Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A Balsa Muísca – A Cerimônia do Eldorado

No Museu do Ouro (Bogotá), existe uma peça emblemática para a história das Américas. Trata-se da “Balsa Muísca” - como é conhecida -, artefato que gerou uma série de interpretações ao longo dos séculos XIX e XX, sobre a lenda do El Dorado; e que esteve sempre associada a um antigo ritual praticado na lagoa de Guatavita.

Distintos cronistas espanhóis associaram a antiga lenda do El Dorado às oferendas em metais preciosos, que os nativos fizeram em diversas lagunas na Cordilheira dos Andes. A descrição de Juan Rodríguez Freyle, em sua obra “Conquista y descubrimiento del Nuevo Reino de Granada...” (1636) é particularmente interessante e conquistou ampla divulgação nos séculos seguintes. Em sua crônica, Freyle descreve uma cerimônia realizada quando da morte de um senhorio (Cacique), e sua substituição por parente próximo. O ato incluía a construção de uma balsa e a navegação por um lago, de onde eram ofertados aos deuses, objetos de ouro e esmeraldas. Todas as oferendas eram atiradas nas profundezes da lagoa. Ainda segundo o relato, o novo cacique viajava coberto de pó de ouro, sobre o corpo nu.

A existência de um artefato como a “Balsa Muísca” vem comprovar – se não o El Dorado em si – ao menos, a veracidade de um antigo ritual envolvendo a oferenda de tesouros. Contudo, a peça não é única. Outra semelhante já era conhecida por estudiosos um século antes desta. Em 1856, um exemplar foi resgatado da Laguna de Siecha (Cundinamarca, Colômbia), e descrito em 1883 na obra “El Dorado”, de Liborio Zerda. Embora encontrada em Siecha, a peça foi interpretada pelo autor como uma representação da cerimônia descrita para Guatavita. No século XIX, muitos exploradores e naturalistas – em especial o Barão de Humboldt – aderiram a ideia de Zerda e continuaram a relacionar a Balsa Muísca ao El Dorado e à laguna de Guatavita.

O artefato – de 19,5 x 10,1 cm – foi fabricado em ouro de alta qualidade, fundido em uma única peça através da técnica de cera derretida. Foi encontrado por campesinos em 1969, ao sul da cidade de Bogotá, dentro de um recipiente de cerâmica. Todo o conjunto - inclusive um crânio de felino - estava em uma cova situada no alto de um cume, com vista ampla ao território Muísca. Assim como a lenda descrita por Freyle, o artefato representa uma balsa de madeira, com um personagem de grande importância e destaque, inclusive em tamanho. Ele se encontra ricamente adornado e rodeado de um grupo de 10 pessoas menores. Alguns desses personagens carregam máscaras de jaguar, instrumentos musicais e objetos para a oferenda.

Até hoje, não sabemos o motivo da melhor obra da ourivesaria Muísca ser ofertada nessas condições, tão distante de qualquer lagoa. Mas fato é que, devido a sua importância, se tornou símbolo da identidade de um país.   

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/09/2017 às 10h41 | daltonmaziero@uol.com.br

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Paracas - Operações cranianas no antigo Peru

É possível acreditar que alguém possa sair vivo de uma operação craniana, centenas de anos antes de Cristo? O que pensar de um povo capaz dessa proeza?

Assim eram os Paracas, que viveram em um dos desertos mais secos do mundo, no litoral sul do Peru entre 700 a.C. e 200 d.C. A técnica da perfuração craniana ocorreu em diversas partes do mundo antigo, mas foi nessa região que ela alcançou status de arte! Em 1906, o famoso arqueólogo Julio C. Tello – então estudante de medicina – desenterrou na região de Paracas, cerca de 10 mil crânios. Destes, 200 apresentavam interferência cirúrgica! 

Essas operações são conhecidas como “Trepanações Cranianas”. Muitos estudiosos se perguntam sobre os motivos de tais intervenções cirúrgicas. Certamente não foram feitas com uma única finalidade. Alguns acreditam que elas estiveram ligadas às práticas mágico-religiosas, como parte de um culto. Outros pensam tratar-se simplesmente de uma cirurgia convencional, que servia para curar pessoas acidentadas, em especial as vitimadas pelas guerras. Mas também podem estar relacionadas a pacientes que reclamavam de fortes dores de cabeça, ou que apresentavam deficiência mental.

A operação consistia em deslocar o couro cabeludo, colocando à mostra o osso craniano. Nele, o cirurgião aplicava incisões – normalmente retangulares – com instrumentos rudimentares, como facas de obsidiana (vidro vulcânico). Retirada a placa óssea, tampava o orifício na cabeça com uma lâmina de ouro. O paciente (homem ou mulher), deitado no chão, recebia fortes doses de alucinógenos e álcool. Coca, chá de Ayahuasca ou Chicha (bebida fermentada) eram utilizadas como anestésico.

A operação era delicadíssima! Se o cirurgião aprofundasse por demais o corte com a obsidiana, podia atingir o cérebro, causando lesões permanentes ou mesmo a morte do paciente. Sabemos hoje quais eram os instrumentos utilizados para esse tipo de operação, pois foi encontrado em uma sepultura Paracas, um “kit” cirúrgico, contendo facas de obsidiana, tecidos de algodão (alguns com manchas de sangue) e dentes afiados de baleia cachalote.

Paracas se destaca do resto do mundo nesse tipo de operação na antiguidade, não apenas pelo cuidado com que ela era realizada, mas pelo fato de que muitos pacientes viviam ainda por anos após a cirurgia! Ao redor de muitas trepanações, foram encontradas calosidades ósseas que só se formam em seres vivos, ao longo de muitos e muitos anos!

As trepanações cranianas de Paracas são mais uma prova que os antigos povos das Américas detinham um conhecimento muito além do imaginado!

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 16/08/2017 às 09h56 | daltonmaziero@uol.com.br

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O "Candelabro" de Paracas

Numa manhã ensolarada, pegamos uma lancha às Ilhas Ballestas (Peru), que adentrava na Baia de Paracas, rumo a um santuário marinho, repleta de aves, pinguins, leões marinhos, iguanas e focas. No trajeto, uma singular parada frente a um dos maiores mistérios da arqueologia Sul-Americana: o “Candelabro” de Paracas! A imagem é impressionante. Um geoglifo gigante paira numa encosta arenosa e desertica...

Verdade seja dita! Até hoje, só existem dúvidas sobre quem o fez e para que serviu. Este enorme geoglifo encontra-se “pendurado” numa encosta, sem acesso ao mar. Ou seja, não existe caminho viável a ele para quem vem pelo mar. Mas por estar reclinado em um local alto, pode ser visto ao longe. Ele possui cerca de 180 metros de comprimento, e suas valas cavadas na areia chegam a 3,20 metros de profundidade. Graças aos constantes e fortes ventos dessa região, criou-se uma grossa capa cristalina de sal, que protege o geoglifo de intempéries até os dias de hoje. Acredita-se – baseado nos poucos vestígios materiais encontrados – que ele tenha 2.500 anos.

Na falta de uma explicação sólida, surgem hipóteses absurdas, como sinalizador de tesouros escondidos, feito por piratas; ou símbolo maçom, feito a mando de José de San Martin (1778-1850). Outras teorias apontam para uma utilização de “farol”, que guiava antigos navegantes; ou uma relação com a constelação “Cruz do Sul”, conhecida também como Cruz dos Navegantes. Mas fato é, que toda e qualquer teoria apresentada até o momento, carece de fundamentos.

Se formos pensar neste geoglifo, como parte integrante dos diversos e enormes campos de geoglifos que existiam no passado - e se formos levar em conta a cosmovisão nativa e sua relação com a natureza - podemos traçar uma teoria: assim como Nazca, este geoglifo deve ter uma função simbólica, relacionada ao desejo de água e chuva, e direcionada às forças da natureza que eram importantes para as comunidades que lá viviam. Talvez não fosse uma mensagem aos humanos, mas aos deuses regionais.

Da mesma forma, como ocorria em território do Atacama (norte do Chile), os geoglifos também podiam significar uma “ocupação” territorial. Na falta de uma ocupação física, com casas e povoados, esse controle do território (e da paisagem) era feita por sinais. A dificuldade em se explicar tal obra encontra-se no fato dela flertar mais com o mundo simbólico do que arqueológico, dificultando assim a definição de sua função. Seja como for, hoje o “Candelabro” é reconhecido como “Patrimônio Cultural da Nação” peruana, pelo seu valor histórico, arqueológico e artístico, mesmo sem sabermos suas reais funções práticas.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/

 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 01/08/2017 às 15h27 | daltonmaziero@uol.com.br

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O Cosmovitral de Toluca

O Cosmovitral de Toluca (México) é, provavelmente, uma das mais belas expressões artísticas do século XX, baseada nos conceitos que sustentavam o mundo pré-colombiano. O espaço onde se encontra foi criado em 1910, pelo engenheiro Manuel Arratia, que o concebeu em estilo “art noveau”. O edifício – que lembra uma estação de trem – recebeu o Mercado “16 de Setembro”, que tinha o objetivo de homenagear o Centenário da Independência do México. O espaço funcionou dessa forma até 1975.

Com a desativação do mercado, iniciou-se um acirrado debate público para a ocupação do espaço, até que o artista Leopoldo Flores surgiu com o conceito de “Cosmovitral”, unindo arte, vitrais e um Jardim Botânico. O tema central é: o “Homem e seu relacionamento com o Universo”. Na verdade, Flores buscou na cosmovisão pré-colombiana, a inspiração para sua concepção. Assim como no mundo pré-hispânico, os vitrais criados retratam um mundo dividido entre opostos: o antagonismo universal, o bem e o mal; a vida e morte; criação e destruição; dia e noite; luz e escuridão.

O Cosmovitral mostra a história do homem através do tempo, revelando a criação do universo, com aparições da nebulosa de Andrômeda e Via Lactea. De um lado, podemos ver a evolução do homem em relação ao infinito ascendente; do outro, rumo à obscuridade e decadência. A dualidade presente no mundo pré-colombiano é pautada pela presença de um impressionante vitral chamado “Homem Sol”, que representa a humanidade e as forças de criação, verdade, ciência, sabedoria, arte e beleza. Este vitral está posicionado para receber o alinhamento do sol no Equinócio de Primavera.

Os eventos descritos no Cosmovitral tem íntima relação com a organização das sociedades pré-colombianas, assim como suas observações em relação ao mundo celeste. Isso ocorria porque os mundos celeste e religioso estavam em íntima relação com as sociedades antigas. A observação dos astros refletia na sociedade, ordenando eventos culturais, sociais, religiosos e econômicos.

Leopoldo Flores teve a ajuda de 60 auxiliares artesãos, que desenvolveram 71 janelas (módulos) temáticas. Ao todo, foram utilizadas 75 toneladas de vidros e 25 toneladas de canaletas de chumbo. Os vidros - importados da Itália, Alemanha, EUA, Japão, Canadá, França e Bélgica - possuem 28 diferentes cores, que são integradas às peças e não pintadas à mão como em um vitral convencional. São cerca de 500 mil peças de vidro! A obra ocupa 3.500 m² de vidro. Já o Jardim Botânico – em homenagem ao botânico Eizi Matuda – soma cerca de 500 espécies de plantas de toda América Latina, África e Ásia. O conjunto forma hoje, uma das mais belas atrações do México.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 19/07/2017 às 09h24 | daltonmaziero@uol.com.br

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A CORRENTE DE HUÁSCAR E O MITO DO TESOURO PERDIDO

A Corrente de Huáscar alimentou durante muito tempo a imaginação dos caçadores de tesouros. Supostamente feita em ouro, esse objeto alcançaria 200 metros de comprimento, ocupando lugar privilegiado na praça da antiga capital Inca em Cusco. Estaria a corrente nas profundezas do lago Titicaca? Será esse objeto real, ou fruto da imaginação dos conquistadores espanhóis?

Estátuas de ouro, oferendas em prata, objetos sagrados. Peças de arte com incalculável valor. São tantos os tesouros supostamente lançados nas profundezas do lago Titicaca, que se fossem todos verdadeiros, faria seu nível d'água subir. Podemos acreditar em tais histórias? A primeira notícia documentada que temos sobre o resgate dessas riquezas foi em 1541. Hernado Pizarro - irmão do conquistador Francisco Pizarro - ao escutar tais comentários, enviou um grupo para encontrar as peças submersas. Hernando nada achou, e ainda acabou perdendo dez de seus homens afogados.

A prática de lançar oferendas no Titicaca era comum em tempos pré-incaicos. Entre os deuses reverenciados, estava Kupakati, Senhor das Águas. Expedições encontraram recipientes em pedra, cujo interior revelaram pequenas estatuetas de ouro, ossos e ervas. No caso da Corrente de Huáscar, a “oferenda” do objeto estaria ligada – segundo a lenda – a tentativa de escondê-la dos espanhóis. A narrativa fala de 200 nativos que, na calada da noite, rumaram com a corrente pelo Altiplano, depositando-a sobre uma fileira de barcos feitos em junco, lançando assim nas profundezas do lago.

Delírios a parte, o que poucos autores esclarecem, é que a lenda da Corrente de Huáscar pode ter sua origem em um fato real. A confusão teria começado por causa de uma festa praticada na praça central da antiga Cusco. Uma dança cerimonial que ocorria na primeira noite do calendário incaico. No ponto alto da festa, uma grossa corda era agitada pelos dançarinos como se fosse uma serpente. Seria essa festividade incaica a origem da Corrente de Huáscar? É provável que sim, pois sua descrição em muito coincide com a da corrente, seja em tamanho, local de exposição (em torno da Praça em Cusco), número de pessoas que a carregavam, e coloração (os tecidos aproximavam-se ao dourado).

O desejo por ouro não gerou apenas perseguição e morte durante a conquista da América. Gerou também um incrível imaginário popular, riquíssimo em histórias sobre tesouros e cidades perdidas. Muitas vezes, esses boatos foram criados pelos próprios espanhóis, que não satisfeitos com o espólio adquirido, jogavam suas esperanças e desejos para uma região distante: uma floresta impenetrável, as profundezas de um lago ou alguma cidade perdida na Cordilheira.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 04/07/2017 às 10h56 | daltonmaziero@uol.com.br

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Pakal, o grande: rei do palenque!

K’inich Janaab Pakal I – ou simplesmente Pakal – foi um grande rei da cultura Maia (México), que colocou a cidade de Palenque definitivamente entre as grandes cidades pré-colombianas. Seu esforço em se destacar, veio de toda uma vida de luta, por provar seu direito legítimo ao trono. Pakal nasceu em 603 dC, e assumiu o poder em 615 dC, com apenas 12 anos de idade! Sua posição nesta época não foi conquistada, mas legada por sua mãe ainda em vida.

Para afirmar seu poder e dignidade real, Pakal investiu na grandiosidade arquitetônica de Palenque. Cada novo Templo construído, trazia imagens e textos glíficos de Pakal e de seu filho (K’inich Chan B’alam II), na tentativa de proclamar sua linhagem real. Entre as estruturas vistas em Palenque hoje, grande parte datam do reinado combinado de Pakal e seu filho. Entre as obras que merecem destaque, podemos citar: o Palácio Real, o Templo da Cruz, o Templo do Sol, o Templo do Olvidado e o magnífico Templo das Inscrições.

O Templo das Inscrições serviu como tumulo para o rei. A câmara mortuária encontra-se abaixo da linha do solo, e recebeu uma das mais inacreditáveis sepulturas da antiguidade. É uma peça única da arte maia clássica. Foi descoberta em 1948, pelo arqueólogo Alberto Ruz Lhuillier. Contudo, os entulhos que bloqueavam o acesso à sepultura levaram quatro anos para serem retirados. Ao final, um enigmático sarcófago abrigava ainda o corpo de Pakal, com uma máscara de jade, colares, fios de ouro e várias oferendas. Vale ressaltar, que a sepultura nunca saiu de seu lugar. Impossível transportá-la pelo estreito corredor e escadaria de acesso! Ela sempre esteva lá, mesmo antes da pirâmide que a cobre. O corpo do rei é que foi transportado para o local de seu descanso definitivo.

O relevo em estuque, que orna a tampa do sarcófago, é uma das mais poderosas e polêmicas imagens da arqueologia. Na década de 60/70, muitos escritores da chamada “pseudo-arqueologia” – queriam ver na representação, um homem pilotando uma nave espacial. Não é difícil imaginar isso, quando não se conhece a mitologia maia! A ideia é empolgante, mas tão empolgante é a própria realidade. Na verdade, a imagem mostra Pakal partindo em direção a Xibalba, o infra mundo maia (Reino dos Mortos), dominado por forças espirituais. No centro da imagem, podemos ver a árvore do mundo em formato cruciforme, e representações do sol, da lua e de diversas estrelas. Abaixo de Pakal, a Serpente Celestial de duas cabeças. Sua postura acreditam alguns, pode indicar o renascimento em Xibalba.

Pakal faleceu em 683 dC, com 80 anos. Seus 68 anos de reinado foram fundamentais para a consolidação do poder maia, e também para afirmar seu poder legítimo como governante.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombiano” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog: Arqueologia Americana (http://arqueologiamericana.blogspot.com.br/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 07/06/2017 às 09h54 | daltonmaziero@uol.com.br

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Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.
















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