Jornal Página 3
Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Primeiras Palavras

No ano de 2002, um grupo de escritores fundou a Academia de Letras de Balneário Camboriú - ALBC com o objetivo de promover e divulgar a literatura.

Passados 16 anos de atividade, a ALBC dá um passo importante para a aproximação dos Acadêmicos com a sociedade através desta coluna no Jornal Página 3, onde divulgará poesias, crônicas, contos, artigos informativos e outras produções literárias.

Lindolf Bell, poeta nascido em Timbó, foi escolhido para ser o patrono da ALBC. É, portanto, justo que a primeira publicação seja uma homenagem a esse poeta maior porque “a poesia é o instrumento mais generoso para eliminar a solidão, a indiferença, o desencanto, o cinismo e a discriminação.(...) Se o poema, muitas vezes, amadurece sem terras, em solidão, sua existência (resistência) se justifica para lembrar que o ser humano mais uma vez não é ilha, mas partilha.” 1

O verso “Menor que meu sonho não posso ser” foi escolhido como lema da ALBC.


O POEMA DO ANDARILHO

Lindolf Bell



Menor que meu sonho 
não posso ser 

Mil identidades secretas. 
Mil sobras, sombras, mil dias. 
Todas palavras e tudo. 
Barco de ambiguidade, 
sôfregas palavras. 
De todas contradições, desencontros, 
dos contrários de mim, 
andarilho da flecha de várias pontas, direções. 
Dos outros seres 
que também andarilham. 

Pois menor que meu sonho 
não posso ser 

Andarilho 
de ervas sutis 
crescidas de noites luzes 
becos latinos frêmitos Andes ilhas. 
Andarilho 
de santos falidos, feridos 
de vaidade. 
Dos frutos da segurança vã, 
vã beleza de repente solidão. 

Feitiços, laços, encantamentos. 
Prodígios, Tordesilhas, ressentimentos. 
Andarilho de perder pele, asa e uso, 
mariposa da lua difusa do amanhecer. 
Andarilho 
de paisagens precárias do sentimento 
guardado a sete chaves, 
não fotografável, 
nem desvendável em câmaras escuras, secretas torturas, 
ou à luz de teus olhos surpresos, presos 
nos meus olhos, ilhas. 
Pois menor que meu sonho 
não posso ser 

Andarilho. 
De insignificâncias magníficas colheitas do nada. 
De tudo que ninguém se lembra 
nem nunca escreveu. 
De uma nuvem veloz reflexo de outra nuvem 
andarilha nuvem do sul 
de onde vem a luz, 
andarilho. 

Crescem em mim as palavras sensações mais estranhas 
e andarilham. 
Arrulho de palavra pousada ave 
sobre um minuto de trégua e milagre do tempo 
quando o sol se põe atrás do horizonte inquieto 
do dicionário 
e da dúvida: 
armadilha. 

na saliva na garganta 
na palavra escrita primavera 
na capa de um caderno antigo 
do Grupo Escolar Polidoro Santiago de Timbó 
andarilho de linhas esquecidas tortas velhas trilhas 
datas de nascimento e burlescos aniversários 
andarilho andorinha 
em ziguezague na festa 
na face de Deus. 

Aos trancos e barrancos, andarilho. 
De trincos e garimpos, andarilho. 
Andarilho de desafios, desafinos. 
De socos recebidos e raros revides, 
de atonias em atrofias, andarilho. 

Andarilho. 
Na diferença palpável da volúpia. 
De assédios, impertinências, ideologias. 
De recalques, 
decalques, vídeos, celulóides, fitas 
gravadas da liberdade, 
gravatas, contatos, contratos, 
andarilho. 

Pois menor que meu sonho 
não posso ser. (...)2


 

Autor: Eliana Jimenez - 1ª. Secretária da ALBC

Conheça o site da ALBC: http://albc.com.br/

Referências:

1 http://www.lindolfbell.com.br/o-poema/, acesso em 20/06/2018

2 http://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=10465&poeta_id=277, acesso em 20/06/2018

Escrito por Academia de Letras, 28/06/2018 às 19h22 | elianarjz@gmail.com



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