Jornal Página 3
Coluna
América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A ESTRADA BRANCA DE COBÁ

De tempos em tempos, surge alguma nova tecnologia que revoluciona os estudos arqueológicos. Muitas vezes, ela nem é concebida com esse fim, mas adaptada para tal. Foi assim com o LIDAR – detecção e alcance da luz –, usado por meteorologistas para o estudo das nuvens. Esse pequeno aparelho, geralmente transportado por aeronaves de baixa altitude, é capaz de lançar pulsos rápidos de luz (laser) contra o solo abaixo, detectando estruturas sob a terra e florestas, criando um mapa 3D digital daquilo que não podemos ver.

Aplicando a técnica do LIDAR em uma antiga descoberta de Yucatã (México), a arqueóloga Traci Ardren (University of Miami) procura desvendar um mistério. Em 1930, arqueólogos do Instituto Carnegie de Washington mapearam – apenas com o auxílio de bússolas e fitas métricas – uma gigantesca estrada maia de 6 metros de largura e mais de 100 quilômetros, ligando supostamente as cidades de Cobá a Yaxuná, no século 7 dC.

Desde sua descoberta, algumas questões pairam sobre essa estrada, considerada hoje uma maravilha da engenharia. Nos primeiros relatórios, ainda nos anos de 1930, a estrada foi referenciada como uma linha reta, cujo motivo seria a de transportar um exército de Cobá para a tomada de Yaxuná. Na época, a rainha de Cobá – K’awiil Ajaw – encomendara a construção dessa via revestida em gesso branco e elevada do solo. Seria mesmo, tamanho feito de engenharia, apenas para transportar um exército? O Projeto de Interação do Centro de Yucatã, do qual Traci Ardren participa, começa finalmente a lançar luz sobre esse passado misterioso. Com o LIDAR, conseguiram identificar que a estrada não era reta, mas fazia diversas curvas, interligando milhares de estruturas e pequenos povoados no caminho entre Cobá e Yaxuná. Foram identificadas mais de 8 mil estruturas.

A teoria então formulada por Ardren e seus colegal, baseada nessas novas informações, era que a estrada possuía uma função expansionista, mas não propriamente foi construída para uma invasão específica. Ela fazia parte de um projeto de expansão orquestrado pela rainha K’awiil Ajaw de Cobá, que levando sua influência a outros povoados da região, visava barrar a ascensão de uma nova potência, representada por Chichén Itzá, uma das mais importantes cidades maias do Yucatã. Contudo, essa é uma teoria por provar.

Outro dado interessante fornecido pelo LIDAR, foi que a população maia era muito maior do que prevíamos. O que leva a crer que a floresta que hoje vemos em Yucatã seria muito menor, visto o uso da madeira para a construção de tantas e gigantescas cidades; e a queima dela para a fabricação do calcário branco, que revestia essa fabulosa estrada. 

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana” (http://arqueologiamericana.blogspot.com/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 06/10/2020 às 14h13 | daltonmaziero@uol.com.br

OS GEOGLIFOS DE CORO

Quando falamos em geoglifos, imediatamente nos recordamos das famosas Linhas de Nazca-Palpa (Peru), como símbolo máximo desse tipo de manifestação arqueológica. E com razão, observamos que a cada dia, a América do Sul torna-se a região com maior incidência de geoglifos no planeta. Sabe-se atualmente que todo o continente foi utilizado de algum modo, como suporte para a criação de enormes figuras no solo, algumas delas ultrapassando os 300 metros de comprimento. Apenas para mencionar alguns desses aglomerados de geoglifos, citamos aqui o de Nazca-Palpa (Peru), os do Acre (Brasil) e os de Pintados (Chile).

Contudo, há pouco mais de duas semanas, outro enorme campo de geoglifos foi descoberto nas proximidades de Coro (Venezuela); em um litoral semidesértico não muito distante das paradisíacas ilhas de Aruba e Curaçao. Arqueólogos e zoólogos da Universidade Nacional Experimental Francisco de Miranda (Unefm) anunciaram a descoberta de cerca de 60 geoglifos representando animais, árvores e figuras geométricas. Nenhuma figura antropomorfa (humana) foi localizada até o momento. Curioso notar que a descoberta foi realizada graças ao uso de satélites. Segundo Felipe Torrealba (Centro de Investigaciones Antropológicas y Paleontológicas de Unefm) o achado ocorreu quando buscavam o local de impacto de um meteorito no povoado de Pedregal.

Este novo agrupamento de geoglifos está situado em um platô a 700 metros de altura e ocupando uma superfície de 18 hectares. Um dos exemplares mais intrigantes é uma formação geométrica que atinge 350 metros de comprimento por 170 de largura. Toda a região entre Coro e Pedregal é formada hoje por um semideserto litorâneo, que pode ter sido no passado, ainda mais seco. Se isso de fato ocorreu, é provável que suas condições climáticas fossem muito propícias para a manifestação dos geoglifos.

Torrealba explica a semelhança com os demais desenhos conhecidos no Peru pelo procedimento em sua execução. Da mesma maneira que no Peru, na Venezuela também os nativos aplicavam basicamente duas técnicas: usavam a oxidação do solo a seu favor, retirando as pedras escuras da superfície e deixando o solo claro em evidência; ou amontoavam essas mesmas pedras escuras formando linhas que determinavam a obra.

Ainda é cedo para apontar os motivos que levaram os antigos habitantes daquela região a executarem tamanha obra. Não sabemos quais foram suas reais intenções. No momento, Torrealba juntamente com a Drª Angela Martino e o Drº Alexis Arends (zoólogos da Unefm) planejam uma expedição para coletar dados e tentar lançar alguma luz sobre essa incrível descoberta.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “América Misteriosa – Crônicas de um continente mágico”. Visite o Blog “Arqueologia Americana” 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 08/09/2020 às 09h47 | daltonmaziero@uol.com.br

TAMBO COLORADO – A CASA VERMELHA INCA

O Peru é um país de passado muito rico, berço de diversas civilizações e repleto de ruínas arqueológicas impressionantes. Contudo, algumas dessas ruínas, embora de suma importância, parecem relegadas a segundo plano, seja pela falta de divulgação, seja por estarem localizadas fora das rotas turísticas de maior movimento.

Um desses casos é Tambo Colorado (foto), o sítio arqueológico de adobe (barro misturado com palha) melhor preservado no Peru, situado no interior da costa sul desértica, no Vale de Pisco. Foi construído a mando do Inca Pachacútec (Pachacuti Inca Yupanqui), como parte de um projeto de expansão regional, ao final do século XV. Na época, Tambo Colorado era conhecido – como hoje – pelas suas cores vivas e marcantes. Não sem motivo, foi chamado Pukawasi (Casa Vermelha); Puka Tampu (Tambo Vermelho) ou ainda Pukallacta (Lugar Vermelho); embora tenham sido detectadas outras como o amarelo, branco, preto e ocre.

A palavra Tambo é proveniente do termo quéchua Tampu, que significa local de descanso. Para entender sua importância, se faz necessário recorrer a Qhapaq Ñan (Capac Ñan), o Caminho Inca que foi um complexo de caminhos e estradas interligadas, percorrendo cordilheiras, desertos e vales, numa extensão aproximada de 30 mil quilômetros. Um Tambo era, portanto, um espaço construído com múltiplas funções, a cada 20 ou 30 quilômetros ao longo da Qhapaq Ñan, com o objetivo primeiro de servir como local de descanso para quem estivesse em deslocamento.

Existem diversos tamanhos de Tambos, dependendo da geografia e da movimentação da estrada onde fora construído. No caso de Tambo Colorado, ele foi muito além de uma mera hospedaria. Por ali não passavam apenas os Chasquis (mensageiros do Inca), mas também soldados do Inca, mercadores, fiscais e trabalhadores responsáveis pela construção de armazéns, palácios e cidades. Para receber tantos visitantes passageiros, o local dispunha de funcionários permanentes, que organizavam os armazéns, grãos, viveiros, a guarda de armas, os quartos e espaços sagrados. Na terra dos Incas, muitas vezes os Tambos funcionavam como células de abastecimento comunitário. Em caso de incidentes, como terremotos ou guerras, o espaço era responsável por fornecer suporte à comunidade circundante e imperial.

Além de tudo isso, Tambo Colorado possuía também palácios em seu interior e uma plataforma cerimonial elevada, conhecida como Ushnu; o que o caracteriza também como um importante centro administrativo, de controle militar e serviço público, dentro de seus 12 mil km².


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 25/08/2020 às 08h30 | daltonmaziero@uol.com.br

ILHAS ARTIFICIAIS NO AMAZONAS

Crédito: José Capriles, Penn State.

A região da floresta Amazônica, seja no Brasil ou Bolívia, não deixa de nos surpreender. Recentemente, um novo estudo realizado em parceria com universidades do Brasil, América Latina e Europa, detectaram milhares de ilhas artificiais usadas para o que é considerado agora, um dos berços mundiais da domesticação da agricultura e manuseio de plantas.

As plantações datam de 10 mil anos e mudaram definitivamente a geografia local, uma vez que foram identificadas até o momento, 4.700 ilhas artificiais. Segundo José Iriarte (University of Exeter, Reino Unido), esse aglomerado dedicado ao cultivo representa a 5ª região mundial onde ocorreram os primórdios da domesticação de plantas. Outras quatro regiões foram identificadas, sendo duas delas na Europa e duas na América.

As investigações concentraram-se em Llanos de Moxos, no norte da Bolívia. Essa região costuma inundar entre dezembro e março, permanecendo seca no restante do ano. O princípio e lógica do sistema segue aquele, posteriormente usado no mundo pré-colombiano – em especial no altiplano do lago Titicaca – conhecido como Waru-Warus ou Camellones, que multiplicavam a capacidade do solo na produção de alimento. Criando microclimas em terreno hostil, os antigos habitantes conseguiam domesticar e expandir a biodiversidade vegetal, além de controlar o manejo de plantas, cultivando o milho, a abóbora e a mandioca. Tudo isso elevando o terreno de plantio artificialmente, acima da linha d’água. Contudo, com as novas descobertas, é possível que os waru-warus tenham como modelos essas ilhas artificiais da floresta amazônica.

Estruturas semelhantes às encontradas em Llanos de Moxos foram identificadas por toda a floresta, como em Marajó, no Pará e no Alto Solimões. Nesta última região, as plataformas elevadas – de formato piramidal – tinham a mesma função, mas a identificação de material cerâmico corrugado dos séculos XV e XVI os aproxima dos grupos tupis. Em outras elevações, foram identificadas cerâmicas do estilo hachurado zonada, pertencentes a grupos que ali viveram por volta de 1000 aC.

O arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá (Amazônas), comenta estar impressionado com o volume de terra movimentada para a construção dessas ilhas artificiais; o que sugere uma capacidade tecnológica e organização social acima do imaginado até o momento. Embora não exista nenhum estudo associativo, fico imaginando se as enormes valas cavadas dos geoglifos amazônicos, não estavam ligadas à criação dessas ilhas, ou seja, terra retirada dos geoglifos, para formação das ilhas. Pelo visto, teremos ainda muitas surpresas vindas da região da floresta.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 31/07/2020 às 14h13 | daltonmaziero@uol.com.br

PUEBLO BONITO - A ÁRVORE DA VIDA

Existem alguns símbolos universais que são atemporais. Eles aparecem, em versões muito semelhantes, em diversos grupos humanos, independente de sua origem ou época. Um deles é conhecido como a Árvore da Vida. Sua mais famosa versão nos remete aos textos bíblicos, em Gênesis e Apocalipse. Contudo, referências suas podem ser encontradas também entre os egípcios, gregos, mexicas, japoneses, persas, fenícios, chineses, indianos e outros.

Na Mesoamérica, alguns textos antigos (Códex) representativos em especial dos povos maia e mexica, apresentam o desenho de uma árvore sagrada – Árvore de Nossa Vida –, cujos galhos partem em duas vertentes, do alto do tronco. A descoberta dessa ilustração levou muitos jesuítas a refletirem se aquela não seria a representação da Cruz, devido a sua semelhança simbólica. Partindo dessa premissa, arqueólogos sugeriram uma possibilidade interpretativa da Arvore da Vida, durante escavações realizadas em Pueblo Bonito (EUA), durante o ano de 1924. Financiados pela National Geographic Society, puseram a descoberto um curioso tronco (Pinus Ponderosa), com mais de seis metros de comprimento, enterrado em um dos mais importantes pátios do povoado. Na época, sugeriram a possibilidade daquela árvore representar a Árvore da Vida ou o Centro do Mundo, entre os nativos que ali viveram. A sugestão foi aceita e replicada por quase 100 anos, em livros e artigos.

Pueblo Bonito é o maior agrupamento pré-colombiano do povo Pueblo (ou Chaco) em Chaco Canyon, Novo México (EUA), uma região extremamente árida e ausente de árvores. O povoado teve seu auge entre 800 e 1200 de nossa era, tornando-se um importante entreposto comercial de turquesas. A descoberta desta árvore em seu pátio central, criou todo tipo de especulação sobre a existência de um culto ou práticas sagradas realizadas ao seu redor.

Contudo, estudos recentes liderados por Christopher Guiterman (Universidade do Arizonas) com a técnica chamada dendoproveniência – estudo dos padrões de crescimento dos anéis das árvores – aponta para outras conclusões. A primeira mostra que ela nasceu nas montanhas em Chuska, a 80 quilômetros de distância, e não em Chaco Canyon. A prova está em padrões existentes nos anéis, resultantes de tormentas de verão, típicas da região de Chuska. A árvore viveu entre os anos de 732 e 981 dC., ou seja, é provável que já estivesse morta quando de seu transporte para Pueblo Bonito.

Embora a teoria de Árvore da Vida tenha perdido força, não sabemos ao certo como foi transportada de tão longe; se serviu para algum objetivo específico – relógio de sol, por exemplo –, ou simplesmente esteve ali como sobra dos 25 mil troncos usados para a construção de Pueblo Bonito.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 13/07/2020 às 18h50 | daltonmaziero@uol.com.br

MACHU PICCHU – O ENIGMA DA FALHA TECTÔNICA

Muito tem se falado na incrível capacidade do povo inca, em se construir cidades em locais inimagináveis, escarpas montanhosas e cumes aparentemente inacessíveis. O principal exemplo dessa capacidade é, sem dúvida, Machu Picchu. Contudo, novas investigações estão relacionando essa capacidade de construção a locais geológicos previamente escolhidos.

Segundo as investigações de Rualdo Menegat (Instituto de Geociências da UFRGS), a escolha do local de um novo assentamento urbano, está associada à capacidade deste tornar a futura cidade orgânica, em relação à paisagem que o circunda. Mas quais os elementos os incas encontraram que podem tornar isso possível? Podemos citar uma rede de falhas tectônicas, a forma das montanhas ao redor e as pedras provenientes dessa falha geológica.

A teoria investe no princípio do menor esforço civilizatório. Isso significa que os incas viram, no topo da montanha Huayna Picchu, condições favoráveis para a construção de um assentamento. E que condições seriam estas? Em primeiro lugar, povoamentos construídos sobre falhas e fraturas geológicas dispõem naturalmente de afloramentos rochosos fragmentados, ou seja, abundância de material rochoso para suas construções. Nota-se que Machu Picchu – ao contrário de outras construções ciclópicas – não apresenta grandes rochas moldadas. Sua maior parte é formada por pedras de tamanhos médio e pequeno. Utilizar a matéria prima local já é, por si, uma economia de energia humana.

Outra vantagem nesse processo seria a de criar possibilidade em “moldar” mais facilmente o solo topográfico de acordo com o plano da cidade e seus patamares de plantio. A retirada de rochas fragmentadas permite adaptar os setores urbanos às elevações do terreno. Esse design orgânico nas construções incaicas fazia parte, inclusive, da identidade que esse povo queria passar aos demais, como uma marca registrada de capacidade técnica e poder. Também podemos mencionar aqui, que a escolha do local estava associada à segurança que este criava em relação a deslizamentos de terra. A escolha de um local alto, com solo rochoso, impedia possíveis avalanches.

Contudo, talvez a principal vantagem ao se construir uma cidade sobre uma fratura geológica, seja mesmo a de proporcionar excelentes aquíferos! Por meio das fissuras rochosas, a água corria de forma abundante, precisando “apenas” ser canalizada da forma correta. Em se tratando de canalização da água, os povos pré-colombianos são mestres no assunto. Em Machu Picchu, podemos observar como a água que brota das fraturas rochosas é controlada por filetes esculpidos e canais artificiais que as direcionam aos patamares de plantio e residências desse mítico povoamento incaico.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite nossa página “Arqueologia Americana” no Facebook.

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/06/2020 às 09h50 | daltonmaziero@uol.com.br



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Dalton Delfini Maziero

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América Misteriosa
Por Dalton Delfini Maziero

A ESTRADA BRANCA DE COBÁ

De tempos em tempos, surge alguma nova tecnologia que revoluciona os estudos arqueológicos. Muitas vezes, ela nem é concebida com esse fim, mas adaptada para tal. Foi assim com o LIDAR – detecção e alcance da luz –, usado por meteorologistas para o estudo das nuvens. Esse pequeno aparelho, geralmente transportado por aeronaves de baixa altitude, é capaz de lançar pulsos rápidos de luz (laser) contra o solo abaixo, detectando estruturas sob a terra e florestas, criando um mapa 3D digital daquilo que não podemos ver.

Aplicando a técnica do LIDAR em uma antiga descoberta de Yucatã (México), a arqueóloga Traci Ardren (University of Miami) procura desvendar um mistério. Em 1930, arqueólogos do Instituto Carnegie de Washington mapearam – apenas com o auxílio de bússolas e fitas métricas – uma gigantesca estrada maia de 6 metros de largura e mais de 100 quilômetros, ligando supostamente as cidades de Cobá a Yaxuná, no século 7 dC.

Desde sua descoberta, algumas questões pairam sobre essa estrada, considerada hoje uma maravilha da engenharia. Nos primeiros relatórios, ainda nos anos de 1930, a estrada foi referenciada como uma linha reta, cujo motivo seria a de transportar um exército de Cobá para a tomada de Yaxuná. Na época, a rainha de Cobá – K’awiil Ajaw – encomendara a construção dessa via revestida em gesso branco e elevada do solo. Seria mesmo, tamanho feito de engenharia, apenas para transportar um exército? O Projeto de Interação do Centro de Yucatã, do qual Traci Ardren participa, começa finalmente a lançar luz sobre esse passado misterioso. Com o LIDAR, conseguiram identificar que a estrada não era reta, mas fazia diversas curvas, interligando milhares de estruturas e pequenos povoados no caminho entre Cobá e Yaxuná. Foram identificadas mais de 8 mil estruturas.

A teoria então formulada por Ardren e seus colegal, baseada nessas novas informações, era que a estrada possuía uma função expansionista, mas não propriamente foi construída para uma invasão específica. Ela fazia parte de um projeto de expansão orquestrado pela rainha K’awiil Ajaw de Cobá, que levando sua influência a outros povoados da região, visava barrar a ascensão de uma nova potência, representada por Chichén Itzá, uma das mais importantes cidades maias do Yucatã. Contudo, essa é uma teoria por provar.

Outro dado interessante fornecido pelo LIDAR, foi que a população maia era muito maior do que prevíamos. O que leva a crer que a floresta que hoje vemos em Yucatã seria muito menor, visto o uso da madeira para a construção de tantas e gigantescas cidades; e a queima dela para a fabricação do calcário branco, que revestia essa fabulosa estrada. 

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana” (http://arqueologiamericana.blogspot.com/)

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 06/10/2020 às 14h13 | daltonmaziero@uol.com.br

OS GEOGLIFOS DE CORO

Quando falamos em geoglifos, imediatamente nos recordamos das famosas Linhas de Nazca-Palpa (Peru), como símbolo máximo desse tipo de manifestação arqueológica. E com razão, observamos que a cada dia, a América do Sul torna-se a região com maior incidência de geoglifos no planeta. Sabe-se atualmente que todo o continente foi utilizado de algum modo, como suporte para a criação de enormes figuras no solo, algumas delas ultrapassando os 300 metros de comprimento. Apenas para mencionar alguns desses aglomerados de geoglifos, citamos aqui o de Nazca-Palpa (Peru), os do Acre (Brasil) e os de Pintados (Chile).

Contudo, há pouco mais de duas semanas, outro enorme campo de geoglifos foi descoberto nas proximidades de Coro (Venezuela); em um litoral semidesértico não muito distante das paradisíacas ilhas de Aruba e Curaçao. Arqueólogos e zoólogos da Universidade Nacional Experimental Francisco de Miranda (Unefm) anunciaram a descoberta de cerca de 60 geoglifos representando animais, árvores e figuras geométricas. Nenhuma figura antropomorfa (humana) foi localizada até o momento. Curioso notar que a descoberta foi realizada graças ao uso de satélites. Segundo Felipe Torrealba (Centro de Investigaciones Antropológicas y Paleontológicas de Unefm) o achado ocorreu quando buscavam o local de impacto de um meteorito no povoado de Pedregal.

Este novo agrupamento de geoglifos está situado em um platô a 700 metros de altura e ocupando uma superfície de 18 hectares. Um dos exemplares mais intrigantes é uma formação geométrica que atinge 350 metros de comprimento por 170 de largura. Toda a região entre Coro e Pedregal é formada hoje por um semideserto litorâneo, que pode ter sido no passado, ainda mais seco. Se isso de fato ocorreu, é provável que suas condições climáticas fossem muito propícias para a manifestação dos geoglifos.

Torrealba explica a semelhança com os demais desenhos conhecidos no Peru pelo procedimento em sua execução. Da mesma maneira que no Peru, na Venezuela também os nativos aplicavam basicamente duas técnicas: usavam a oxidação do solo a seu favor, retirando as pedras escuras da superfície e deixando o solo claro em evidência; ou amontoavam essas mesmas pedras escuras formando linhas que determinavam a obra.

Ainda é cedo para apontar os motivos que levaram os antigos habitantes daquela região a executarem tamanha obra. Não sabemos quais foram suas reais intenções. No momento, Torrealba juntamente com a Drª Angela Martino e o Drº Alexis Arends (zoólogos da Unefm) planejam uma expedição para coletar dados e tentar lançar alguma luz sobre essa incrível descoberta.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “América Misteriosa – Crônicas de um continente mágico”. Visite o Blog “Arqueologia Americana” 

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 08/09/2020 às 09h47 | daltonmaziero@uol.com.br

TAMBO COLORADO – A CASA VERMELHA INCA

O Peru é um país de passado muito rico, berço de diversas civilizações e repleto de ruínas arqueológicas impressionantes. Contudo, algumas dessas ruínas, embora de suma importância, parecem relegadas a segundo plano, seja pela falta de divulgação, seja por estarem localizadas fora das rotas turísticas de maior movimento.

Um desses casos é Tambo Colorado (foto), o sítio arqueológico de adobe (barro misturado com palha) melhor preservado no Peru, situado no interior da costa sul desértica, no Vale de Pisco. Foi construído a mando do Inca Pachacútec (Pachacuti Inca Yupanqui), como parte de um projeto de expansão regional, ao final do século XV. Na época, Tambo Colorado era conhecido – como hoje – pelas suas cores vivas e marcantes. Não sem motivo, foi chamado Pukawasi (Casa Vermelha); Puka Tampu (Tambo Vermelho) ou ainda Pukallacta (Lugar Vermelho); embora tenham sido detectadas outras como o amarelo, branco, preto e ocre.

A palavra Tambo é proveniente do termo quéchua Tampu, que significa local de descanso. Para entender sua importância, se faz necessário recorrer a Qhapaq Ñan (Capac Ñan), o Caminho Inca que foi um complexo de caminhos e estradas interligadas, percorrendo cordilheiras, desertos e vales, numa extensão aproximada de 30 mil quilômetros. Um Tambo era, portanto, um espaço construído com múltiplas funções, a cada 20 ou 30 quilômetros ao longo da Qhapaq Ñan, com o objetivo primeiro de servir como local de descanso para quem estivesse em deslocamento.

Existem diversos tamanhos de Tambos, dependendo da geografia e da movimentação da estrada onde fora construído. No caso de Tambo Colorado, ele foi muito além de uma mera hospedaria. Por ali não passavam apenas os Chasquis (mensageiros do Inca), mas também soldados do Inca, mercadores, fiscais e trabalhadores responsáveis pela construção de armazéns, palácios e cidades. Para receber tantos visitantes passageiros, o local dispunha de funcionários permanentes, que organizavam os armazéns, grãos, viveiros, a guarda de armas, os quartos e espaços sagrados. Na terra dos Incas, muitas vezes os Tambos funcionavam como células de abastecimento comunitário. Em caso de incidentes, como terremotos ou guerras, o espaço era responsável por fornecer suporte à comunidade circundante e imperial.

Além de tudo isso, Tambo Colorado possuía também palácios em seu interior e uma plataforma cerimonial elevada, conhecida como Ushnu; o que o caracteriza também como um importante centro administrativo, de controle militar e serviço público, dentro de seus 12 mil km².


Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 25/08/2020 às 08h30 | daltonmaziero@uol.com.br

ILHAS ARTIFICIAIS NO AMAZONAS

Crédito: José Capriles, Penn State.

A região da floresta Amazônica, seja no Brasil ou Bolívia, não deixa de nos surpreender. Recentemente, um novo estudo realizado em parceria com universidades do Brasil, América Latina e Europa, detectaram milhares de ilhas artificiais usadas para o que é considerado agora, um dos berços mundiais da domesticação da agricultura e manuseio de plantas.

As plantações datam de 10 mil anos e mudaram definitivamente a geografia local, uma vez que foram identificadas até o momento, 4.700 ilhas artificiais. Segundo José Iriarte (University of Exeter, Reino Unido), esse aglomerado dedicado ao cultivo representa a 5ª região mundial onde ocorreram os primórdios da domesticação de plantas. Outras quatro regiões foram identificadas, sendo duas delas na Europa e duas na América.

As investigações concentraram-se em Llanos de Moxos, no norte da Bolívia. Essa região costuma inundar entre dezembro e março, permanecendo seca no restante do ano. O princípio e lógica do sistema segue aquele, posteriormente usado no mundo pré-colombiano – em especial no altiplano do lago Titicaca – conhecido como Waru-Warus ou Camellones, que multiplicavam a capacidade do solo na produção de alimento. Criando microclimas em terreno hostil, os antigos habitantes conseguiam domesticar e expandir a biodiversidade vegetal, além de controlar o manejo de plantas, cultivando o milho, a abóbora e a mandioca. Tudo isso elevando o terreno de plantio artificialmente, acima da linha d’água. Contudo, com as novas descobertas, é possível que os waru-warus tenham como modelos essas ilhas artificiais da floresta amazônica.

Estruturas semelhantes às encontradas em Llanos de Moxos foram identificadas por toda a floresta, como em Marajó, no Pará e no Alto Solimões. Nesta última região, as plataformas elevadas – de formato piramidal – tinham a mesma função, mas a identificação de material cerâmico corrugado dos séculos XV e XVI os aproxima dos grupos tupis. Em outras elevações, foram identificadas cerâmicas do estilo hachurado zonada, pertencentes a grupos que ali viveram por volta de 1000 aC.

O arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá (Amazônas), comenta estar impressionado com o volume de terra movimentada para a construção dessas ilhas artificiais; o que sugere uma capacidade tecnológica e organização social acima do imaginado até o momento. Embora não exista nenhum estudo associativo, fico imaginando se as enormes valas cavadas dos geoglifos amazônicos, não estavam ligadas à criação dessas ilhas, ou seja, terra retirada dos geoglifos, para formação das ilhas. Pelo visto, teremos ainda muitas surpresas vindas da região da floresta.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 31/07/2020 às 14h13 | daltonmaziero@uol.com.br

PUEBLO BONITO - A ÁRVORE DA VIDA

Existem alguns símbolos universais que são atemporais. Eles aparecem, em versões muito semelhantes, em diversos grupos humanos, independente de sua origem ou época. Um deles é conhecido como a Árvore da Vida. Sua mais famosa versão nos remete aos textos bíblicos, em Gênesis e Apocalipse. Contudo, referências suas podem ser encontradas também entre os egípcios, gregos, mexicas, japoneses, persas, fenícios, chineses, indianos e outros.

Na Mesoamérica, alguns textos antigos (Códex) representativos em especial dos povos maia e mexica, apresentam o desenho de uma árvore sagrada – Árvore de Nossa Vida –, cujos galhos partem em duas vertentes, do alto do tronco. A descoberta dessa ilustração levou muitos jesuítas a refletirem se aquela não seria a representação da Cruz, devido a sua semelhança simbólica. Partindo dessa premissa, arqueólogos sugeriram uma possibilidade interpretativa da Arvore da Vida, durante escavações realizadas em Pueblo Bonito (EUA), durante o ano de 1924. Financiados pela National Geographic Society, puseram a descoberto um curioso tronco (Pinus Ponderosa), com mais de seis metros de comprimento, enterrado em um dos mais importantes pátios do povoado. Na época, sugeriram a possibilidade daquela árvore representar a Árvore da Vida ou o Centro do Mundo, entre os nativos que ali viveram. A sugestão foi aceita e replicada por quase 100 anos, em livros e artigos.

Pueblo Bonito é o maior agrupamento pré-colombiano do povo Pueblo (ou Chaco) em Chaco Canyon, Novo México (EUA), uma região extremamente árida e ausente de árvores. O povoado teve seu auge entre 800 e 1200 de nossa era, tornando-se um importante entreposto comercial de turquesas. A descoberta desta árvore em seu pátio central, criou todo tipo de especulação sobre a existência de um culto ou práticas sagradas realizadas ao seu redor.

Contudo, estudos recentes liderados por Christopher Guiterman (Universidade do Arizonas) com a técnica chamada dendoproveniência – estudo dos padrões de crescimento dos anéis das árvores – aponta para outras conclusões. A primeira mostra que ela nasceu nas montanhas em Chuska, a 80 quilômetros de distância, e não em Chaco Canyon. A prova está em padrões existentes nos anéis, resultantes de tormentas de verão, típicas da região de Chuska. A árvore viveu entre os anos de 732 e 981 dC., ou seja, é provável que já estivesse morta quando de seu transporte para Pueblo Bonito.

Embora a teoria de Árvore da Vida tenha perdido força, não sabemos ao certo como foi transportada de tão longe; se serviu para algum objetivo específico – relógio de sol, por exemplo –, ou simplesmente esteve ali como sobra dos 25 mil troncos usados para a construção de Pueblo Bonito.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite o Blog “Arqueologia Americana”

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 13/07/2020 às 18h50 | daltonmaziero@uol.com.br

MACHU PICCHU – O ENIGMA DA FALHA TECTÔNICA

Muito tem se falado na incrível capacidade do povo inca, em se construir cidades em locais inimagináveis, escarpas montanhosas e cumes aparentemente inacessíveis. O principal exemplo dessa capacidade é, sem dúvida, Machu Picchu. Contudo, novas investigações estão relacionando essa capacidade de construção a locais geológicos previamente escolhidos.

Segundo as investigações de Rualdo Menegat (Instituto de Geociências da UFRGS), a escolha do local de um novo assentamento urbano, está associada à capacidade deste tornar a futura cidade orgânica, em relação à paisagem que o circunda. Mas quais os elementos os incas encontraram que podem tornar isso possível? Podemos citar uma rede de falhas tectônicas, a forma das montanhas ao redor e as pedras provenientes dessa falha geológica.

A teoria investe no princípio do menor esforço civilizatório. Isso significa que os incas viram, no topo da montanha Huayna Picchu, condições favoráveis para a construção de um assentamento. E que condições seriam estas? Em primeiro lugar, povoamentos construídos sobre falhas e fraturas geológicas dispõem naturalmente de afloramentos rochosos fragmentados, ou seja, abundância de material rochoso para suas construções. Nota-se que Machu Picchu – ao contrário de outras construções ciclópicas – não apresenta grandes rochas moldadas. Sua maior parte é formada por pedras de tamanhos médio e pequeno. Utilizar a matéria prima local já é, por si, uma economia de energia humana.

Outra vantagem nesse processo seria a de criar possibilidade em “moldar” mais facilmente o solo topográfico de acordo com o plano da cidade e seus patamares de plantio. A retirada de rochas fragmentadas permite adaptar os setores urbanos às elevações do terreno. Esse design orgânico nas construções incaicas fazia parte, inclusive, da identidade que esse povo queria passar aos demais, como uma marca registrada de capacidade técnica e poder. Também podemos mencionar aqui, que a escolha do local estava associada à segurança que este criava em relação a deslizamentos de terra. A escolha de um local alto, com solo rochoso, impedia possíveis avalanches.

Contudo, talvez a principal vantagem ao se construir uma cidade sobre uma fratura geológica, seja mesmo a de proporcionar excelentes aquíferos! Por meio das fissuras rochosas, a água corria de forma abundante, precisando “apenas” ser canalizada da forma correta. Em se tratando de canalização da água, os povos pré-colombianos são mestres no assunto. Em Machu Picchu, podemos observar como a água que brota das fraturas rochosas é controlada por filetes esculpidos e canais artificiais que as direcionam aos patamares de plantio e residências desse mítico povoamento incaico.

Dalton Delfini Maziero é historiador, arqueólogo, explorador e escritor. Especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria. Autor de “Titicaca – Em Busca dos Antigos Mistérios Pré-Colombianos” e “Sacralizando o Solo: o uso simbólico e prático dos geoglifos sul-americanos”. Visite nossa página “Arqueologia Americana” no Facebook.

Escrito por Dalton Delfini Maziero, 15/06/2020 às 09h50 | daltonmaziero@uol.com.br



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Dalton Delfini Maziero

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Historiador, arqueólogo, explorador, viajante, escritor e especialista em culturas pré-colombianas e história da pirataria.