Jornal Página 3
Coluna
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Homenagem à poesia e convite

Ser Poeta

Ser poeta é tão somente ser criança,
com o joelho eternamente machucado.
É correr pelo terreno capinado
e procurar no concreto envelhecido
a flor do campo nascida num jazigo.

É libertar-se mesmo preso a convenções,
sorver o sumo de fugazes alegrias.
É desfrutar de sentimentos sem razão
e inventar que borboletas fugidias
podem enfim centrifugar o coração.

É relembrar de seduções que não viveu
em tempos idos de tornozelos escondidos
com carruagens de trotes compassados,
levantando a poeira enquanto os anos
vão desfocando os flashes do passado.

É sentir o vento fresco num deserto
e calafrios onde o sol brilha ou deveria.
Apropriar-se de vidas outras, divergentes,
e em breve êxtase transpor à poesia
o que não sente ou o que sentirá um dia.

Eliana Jimenez
1º. Lugar do II Concurso Nacional de Poesias
"Narciso Araújo" da Academia de Artes, Cultura e Letras
de Marataízes/ES - 2013

Escrito por Academia de Letras, 18/03/2019 às 13h44 | elianarjz@gmail.com

Lei Maria da Penha

À Maria da Penha Maia Fernandes que deu nome à Lei 11.340/06

No alto da Penha
uma ladeira inteira
de maus-tratos ao coração.

Uma vida inteira
com verbos sem ligação
que com labor e luta
deu um basta na agressão.

E assim, caminho aberto,
pôs a mulher no rumo certo
com direito de trabalhar,
ir e vir, sonhar e amar.

Maria, com muito orgulho,
somos também, no mesmo tom,
nessa marcha de guerreiras,
mas guerreiras de batom!

Eliana Jimenez

Créditos da imagem: Criador:carolinam - Informações extraídas do IPTC Photo Metadata

Escrito por Academia de Letras, 08/03/2019 às 08h50 | elianarjz@gmail.com

DOIS DEDOS

Conceda-me dois dedos de prosa
É a distância entre duas arvores
Onde estão pendurados
Pedaços de sonhos que o vento carregou
Me dê dois dedos
os coloco na presença do meu olhar
para tatuar impressões digitais
nas retinas do tempo
me dê dois sóis de setembro entre
a distância das arvores
me dê
uma prosa
me dê
uma esquina de pensamento
me dê
que enlouqueço com o que
me dás.


By MLK
Maria Luiza Kuhn
2019

Escrito por Academia de Letras, 27/02/2019 às 12h56 | elianarjz@gmail.com

Trovas Ecológicas

Enquanto se der endosso
à ganância insaciável,
futuro é fundo de poço
que não tem água potável.
Eliana Jimenez/SC


A árvore cai vencida,
cai vencida sem um gesto,
sem um gesto perde a vida,
perde a vida sem protesto.
Sônia Sobreira/RJ


Poluindo o mar, a serra,
devastando tudo, a esmo,
o homem, agredindo a Terra
declara guerra a si mesmo!
Antonio Juracy Siqueira/PA


É dinheiro abençoado,
merecedor de elogio,
todo aquele que é usado
ao despoluir um rio!
Eliana Palma – PR


Quem nos pomares da vida
planta o mal, colhe seus frutos
que a Natureza, agredida,
cobra pesados tributos!
Antonio Juracy Siqueira/PA


Que a ganância descabida
poupe os bens fundamentais.
- Sem ouro mantém-se a vida;
sem água limpa, jamais.
A. A. de Assis/PR


Hão de nos ser muito gratas
as futuras gerações,
se, em vez de queimar as matas
queimarmos as ambições!...
A. A. de Assis/PR


O mar de um azul profundo
e as montanhas esverdeadas,
são belezas desse mundo,
precisam ser preservadas.
Eliana Jimenez/SC

Escrito por Academia de Letras, 12/02/2019 às 15h15 | elianarjz@gmail.com

Mariana e Brumadinho

Num tom profético, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema "Lira Itabirana" no Jornal Cometa Itabirano, em 1984:

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Por todo o país, poetas transformam o sentimento de dor em poemas como esses abaixo:

Mariana e Brumadinho
tristes destinos iguais:
Os dois vão pagando o preço
da tristeza dos seus ais;
e a ganância dos minérios
fez deles, dois cemitérios
da rota dos lamaçais!

Prof. Francisco Garcia, Caicó/RN

POR QUEM MAIS AINDA OS SINOS DOBRARÃO?
Mariana e Brumadinho são aquelas
Construídas no caminho da tormenta!
Soçobraram sob as mais cruéis procelas
Na cruel realidade lamacenta.

E as paisagens quais sublimes aquarelas
Sucumbiram à hecatombe mais sangrenta
Qual tragédias que seguiam paralelas
Filhas, sim, da realidade fraudulenta.

Qual o preço recebido, deputado?
E a barragem sendo assim, mal construída?
E do que é feito, enfim, seu coração?

Jaz o irmão, lá, sob o barro, sepultado,
Que pagou por sua cobiça com a vida!
Por quem mais ainda os sinos dobrarão?

JB Xavier, São Paulo - SP

Escrito por Academia de Letras, 31/01/2019 às 10h35 | elianarjz@gmail.com

SUGESTÃO PARA O NOVO ANO

            (ou para a nova vida)

              expande teu olhar
                para mais além
            que a vista enxerga

              estende tua mão
             para mais distante
          que teu braço alcança 

            dispersa teu sorriso
              para mais rostos
          que os que conheces 

               distribui teu pão
             para mais pessoas
            que as da tua mesa

            abre teu coração
            para mais irmãos
       que em teu afeto acolhes

             Teca Mascarenhas

Escrito por Academia de Letras, 02/01/2019 às 09h56 | elianarjz@gmail.com



1 2 3 4 5

Academia de Letras

Assina a coluna ALBC Ecos Literários


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
ALBC Ecos Literários
Por Academia de Letras

Homenagem à poesia e convite

Ser Poeta

Ser poeta é tão somente ser criança,
com o joelho eternamente machucado.
É correr pelo terreno capinado
e procurar no concreto envelhecido
a flor do campo nascida num jazigo.

É libertar-se mesmo preso a convenções,
sorver o sumo de fugazes alegrias.
É desfrutar de sentimentos sem razão
e inventar que borboletas fugidias
podem enfim centrifugar o coração.

É relembrar de seduções que não viveu
em tempos idos de tornozelos escondidos
com carruagens de trotes compassados,
levantando a poeira enquanto os anos
vão desfocando os flashes do passado.

É sentir o vento fresco num deserto
e calafrios onde o sol brilha ou deveria.
Apropriar-se de vidas outras, divergentes,
e em breve êxtase transpor à poesia
o que não sente ou o que sentirá um dia.

Eliana Jimenez
1º. Lugar do II Concurso Nacional de Poesias
"Narciso Araújo" da Academia de Artes, Cultura e Letras
de Marataízes/ES - 2013

Escrito por Academia de Letras, 18/03/2019 às 13h44 | elianarjz@gmail.com

Lei Maria da Penha

À Maria da Penha Maia Fernandes que deu nome à Lei 11.340/06

No alto da Penha
uma ladeira inteira
de maus-tratos ao coração.

Uma vida inteira
com verbos sem ligação
que com labor e luta
deu um basta na agressão.

E assim, caminho aberto,
pôs a mulher no rumo certo
com direito de trabalhar,
ir e vir, sonhar e amar.

Maria, com muito orgulho,
somos também, no mesmo tom,
nessa marcha de guerreiras,
mas guerreiras de batom!

Eliana Jimenez

Créditos da imagem: Criador:carolinam - Informações extraídas do IPTC Photo Metadata

Escrito por Academia de Letras, 08/03/2019 às 08h50 | elianarjz@gmail.com

DOIS DEDOS

Conceda-me dois dedos de prosa
É a distância entre duas arvores
Onde estão pendurados
Pedaços de sonhos que o vento carregou
Me dê dois dedos
os coloco na presença do meu olhar
para tatuar impressões digitais
nas retinas do tempo
me dê dois sóis de setembro entre
a distância das arvores
me dê
uma prosa
me dê
uma esquina de pensamento
me dê
que enlouqueço com o que
me dás.


By MLK
Maria Luiza Kuhn
2019

Escrito por Academia de Letras, 27/02/2019 às 12h56 | elianarjz@gmail.com

Trovas Ecológicas

Enquanto se der endosso
à ganância insaciável,
futuro é fundo de poço
que não tem água potável.
Eliana Jimenez/SC


A árvore cai vencida,
cai vencida sem um gesto,
sem um gesto perde a vida,
perde a vida sem protesto.
Sônia Sobreira/RJ


Poluindo o mar, a serra,
devastando tudo, a esmo,
o homem, agredindo a Terra
declara guerra a si mesmo!
Antonio Juracy Siqueira/PA


É dinheiro abençoado,
merecedor de elogio,
todo aquele que é usado
ao despoluir um rio!
Eliana Palma – PR


Quem nos pomares da vida
planta o mal, colhe seus frutos
que a Natureza, agredida,
cobra pesados tributos!
Antonio Juracy Siqueira/PA


Que a ganância descabida
poupe os bens fundamentais.
- Sem ouro mantém-se a vida;
sem água limpa, jamais.
A. A. de Assis/PR


Hão de nos ser muito gratas
as futuras gerações,
se, em vez de queimar as matas
queimarmos as ambições!...
A. A. de Assis/PR


O mar de um azul profundo
e as montanhas esverdeadas,
são belezas desse mundo,
precisam ser preservadas.
Eliana Jimenez/SC

Escrito por Academia de Letras, 12/02/2019 às 15h15 | elianarjz@gmail.com

Mariana e Brumadinho

Num tom profético, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema "Lira Itabirana" no Jornal Cometa Itabirano, em 1984:

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Por todo o país, poetas transformam o sentimento de dor em poemas como esses abaixo:

Mariana e Brumadinho
tristes destinos iguais:
Os dois vão pagando o preço
da tristeza dos seus ais;
e a ganância dos minérios
fez deles, dois cemitérios
da rota dos lamaçais!

Prof. Francisco Garcia, Caicó/RN

POR QUEM MAIS AINDA OS SINOS DOBRARÃO?
Mariana e Brumadinho são aquelas
Construídas no caminho da tormenta!
Soçobraram sob as mais cruéis procelas
Na cruel realidade lamacenta.

E as paisagens quais sublimes aquarelas
Sucumbiram à hecatombe mais sangrenta
Qual tragédias que seguiam paralelas
Filhas, sim, da realidade fraudulenta.

Qual o preço recebido, deputado?
E a barragem sendo assim, mal construída?
E do que é feito, enfim, seu coração?

Jaz o irmão, lá, sob o barro, sepultado,
Que pagou por sua cobiça com a vida!
Por quem mais ainda os sinos dobrarão?

JB Xavier, São Paulo - SP

Escrito por Academia de Letras, 31/01/2019 às 10h35 | elianarjz@gmail.com

SUGESTÃO PARA O NOVO ANO

            (ou para a nova vida)

              expande teu olhar
                para mais além
            que a vista enxerga

              estende tua mão
             para mais distante
          que teu braço alcança 

            dispersa teu sorriso
              para mais rostos
          que os que conheces 

               distribui teu pão
             para mais pessoas
            que as da tua mesa

            abre teu coração
            para mais irmãos
       que em teu afeto acolhes

             Teca Mascarenhas

Escrito por Academia de Letras, 02/01/2019 às 09h56 | elianarjz@gmail.com



1 2 3 4 5

Academia de Letras

Assina a coluna ALBC Ecos Literários


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade