Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

Cacaxtla – Mágico mural Mesoamericano

Cacaxtla (México) é praticamente desconhecido do público brasileiro. Contudo, foi um dos mais espetaculares achados arqueológicos do século XX. Trata-se do maior e mais bem conservado mural pré-colombiano, pintado com tintas naturais (branco, preto, azul, amarelo, vermelho), entre 640 e 800 dC.

Inicialmente, os arqueólogos pensaram tratar-se de ruínas maias, mas as escavações mostraram que vários grupos ocuparam aquele espaço. Além dos Maias, os Mixtecas, Teotihuacanos, Zapotecas, Nahuatlacas e, o que parece ser o grupo principal, criador dessa maravilha pictorial, os Olmecas-Xicalancas descendentes de grupos paleo-olmecas! O termo “Cacaxtla” significa na língua náhuatl, “cesto utilizado para carregar mercadorias”. É uma espécie de cesto trançado, utilizado nas negociações comerciais, levado normalmente nas costas, preso por uma faixa de tecido à cabeça.

O auge de Cacaxtla, entre 650 e 900 dC veio com a decadência de dois grandes centros regionais: Teotihuacán e Cholula. A partir dai, toda a cidade foi remodelada, ganhando um fosso com muralha para sua proteção e um gigantesco palácio, com vários pisos adornados de forma magnífica, com o que seriam os murais de Cacaxtla. Por volta do ano 1000 dC a cidade foi abandonada, por motivos ainda não totalmente explicados.

Contudo, em 1975 foi redescoberta por camponeses do povoado de San Miguel del Milagro. Ao cavarem a terra para suas plantações, encontraram um pedaço de muro com o rosto colorido de um personagem, conhecido hoje como “Homem Ave”, parte de uma extraordinária criação pictórica, de grande riqueza simbólica.  O mural hoje possui 25m² de superfície, alcançando 22 metros de comprimento. Toda essa superfície pintada encontra-se unicamente no Palácio dessa urbe pré-hispânica. Mas o sítio é formado também por plataformas, templos, adoratório, pirâmides e ruas, o que pode revelar ainda novos murais no futuro.

O trecho mural mais conhecido de Cacaxtla é o grande Mural da Batalha. Nele, podemos ver cenas de batalhas, com a vitória dos antigos Cacaxtlis – Guerreiros Jaguar ricamente ornamentados com escudos e facas de obsidiana – sobre os derrotados Maias, representados como Guerreiros Aves, nus, desarmados e em posição de submissão. Em outra parte do mural, podemos observar a narração dos sacrifícios que sofreram os derrotados. Com a presença do Deus Tláloc, um Guerreiro Jaguar afunda impiedosamente, sua faca de obsidiana no peito de um Guerreiro Ave.

O ciclo de vida e morte, tão importante na vida dos mesoamericanos, alcança em Cacaxtla o status de arte, representado em ampla palheta de cores!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 04/01/2018 às 13h09 | daltonmaziero@uol.com.br

publicidade





publicidade



Dalton Delfini Maziero

Assina a coluna América Misteriosa

Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.
















Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br