade de Caral, no Peru. As centenas de camadas que formam esses concheiros determinam a passagem do tempo, e revelam uma estrutura hierárquica desse antigo povo, que sepultava com certa pompa, pessoas importantes. Muitas delas acompanhadas de zoólitos em pedra, figuras realistas de animais, a ponto de ser possível até hoje, identificar sua espécie.

Os sambaquis são hoje, verdadeiras cápsulas do tempo, com potencial ainda para revelar muito sobre o passado de nosso país.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/02/2018 às 10h25 | daltonmaziero@uol.com.br



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