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Como está Balneário Camboriú após mais de 60 dias em distanciamento social

A repercussão dessa pandemia nos vários setores da sociedade

Quinta, 21/5/2020 19:00.

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Por Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes

Esta semana o novo Coronavírus, o popular Covid-19 e tudo o que ele trouxe junto, completou 60 dias de isolamento (em alguns estados) e alguns dias a mais desde que surgiu o primeiro caso no país. No dia 13 de março, o prefeito Fabrício Oliveira decretou situação de emergência e recomendou distanciamento social, mas cinco dias depois, em 18 de março ele decretou o isolamento social. Saiu na frente e especialistas dizem que o reflexo dessa ‘dianteira’ foi decisivo no avanço da doença no município. Ele próprio testou positivo, está isolado até domingo (24), longe da família, sua esposa Mozara está nas últimas semanas de gestação, mas continua trabalhando.

Hoje a pandemia está virada em números, de mortos, de contaminados, de curados e o pior, ninguém mais sabe exatamente o que esta tragédia está causando e o que ainda está por vir.

O novo vírus contagiou o planeta, causou mortes sem escolher classes ou faixa etária, provocou crises econômicas incalculáveis, mexeu com as relações humanas e sobretudo, desacelerou a humanidade, obrigou as pessoas a pensar mais nos outros, a dar mais valor à vida.

Esta semana, a reportagem colheu opiniões nos diversos setores da comunidade afetados pela crise, para avaliar as mudanças nos primeiros 60 dias de convivência com esse terremoto chamado Covid-19.


“Estamos no caminho certo e vamos continuar assim”

Foto: Divulgação/PMBC

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú

“Balneário Camboriú com quase 140 mil habitantes, dos quais 30% idosos, precisou de ações imediatas. Acredito que fomos o primeiro municipio do Estado a tomar medidas, com as barreiras sanitárias e um dos primeiros do país a montar um Centro Médico para Covid-19, que já atendeu mais de 1500 pessoas. Atendemos toda a região e o governo do Estado não nos ajudou em nada até hoje. Tivemos 59 pacientes internados, destes 24 de Balneário Camboriú, ou seja, 36% e o resto é de fora. Imediatamente monitoramos as questões sociais, levando alimentos para as famílias carentes e remédios para os idosos, distribuímos máscaras, fizemos abordagens e orientações e isso nos colocou em uma condição boa. Por exemplo: a taxa de mortalidade no país alcançou 6.7%; no Rio, 10.70; em São Paulo, capital, 7.89, em Manaus, 8.92, em Santa Catarina, 1.64 e em Balneário Camboriú, 0.93%, abaixo de outros municípios catarinenses e muito abaixo do país. É injusto pensar que tudo tem que ser igual em todos os lugares. A realidade é diferente, por exemplo, lock down serve para alguns, mas não para outros lugares. Nós vamos continuar controlando aglomerações, uso de máscara em todos os lugares, álcool em gel. Estamos testando muito. Eu mesmo comecei a sentir sintomas, fiz o teste e me isolei, não precisei UTI. Todas as pessoas sintomáticas vão fazer o teste, assim isolamos mais rapidamente e evitamos o contágio. Nossa ocupação de leitos está em torno de 20%, mas temos condições de abrir novos leitos. Eu estou confiante, acredito que fizemos certo e por isso estamos em boas condições até aqui. Vamos continuar neste caminho”.


SAÚDE

Ações imediatas e adesão da população, pontos para um cenário ainda tranquilo

Foto: Divulgação/PMBCA secretária da Saúde visitando um paciente

No dia 13 de março, o prefeito Fabrício Oliveira decretou situação de emergência em função do risco de surto de Coronavirus, apresentou um plano de ação para entidades, associações e representantes da sociedade civil sobre o que estava por vir, provavelmente não imaginou que estava dando o primeiro passo para enfrentar um cenário como o que estamos assistindo no país hoje. Mas com esta atitude, ele garantiu um cenário ainda considerado positivo mais de 60 dias depois do distanciamento social e de todas as medidas que tomou.

“Temos um cenário bom, mas não podemos relaxar restrições”

Foto: Divulgação/PMBC

Andressa Hadad, secretária municipal da Saúde

A avaliação que temos é que tomamos atitudes rápidas, fomos pioneiros em inúmeras atitudes, como as barreiras, incluídas ações na rodoviária, em todos os ônibus que chegavam no municipio, com aferição de temperatura, de sinais de sintomas, encaminhamento de pacientes para a epidemiologia, a estruturação de um serviço pioneiro. No dia 14 foi declarada a pandemia e dia 20 já estávamos com o Centro de Acolhimento e Tratamento da Covid-19 com cinco leitos de UTI e 15 leitos semi intensivos atendendo a população. Logo no início da pandemia montamos o hospital de campanha, fora do hospital Ruth Cardoso, com atendimento exclusivo, até a estrutura do Centro da Covid-19 ficar pronto e desta forma fizemos separação de atendimentos para evitar maior número de contaminações. O imediato decreto do prefeito colocando o município em isolamento total, deixando apenas os serviços essenciais, foi importante para conter a proliferação da infecção. Além da ampla testagem através da qual conseguimos desenhar bem a imagem de Balneário Camboriú frente a Covid e a possibilidade de encontrar esses pacientes com sinais de sintomas leves já positivos e colocá-los em isolamento o mais rápido possível e evitar novos contatos com não infectados. Lembrando o Laboratório Municipal exclusivo para testes de Covid, trazendo uma segurança e eficácia na questão de encontrar os pacientes infectados. O decreto da utilização de máscara, o distanciamento, a fiscalização, frente aos restaurantes, bares, dos mercados, a parceria realizada com estas instituições foi importante porque na conversa, orientação, explicação de todos os nossos processos, eles aderiram a essa prática do município e foram fundamentais em todo o processo. Conseguimos colocar em prática também a adesão das práticas, a proibição da utilização da praia que foi respeitada e todas as informações que divulgamos amplamente para que todos aderissem. Tivemos muitos pacientes que entraram em tratamento, em suas residências, foram acompanhados, monitorados e tiveram alta. Estamos positivos quanto a isso, a maioria dos casos não são encaminhados para UTI, estamos dentro dos 20% de pacientes em tratamento intensivo, nossos pacientes graves tiveram alta estão tendo um acompanhamento, tivemos apenas um óbito por Covid em nosso município, então nós técnicos da área da saúde vemos todas essas ações que envolvem todas as secretarias e ação imediata do prefeito muito positivas para Balneário. Hoje apesar de estar aumentando o número de detectados, temos um cenário muito bom, mas isso não significa que devemos relaxar, quanto as restrições. O município está na frente de muitos do estado, até alguns do país, porque estamos fazendo muitas ações de prevenção, atitudes rápidas e assim trazemos não só uma sensação de segurança, mas principalmente que as pessoas compreenderam a necessidade destas ações restritivas e que elas têm onde buscar o atendimento, seja ele leve, moderado ou grave. Hoje estamos ofertando dentre todos que tem no mundo, o melhor teste, que é o PCR, padrão Ouro, apesar de não ter 100% de sensibilidade, mas adequadamente realizado, dentro do prazo, conforme o protocolo, conseguimos 100% de certeza da contaminação do paciente ou não. Com isso estamos fechando o círculo de avaliação: as medidas restritivas, o tratamento do paciente, com todos os medicamentos determinados pela OMS e a testagem dos pacientes sintomáticos, até sintomas leves, com isso encontrando os pacientes. Até quando estas restrições irão? Não sabemos porque muito pouco se sabe sobre o vírus. Não temos garantia de quanto tempo ficaremos desta forma, mas temos a garantia que o poder executivo e a equipe técnica da Secretaria da Saúde está amplamente envolvida, executando um trabalho de excelência e o que é mais importante com a adesão da população a todos os processos que estamos executando”


“O mundo pós pandemia não será o mesmo”

Credito – Divulgação

Ricardo Zimmermann, médico infectologista nos hospitais Unimed Litoral, Hospital do Coração e Marieta

“O Estado de Santa Catarina em geral iniciou precocemente as medidas de distanciamento social e redução de circulação, tendo um impacto muito positivo no número de novos casos e óbitos, quando comparado a outros estados que não adotaram as mesmas medidas.

Da mesma forma que iniciou precoce, iniciou também a flexibilização das medidas de distanciamento através da retomada das atividades econômicas aos poucos. Neste período é esperado que haja aumento no número de novos casos e internação hospitalar.

No entanto, percebemos que o número de internações não foi tão elevado o quanto esperávamos. Acreditamos que o distanciamento mesmo em ambientes públicos, uso de máscaras e higiene das mãos estão tendo impacto positivo.

As internações hospitalares estão muito relacionadas aos cidadãos de município vizinhos, sendo que poucos casos são de Balneário Camboriú ou Itajaí, quando levamos em consideração o número de habitantes destas cidades.

Muito importante que o retorno das atividades econômicas seja feito de forma lenta e alinhado com a testagem populacional e número de internações. Este último é o principal indicador do impacto da pandemia na sociedade, junto aos dados de mortalidade.

Temos que estar preparados para o inverno, período em que há maior circulação de vírus respiratórios como Influenza, Rinovirus, entre outros.

A sociedade precisava entender que o mundo pós pandemia não será o mesmo, sendo que o distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos é imperativo para a redução de transmissão viral”.


EDUCAÇÃO

Quando e como será o futuro?

A paralisação do sistema educacional no dia 18 de março e ainda sem data para retornar, mexeu com as estruturas curriculares, trouxe preocupação com a alimentação de milhões de estudantes (segundo pesquisa realizada pela Fundação Abrinq, quase 9 milhões de crianças entre zero e 14 anos vivem em situação de extrema pobreza no país e a merenda escolar era um suporte) e muitos questionamentos sobre o futuro da educação, seja ele público ou privado. Substituir o ensino presencial pelo ensino a distância foi a primeira alternativa encontrada, todos pisando em um terreno quase desconhecido e que exige planejamento e mesmo que grande parte dos estudantes não tenha acesso à internet, essa foi a solução abraçada.

Em Balneário Camboriú não foi diferente. A educação pública e privada vem trabalhando com ensino à distância. Ao mesmo tempo em que todos esperam o retorno da educação presencial, ninguém sabe como será esta volta às aulas e nem quando ela acontecerá.

A pandemia do COVID-19 traz à tona a fragilidade de diversas famílias brasileiras que hoje necessitam da escola para amenizar a situação de pobreza em que se encontram.

“É um momento verdadeiramente desafiador”

Credito - Divulgação

Rosângela Borba Percegona, secretária municipal de Educação

“Assim que percebemos o cenário, imediatamente o prefeito Fabrício Oliveira determinou a suspensão das aulas para segurança dos estudantes e servidores. Na sequência a Secretaria de Educação adaptou uma plataforma de uso para que todos professores e educandos tivessem acessos, para que pudéssemos colocar atividades ali e dar aulas não presenciais. A importância desta plataforma neste momento foi fundamental, porque queríamos que os alunos não perdessem a aderência com as questões de escola e aqueles que não tiveram ou ainda não tem acesso a plataforma ou a internet, foi disponibilizado o material impresso entregue a estas famílias na unidade escolar mesmo. Atualmente esta plataforma já passou por um refinamento e hoje conseguimos que o gestor recebe no seu celular a quantidade de alunos que está acessando a plataforma, inclusive o nome desses alunos, podendo assim fazer uma presença destes alunos que estão acessando a plataforma. Conduzir uma secretaria nestas condições torna nosso desafio ainda maior. Estamos nesse processo para elaborar um novo calendário escolar, estudar como faremos a reposição das aulas, analisar o quanto o ensino não presencial será computado dentro desta grade, verificar o grau de aprendizagem dos estudantes, e ainda preparar as unidades escolares, os novos horários, para o retorno das aulas presenciais. Ainda não temos uma data concreta, porém estamos trabalhando para esse momento. É sim, de fato, desafiador o momento. Mas ao mesmo tempo quando a gente tem uma equipe sólida, sempre em busca de solução, e que se envolve e se supera, isso dá força para continuar caminhando, isso reforça nosso compromisso com a educação de Balneário Camboriú. A Secretaria de Educação não está medindo esforço e buscando alternativas para que a gente passe por esse momento e tenhamos novamente nossos alunos em sala de aula, dentro de um formato diferente de escola, mas com segurança, com grau de higiene em cada sala, é desta forma que estamos caminhando neste momento”.


“A educação vai passar por um novo momento”

Credito - Divulgação

Castelo Guzzoni, diretor do Colégio Unificado

“Neste tempo todo as escolas tiveram que se readaptar, buscar alternativas diferenciadas na questão das aulas não presenciais. Percebemos a importância deste distanciamento social para a saúde, mas também percebemos o quanto é válido a criança estar na escola, socializando, brincando, aprendendo, trocando relações com os colegas, é cada vez mais marcante a necessidade das pessoas terem esse convívio, esse afeto. Nada substitui um abraço, um beijo, um olhar, no entanto, nesta adversidade da pandemia, tudo precisa ser modificado e adequado. A escola investiu muito em equipamentos, para usar em aulas online, câmeras, estúdio, profissional para auxiliar em gravações de vídeo aulas, em aulas online, investiu em aumento de internet, preparou salas específicas para este fim, investimos na capacitação do professorado para que consigam dar aulas diversificadas, para que os alunos tenham um bom aprendizado em casa. Sabemos das dificuldades de pais com as questões da internet, com o uso do computador, e principalmente a dificuldade de acompanhar o aluno, principalmente os pequenos. No ensino fundamental 2 e médio, adolescentes já têm mais facilidade, já se resolve com mais tranquilidade. Estamos otimistas que isso está dando certo. Sabemos que daqui a pouco voltam as aulas presenciais, mas fica um legado para as escolas para que a gente também tenha esses recursos de aulas online, o que em alguns momentos, servirá daqui pra frente. A educação vai passar por um novo momento, sabemos que haverá mudanças significativas no dia a dia, mas também tem muito ponto positivo a ponderar em relação a questão de você poder fazer aulas diferenciadas via online, via gravação. Temos cumprido isso com muita seriedade. Importante também o investimento nos profissionais para que todos criem habilidade para trabalhar nesta nova estrutura, porque a grande realidade é que as escolas não estavam preparadas para, do dia pra noite, fazer todo esse mecanismo online. Isso tudo é um processo, as aulas presenciais são insubstituíveis, no entanto as aulas online colaboram no processo de ensino e aprendizado. Estamos contando com um retorno o mais rápido possível, com todo cuidado que deveremos ter, mas o setor educação movimenta uma forte economia e acreditamos que logo tudo volte a normalidade”.


“Se não retornarmos o quanto antes, possivelmente teremos muitas escolas particulares fechadas”

Credito - Arquivo Pessoal

Aline Luzia Tonezer Pereira, sócia-proprietária da Oficina da Infância Centro Educacional, diretora do núcleo das escolas particulares da AMPE de Balneário Camboriú

“Há 60 dias o Covid-19 entrou em nossas vidas, e com ele fecharam as escolas, onde muitas crianças passavam seu dia brincando, interagindo, se alimentando saudavelmente, aprendendo, e estavam seguras.

Há 60 dias fecharam a esperança de um futuro melhor para muitas crianças, de poderem estar em um ambiente com profissionais qualificados, que merecem todo o nosso respeito, e que hoje estão com risco de ficar sem seus empregos. Estas crianças hoje se encontram em locais como casa de avós, e o pior, em casas clandestinas e em casas de festas, locais estes que estão sem permissão de funcionamento. Locais estes que não são permitidas a permanência de crianças, em função do isolamento social, pois essa é a grande preocupação no momento.

Ao fechar as portas da educação infantil no dia 18 de março de 2020, fecharam também a oportunidade de muitas crianças estarem protegidas de muitas eventualidades que ocorrem em suas casas. Algumas já estão virando estatísticas, como: aumento da violência sexual, acidentes domésticos, entre outros.

Com o pronunciamento do governo do Estado em uma volta indeterminada da educação, fez com que muitos pais desistissem de continuar tendo esperanças da volta às aulas, e rescindiram os poucos contratos que ainda existiam nas escolas particulares, pois estes não conseguem pagar a escola mais babá, porque já retornaram às suas atividades econômicas.

Infelizmente, se não retornarmos o quanto antes às aulas, possivelmente teremos muitas escolas particulares fechadas, e muitas crianças sem escola quando retornarem as aulas”.


MERCADO DE TRABALHO

Contratações e demissões

Os números de demissões na região de Balneário Camboriú, englobando a Foz do Rio Itajaí, durante o período de pandemia do novo Coronavírus aumentaram mesmo com as medidas de afrouxamento do isolamento e estima-se que 89.412 mil pessoas perderam o emprego desde o início da crise. Isso foi o que apontou a 3ª medição da pesquisa “Impacto do Coronavírus nos negócios de SC” realizada pelo Sebrae/SC, Fiesc e Fecomércio, entre os dias 4 e 6 de maio, com mais de 273 empresas da região da Foz. A margem de erro é de 6.3%. Além das demissões, 33% das empresas adotaram suspensão temporária do contrato de trabalho e 25,3% implantaram a redução proporcional da jornada de trabalho e salários, sendo a modalidade de acordos individuais a preferida nas negociações com os trabalhadores. Em Balneário Camboriú, há 18 vagas hoje no posto da cidade do SINE (Sistema Nacional de Emprego). Apesar de haver perspectiva de melhora no segundo semestre, sabe-se que economia é a principal afetada pela pandemia do Coronavírus, agindo diretamente na oferta de vagas de emprego. O Sistema Municipal de Empregos (SIME) de Balneário Camboriú está desativado nas últimas semanas, porque a equipe é formada por membros do grupo de risco (pessoas com problemas de saúde, idosos, pessoas que moram com idosos, e a coordenadora do SIME está com Coronavírus, isolada socialmente).

“Um dos setores que sentem primeiro é sempre o mercado de trabalho”

Kelly Crocomo, assistente social do SINE de Balneário Camboriú

“Sem dúvida houve uma diminuição grande na oferta de vagas. Antes da necessidade de quarentena e distanciamento social estávamos com aproximadamente 100/120 vagas de emprego. Hoje estamos com apenas 18 vagas. O que temos atualmente se concentra na prestação de serviço e alguma coisa de comércio. Temos vagas para corretor de imóveis, empregada doméstica, montador de estrutura metálica, motoboy, motofretista, motorista de caminhão (guincho), pizzaiolo, serralheiro, soldador e vidraceiro. Não sabemos precisar quantas demissões aconteceram, pois nesse período as solicitações de seguro desemprego ficaram concentradas através dos meios eletrônicos (sites e aplicativos), e acabou não passando pelo nosso controle. Porém, a demanda de pessoas procurando emprego não diminuiu e há certo equilíbrio entre homens e mulheres e jovens e adultos. É difícil responder se haverá melhora nesse sentido no segundo semestre. Temos esperança de que o cenário mude e que as coisas voltem a "normalidade", mas também temos consciência de que essa pandemia global afetará o setor econômico de uma forma muito complicada e um dos setores que sentem primeiro é sempre o mercado de trabalho. Vamos aguardar pra ver como nosso município reagirá com isso tudo o que está acontecendo. Cabe ressaltar para a população que a orientação que temos do governo do Estado é que a população evite aglomerações, só saia de casa se necessário e que os pedidos de seguro desemprego devem ser feitos através dos sites e aplicativos: maisemprego.mte.gov.br; www.gov.br; apps Sine Fácil e Carteira de Trabalho Digital. A busca por vagas de emprego também deve ser feita no site: maisemprego.mte.gov.br ou pelo aplicativo Sine Fácil. O SINE não está atendendo de forma presencial. Dúvidas, orientações e agendamentos devem ser feitos por telefone. Em nossa página do Facebook (SINE Balneário Camboriú) temos orientações e passo a passo para acessar esses canais eletrônicos”.


“Todo mundo está economizando, mas isso também paralisa a economia”

Christina Barichello, secretária de Inclusão Social de Balneário Camboriú

“Houve casos de pessoas que nos procuraram pedindo por ajuda nesse sentido e a equipe da secretaria procurou direto por empresas da cidade, como a construção civil, e conseguimos algumas vagas, mas estão acontecendo poucas contratações. O comércio, por exemplo, está retrocedendo com lojas fechadas ou com pouco movimento; e muitas empresas estão demitindo e não contratando novos funcionários. O que é comum para esse momento de pandemia. A questão econômica é real, as pessoas não estão consumindo por medo porque não sabem como a situação vai ficar. Quem está vendendo são os mercados e as farmácias. Todo mundo está economizando, mas isso também paralisa a economia, o que acaba sendo preocupante. No nosso canal de apoio emocional fizemos mais de 18,3 mil atendimentos em 58 dias. Muitas das pessoas não têm exatamente problemas psicológicos, mas estão com essa tensão e ansiedade geradas por medo de tudo que está acontecendo, incluindo preocupação com o cenário econômico, risco de perderem seus empregos, o futuro... o consumismo está esquecido nesse momento, e se continuar assim vai quebrar a economia, porque se os empresários quebram, os empregos também ficam restringidos. Balneário Camboriú teve uma decisão muito acertada desde o início da pandemia. O prefeito Fabrício agiu de imediato. Temos muitas características para ter ainda mais casos, já que temos muita gente de fora circulando por aqui. Não tivemos tempo para pensar, executamos no início as barreiras, e deram certo. Hoje temos leitos de UTI, a Inclusão Social segue atuando com os trabalhos na Central de Doações e Arrecadação de Alimentos – já fizemos mais de 23 mil atendimentos. Temos as tendas para avaliação e aferição de sinais vitais nos pontais Norte e Sul, Praça Tamandaré e Praça do Pescador; montamos tendas na Caixa Econômica Federal para apoiar a comunidade que estava procurando pelo auxílio do Governo Federal, distribuímos mil cartões sociais para famílias vulneráveis de BC, além de 62 mil máscaras (a produção segue). Os nossos projetos Abraço à Vida e à Mulher registraram ainda mais procura, o primeiro com 1.596 atendimentos e o segundo com mais de 500. Tivemos quatro abrigos ativos (agora seguem três: o Conexão, o Nações e a Casa de Passagem – com 98 pessoas sendo atendidas – número de quarta-feira (20)), realizamos mais de 4,9 mil atendimentos, servimos mais de 60 mil refeições, e cadastramos 160 moradores de rua para obterem benefícios. 60 andarilhos foram encaminhados para comunidades terapêuticas também, além de alguns que foram encaminhados para suas famílias e cidades de origem. E não foi apenas a comunidade que foi abalada por toda essa situação, nossos funcionários também estão vulneráveis. O positivo disso tudo foi ver o quanto a comunidade de Balneário Camboriú é solidária. Tivemos apoio de muita gente, que se dispôs a fazer comida, empresas doando cestas básicas e materiais de higiene. 65 voluntários seguem atuando conosco, produzindo máscaras, cozinhando. Agradecemos todo esse apoio”.


COMÉRCIO

Retomada atenuou a crise e há expectativas de melhora

Os comércios e restaurantes de Balneário Camboriú foram os primeiros a fechar quando o isolamento social foi anunciado através dos decretos municipal e estadual; permanecendo abertos somente serviços essenciais, como mercados e farmácias. Porém, houve a retomada gradual de alguns serviços, como lojas, bares e restaurantes – com ordem de distanciamento social, uso de máscaras, etc. Apesar do pouco movimento, os empresários analisam que a retomada atenuou a crise e esperam que o segundo semestre traga oportunidades melhores.

“Com certeza não será um ano fácil para as empresas”

Vilton João dos Santos, proprietário da Purificadores Europa e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário Camboriú

“ A primeira edição do Termômetro do Comércio de Balneário Camboriú, levantamento realizado pela CDL entre o final de abril e início de maio, mostra que o primeiro mês de pandemia foi bastante difícil para o setor: houve redução de faturamento para 90,9% dos entrevistados. Mesmo assim, quase metade deles (48,5%) não fez demissões e 63,6% não pretende demitir em maio.

Com certeza não será um ano fácil para as empresas, mas o comércio local tem mostrado que, com criatividade e gestão profissional, é possível criar novas formas de se relacionar com o cliente e se adaptar a este “novo mundo”. Dentro da própria CDL, temos exemplos positivos de associados que estão gerando novas conexões com o mercado. O associativismo, por sinal, tem este poder: conectar empresas e negócios, gerando novas possibilidades para todos. Estar associado a uma entidade como a CDL, neste momento, é um enorme diferencial competitivo.

Aqui nos Purificadores Europa estamos entrando de vez no mercado digital. Estamos implantando o inbound marketing, uma ferramenta poderosa que vai alavancar nossa entrada no cenário digital. Também estamos entrando em 2 plataformas de vendas digitais - Mercado Livre e Olist. Além disso lançamos uma campanha de vendas que foca os 4 principais pilares oferecidos por um purificador Europa: garantia, segurança, praticidade e economia”.


“A quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho”

Rafael Felipe de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (SECBC)

“Ficamos 21 dias parados, de 17 de março até meados de abril. Nesse período somente os mercados e farmácias atenderam ao público de forma presencial. Inicialmente, nossa maior preocupação era com a saúde dos trabalhadores, incentivando o uso de máscara e álcool gel; também passamos a nos preocupar de forma mais intensa com a economia local, que já estava fragilizada. Lutamos pela retomada, porque todos estavam com contas para pagar, precisávamos voltar a trabalhar. Porém, quando reabrimos não teve o retorno esperado. O governo veio com a iniciativa da suspensão dos contratos por 60 dias – a grande maioria fez isso, além da redução da jornada de trabalho. Estamos nos preocupando porque muitos trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos até agora não receberam nada, e ainda não sabemos como o governo vai proceder. O auxílio emergencial também se tornou um problema. O sindicato não tem poder de fiscalizar, e nem temos um posto do Ministério do Trabalho em Balneário Camboriú para atuar dessa forma. Realmente estamos muito preocupados com a economia local, se não ejetarem dinheiro no trabalhador não gira a economia, é ele que faz a força, que consome na cidade, ainda mais agora que não há perspectiva de turismo. Lojas estão fechando, está difícil voltar, a quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho. Não sabemos como vai no segundo semestre, mas temos esperança de que a situação melhore. Quando a economia começar a aquecer o turismo também tende a voltar, acredito que de forma mais regional, com visitantes de locais mais próximos. Se a pandemia acabar até o fim de julho vejo que o ‘pontapé’ da economia local poderá ser dado a partir de dezembro”.


“Estamos esperando o Pronampe”

Antônio Demos, presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Balneário Camboriú

“Dividimos a pandemia em dois períodos: os primeiros 30 dias e os últimos 30. No começo, foi um período de pânico que usamos para dimensionar o problema, não sabíamos como tudo iria proceder. E nesse último mês começamos a reagir, tomando atitudes para sobreviver após um mês sem renda, com perda de clientes. 55% das micro e pequenas empresas de Balneário não demitiram, mas 60% delas reduziram a jornada e os salários dos colaboradores, assumindo dessa forma o compromisso de não demiti-los. Buscamos por linhas de crédito, já que 90% das micro e pequenas empresas tiveram redução de faturamento nesses 60 dias, mas já está havendo um retorno positivo, as empresas estão conseguindo se adequar a essa nova realidade, apesar de que há setores que vão demorar para retornar, como os hotéis e pousadas. A nossa perspectiva é que no próximo semestre o mercado siga recessivo, mas a tendência é aumentar o consumo e consequentemente retornando mais atividades, ainda que de forma gradativa. Com certeza já podemos dizer que não teremos os mesmos CNPJs e empregos, haverá novas empresas em função das novas demandas, como as oportunidades que vêm surgindo através do sistema de entregas (delivery); alguém está produzindo muito nesse sentido. Agora estamos esperando o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que está dependendo da medida provisória. Se aprovado, atuará como um fundo garantidor onde o governo vai entrar com 85% e 15% será dos bancos, totalizando R$ 15,9 bilhões. Quando o micro e pequeno empresário for fazer empréstimo, o governo será o avalista dele, com a tendência de reduzir a burocracia. Isso está sendo levado ao Congresso e será um projeto permanente, similar ao Pronafe. O Pronampe terá o juro da taxa Selic + 1,5% ao ano, com pagamento depois de oito meses e podendo parcelar em 36 meses. Os empresários poderão buscar empréstimo até 30% do valor do faturamento do ano anterior. Estamos com boas expectativas e torcendo para que isso seja liberado, porque é o que dará fôlego para as empresas. Estamos apostando muito nesse sentido”.


“A instabilidade é muito grande”

Maria Pissaia, presidente da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc)

“A Acibalc é uma entidade que reúne empresas de todos os portes e segmentos. Por isso, temos acompanhado realidades bastante diversas entre os empresários associados à entidade. Há setores, como o turismo e o comércio, que ainda estão fortemente impactados, ao mesmo tempo em que empresas da área de tecnologia e prestação de serviço conseguiram adaptar sua operação ao home office e estão passando sem grandes problemas por este momento. Temos também exemplos de empresas que viram novas oportunidades de negócio e estão melhores que antes, com mais demandas e clientes. Enfim, vivemos um momento atípico e temos que avaliar frequentemente a evolução das relações comerciais dos nossos associados, até porque a instabilidade é muito grande”.


“Qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%”

Angela (centro) Yang Modeladores

Ângela Freire é proprietária da Yang Modeladores

Não há de se negar que foi uma perplexidade, parecia outro mundo e ainda parece que estamos acordando de um sonho. Estamos realmente vivendo uma nova realidade e ainda tentando entender isso tudo. Sempre falamos na empresa e em nossa família que quem não tem fé não consegue passar por isso. Há esperança que as coisas vão melhorar, mas com certeza não sairemos os mesmos. Essa experiência é inédita e não é só em Balneário Camboriú, é Brasil, o mundo todo. Por isso, estamos buscando alternativas. Somos associados na CDL e eles estão nos apoiando muito. Há muitos grupos dentro da entidade, como a Câmara da Avenida Brasil, a CDL Mulher. Percebemos que estamos vivendo isso em comunidade. Juntos somos mais fortes, sempre deveria ter sido assim, mas hoje tem sido algo ainda mais intenso. Nos abraçamos virtualmente, mentalmente e energicamente. Inicialmente, nossas vendas foram afetadas em 100%, mas fizemos reuniões e começamos a buscar outras alternativas, como as vendas online e delivery. A cliente liga e fala o que precisa, se tem dor nas costas, problema de circulação ou muscular. Temos uma série de produtos terapêuticos, preventivos e estéticos. Mandamos fotos, e fazemos a entrega pessoalmente. Estávamos no zero, então qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%. Vamos fazer um bazar virtual, com descontos especiais, parcelamentos também. Agora estamos com a loja aberta e recebendo ao público presencialmente, mas as vendas foram reduzidas em 40%. O site e o delivery ainda não suprem as vendas presenciais, mas não podemos perder a esperança que dias melhores virão. Não temos concorrentes e sim parceiros, a união é o grande diferencial”.


“Nossas vendas aumentaram bastante”

Janice e o marido Célio comandam a Ceroula

Janice Possamai Fiedler, é proprietária da loja Ceroula

“Desde 2009 temos a loja, abrimos quando ainda morávamos em Curitiba e ela nasceu e está até hoje como um e-commerce. Temos o espaço físico em Balneário há um ano e meio, quando nos mudamos pra cá. Sempre tivemos a proposta de atender um público específico, com roupas para climas extremos. O movimento diminuiu, mas o nosso e-commerce nesse período teve as vendas alavancadas, conseguimos nos manter por isso. O comércio virtual foi ‘lá em cima’, e nesse sentido para nós foi muito positivo. Nossas vendas aumentaram bastante. Trabalhamos com produtos importados e tivemos alguns problemas com fornecedores, como o atraso de mercadorias, mas os clientes entenderam. Acredito que as coisas vão melhorar no segundo semestre, meu marido também é da área comercial e sentimos isso, porém vemos que o consumidor está mudando, dando mais valor para o produto adquirido. Fomos colados ‘de pernas para o ar’ para nos reinventarmos. Não que vá virar um mar de rosas a curto prazo, há muitas lojas fechando, empresários procurando espaços menores, mas o foco é na união e em buscar diferenciais para atrair o público, com atendimento personalizado e nova forma de vender”.


“Delivery: ele representa muito pouco”

Rafael Jasnievicz Scalco é proprietário do Kombina Felice

“A pandemia nos atingiu de forma bem significativa, pois tivemos que fechar os restaurantes de forma inesperada. Até então não trabalhávamos com delivery, durante o fechamento fizemos projeções para analisar a viabilidade e vimos que não seria viável ter funcionários só para atender o delivery, pelo custo da mão de obra exclusiva para o delivery. Além da taxa altíssima do IFood. Quando reabrimos, já iniciamos com o delivery pois daí se torna uma venda agregada. A equipe já está lá para atender os clientes e pode também atender a demanda do delivery. Um ponto importante sobre delivery: ele representa muito pouco, algo em torno de 10 a 15% das vendas. Com a permissão de reabertura percebemos que os clientes voltaram a frequentar, as pessoas estavam com muita vontade de sair para relaxar, descontrair, ter momentos agradáveis. Afinal como costumamos dizer, o cliente não vem a Kombina para matar a fome e sim para um momento de lazer, entretenimento, prazer. Sobre o segundo semestre, não tem muito como fazer um planejamento, definir metas, ter perspectivas. E sim tomar os cuidados e torcer para que todos tenham consciência para que possamos manter os números de casos baixos em nossa região. Como empreendedor, este momento traz uma sensação estranha que é de impotência, pois não depende de nós para as coisas acontecerem. O que é o oposto da forma de agir de um empreendedor”.


“O movimento diminuiu em 60% mais ou menos”

Ronaldo César Amorim, gerente do O Pharol

“Há perspectiva de melhora para o segundo semestre, esperamos ‘engrenar’, aos poucos tudo deve melhorar. Com a reabertura, alguns clientes estão vindo, mas temos muitos clientes idosos, e para eles estamos levando em casa. Seguimos com delivery também, que antes da pandemia não tínhamos, além da retirada no balcão. O movimento diminuiu em 60% mais ou menos. Aos fins de semana há mais clientes, percebemos que o pessoal da região também está vindo. A safra da tainha também atrai, nessa semana vendemos bastante. Esperamos que a partir de agora as coisas melhorem”.


“Vai ser um ano de sobrevivência”

Leandro e a esposa Fernanda.

Leandro Vicenci, proprietário da Vovó Dilecta

“Ficamos 15 dias fechados, só com delivery, e após isso reabrimos também com o take-away (retirada no balcão), e aí depois desse primeiro mês permitimos que as pessoas pudessem vir até nós presencialmente. Temos mesas, mas do lado de fora, porque nosso comércio é pequeno. Foi um processo bem difícil, ninguém tinha preparação para isso. Tentamos dar férias alternadas para a nossa equipe, e conseguimos não demitir ninguém. Não sentimos tanto o impacto da crise, por exemplo, meu sogro tem restaurante em Lages há 30 anos e fechou por conta da pandemia, e não vai mais reabrir. Tenho amigos donos de restaurantes, para quem também fornecemos produtos, e sei dos custos altos deles, fora que a receita diminuiu muito. Deveria haver uma determinação no sentido de negociar aluguéis, ajudaria muito. A falta de dinheiro para o fluxo de caixa também é um problema, porque não é só sobre pagar os salários dos colaboradores, também temos outras contas. Uma falta de regras claras para pequenas empresas está dificultando muito, ainda mais que todos os dias os decretos mudam. Todo mundo fala que logo vai passar, mas na verdade estamos na curva contrária, acredito que o segundo semestre vai ser um período crítico no sul; a preparação desse ano é trabalhar na perspectiva de criar novos canais de venda, por aplicativos, gerar outras formas. Qualquer possibilidade de entrada está sendo válida. Vai ser um ano de sobrevivência”


Turismo

O setor mais afetado depende do público

Em Balneário Camboriú há alguns hotéis que optaram por reabrir, mas o público não está vindo principalmente pelo medo do Coronavírus, tempo de isolamento social e também pelos poucos voos e proibição do transporte rodoviário. O Centro de Eventos de Balneário retomou as suas obras, mas os dois eventos previstos para acontecer no local, em agosto e novembro, foram cancelados. O Página 3 conversou com o trade turístico que avalia os 60 dias de pandemia e falam sobre perspectivas de melhora para os próximos meses.

“Queremos acreditar que vai melhorar, mas não dá para saber”

Valdir Walendowsky, secretário de Turismo de Balneário Camboriú

“Para o turismo está muito ruim, até agora nada retornou de forma que pudesse haver alguma melhora na economia da cidade em função desse setor. E agora outros empresários estão vendo como o turismo é importante para Balneário Camboriú, região e Santa Catarina. Ao redor do turismo quantos segmentos industriais e comerciais navegam, com a crise todos estão sentindo a importância. A saúde está em primeiro lugar, mas a economia também é essencial e está fazendo as pessoas se desesperar. Não ter recurso, não poder pagar as contas, envolvendo muitas cadeias. Os comércios e restaurantes reabriram, mas não têm movimento. Os equipamentos turísticos estão parados, como Aquário, Cristo Luz, Unipraias, além das empresas de turismo receptivo, guias de turismo. É um setor muito abrangente que envolve muitas pessoas e das mais diversas classes. É uma decisão que não depende de Balneário Camboriú. O prefeito está focando muito na saúde, e será um dos pontos mais importantes para as pessoas retornarem a nos visitar. Antes uma prioridade era a segurança pessoal, e agora é a segurança da saúde. Nossa cidade é uma das mais bonitas do Brasil, sempre foi, e agora teremos que priorizar a segurança da saúde, uma das precauções foi o cruzeiro que foi impedido de fundear e desembarcar os passageiros. Seguimos trabalhando, me reúno com o trade diariamente, para que quando pudermos voltar a trabalhar já estejamos com um plano traçado. É interesse de todos que a cidade volte ao normal. Não paramos nenhum dia, no começo havia muitos estrangeiros na cidade e os auxiliamos a voltar para suas cidades. Buscamos informações com outras cidades turísticas brasileiras para saber como atuar, está sendo um trabalho em conjunto de todos. Sobre o Centro de Eventos, é triste que os eventos foram cancelados, mas infelizmente a situação não permite. Não há previsão pra isso acabar. Seguimos conversando com os organizadores sobre a possibilidade de fazermos ano que vem. Queremos acreditar que vai melhorar, mas não dá para saber. Depende das pessoas voltarem a viajar, não depende só de nós e sim da conjuntura sanitária e da segurança. Acredito que quando o turismo retornar será focado no regional, com pessoas vindo em seus carros, já que há poucos aviões e ainda não retornaram os ônibus. Está tudo muito vulnerável ainda, torcemos pela retomada, mas depende muito além de Balneário”.


“É o momento mais difícil da vida profissional de todos”

Margot Rosenbrock Libório é proprietária dos hotéis Bella Camboriú e Rosenbrock e presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau

“Como hoteleira posso dizer que estamos conscientes de que o fluxo turístico que tínhamos pode demorar até dois anos para retornar. Não haverá segurança para viagens enquanto não houver uma vacina ou um medicamento muito eficiente. Para nós os primeiros dias foram muito angustiantes, muitas decisões para tomar em um cenário totalmente incerto. Agora, completando 60 dias da situação e com a ciência dando sinais na evolução do desenvolvimento da vacina, vamos ficando mais confiantes, apesar do “caixa” estar arrasado. Sabemos que teremos custos mais altos com a desinfecção e também com o novo modelo de refeições, mas podendo trabalhar com segurança tudo já fica melhor. A retomada do turismo será primeiramente regional, então para nós é importante que todas as regiões do estado controlem a doença. Na verdade o controle da doença é o que vai possibilitar a retomada, por isso a responsabilidade de cada um de nós nos cuidados é essencial. Eu me cuido para poder trabalhar o mais breve possível. Já como presidente do BC Convention a necessidade de reinventar as atividades da entidade foi instantânea. Assumimos demandas para auxiliar os associados em várias frentes. Com certeza é o momento mais difícil da vida profissional de todos que são do setor de turismo e eventos. A equipe do BC Convention está trabalhando muito. Haverá um cenário de muitas oportunidades no pós-COVID, porém a falta de uma data segura para retomada da promoção do destino e captação de eventos dificulta o planejamento. Acredito que os destinos turísticos que conseguirem se manter unidos e ampliarem a reflexão coletiva, terão importantes vantagens estratégicas no futuro. Estamos totalmente cientes, como Convention, dos desafios que virão, mas como o BC Convention é uma entidade que foi construída na base da ética e do trabalho associativo, temos certeza que poderemos estar ainda mais atuantes em um futuro muito próximo. Queremos e podemos ser um apoio para a retomada. Ontem se dizia que estávamos prontos para “pensar fora da caixa”. Hoje, a “caixa” não existe mais. E neste mundo sem paradigmas o BC Convention e nossa vontade de fazer mais e melhor, ainda existem, e é nesse sentido que estaremos disponíveis para reinventar o amanhã. O amanhã virá. Estamos aqui”.


“Temos certeza que sairemos dessa mais fortalecidos”

Credito - Divulgação

Isaac Pires, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sindisol)

"É uma crise mundial sem precedentes, que afeta todo o trade turístico, pois recebemos público de todos os destinos, nacionais e internacionais. Não têm sido dias fáceis. Temos trabalhado muito neste período para atender nossa classe, que é uma das mais afetadas, principalmente a rede hoteleira. Temos investido todos os nossos esforços na implantação de programas e métodos que assegurem a vida e a saúde não somente de nossos clientes e hóspedes, mas também de nossas equipes de colaboradores. Uma conquista do Sindisol nessa pandemia foi um acordo histórico assinado com o sindicato laboral, o Sechobar, que poupou mais de 1,7 mil empregos na rede gastronômica e hoteleira. Temos promovido inúmeras videoconferências, tanto com outras entidades de classe num movimento de união nunca visto antes em nossa cidade, quanto com a Santur, com a prefeitura, sempre buscando levar a melhor informação ao nosso associado. Temos lutado junto a esferas estaduais e municipais para que os empresários do setor sejam contemplados com flexibilização no recolhimento de taxas e tributos. O turismo de Balneário Camboriú é um setor muito tradicional, feito de empresas muito sólidas, temos certeza que sairemos dessa ainda mais fortalecidos."


“Necessidade evoca potencial”

Credito - Adriano Chagas

Terence Schauffert, proprietário do Felissimo Exclusive Hotel, na Praia dos Amores

“Independente da pandemia, todos sem exceção estão ou devem estar constantemente se reinventando. Nosso setor, o turismo, foi duramente castigado com essa situação! Pessoalmente acredito na força regional para a retomada das atividades gradativamente. Nossa região é rica, temos um mercado muito interessante em um raio de 200km, devemos focar nesse mercado a princípio, Vale do Itajaí, Curitiba, Florianópolis. Na sequência investir nas demais regiões do Brasil, que será tendência com a alta do dólar.

As empresas deverão ter seu foco no “down size”, otimizando seus recursos, trabalhando na especialização do seu nicho.

Não há mais espaço pra “tapa buraco”, profissionais que fazem a diferença serão sempre valorizados, haverá também uma valorização do emprego.

O Felissimo está preparado para navegar nessas águas turbulentas. Fizemos a lição de casa, acreditamos no aumento da procura da hotelaria boutique, com menor circulação de pessoas, sem elevadores e personalizada, como também no aumento das viagens dos brasileiros no país.

Deixo um último recado: “Necessidade evoca potencial” -Força Balneário Camboriú”.


“Pelos números de contágio e óbitos ainda temos muito a penar”

Credito - Divulgação

Olga Ferreira é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar)

“Assim como os demais segmentos, o Turismo foi cruelmente atingido por conta da pandemia instalada no mundo todo. Quando no dia 13 de março um navio de Cruzeiro foi impedido que seus passageiros e tripulação desembarcassem aqui em Balneário Camboriú e na semana seguinte o anúncio que Parque Beto Carrero iria fechar, sentimos duramente o que estaria por vir.

Imediatamente pedimos uma reunião com o Sindicato Patronal e iniciamos incansáveis negociações para "Garantia de Emprego", sentimos que a situação estava sendo controlada, mas nesses 60 dias a contaminação vem se agravando muito rapidamente na maioria das cidades brasileiras que são nossos clientes, mesmo com estabelecimentos abertos respeitando do distanciamento, EPIs e o quadro de empregados reduzidos, não há clientela.

O que vemos agora é o número de demissões aumentando, muitos trabalhadores com suspensão do contrato trabalho (conforme MP 369), com férias sendo tiradas antecipadamente, redução da jornada de trabalho (conseqüentemente redução do salário) e, infelizmente, alguns empresários se aproveitando dessa catástrofe para tirar direitos dos trabalhadores.

Se o decreto de isolamento tivesse continuado rigoroso como foi a partir de 15 de março, essa curva já teria sido achatada aqui no nosso Estado e no País, já estaríamos, aos poucos, retornando a movimentar nossa economia, mas isso não aconteceu e por falta de responsabilidade e negligência dos

nossos governantes. Pelos números de contágio e óbitos divulgados diariamente, ainda temos muito a penar”.


CONSTRUÇÃO CIVIL

Mercado em expansão pós pandemia

Credito - DivulgaçãoPMBC

É cada dia maior a expectativa sobre o pós-pandemia do Covid-19, nem os principais analista da economia mundial, conseguem traçar um caminho sobre o futuro do estrago que o coronavírus continua causando. O mercado segue em altos e baixos. A incerteza política e econômica que o país enfrenta não tem uma luz no fim do túnel.

Em Balneário Camboriú, cidade mais verticalizada do Estado, a construção civil retornou gradativamente depois de uma parada de quase 30 dias, com boas expectativas de mercado para o pós pandemia.

“Construção civil será uma ótima opção de investimento”

Credito - Divulgação/Sinduscon

Nelson Nitz, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon)

“A construção civil teve uma parada de quase um mês e retornou devagar. Há um fato, que é a doença, mas pela experiência de longa data no ramo da construção, sabemos que o nosso trabalhador não pode ficar muito tempo sem produzir. Pedimos a Câmara do Comércio de Santa Catarina (ACIBIG) para intervir junto ao governo do Estado pelo retorno. Os empresários estão tomando todos os cuidados, medindo temperatura, usando álcool em gel, distanciamento entre trabalhadores, todos com máscaras, EPIs, não temos visto contaminações no setor. Os mais idosos estão em casa. Nossos técnicos de segurança estão redobrando o trabalho de fiscalização.

Os nossos negócios são de médio e longo prazo, não podíamos parar por mais tempo. Essa parada seria tenebrosa.

Dois meses muito difíceis. Não estamos 100%, mas estamos trabalhando.

As vendas estão difíceis, mas temos consulta. Acredito que a construção civil será uma boa opção de investimento pós pandemia e acredito que o turismo será um segmento muito valorizado, porque as pessoas não vão viajar para o exterior, então vão investir no turismo interno e nós temos importantes opções de turismo em nossa cidade e região”.


“Este é um momento de agir com cautela e planejamento”

Credito - Samuel Melim

Tatiana Rosa Cequinel, presidente da EMBRAED

“O período em que estamos vivendo é desafiador para todo o mundo. Neste momento, nós da Embraed, atuamos com positivismo para dias melhores para todos e buscamos contribuir, com o que estiver ao nosso alcance, com ações para minimizar os efeitos da Covid-19 nas cidades de Balneário Camboriú e Camboriú.

Exemplos são as atividades realizadas por meio do Instituto Rogério Rosa (@institutorogeriorosa) com o mapeamento de ações sociais, além de doações de cestas básicas e equipamentos hospitalares para instituições, como é o caso do Hospital Ruth Cardoso. Por meio de nossa equipe de especialistas e parceria com entidades, o Instituto Rogério Rosa também iniciou um trabalho que visa orientar e apoiar pequenas e médias empresas na retomada das atividades.

Todos os setores da economia passam hoje por uma situação de incertezas e este é um momento de agir com cautela, através de um bom planejamento. Seguimos normalmente o nosso cronograma de produção nas obras e nos escritórios administrativos e vendas, tomando todos os cuidados no isolamento das pessoas em faixa de risco, usando os EPIs necessários, intensificando a limpeza dos ambientes e fazendo um trabalho de conscientização através do nosso endomarketing. Também adquirimos alguns testes rápidos.

Percebemos que há um perfil de público que está optando por investir mais em imóveis diante deste cenário, pelo alto índice de valorização e por ser uma alternativa de proteção de recursos a longo prazo”


É válido reforçar que este é um novo período, de redescobertas”

Credito - Divulgação

Alcino Pasqualotto Neto, presidente da Pasqualotto&GT.

“Acreditamos que toda mudança pode ser vista de maneira otimista, pois nos ajuda a desenvolver, a criar oportunidades e a crescer ainda mais. Nós adotamos diversas medidas para garantir a segurança e bem-estar de todos, estas que vão além do que preconizam os órgãos de saúde. A nossa avaliação referente a toda esta prevenção nestes mais de 60 dias tem gerado resultados muito interessantes, pois nos mantemos no desenvolvimento de metas, atividades, e como consequência, contribuímos com a nossa parcela para a movimentação do setor e da economia. É válido reforçar que este é um novo período, de redescoberta, de novas estratégias para todos os setores em nível mundial, mas acima de tudo, de empatia. Vemos que estamos cada vez mais conectados com o próximo – ainda que em distanciamento necessário.

Na Pasqualotto&GT nós também ampliamos as iniciativas em prol do próximo, com ações sociais, de acolhimento, arrecadação, doações, série gratuita on-line com foco nas dicas de bem-estar com participação de especialistas, entre tantas outras iniciativas. No que depender de nós, este período de distanciamento social acabará trazendo ainda mais motivação. Queremos que todos se sintam bem e seguros, fazendo o melhor pelo país, pelo município, pelo próximo e pelos seus”.


MERCADO IMOBILIÁRIO

Atrasos nos aluguéis e negociações

O setor imobiliário também foi diretamente afetado pela pandemia do Covid-19, muitas pessoas perderam seus empregos ou tiveram dedução nos salários e por isso não conseguiram pagar as contas, como os aluguéis. Há ainda os casos de comerciantes que precisaram fechar as suas portas. Mesmo assim, há pessoas que por influência da quarentena perceberam que gostariam de morar em outro local e estão apostando na compra de outro imóvel.

“Houve 30% de desocupação em Balneário Camboriú”

Sérgio Luiz dos Santos é presidente do Sindicato da Habitação (Secovi/SC)

“O ramo imobiliário de forma geral sofreu uma estagnação, tanto a comercialização como oferta. Houve 30% de desocupação em Balneário Camboriú, principalmente nos imóveis de pequeno porte, onde residia a classe trabalhadora. 12% dos locatários também não estão conseguindo pagar, mas estão acontecendo negociações, parcelamentos. Muitos inquilinos estão alinhando diretamente com o proprietário do imóvel, que proporcionam flexibilização, mas isentar do pagamento em hipótese alguma. Porém, há aproveitadores que querem ter algum benefício. Se a pessoa não consegue provar a perda da receita não estamos aceitando negociar. Vários pontos comerciais também fecharam. Há 4,5 mil pequenos comércios em Balneário e deve diminuir em 50%. Em alguns casos houve perdão de um mês de aluguel, descontos também. Passaram-se 60 dias e não há prognóstico de normalidade ainda, há uma barreira muito grande. A pandemia traz um outro conceito de sociabilidade, as pessoas não podem se aproximar, precisam comprar por dedução já que não podem provar um sapato, uma roupa, e comprar por hipótese nesse cenário econômico acaba não sendo uma boa opção para a maioria, que prefere não adquirir. O complicado é que a pandemia não tem fim, ainda não vemos uma luz no fim do túnel, por isso está difícil de trabalhar. O mundo econômico está sendo prejudicado de forma generalizada. Já sobre os condomínios, 40% de nossa população é idosa e percebemos que há certo estresse, além de brigas familiares, exaltação de alguns moradores que estão incomodados por estarem em casa o tempo todo, tudo isso gera transtorno psicológico, mas no geral percebemos um comportamento bastante educativo por parte da comunidade. Os funcionários também seguem trabalhando, conseguimos atravessar de forma condizente, porém temos que sair dessa situação o mais breve possível”.


“Me preocupo muito com o que virá pelo futuro”

Fabiane Schlindwein é corretora e presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Balneário Camboriú (ACIBC)

“O Brasil vinha dando sinais de recuperação econômica após quatro anos de dura recessão quando foi abalado por esta pandemia que afetou e está afetando duramente o mundo inteiro. Balneário Camboriú é uma cidade à parte do Brasil. Aqui a economia é forte e os problemas sociais são menores, mas todos estão tendo que se reorganizar com novos hábitos, cuidados com a saúde e reorganização financeira. Muitos comércios estão fechando, pessoas perdendo seus postos de trabalhos e a atividade econômica em retração. Como corretora de imóveis e presidente da ACIBC, me preocupo muito com o que virá pelo futuro. O turismo foi fortemente afetado, os investimentos irão diminuir e as demandas sociais irão aumentar. As pessoas terão que criar novas formas de se relacionarem nos negócios e as mídias sociais poderão ajudar muito. O que devemos fazer é tomar os cuidados necessários, levantar a nossa autoestima e ir à luta como bons brasileiros para recuperarmos a nossa economia e a saúde de todos”.


“Há muitas negociações acontecendo”

Flávio Júnior Pavan é corretor de imóveis e proprietário da 100% Imóveis

“Nosso foco é mais em vendas, não trabalhamos tão forte com as locações, mas houve casos de clientes que atrasaram alguns dias, que a renovação do contrato do aluguel teria aumento, e conseguimos negociar tudo isso. Há muitas negociações acontecendo, as partes estão conseguindo acertar descontos, por exemplo. Os proprietários normalmente preferem esperar a situação se normalizar e todos estão entendendo o cenário que estamos vivendo, é um problema mundial. Estou trabalhando 60 dias em casa e está sendo tranquilo atender os clientes. Mesmo com a pandemia, está havendo uma procura grande de imóveis. O juro baixou, as pessoas estão muito em casa e sentiram que querem se mudar. Fizemos vendas, em imóveis de menor valor (até R$ 500 mil), mas conseguimos vender. Os anúncios que estamos fazendo dobraram a procura. Não conseguimos levar clientes em locais onde há pessoas morando, nem peço por respeito, mas nos imóveis desocupados estamos conseguindo ir. Claro, com máscara, álcool gel, distanciamento. Há uma incerteza do que vai acontecer, muita incógnita sobre o segundo semestre. Normalmente é muito forte por conta da temporada, mas ainda não dá para saber como será o mercado. Estava havendo um crescimento em relação a 2019, mas a pandemia modificou tudo”.


CULTURA

Artistas opinam sobre o cenário e analisam futuro

Os artistas vêm sendo essenciais nesse período de isolamento social, com suas lives e interações virtuais com o público. Porém, a situação econômica de muitos deles não é positiva, já que a maioria depende do contato com o público, como atores, bailarinos, músicos. A Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC), junto do Conselho Municipal de Política Cultural, vem desenvolvendo ações para apoiar a classe, como a arrecadação e doação de alimentos e a assinatura dos contratos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) – que deve acontecer até julho, além da disponibilização de espaço para gravação de vídeos no Teatro Municipal Bruno Nitz e uma ‘feira online’ através do site da FCBC.

“A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”

Denize Leite é presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú

“A cultura foi um dos setores mais afetados pela pandemia, e também provavelmente será o que mais vai demorar para retornar. Realizamos com o Conselho da Cultura um diagnóstico junto aos artistas e tivemos 210 respostas, que apontam quais foram as áreas mais afetadas. Nos preocupamos com os artistas da cidade e discutimos de que forma poderíamos aumentar e continuar a movimentar a economia, mesmo com a pandemia. Conseguimos dar continuidade à LIC (Lei de Incentivo à Cultura). O processo está com o Comitê Gestor e assim que for liberado vamos assinar os contratos com os artistas contemplados. Eles têm a garantia que vão receber seus recursos e em cima disso vão movimentar a cadeia produtiva de uma forma bem significativa. Porém, a FCBC não vive só da LIC; outras ações aconteceram paralelamente. Estamos apoiando os pescadores, que estão trabalhando na safra da tainha, conseguimos tendas para eles e apoio logístico, divulgamos e destacamos a importância da valorização da pesca artesanal, que é um patrimônio cultural de Balneário. As feiras (das praças da Cultura e do Pescador e também da Rua 200) foram bastante afetadas e considerando isso criamos a Feira Online, em um hotsite através de nosso site (www.culturabc.com.br). Já estamos com 21 artistas inscritos, que estão em contato com potenciais clientes, mostrando seus produtos, entregando via delivery. O bacana é que a Feira Online funciona 24h e não somente nos dias de feira. Para participar, o artista deve mandar fotos e descrições de seus produtos. Outra ação foi a utilização do Teatro Bruno Nitz, que conta com infraestrutura de câmeras, som, computadores e apoio técnico para auxiliar artistas a gravarem seus vídeos, lives, videoaulas, etc. Como os eventos presenciais foram cancelados e possuíamos o edital de credenciamento, chamamos os artistas credenciados para fazer lives remuneradas, que acontecem todas as quartas às 20h, pelo Facebook da prefeitura. O credenciamento tem vigência até julho e já estamos trabalhando em um novo. A parte social também foi priorizada, com apoio aos artistas que precisam. Conseguimos doação de proteínas e cestas básicas e 49 famílias já foram contempladas. Vamos seguir entregando enquanto tivermos estoque. Seguimos desenvolvendo novos projetos, estamos muito empenhados nisso. Vejo que Balneário Camboriú está de parabéns porque não mediu esforços em lançar e inovar dentro de um momento tão difícil como é a pandemia. Muitos dos funcionários da FCBC poderiam estar em home-office, mas estão trabalhando presencialmente em dois turnos porque queremos estar disponíveis para apoiar os artistas. Agradeço a eles porque estão se desdobrando e motivados em apoiar a classe. A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”.

“Estamos à deriva”

Dagma Castro é presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Balneário Camboriú

“Cada dia mais incertezas do futuro nos cercam. Os números do país são assustadores e também ao nosso entorno. A cadeia produtiva da cultura está estancada e os trabalhadores sem políticas de governos, em todas as esferas. Apenas esperanças em PLs dos legislativos (federal e de SC) que poderão dar um fôlego aos trabalhadores da cultura, e que poderão ser vetados por um governo que persegue a cultura. No que se refere a nossa cidade, algumas ações acontecem, mas somente de editais já fechados antes da pandemia; também de coletivos que se movimentam construindo alternativas. A Fundação, sentimos, tem buscado, dentro do possível, fortalecer a cultura local com as lives e auxiliar com alimentos, aos que vieram com este pedido no formulário; que inclusive está sendo trabalhado no diagnóstico colhido dele. Mas já sabemos que áreas mais impactadas são a música, o teatro, o artesanato e a produção cultural, proporcionalmente as demais áreas, toda a cadeia está atingida, fato. Do Conselho e artistas estamos com a força tarefa no Mercadinho, nas doações que recebemos e distribuímos. Mas no quadro geral está muito difícil, somos muitos e diversos nas áreas artísticas; algumas com perspectivas de retorno só em 2021- shows e peças de teatro, estas áreas lidam diretamente com o número de público, estarão impedidas (necessariamente) por muito tempo, como vão sobreviver? Tudo está interligado, se não temos políticas de contenção da pandemia o efeito é em cadeia também na cultura. Estamos à deriva e buscando construir botes salva-vidas para todos. Logo o grupo do SOS Artistas terá outra ação muito legal para a cidade e para contribuir financeiramente com os artistas. Contamos mesmo com nossa criatividade e a empatia do povo que está percebendo o valor da cultura, é nós por nós”.


“Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare”


Monique Neves, produtora e atriz da Primo Atto Escola de Teatro

“No cenário teatral, assim como em outras áreas da Cultura, a paralisação das atividades presenciais atingiu e muito o nosso rendimento econômico. Tanto no que se diz respeito as apresentações artísticas de espetáculos nos palcos, teatros, praças e escolas, quanto também as nossas atividades educacionais de formação com aulas de teatro. Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare, como lives, aulas online e chapéu virtual para as apresentações a distância. Porém não surtem o mesmo efeito, diminuindo e muito o retorno financeiro dos artistas e profissionais da área para seu sustento. Se tratando de Teatro, esta arte é conhecida como a “arte do encontro”, e esses encontros estão impedidos de serem realizados, pelo menos pessoalmente, por enquanto. Além dos fatores humanos que a arte foi impedida de atuar presencialmente, também existem os aspectos financeiro de se manter os espaços culturais. Para que a arte seja produzida, para que os artistas ensaiem seus espetáculos, para que as aulas possam ser ministradas, é necessária toda uma estrutura. Tudo isto tem custos como qualquer outra empresa: aluguel, água, luz, manutenção, funcionários, etc. Com nossas atividades paralisadas, não temos de onde tirar os recursos necessários para que os espaços e escolas de artes se mantenham. Uma das alternativas que buscamos para sustentar nossa Escola foi a negociação com os pais de nossos alunos, para que continuem pagando as mensalidades, mesmo não podendo ter aula presencial, mas que serão repostas mais a frente, e também a oferta de aulas online. Porém, nem todos podem aderir ao novo formato e acabam optando pela desistência. Perdemos um grande número de alunos, consequentemente nossa renda para nos mantermos. Criamos também um novo curso de teatro 100% online especialmente voltado para professores que estão com dificuldades em gravar suas aulas online. E assim seguimos, mesmo com a paralisação de nossas atividades presenciais, tentando sustentar tanto nossas despesas e necessidades pessoais como cidadãos que somos, quanto manter nossas estruturas profissionais que também necessita de grande demanda econômica para manter-se viva”.


“A situação não é fácil”

Rafaela Backer é musicista e presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário Camboriú

“Falo em nome de vários dos meus colegas, como presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário. Sem dúvida a área da música foi uma das grandes afetadas nessa pandemia. Fomos uns dos primeiros profissionais a pararem e sem dúvida seremos os últimos a retornarmos. Balneário Camboriú tem inúmeros músicos que atuam diariamente fazendo shows, lecionando, temos muitas casas, bares, restaurantes, eventos municipais, espaços culturais, hotéis, que permite os músicos terem na profissão o seu principal sustento. Sendo assim, fomos diretamente afetados. Os músicos que são professores conseguiram contornar um pouco a situação, através das aulas-online, que conseguiram inclusive aumentar o número de alunos. Não resolve o problema completamente porque as escolas de música, músicos que davam aulas particulares, perderam significativamente seu número de alunos. As lives também foram positivas, já que foi possível continuar produzindo através delas e até mesmo ganhar com isso. Porém, dificilmente o público tem condição de apoiar financeiramente todos os artistas, pois são muitas lives sendo oferecidas, além daqueles que têm atuação nacional, internacional, com mais visibilidade. A maioria das lives são gratuitas, então acaba sendo difícil concorrer. Estabelecimentos como bares e restaurantes voltaram, mas os músicos não, seja por conta de corte de gastos como também o preconceito do público, que está discriminando as apresentações. Temos casos bem absurdos que aconteceram na região. Há ações muito positivas acontecendo, a exemplo do Conselho da Cultura, que criou o Mercadinho da Cultura, apoiando artistas que precisam, além das lives remuneradas que estão acontecendo através da prefeitura. Há pessoas e estabelecimentos que também estão nos apoiando. A situação não é fácil, apesar de serem várias frentes de atuação que o músico tem a principal delas é a apresentação presencial. Os músicos em Balneário têm uma presença muito importante, há muitos artistas da área, e realmente vemos como a situação está triste. Agora nesse momento de isolamento, quando temos essa certa de solidão, a gente recorre à arte, lemos livros, assistimos filmes ou lives, ouvimos músicas; e percebemos o valor que tem a arte para ajudar no psicológico, em nosso equilíbrio, na nossa alma. Seguimos transmitindo a nossa expressão, o que podemos, para trazer um alívio e conforto para a sociedade, enquanto aguardamos por uma cura e solução”.


“Tudo provavelmente irá atrasar”

Fernando Dalla Nora é bailarino, professor de dança contemporânea no Studio de Dança Adriana Alcântara e membro do Núcleo Corpóreo

“No começo da quarentena foi complicado, apesar de que ainda está sendo. No studio conseguimos dar aulas online, mas diminuiu em 50% a nossa demanda. Seguimos com aulas online e também presencial, mas com no máximo cinco por turma, antes as turmas eram de no mínimo 10 alunos. É difícil, porque o contato com os alunos muda bastante, há uma incerteza no ar. No Núcleo a nossa realidade é ainda mais diferente, já que trabalhamos com projetos culturais. Fomos aprovados na LIC deste ano, mas ainda não assinamos o contrato, estamos aguardando a Fundação Cultural. Porém, quando a LIC iniciar já estamos pensando em modificar algumas coisas, adaptar para virtual. Trabalhamos com um público menor, mas as pessoas ainda estão apreensivas de sair, de ir ao teatro, acredito que os projetos devem ficar para o ano que vem. Tudo provavelmente irá atrasar. Não só a dança, mas outras atividades físicas foram deixadas em segundo plano, e não deveria ser assim. Devemos seguir cuidado da nossa saúde corporal, que influencia também na mental. A dança ajuda nesses dois aspectos. A prática esportiva é essencial, também combate o ócio que o isolamento social causa”.


“Dois projetos novos: plataforma de streaming e drive-in”

André Gevaerd é cineasta e proprietário da Cineramabc Arthouse

“A Arthouse fechou até antes da quarentena ser imposta porque entendemos a gravidade do que estava acontecendo, que até então ainda era desconhecido. No passar desses dois meses surgiram dois projetos novos. Estamos entrando no cinema virtual, com a criação de uma plataforma de streaming que está na fase final e logo deve começar a operar e estamos planejando um drive-in com sessões de cinema comerciais. O drive-in está nos estudos finais para execução. Queremos instalar algo com qualidade suficiente para se tornar uma experiência agradável ao público, e isso tem custo alto. Acredito que mesmo se acontecer a reabertura de casas de shows, cinemas, a operação será reduzida, com risco de retrocesso frente a alta na pandemia, e por isso temos essa segurança quanto ao drive-in. Porém, precisamos de um decreto por parte da prefeitura, ainda não há nada nesse sentido em Balneário Camboriú ou em Santa Catarina. Estamos aguardando uma clareza nesse aspecto. Não podemos simplesmente abrir. Já há municípios fazendo decretos e regulamentos nesse sentido priorizando a segurança. Brasília já fez decreto e conta com um drive-in em funcionamento; Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro também contam com projetos nesse sentido. Estou recebendo ligações diárias, estou em contato com fornecedores e parceiros para que tudo aconteça da forma certa e que não vejam que em Balneário Camboriú fomos ‘aventureiros’”.


IGREJAS

Coronavírus também mudou a rotina

As igrejas também precisaram se adequar nesse período de isolamento social em prevenção ao Coronavírus. Inicialmente, os templos estavam proibidos de atender ao público, inclusive passando por uma Semana Santa e Páscoa de forma virtual, mas recentemente o retorno dos cultos e missas foi permitido – com limite de público, distanciamento social, uso de máscaras e álcool gel. Porém, muitas das igrejas optaram por seguir transmitindo suas celebrações de forma online, como a igreja luterana Martin Luther, de Balneário Camboriú, que seguiu as orientações da direção nacional da IECLB (sediada em Porto Alegre) e suspendeu todas as atividades presenciais, desde o início da pandemia, fortalecendo a importância do distanciamento social. Os cultos tornaram-se virtuais e demais ações seguiram através de contatos por internet ou telefone.

“Continuidade à evangelização por novos meios”

Frei Daniel Dellandrea é o pároco da Igreja Matriz Santa Inês

“A pandemia da Covid-19 trouxe à sociedade uma grave crise humanitária. Assim como todas as instituições, a Igreja Santa Inês, desde o dia 18 de março, teve que suspender todas as celebrações das missas e ações pastorais presenciais. Diante da nova realidade foi preciso dar continuidade à evangelização por novos meios para que a palavra de Deus possa chegar aos paroquianos levando conforto espiritual e esperança. Juntamente com a Pastoral da Comunicação (Pascom) foram delineadas algumas estratégias para cada tempo litúrgico que celebramos: missas transmitidas pelo Facebook da paróquia e aos domingos em parceria com a TV Litoral Panorama, oração do Angelus ao meio dia até a Páscoa, envio por meio do WhatsApp da reflexão diária da Palavra de Deus, encontros da catequese online e incentivo ao acompanhamento semanal dos pais. Na ação social estão sendo realizadas doações de cestas básicas e de produtos de higiene a diversas famílias. Agora, com a possibilidade de missas novamente com o povo, seguimos todas as recomendações de prevenção: limitando o número de participantes (por isso necessário agendamento prévio na secretaria), adaptação nos horários de missas para permitir a higienização entre uma missa e outra, e intensificação das transmissões, agora praticamente diárias”.


“Temos que apoiar as decisões tomadas e não procurar culpados”

Michael Aboud é pastor da Embaixada do Reino de Deus

“Esses 60 dias tiveram várias fases, e realmente fases necessárias. Primeiro foi o fechamento, faltavam testes e conhecimentos, falavam de cloroquina, não tinha nada certo, como ainda não tem. Foi uma forma de prevenção, zelo e cuidado. A reabertura gradativa se deu porque é necessário voltar; temos que proteger a população para não ficarmos doentes, mas há também a questão de precisar evitar a quebra financeira. Vejo que a abertura deveria ser bem rigorosa com grupo de riscos, aqueles de idade avançada e que possuem diabete e hipertensão, evitando também as aglomerações. Se fosse dessa forma rigorosa mesmo talvez a reabertura pudesse ter acontecido até um pouco antes. Observo que políticos, a mídia, líderes de todos os setores, procuram culpados e não há. Fechar ou abrir tudo está errado, tomar medicamento por conta também. Quem toma decisão pode errar e quem não toma já errou. Temos que apoiar as decisões tomadas e não procurar culpados. Se tivéssemos consciência desde o início os prejuízos estariam mais atenuados. Nosso templo é muito grande, com capacidade para três mil pessoas, e o governo permitiu a capacidade de 30%, que seriam quase 900 lugares. Pensamos que poderia causar problema no fluxo de chegada e saída, por isso optamos por 22% de ocupação, com ar-condicionado com filtros, portas abertas para fluxo de ar constante, disponibilizamos álcool gel, máscaras e luvas. Uma poltrona é utilizada e duas são fechadas. Uma fila é ocupada e a de trás não pode ser utilizada. Nossos cultos passaram a ter duração de 40 minutos ao invés de 1h20min, para que as pessoas permaneçam por menor tempo. Só má notícia adoece as pessoas psicologicamente emocionalmente. A igreja é um lugar de refúgio muito importante, é essencial recorrer a fé e oração. Os grupos de risco não estão indo, e continuamos a transmitir todos os nossos cultos online, para que o público possa seguir acompanhando”.


NOVOS HÁBITOS

Coronavírus potencializou o home-office e mudou hábitos

Apesar de já difundido mundialmente, o home-office é uma nova realidade para muitos trabalhadores, que viram no trabalho remoto a chance de continuarem a produzir. Porém, o isolamento social e a continuidade da rotina pode gerar ansiedade, estresse e até mesmo medo, considerando que ainda não há uma previsão do fim da quarentena.

“Foi um misto de novidade com pânico”

Caroline Mezadri Cardon Dell’Aira é publicitária e está trabalhando pela primeira vez de forma home-office

“Foi dia 17 de março que fomos trabalhar na agência física e a minha chefe nos comunicou que irÍamos passar a trabalhar home-office devido a pandemia que estava se instaurando. Foi um misto de novidade com pânico e em pensar em várias estratégias para se manter em casa. Na época, meu marido e eu morávamos com meus pais. Então a ergonomia prejudicou um pouco o trabalho na questão de concentração, pois estava complicado adequar o notebook, a mesa e a cadeira. Muitas vezes passei o dia sentada na cama para trabalhar. Foi também um momento em que todos estavam se adequando, clientes, agência, processos, a própria casa, pois tínhamos que nos planejar para as idas ao mercado, convencer os pais de ficar em casa. No início, foi uma situação delicada até para criar conteúdos para as redes sociais, pois a mudança na situação era constante, então, o planejamento que a gente fazia para uma semana, de repente mudava e tínhamos que criar de novo. Apesar de tudo, foi uma adequação rápida, pois fomos movidos pela vontade de fazer dar certo. Aos poucos fomos nos acostumando com o novo normal. No meio disso tudo, eu fiz mudança. Tive que me adequar duas vezes. Consegui arrumar um mini escritório. Hoje está muito mais confortável. Não perdemos o contato, estamos trabalhando com videochamadas, WhatsApp e também com o Trello para nos organizarmos. Pelo lado positivo, estamos menos expostos a riscos, eu moro em Itajaí e ia todos os dias até Balneário de moto. Podemos fazer a comida na hora do almoço, evitamos a correria e ainda é possível ter uma cobertinha pra espantar o frio durante o trabalho (risos). São coisas que influenciam na nossa qualidade de vida. Por outro lado, o dia a dia da agência era muito bom, tínhamos momentos de descontração. Creio que criamos novos processos, novos conteúdos, pensamos mais nos outros, criamos novos formatos, como as lives semanais que a agência vem fazendo e proporcionando experiência novas. Estamos numa realidade diferente, creio que estamos descobrindo muitas coisas, dando valor a outras que pareciam tão comuns. A equipe da agência está amadurecendo muito, puxando a responsabilidade pra si. Estamos aprendendo novas habilidades. Às vezes é mais cansativo estar em home-office do que ir para a agência e voltar para casa, pois parece que estamos trabalhando o dobro. Uma coisa que eu percebi muito nessa pandemia, foi o valor das profissões como a dos comunicadores, dos biólogos, médicos, enfermeiros, enfim, algumas profissões que não recebiam o valor devido, hoje recebem. Então o nosso trabalho enfim está sendo visto com outro olhar”.


“Não devemos nos exigir demais”

Silvana Borba Gallina é psicóloga

“Sigo atendendo meus pacientes e também entraram novos, toda semana isso tem acontecido, na verdade. Percebo que quem não tinha ansiedade passou a ter. É um momento único, ninguém imaginou que podia acontecer, não tem ninguém para relatar algo parecido. Se acontecesse uma Terceira Guerra Mundial teria uma análise de algo parecido. Citam a Gripe Espanhola, mas nenhuma peste se compara. É um momento que muda a cada semana, e tem sido um desafio diário para todas as famílias, que vivem novas descobertas dentro de casa. Casais que não conviviam muito estão juntos o tempo todo, pais me relatam que estão descobrindo os seus filhos. Está havendo um resgate de hábitos, como o de telefonar para familiares e amigos, gerando essa comoção positiva de preocupação, empatia. E temos que buscar essa intenção positiva, analisar o que a pandemia está contribuindo. Por mais que nos sentimos isolados, enclausurados, cada pessoa vê a pandemia de uma forma, temos que buscar para o que está acontecendo. Sei que nem todas as famílias estão em plena harmonia, há dificuldade com as crianças e adolescentes por conta da escola, e eu digo que não é hora de exigir alto rendimentos. No começo havia uma necessidade de seguir rotina, mas agora não é momento para gerar mais ansiedade. Antes havia a preocupação de reduzir o tempo dos filhos com eletrônicos, e agora isso pode ajudar. Não devemos nos exigir demais, não temos que assistir todas as lives, acompanhar todas as notícias. Precisamos nos distrair com o que gostamos, fazer atividades com os as crianças como assistir TV e jogar jogos de tabuleiro, por exemplo. O ideal é acompanhar as notícias no máximo uma hora por dia, incluindo TV e jornais online. Precisamos ter uma rotina saudável, fazer as refeições nos horários certos, se possível praticar exercícios dentro de casa. As pessoas não devem se privar de buscar ajuda se não estão se sentindo bem, é importante que busquem e acionem sua rede para auxiliar nesse momento, nem que seja virtualmente”.


“Ansiedade foi o que predominou até agora”


Miriam Pereira é psicóloga

“Se alguém tinha dúvida quanto a importância da saúde mental, não restou nenhuma. Vejo que ela será encarada de outra forma. O estresse atingiu todo mundo, uns mais, outros menos. Logo no início todos fomos privados de ir a rua, fazer atividades ao ar livre, deixou todo mundo mais ou menos estressado e afetou psicologicamente. Algumas pessoas desenvolveram ansiedade, depressão, que antes não tinham. Quem já tinha algum sintoma ou algum transtorno acabou acentuando. Ainda teremos pessoas desenvolvendo doenças mentais daqui pra frente, é esperado e provavelmente teremos bastante trabalho em relação a saúde mental. Ansiedade foi o que predominou até agora, pessoas com crise ansiosa, extremamente preocupadas com a pandemia, mudanças que ela gerou não só na vida delas, mas no mundo inteiro. Todo o contexto econômico, político, social, além de todas as notícias que recebemos provocaram em algumas pessoas desespero, em outras desânimo, afetou bastante os relacionamentos. Exigiu a convivência familiar ou às vezes a solidão para quem mora sozinho, e tem sido um período de reflexão, as pessoas passaram a olhar para si mesmas, refletindo sobre o que é importante e como algumas coisas que antes não eram valorizadas são importantes, como o ir e vir, encontros com amigos, e o trabalho, que agora será visto por outra perspectiva. Teve mães que descobriram o que é cuidar e conviver com os filhos, tendo que encontrar uma maneira de adequar a rotina. Há desafios para as crianças também, com aulas-online, e sentindo falta do convívio que tinham na escola, que agora não está acontecendo. Os profissionais de saúde também merecem atenção, estão exaustos, sentem a pressão física e psicológica e estão na linha de frente, com o receio de se contaminarem e também se colocam como risco para seus familiares, já que estão em contato com pessoas que podem estar contaminadas, podendo ser hostilizados pela população e até por seus familiares. Eles podem desenvolver doenças mentais daqui pra frente também. A principal dica é criar uma rotina que seja prazerosa, como manter alguns itens da rotina antiga, evitando assim sentir o impacto da nova realidade. Há quem goste de ver séries, ler, cozinhar, ouvir música, dançar, escrever, colocar no papel os sentimentos, os medos. Meditação também é incrível nesse momento porque é um exercício que faz a pessoa se manter no presente, o que gera a ansiedade é a preocupação com o futuro, e há coisas que não dependem da gente, temos que dar tempo ao tempo”.



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Como está Balneário Camboriú após mais de 60 dias em distanciamento social

A repercussão dessa pandemia nos vários setores da sociedade

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Quinta, 21/5/2020 19:00.

Por Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes

Esta semana o novo Coronavírus, o popular Covid-19 e tudo o que ele trouxe junto, completou 60 dias de isolamento (em alguns estados) e alguns dias a mais desde que surgiu o primeiro caso no país. No dia 13 de março, o prefeito Fabrício Oliveira decretou situação de emergência e recomendou distanciamento social, mas cinco dias depois, em 18 de março ele decretou o isolamento social. Saiu na frente e especialistas dizem que o reflexo dessa ‘dianteira’ foi decisivo no avanço da doença no município. Ele próprio testou positivo, está isolado até domingo (24), longe da família, sua esposa Mozara está nas últimas semanas de gestação, mas continua trabalhando.

Hoje a pandemia está virada em números, de mortos, de contaminados, de curados e o pior, ninguém mais sabe exatamente o que esta tragédia está causando e o que ainda está por vir.

O novo vírus contagiou o planeta, causou mortes sem escolher classes ou faixa etária, provocou crises econômicas incalculáveis, mexeu com as relações humanas e sobretudo, desacelerou a humanidade, obrigou as pessoas a pensar mais nos outros, a dar mais valor à vida.

Esta semana, a reportagem colheu opiniões nos diversos setores da comunidade afetados pela crise, para avaliar as mudanças nos primeiros 60 dias de convivência com esse terremoto chamado Covid-19.


“Estamos no caminho certo e vamos continuar assim”

Foto: Divulgação/PMBC

Fabrício Oliveira, prefeito de Balneário Camboriú

“Balneário Camboriú com quase 140 mil habitantes, dos quais 30% idosos, precisou de ações imediatas. Acredito que fomos o primeiro municipio do Estado a tomar medidas, com as barreiras sanitárias e um dos primeiros do país a montar um Centro Médico para Covid-19, que já atendeu mais de 1500 pessoas. Atendemos toda a região e o governo do Estado não nos ajudou em nada até hoje. Tivemos 59 pacientes internados, destes 24 de Balneário Camboriú, ou seja, 36% e o resto é de fora. Imediatamente monitoramos as questões sociais, levando alimentos para as famílias carentes e remédios para os idosos, distribuímos máscaras, fizemos abordagens e orientações e isso nos colocou em uma condição boa. Por exemplo: a taxa de mortalidade no país alcançou 6.7%; no Rio, 10.70; em São Paulo, capital, 7.89, em Manaus, 8.92, em Santa Catarina, 1.64 e em Balneário Camboriú, 0.93%, abaixo de outros municípios catarinenses e muito abaixo do país. É injusto pensar que tudo tem que ser igual em todos os lugares. A realidade é diferente, por exemplo, lock down serve para alguns, mas não para outros lugares. Nós vamos continuar controlando aglomerações, uso de máscara em todos os lugares, álcool em gel. Estamos testando muito. Eu mesmo comecei a sentir sintomas, fiz o teste e me isolei, não precisei UTI. Todas as pessoas sintomáticas vão fazer o teste, assim isolamos mais rapidamente e evitamos o contágio. Nossa ocupação de leitos está em torno de 20%, mas temos condições de abrir novos leitos. Eu estou confiante, acredito que fizemos certo e por isso estamos em boas condições até aqui. Vamos continuar neste caminho”.


SAÚDE

Ações imediatas e adesão da população, pontos para um cenário ainda tranquilo

Foto: Divulgação/PMBCA secretária da Saúde visitando um paciente

No dia 13 de março, o prefeito Fabrício Oliveira decretou situação de emergência em função do risco de surto de Coronavirus, apresentou um plano de ação para entidades, associações e representantes da sociedade civil sobre o que estava por vir, provavelmente não imaginou que estava dando o primeiro passo para enfrentar um cenário como o que estamos assistindo no país hoje. Mas com esta atitude, ele garantiu um cenário ainda considerado positivo mais de 60 dias depois do distanciamento social e de todas as medidas que tomou.

“Temos um cenário bom, mas não podemos relaxar restrições”

Foto: Divulgação/PMBC

Andressa Hadad, secretária municipal da Saúde

A avaliação que temos é que tomamos atitudes rápidas, fomos pioneiros em inúmeras atitudes, como as barreiras, incluídas ações na rodoviária, em todos os ônibus que chegavam no municipio, com aferição de temperatura, de sinais de sintomas, encaminhamento de pacientes para a epidemiologia, a estruturação de um serviço pioneiro. No dia 14 foi declarada a pandemia e dia 20 já estávamos com o Centro de Acolhimento e Tratamento da Covid-19 com cinco leitos de UTI e 15 leitos semi intensivos atendendo a população. Logo no início da pandemia montamos o hospital de campanha, fora do hospital Ruth Cardoso, com atendimento exclusivo, até a estrutura do Centro da Covid-19 ficar pronto e desta forma fizemos separação de atendimentos para evitar maior número de contaminações. O imediato decreto do prefeito colocando o município em isolamento total, deixando apenas os serviços essenciais, foi importante para conter a proliferação da infecção. Além da ampla testagem através da qual conseguimos desenhar bem a imagem de Balneário Camboriú frente a Covid e a possibilidade de encontrar esses pacientes com sinais de sintomas leves já positivos e colocá-los em isolamento o mais rápido possível e evitar novos contatos com não infectados. Lembrando o Laboratório Municipal exclusivo para testes de Covid, trazendo uma segurança e eficácia na questão de encontrar os pacientes infectados. O decreto da utilização de máscara, o distanciamento, a fiscalização, frente aos restaurantes, bares, dos mercados, a parceria realizada com estas instituições foi importante porque na conversa, orientação, explicação de todos os nossos processos, eles aderiram a essa prática do município e foram fundamentais em todo o processo. Conseguimos colocar em prática também a adesão das práticas, a proibição da utilização da praia que foi respeitada e todas as informações que divulgamos amplamente para que todos aderissem. Tivemos muitos pacientes que entraram em tratamento, em suas residências, foram acompanhados, monitorados e tiveram alta. Estamos positivos quanto a isso, a maioria dos casos não são encaminhados para UTI, estamos dentro dos 20% de pacientes em tratamento intensivo, nossos pacientes graves tiveram alta estão tendo um acompanhamento, tivemos apenas um óbito por Covid em nosso município, então nós técnicos da área da saúde vemos todas essas ações que envolvem todas as secretarias e ação imediata do prefeito muito positivas para Balneário. Hoje apesar de estar aumentando o número de detectados, temos um cenário muito bom, mas isso não significa que devemos relaxar, quanto as restrições. O município está na frente de muitos do estado, até alguns do país, porque estamos fazendo muitas ações de prevenção, atitudes rápidas e assim trazemos não só uma sensação de segurança, mas principalmente que as pessoas compreenderam a necessidade destas ações restritivas e que elas têm onde buscar o atendimento, seja ele leve, moderado ou grave. Hoje estamos ofertando dentre todos que tem no mundo, o melhor teste, que é o PCR, padrão Ouro, apesar de não ter 100% de sensibilidade, mas adequadamente realizado, dentro do prazo, conforme o protocolo, conseguimos 100% de certeza da contaminação do paciente ou não. Com isso estamos fechando o círculo de avaliação: as medidas restritivas, o tratamento do paciente, com todos os medicamentos determinados pela OMS e a testagem dos pacientes sintomáticos, até sintomas leves, com isso encontrando os pacientes. Até quando estas restrições irão? Não sabemos porque muito pouco se sabe sobre o vírus. Não temos garantia de quanto tempo ficaremos desta forma, mas temos a garantia que o poder executivo e a equipe técnica da Secretaria da Saúde está amplamente envolvida, executando um trabalho de excelência e o que é mais importante com a adesão da população a todos os processos que estamos executando”


“O mundo pós pandemia não será o mesmo”

Credito – Divulgação

Ricardo Zimmermann, médico infectologista nos hospitais Unimed Litoral, Hospital do Coração e Marieta

“O Estado de Santa Catarina em geral iniciou precocemente as medidas de distanciamento social e redução de circulação, tendo um impacto muito positivo no número de novos casos e óbitos, quando comparado a outros estados que não adotaram as mesmas medidas.

Da mesma forma que iniciou precoce, iniciou também a flexibilização das medidas de distanciamento através da retomada das atividades econômicas aos poucos. Neste período é esperado que haja aumento no número de novos casos e internação hospitalar.

No entanto, percebemos que o número de internações não foi tão elevado o quanto esperávamos. Acreditamos que o distanciamento mesmo em ambientes públicos, uso de máscaras e higiene das mãos estão tendo impacto positivo.

As internações hospitalares estão muito relacionadas aos cidadãos de município vizinhos, sendo que poucos casos são de Balneário Camboriú ou Itajaí, quando levamos em consideração o número de habitantes destas cidades.

Muito importante que o retorno das atividades econômicas seja feito de forma lenta e alinhado com a testagem populacional e número de internações. Este último é o principal indicador do impacto da pandemia na sociedade, junto aos dados de mortalidade.

Temos que estar preparados para o inverno, período em que há maior circulação de vírus respiratórios como Influenza, Rinovirus, entre outros.

A sociedade precisava entender que o mundo pós pandemia não será o mesmo, sendo que o distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos é imperativo para a redução de transmissão viral”.


EDUCAÇÃO

Quando e como será o futuro?

A paralisação do sistema educacional no dia 18 de março e ainda sem data para retornar, mexeu com as estruturas curriculares, trouxe preocupação com a alimentação de milhões de estudantes (segundo pesquisa realizada pela Fundação Abrinq, quase 9 milhões de crianças entre zero e 14 anos vivem em situação de extrema pobreza no país e a merenda escolar era um suporte) e muitos questionamentos sobre o futuro da educação, seja ele público ou privado. Substituir o ensino presencial pelo ensino a distância foi a primeira alternativa encontrada, todos pisando em um terreno quase desconhecido e que exige planejamento e mesmo que grande parte dos estudantes não tenha acesso à internet, essa foi a solução abraçada.

Em Balneário Camboriú não foi diferente. A educação pública e privada vem trabalhando com ensino à distância. Ao mesmo tempo em que todos esperam o retorno da educação presencial, ninguém sabe como será esta volta às aulas e nem quando ela acontecerá.

A pandemia do COVID-19 traz à tona a fragilidade de diversas famílias brasileiras que hoje necessitam da escola para amenizar a situação de pobreza em que se encontram.

“É um momento verdadeiramente desafiador”

Credito - Divulgação

Rosângela Borba Percegona, secretária municipal de Educação

“Assim que percebemos o cenário, imediatamente o prefeito Fabrício Oliveira determinou a suspensão das aulas para segurança dos estudantes e servidores. Na sequência a Secretaria de Educação adaptou uma plataforma de uso para que todos professores e educandos tivessem acessos, para que pudéssemos colocar atividades ali e dar aulas não presenciais. A importância desta plataforma neste momento foi fundamental, porque queríamos que os alunos não perdessem a aderência com as questões de escola e aqueles que não tiveram ou ainda não tem acesso a plataforma ou a internet, foi disponibilizado o material impresso entregue a estas famílias na unidade escolar mesmo. Atualmente esta plataforma já passou por um refinamento e hoje conseguimos que o gestor recebe no seu celular a quantidade de alunos que está acessando a plataforma, inclusive o nome desses alunos, podendo assim fazer uma presença destes alunos que estão acessando a plataforma. Conduzir uma secretaria nestas condições torna nosso desafio ainda maior. Estamos nesse processo para elaborar um novo calendário escolar, estudar como faremos a reposição das aulas, analisar o quanto o ensino não presencial será computado dentro desta grade, verificar o grau de aprendizagem dos estudantes, e ainda preparar as unidades escolares, os novos horários, para o retorno das aulas presenciais. Ainda não temos uma data concreta, porém estamos trabalhando para esse momento. É sim, de fato, desafiador o momento. Mas ao mesmo tempo quando a gente tem uma equipe sólida, sempre em busca de solução, e que se envolve e se supera, isso dá força para continuar caminhando, isso reforça nosso compromisso com a educação de Balneário Camboriú. A Secretaria de Educação não está medindo esforço e buscando alternativas para que a gente passe por esse momento e tenhamos novamente nossos alunos em sala de aula, dentro de um formato diferente de escola, mas com segurança, com grau de higiene em cada sala, é desta forma que estamos caminhando neste momento”.


“A educação vai passar por um novo momento”

Credito - Divulgação

Castelo Guzzoni, diretor do Colégio Unificado

“Neste tempo todo as escolas tiveram que se readaptar, buscar alternativas diferenciadas na questão das aulas não presenciais. Percebemos a importância deste distanciamento social para a saúde, mas também percebemos o quanto é válido a criança estar na escola, socializando, brincando, aprendendo, trocando relações com os colegas, é cada vez mais marcante a necessidade das pessoas terem esse convívio, esse afeto. Nada substitui um abraço, um beijo, um olhar, no entanto, nesta adversidade da pandemia, tudo precisa ser modificado e adequado. A escola investiu muito em equipamentos, para usar em aulas online, câmeras, estúdio, profissional para auxiliar em gravações de vídeo aulas, em aulas online, investiu em aumento de internet, preparou salas específicas para este fim, investimos na capacitação do professorado para que consigam dar aulas diversificadas, para que os alunos tenham um bom aprendizado em casa. Sabemos das dificuldades de pais com as questões da internet, com o uso do computador, e principalmente a dificuldade de acompanhar o aluno, principalmente os pequenos. No ensino fundamental 2 e médio, adolescentes já têm mais facilidade, já se resolve com mais tranquilidade. Estamos otimistas que isso está dando certo. Sabemos que daqui a pouco voltam as aulas presenciais, mas fica um legado para as escolas para que a gente também tenha esses recursos de aulas online, o que em alguns momentos, servirá daqui pra frente. A educação vai passar por um novo momento, sabemos que haverá mudanças significativas no dia a dia, mas também tem muito ponto positivo a ponderar em relação a questão de você poder fazer aulas diferenciadas via online, via gravação. Temos cumprido isso com muita seriedade. Importante também o investimento nos profissionais para que todos criem habilidade para trabalhar nesta nova estrutura, porque a grande realidade é que as escolas não estavam preparadas para, do dia pra noite, fazer todo esse mecanismo online. Isso tudo é um processo, as aulas presenciais são insubstituíveis, no entanto as aulas online colaboram no processo de ensino e aprendizado. Estamos contando com um retorno o mais rápido possível, com todo cuidado que deveremos ter, mas o setor educação movimenta uma forte economia e acreditamos que logo tudo volte a normalidade”.


“Se não retornarmos o quanto antes, possivelmente teremos muitas escolas particulares fechadas”

Credito - Arquivo Pessoal

Aline Luzia Tonezer Pereira, sócia-proprietária da Oficina da Infância Centro Educacional, diretora do núcleo das escolas particulares da AMPE de Balneário Camboriú

“Há 60 dias o Covid-19 entrou em nossas vidas, e com ele fecharam as escolas, onde muitas crianças passavam seu dia brincando, interagindo, se alimentando saudavelmente, aprendendo, e estavam seguras.

Há 60 dias fecharam a esperança de um futuro melhor para muitas crianças, de poderem estar em um ambiente com profissionais qualificados, que merecem todo o nosso respeito, e que hoje estão com risco de ficar sem seus empregos. Estas crianças hoje se encontram em locais como casa de avós, e o pior, em casas clandestinas e em casas de festas, locais estes que estão sem permissão de funcionamento. Locais estes que não são permitidas a permanência de crianças, em função do isolamento social, pois essa é a grande preocupação no momento.

Ao fechar as portas da educação infantil no dia 18 de março de 2020, fecharam também a oportunidade de muitas crianças estarem protegidas de muitas eventualidades que ocorrem em suas casas. Algumas já estão virando estatísticas, como: aumento da violência sexual, acidentes domésticos, entre outros.

Com o pronunciamento do governo do Estado em uma volta indeterminada da educação, fez com que muitos pais desistissem de continuar tendo esperanças da volta às aulas, e rescindiram os poucos contratos que ainda existiam nas escolas particulares, pois estes não conseguem pagar a escola mais babá, porque já retornaram às suas atividades econômicas.

Infelizmente, se não retornarmos o quanto antes às aulas, possivelmente teremos muitas escolas particulares fechadas, e muitas crianças sem escola quando retornarem as aulas”.


MERCADO DE TRABALHO

Contratações e demissões

Os números de demissões na região de Balneário Camboriú, englobando a Foz do Rio Itajaí, durante o período de pandemia do novo Coronavírus aumentaram mesmo com as medidas de afrouxamento do isolamento e estima-se que 89.412 mil pessoas perderam o emprego desde o início da crise. Isso foi o que apontou a 3ª medição da pesquisa “Impacto do Coronavírus nos negócios de SC” realizada pelo Sebrae/SC, Fiesc e Fecomércio, entre os dias 4 e 6 de maio, com mais de 273 empresas da região da Foz. A margem de erro é de 6.3%. Além das demissões, 33% das empresas adotaram suspensão temporária do contrato de trabalho e 25,3% implantaram a redução proporcional da jornada de trabalho e salários, sendo a modalidade de acordos individuais a preferida nas negociações com os trabalhadores. Em Balneário Camboriú, há 18 vagas hoje no posto da cidade do SINE (Sistema Nacional de Emprego). Apesar de haver perspectiva de melhora no segundo semestre, sabe-se que economia é a principal afetada pela pandemia do Coronavírus, agindo diretamente na oferta de vagas de emprego. O Sistema Municipal de Empregos (SIME) de Balneário Camboriú está desativado nas últimas semanas, porque a equipe é formada por membros do grupo de risco (pessoas com problemas de saúde, idosos, pessoas que moram com idosos, e a coordenadora do SIME está com Coronavírus, isolada socialmente).

“Um dos setores que sentem primeiro é sempre o mercado de trabalho”

Kelly Crocomo, assistente social do SINE de Balneário Camboriú

“Sem dúvida houve uma diminuição grande na oferta de vagas. Antes da necessidade de quarentena e distanciamento social estávamos com aproximadamente 100/120 vagas de emprego. Hoje estamos com apenas 18 vagas. O que temos atualmente se concentra na prestação de serviço e alguma coisa de comércio. Temos vagas para corretor de imóveis, empregada doméstica, montador de estrutura metálica, motoboy, motofretista, motorista de caminhão (guincho), pizzaiolo, serralheiro, soldador e vidraceiro. Não sabemos precisar quantas demissões aconteceram, pois nesse período as solicitações de seguro desemprego ficaram concentradas através dos meios eletrônicos (sites e aplicativos), e acabou não passando pelo nosso controle. Porém, a demanda de pessoas procurando emprego não diminuiu e há certo equilíbrio entre homens e mulheres e jovens e adultos. É difícil responder se haverá melhora nesse sentido no segundo semestre. Temos esperança de que o cenário mude e que as coisas voltem a "normalidade", mas também temos consciência de que essa pandemia global afetará o setor econômico de uma forma muito complicada e um dos setores que sentem primeiro é sempre o mercado de trabalho. Vamos aguardar pra ver como nosso município reagirá com isso tudo o que está acontecendo. Cabe ressaltar para a população que a orientação que temos do governo do Estado é que a população evite aglomerações, só saia de casa se necessário e que os pedidos de seguro desemprego devem ser feitos através dos sites e aplicativos: maisemprego.mte.gov.br; www.gov.br; apps Sine Fácil e Carteira de Trabalho Digital. A busca por vagas de emprego também deve ser feita no site: maisemprego.mte.gov.br ou pelo aplicativo Sine Fácil. O SINE não está atendendo de forma presencial. Dúvidas, orientações e agendamentos devem ser feitos por telefone. Em nossa página do Facebook (SINE Balneário Camboriú) temos orientações e passo a passo para acessar esses canais eletrônicos”.


“Todo mundo está economizando, mas isso também paralisa a economia”

Christina Barichello, secretária de Inclusão Social de Balneário Camboriú

“Houve casos de pessoas que nos procuraram pedindo por ajuda nesse sentido e a equipe da secretaria procurou direto por empresas da cidade, como a construção civil, e conseguimos algumas vagas, mas estão acontecendo poucas contratações. O comércio, por exemplo, está retrocedendo com lojas fechadas ou com pouco movimento; e muitas empresas estão demitindo e não contratando novos funcionários. O que é comum para esse momento de pandemia. A questão econômica é real, as pessoas não estão consumindo por medo porque não sabem como a situação vai ficar. Quem está vendendo são os mercados e as farmácias. Todo mundo está economizando, mas isso também paralisa a economia, o que acaba sendo preocupante. No nosso canal de apoio emocional fizemos mais de 18,3 mil atendimentos em 58 dias. Muitas das pessoas não têm exatamente problemas psicológicos, mas estão com essa tensão e ansiedade geradas por medo de tudo que está acontecendo, incluindo preocupação com o cenário econômico, risco de perderem seus empregos, o futuro... o consumismo está esquecido nesse momento, e se continuar assim vai quebrar a economia, porque se os empresários quebram, os empregos também ficam restringidos. Balneário Camboriú teve uma decisão muito acertada desde o início da pandemia. O prefeito Fabrício agiu de imediato. Temos muitas características para ter ainda mais casos, já que temos muita gente de fora circulando por aqui. Não tivemos tempo para pensar, executamos no início as barreiras, e deram certo. Hoje temos leitos de UTI, a Inclusão Social segue atuando com os trabalhos na Central de Doações e Arrecadação de Alimentos – já fizemos mais de 23 mil atendimentos. Temos as tendas para avaliação e aferição de sinais vitais nos pontais Norte e Sul, Praça Tamandaré e Praça do Pescador; montamos tendas na Caixa Econômica Federal para apoiar a comunidade que estava procurando pelo auxílio do Governo Federal, distribuímos mil cartões sociais para famílias vulneráveis de BC, além de 62 mil máscaras (a produção segue). Os nossos projetos Abraço à Vida e à Mulher registraram ainda mais procura, o primeiro com 1.596 atendimentos e o segundo com mais de 500. Tivemos quatro abrigos ativos (agora seguem três: o Conexão, o Nações e a Casa de Passagem – com 98 pessoas sendo atendidas – número de quarta-feira (20)), realizamos mais de 4,9 mil atendimentos, servimos mais de 60 mil refeições, e cadastramos 160 moradores de rua para obterem benefícios. 60 andarilhos foram encaminhados para comunidades terapêuticas também, além de alguns que foram encaminhados para suas famílias e cidades de origem. E não foi apenas a comunidade que foi abalada por toda essa situação, nossos funcionários também estão vulneráveis. O positivo disso tudo foi ver o quanto a comunidade de Balneário Camboriú é solidária. Tivemos apoio de muita gente, que se dispôs a fazer comida, empresas doando cestas básicas e materiais de higiene. 65 voluntários seguem atuando conosco, produzindo máscaras, cozinhando. Agradecemos todo esse apoio”.


COMÉRCIO

Retomada atenuou a crise e há expectativas de melhora

Os comércios e restaurantes de Balneário Camboriú foram os primeiros a fechar quando o isolamento social foi anunciado através dos decretos municipal e estadual; permanecendo abertos somente serviços essenciais, como mercados e farmácias. Porém, houve a retomada gradual de alguns serviços, como lojas, bares e restaurantes – com ordem de distanciamento social, uso de máscaras, etc. Apesar do pouco movimento, os empresários analisam que a retomada atenuou a crise e esperam que o segundo semestre traga oportunidades melhores.

“Com certeza não será um ano fácil para as empresas”

Vilton João dos Santos, proprietário da Purificadores Europa e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário Camboriú

“ A primeira edição do Termômetro do Comércio de Balneário Camboriú, levantamento realizado pela CDL entre o final de abril e início de maio, mostra que o primeiro mês de pandemia foi bastante difícil para o setor: houve redução de faturamento para 90,9% dos entrevistados. Mesmo assim, quase metade deles (48,5%) não fez demissões e 63,6% não pretende demitir em maio.

Com certeza não será um ano fácil para as empresas, mas o comércio local tem mostrado que, com criatividade e gestão profissional, é possível criar novas formas de se relacionar com o cliente e se adaptar a este “novo mundo”. Dentro da própria CDL, temos exemplos positivos de associados que estão gerando novas conexões com o mercado. O associativismo, por sinal, tem este poder: conectar empresas e negócios, gerando novas possibilidades para todos. Estar associado a uma entidade como a CDL, neste momento, é um enorme diferencial competitivo.

Aqui nos Purificadores Europa estamos entrando de vez no mercado digital. Estamos implantando o inbound marketing, uma ferramenta poderosa que vai alavancar nossa entrada no cenário digital. Também estamos entrando em 2 plataformas de vendas digitais - Mercado Livre e Olist. Além disso lançamos uma campanha de vendas que foca os 4 principais pilares oferecidos por um purificador Europa: garantia, segurança, praticidade e economia”.


“A quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho”

Rafael Felipe de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (SECBC)

“Ficamos 21 dias parados, de 17 de março até meados de abril. Nesse período somente os mercados e farmácias atenderam ao público de forma presencial. Inicialmente, nossa maior preocupação era com a saúde dos trabalhadores, incentivando o uso de máscara e álcool gel; também passamos a nos preocupar de forma mais intensa com a economia local, que já estava fragilizada. Lutamos pela retomada, porque todos estavam com contas para pagar, precisávamos voltar a trabalhar. Porém, quando reabrimos não teve o retorno esperado. O governo veio com a iniciativa da suspensão dos contratos por 60 dias – a grande maioria fez isso, além da redução da jornada de trabalho. Estamos nos preocupando porque muitos trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos até agora não receberam nada, e ainda não sabemos como o governo vai proceder. O auxílio emergencial também se tornou um problema. O sindicato não tem poder de fiscalizar, e nem temos um posto do Ministério do Trabalho em Balneário Camboriú para atuar dessa forma. Realmente estamos muito preocupados com a economia local, se não ejetarem dinheiro no trabalhador não gira a economia, é ele que faz a força, que consome na cidade, ainda mais agora que não há perspectiva de turismo. Lojas estão fechando, está difícil voltar, a quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho. Não sabemos como vai no segundo semestre, mas temos esperança de que a situação melhore. Quando a economia começar a aquecer o turismo também tende a voltar, acredito que de forma mais regional, com visitantes de locais mais próximos. Se a pandemia acabar até o fim de julho vejo que o ‘pontapé’ da economia local poderá ser dado a partir de dezembro”.


“Estamos esperando o Pronampe”

Antônio Demos, presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Balneário Camboriú

“Dividimos a pandemia em dois períodos: os primeiros 30 dias e os últimos 30. No começo, foi um período de pânico que usamos para dimensionar o problema, não sabíamos como tudo iria proceder. E nesse último mês começamos a reagir, tomando atitudes para sobreviver após um mês sem renda, com perda de clientes. 55% das micro e pequenas empresas de Balneário não demitiram, mas 60% delas reduziram a jornada e os salários dos colaboradores, assumindo dessa forma o compromisso de não demiti-los. Buscamos por linhas de crédito, já que 90% das micro e pequenas empresas tiveram redução de faturamento nesses 60 dias, mas já está havendo um retorno positivo, as empresas estão conseguindo se adequar a essa nova realidade, apesar de que há setores que vão demorar para retornar, como os hotéis e pousadas. A nossa perspectiva é que no próximo semestre o mercado siga recessivo, mas a tendência é aumentar o consumo e consequentemente retornando mais atividades, ainda que de forma gradativa. Com certeza já podemos dizer que não teremos os mesmos CNPJs e empregos, haverá novas empresas em função das novas demandas, como as oportunidades que vêm surgindo através do sistema de entregas (delivery); alguém está produzindo muito nesse sentido. Agora estamos esperando o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que está dependendo da medida provisória. Se aprovado, atuará como um fundo garantidor onde o governo vai entrar com 85% e 15% será dos bancos, totalizando R$ 15,9 bilhões. Quando o micro e pequeno empresário for fazer empréstimo, o governo será o avalista dele, com a tendência de reduzir a burocracia. Isso está sendo levado ao Congresso e será um projeto permanente, similar ao Pronafe. O Pronampe terá o juro da taxa Selic + 1,5% ao ano, com pagamento depois de oito meses e podendo parcelar em 36 meses. Os empresários poderão buscar empréstimo até 30% do valor do faturamento do ano anterior. Estamos com boas expectativas e torcendo para que isso seja liberado, porque é o que dará fôlego para as empresas. Estamos apostando muito nesse sentido”.


“A instabilidade é muito grande”

Maria Pissaia, presidente da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc)

“A Acibalc é uma entidade que reúne empresas de todos os portes e segmentos. Por isso, temos acompanhado realidades bastante diversas entre os empresários associados à entidade. Há setores, como o turismo e o comércio, que ainda estão fortemente impactados, ao mesmo tempo em que empresas da área de tecnologia e prestação de serviço conseguiram adaptar sua operação ao home office e estão passando sem grandes problemas por este momento. Temos também exemplos de empresas que viram novas oportunidades de negócio e estão melhores que antes, com mais demandas e clientes. Enfim, vivemos um momento atípico e temos que avaliar frequentemente a evolução das relações comerciais dos nossos associados, até porque a instabilidade é muito grande”.


“Qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%”

Angela (centro) Yang Modeladores

Ângela Freire é proprietária da Yang Modeladores

Não há de se negar que foi uma perplexidade, parecia outro mundo e ainda parece que estamos acordando de um sonho. Estamos realmente vivendo uma nova realidade e ainda tentando entender isso tudo. Sempre falamos na empresa e em nossa família que quem não tem fé não consegue passar por isso. Há esperança que as coisas vão melhorar, mas com certeza não sairemos os mesmos. Essa experiência é inédita e não é só em Balneário Camboriú, é Brasil, o mundo todo. Por isso, estamos buscando alternativas. Somos associados na CDL e eles estão nos apoiando muito. Há muitos grupos dentro da entidade, como a Câmara da Avenida Brasil, a CDL Mulher. Percebemos que estamos vivendo isso em comunidade. Juntos somos mais fortes, sempre deveria ter sido assim, mas hoje tem sido algo ainda mais intenso. Nos abraçamos virtualmente, mentalmente e energicamente. Inicialmente, nossas vendas foram afetadas em 100%, mas fizemos reuniões e começamos a buscar outras alternativas, como as vendas online e delivery. A cliente liga e fala o que precisa, se tem dor nas costas, problema de circulação ou muscular. Temos uma série de produtos terapêuticos, preventivos e estéticos. Mandamos fotos, e fazemos a entrega pessoalmente. Estávamos no zero, então qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%. Vamos fazer um bazar virtual, com descontos especiais, parcelamentos também. Agora estamos com a loja aberta e recebendo ao público presencialmente, mas as vendas foram reduzidas em 40%. O site e o delivery ainda não suprem as vendas presenciais, mas não podemos perder a esperança que dias melhores virão. Não temos concorrentes e sim parceiros, a união é o grande diferencial”.


“Nossas vendas aumentaram bastante”

Janice e o marido Célio comandam a Ceroula

Janice Possamai Fiedler, é proprietária da loja Ceroula

“Desde 2009 temos a loja, abrimos quando ainda morávamos em Curitiba e ela nasceu e está até hoje como um e-commerce. Temos o espaço físico em Balneário há um ano e meio, quando nos mudamos pra cá. Sempre tivemos a proposta de atender um público específico, com roupas para climas extremos. O movimento diminuiu, mas o nosso e-commerce nesse período teve as vendas alavancadas, conseguimos nos manter por isso. O comércio virtual foi ‘lá em cima’, e nesse sentido para nós foi muito positivo. Nossas vendas aumentaram bastante. Trabalhamos com produtos importados e tivemos alguns problemas com fornecedores, como o atraso de mercadorias, mas os clientes entenderam. Acredito que as coisas vão melhorar no segundo semestre, meu marido também é da área comercial e sentimos isso, porém vemos que o consumidor está mudando, dando mais valor para o produto adquirido. Fomos colados ‘de pernas para o ar’ para nos reinventarmos. Não que vá virar um mar de rosas a curto prazo, há muitas lojas fechando, empresários procurando espaços menores, mas o foco é na união e em buscar diferenciais para atrair o público, com atendimento personalizado e nova forma de vender”.


“Delivery: ele representa muito pouco”

Rafael Jasnievicz Scalco é proprietário do Kombina Felice

“A pandemia nos atingiu de forma bem significativa, pois tivemos que fechar os restaurantes de forma inesperada. Até então não trabalhávamos com delivery, durante o fechamento fizemos projeções para analisar a viabilidade e vimos que não seria viável ter funcionários só para atender o delivery, pelo custo da mão de obra exclusiva para o delivery. Além da taxa altíssima do IFood. Quando reabrimos, já iniciamos com o delivery pois daí se torna uma venda agregada. A equipe já está lá para atender os clientes e pode também atender a demanda do delivery. Um ponto importante sobre delivery: ele representa muito pouco, algo em torno de 10 a 15% das vendas. Com a permissão de reabertura percebemos que os clientes voltaram a frequentar, as pessoas estavam com muita vontade de sair para relaxar, descontrair, ter momentos agradáveis. Afinal como costumamos dizer, o cliente não vem a Kombina para matar a fome e sim para um momento de lazer, entretenimento, prazer. Sobre o segundo semestre, não tem muito como fazer um planejamento, definir metas, ter perspectivas. E sim tomar os cuidados e torcer para que todos tenham consciência para que possamos manter os números de casos baixos em nossa região. Como empreendedor, este momento traz uma sensação estranha que é de impotência, pois não depende de nós para as coisas acontecerem. O que é o oposto da forma de agir de um empreendedor”.


“O movimento diminuiu em 60% mais ou menos”

Ronaldo César Amorim, gerente do O Pharol

“Há perspectiva de melhora para o segundo semestre, esperamos ‘engrenar’, aos poucos tudo deve melhorar. Com a reabertura, alguns clientes estão vindo, mas temos muitos clientes idosos, e para eles estamos levando em casa. Seguimos com delivery também, que antes da pandemia não tínhamos, além da retirada no balcão. O movimento diminuiu em 60% mais ou menos. Aos fins de semana há mais clientes, percebemos que o pessoal da região também está vindo. A safra da tainha também atrai, nessa semana vendemos bastante. Esperamos que a partir de agora as coisas melhorem”.


“Vai ser um ano de sobrevivência”

Leandro e a esposa Fernanda.

Leandro Vicenci, proprietário da Vovó Dilecta

“Ficamos 15 dias fechados, só com delivery, e após isso reabrimos também com o take-away (retirada no balcão), e aí depois desse primeiro mês permitimos que as pessoas pudessem vir até nós presencialmente. Temos mesas, mas do lado de fora, porque nosso comércio é pequeno. Foi um processo bem difícil, ninguém tinha preparação para isso. Tentamos dar férias alternadas para a nossa equipe, e conseguimos não demitir ninguém. Não sentimos tanto o impacto da crise, por exemplo, meu sogro tem restaurante em Lages há 30 anos e fechou por conta da pandemia, e não vai mais reabrir. Tenho amigos donos de restaurantes, para quem também fornecemos produtos, e sei dos custos altos deles, fora que a receita diminuiu muito. Deveria haver uma determinação no sentido de negociar aluguéis, ajudaria muito. A falta de dinheiro para o fluxo de caixa também é um problema, porque não é só sobre pagar os salários dos colaboradores, também temos outras contas. Uma falta de regras claras para pequenas empresas está dificultando muito, ainda mais que todos os dias os decretos mudam. Todo mundo fala que logo vai passar, mas na verdade estamos na curva contrária, acredito que o segundo semestre vai ser um período crítico no sul; a preparação desse ano é trabalhar na perspectiva de criar novos canais de venda, por aplicativos, gerar outras formas. Qualquer possibilidade de entrada está sendo válida. Vai ser um ano de sobrevivência”


Turismo

O setor mais afetado depende do público

Em Balneário Camboriú há alguns hotéis que optaram por reabrir, mas o público não está vindo principalmente pelo medo do Coronavírus, tempo de isolamento social e também pelos poucos voos e proibição do transporte rodoviário. O Centro de Eventos de Balneário retomou as suas obras, mas os dois eventos previstos para acontecer no local, em agosto e novembro, foram cancelados. O Página 3 conversou com o trade turístico que avalia os 60 dias de pandemia e falam sobre perspectivas de melhora para os próximos meses.

“Queremos acreditar que vai melhorar, mas não dá para saber”

Valdir Walendowsky, secretário de Turismo de Balneário Camboriú

“Para o turismo está muito ruim, até agora nada retornou de forma que pudesse haver alguma melhora na economia da cidade em função desse setor. E agora outros empresários estão vendo como o turismo é importante para Balneário Camboriú, região e Santa Catarina. Ao redor do turismo quantos segmentos industriais e comerciais navegam, com a crise todos estão sentindo a importância. A saúde está em primeiro lugar, mas a economia também é essencial e está fazendo as pessoas se desesperar. Não ter recurso, não poder pagar as contas, envolvendo muitas cadeias. Os comércios e restaurantes reabriram, mas não têm movimento. Os equipamentos turísticos estão parados, como Aquário, Cristo Luz, Unipraias, além das empresas de turismo receptivo, guias de turismo. É um setor muito abrangente que envolve muitas pessoas e das mais diversas classes. É uma decisão que não depende de Balneário Camboriú. O prefeito está focando muito na saúde, e será um dos pontos mais importantes para as pessoas retornarem a nos visitar. Antes uma prioridade era a segurança pessoal, e agora é a segurança da saúde. Nossa cidade é uma das mais bonitas do Brasil, sempre foi, e agora teremos que priorizar a segurança da saúde, uma das precauções foi o cruzeiro que foi impedido de fundear e desembarcar os passageiros. Seguimos trabalhando, me reúno com o trade diariamente, para que quando pudermos voltar a trabalhar já estejamos com um plano traçado. É interesse de todos que a cidade volte ao normal. Não paramos nenhum dia, no começo havia muitos estrangeiros na cidade e os auxiliamos a voltar para suas cidades. Buscamos informações com outras cidades turísticas brasileiras para saber como atuar, está sendo um trabalho em conjunto de todos. Sobre o Centro de Eventos, é triste que os eventos foram cancelados, mas infelizmente a situação não permite. Não há previsão pra isso acabar. Seguimos conversando com os organizadores sobre a possibilidade de fazermos ano que vem. Queremos acreditar que vai melhorar, mas não dá para saber. Depende das pessoas voltarem a viajar, não depende só de nós e sim da conjuntura sanitária e da segurança. Acredito que quando o turismo retornar será focado no regional, com pessoas vindo em seus carros, já que há poucos aviões e ainda não retornaram os ônibus. Está tudo muito vulnerável ainda, torcemos pela retomada, mas depende muito além de Balneário”.


“É o momento mais difícil da vida profissional de todos”

Margot Rosenbrock Libório é proprietária dos hotéis Bella Camboriú e Rosenbrock e presidente do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau

“Como hoteleira posso dizer que estamos conscientes de que o fluxo turístico que tínhamos pode demorar até dois anos para retornar. Não haverá segurança para viagens enquanto não houver uma vacina ou um medicamento muito eficiente. Para nós os primeiros dias foram muito angustiantes, muitas decisões para tomar em um cenário totalmente incerto. Agora, completando 60 dias da situação e com a ciência dando sinais na evolução do desenvolvimento da vacina, vamos ficando mais confiantes, apesar do “caixa” estar arrasado. Sabemos que teremos custos mais altos com a desinfecção e também com o novo modelo de refeições, mas podendo trabalhar com segurança tudo já fica melhor. A retomada do turismo será primeiramente regional, então para nós é importante que todas as regiões do estado controlem a doença. Na verdade o controle da doença é o que vai possibilitar a retomada, por isso a responsabilidade de cada um de nós nos cuidados é essencial. Eu me cuido para poder trabalhar o mais breve possível. Já como presidente do BC Convention a necessidade de reinventar as atividades da entidade foi instantânea. Assumimos demandas para auxiliar os associados em várias frentes. Com certeza é o momento mais difícil da vida profissional de todos que são do setor de turismo e eventos. A equipe do BC Convention está trabalhando muito. Haverá um cenário de muitas oportunidades no pós-COVID, porém a falta de uma data segura para retomada da promoção do destino e captação de eventos dificulta o planejamento. Acredito que os destinos turísticos que conseguirem se manter unidos e ampliarem a reflexão coletiva, terão importantes vantagens estratégicas no futuro. Estamos totalmente cientes, como Convention, dos desafios que virão, mas como o BC Convention é uma entidade que foi construída na base da ética e do trabalho associativo, temos certeza que poderemos estar ainda mais atuantes em um futuro muito próximo. Queremos e podemos ser um apoio para a retomada. Ontem se dizia que estávamos prontos para “pensar fora da caixa”. Hoje, a “caixa” não existe mais. E neste mundo sem paradigmas o BC Convention e nossa vontade de fazer mais e melhor, ainda existem, e é nesse sentido que estaremos disponíveis para reinventar o amanhã. O amanhã virá. Estamos aqui”.


“Temos certeza que sairemos dessa mais fortalecidos”

Credito - Divulgação

Isaac Pires, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sindisol)

"É uma crise mundial sem precedentes, que afeta todo o trade turístico, pois recebemos público de todos os destinos, nacionais e internacionais. Não têm sido dias fáceis. Temos trabalhado muito neste período para atender nossa classe, que é uma das mais afetadas, principalmente a rede hoteleira. Temos investido todos os nossos esforços na implantação de programas e métodos que assegurem a vida e a saúde não somente de nossos clientes e hóspedes, mas também de nossas equipes de colaboradores. Uma conquista do Sindisol nessa pandemia foi um acordo histórico assinado com o sindicato laboral, o Sechobar, que poupou mais de 1,7 mil empregos na rede gastronômica e hoteleira. Temos promovido inúmeras videoconferências, tanto com outras entidades de classe num movimento de união nunca visto antes em nossa cidade, quanto com a Santur, com a prefeitura, sempre buscando levar a melhor informação ao nosso associado. Temos lutado junto a esferas estaduais e municipais para que os empresários do setor sejam contemplados com flexibilização no recolhimento de taxas e tributos. O turismo de Balneário Camboriú é um setor muito tradicional, feito de empresas muito sólidas, temos certeza que sairemos dessa ainda mais fortalecidos."


“Necessidade evoca potencial”

Credito - Adriano Chagas

Terence Schauffert, proprietário do Felissimo Exclusive Hotel, na Praia dos Amores

“Independente da pandemia, todos sem exceção estão ou devem estar constantemente se reinventando. Nosso setor, o turismo, foi duramente castigado com essa situação! Pessoalmente acredito na força regional para a retomada das atividades gradativamente. Nossa região é rica, temos um mercado muito interessante em um raio de 200km, devemos focar nesse mercado a princípio, Vale do Itajaí, Curitiba, Florianópolis. Na sequência investir nas demais regiões do Brasil, que será tendência com a alta do dólar.

As empresas deverão ter seu foco no “down size”, otimizando seus recursos, trabalhando na especialização do seu nicho.

Não há mais espaço pra “tapa buraco”, profissionais que fazem a diferença serão sempre valorizados, haverá também uma valorização do emprego.

O Felissimo está preparado para navegar nessas águas turbulentas. Fizemos a lição de casa, acreditamos no aumento da procura da hotelaria boutique, com menor circulação de pessoas, sem elevadores e personalizada, como também no aumento das viagens dos brasileiros no país.

Deixo um último recado: “Necessidade evoca potencial” -Força Balneário Camboriú”.


“Pelos números de contágio e óbitos ainda temos muito a penar”

Credito - Divulgação

Olga Ferreira é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar)

“Assim como os demais segmentos, o Turismo foi cruelmente atingido por conta da pandemia instalada no mundo todo. Quando no dia 13 de março um navio de Cruzeiro foi impedido que seus passageiros e tripulação desembarcassem aqui em Balneário Camboriú e na semana seguinte o anúncio que Parque Beto Carrero iria fechar, sentimos duramente o que estaria por vir.

Imediatamente pedimos uma reunião com o Sindicato Patronal e iniciamos incansáveis negociações para "Garantia de Emprego", sentimos que a situação estava sendo controlada, mas nesses 60 dias a contaminação vem se agravando muito rapidamente na maioria das cidades brasileiras que são nossos clientes, mesmo com estabelecimentos abertos respeitando do distanciamento, EPIs e o quadro de empregados reduzidos, não há clientela.

O que vemos agora é o número de demissões aumentando, muitos trabalhadores com suspensão do contrato trabalho (conforme MP 369), com férias sendo tiradas antecipadamente, redução da jornada de trabalho (conseqüentemente redução do salário) e, infelizmente, alguns empresários se aproveitando dessa catástrofe para tirar direitos dos trabalhadores.

Se o decreto de isolamento tivesse continuado rigoroso como foi a partir de 15 de março, essa curva já teria sido achatada aqui no nosso Estado e no País, já estaríamos, aos poucos, retornando a movimentar nossa economia, mas isso não aconteceu e por falta de responsabilidade e negligência dos

nossos governantes. Pelos números de contágio e óbitos divulgados diariamente, ainda temos muito a penar”.


CONSTRUÇÃO CIVIL

Mercado em expansão pós pandemia

Credito - DivulgaçãoPMBC

É cada dia maior a expectativa sobre o pós-pandemia do Covid-19, nem os principais analista da economia mundial, conseguem traçar um caminho sobre o futuro do estrago que o coronavírus continua causando. O mercado segue em altos e baixos. A incerteza política e econômica que o país enfrenta não tem uma luz no fim do túnel.

Em Balneário Camboriú, cidade mais verticalizada do Estado, a construção civil retornou gradativamente depois de uma parada de quase 30 dias, com boas expectativas de mercado para o pós pandemia.

“Construção civil será uma ótima opção de investimento”

Credito - Divulgação/Sinduscon

Nelson Nitz, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon)

“A construção civil teve uma parada de quase um mês e retornou devagar. Há um fato, que é a doença, mas pela experiência de longa data no ramo da construção, sabemos que o nosso trabalhador não pode ficar muito tempo sem produzir. Pedimos a Câmara do Comércio de Santa Catarina (ACIBIG) para intervir junto ao governo do Estado pelo retorno. Os empresários estão tomando todos os cuidados, medindo temperatura, usando álcool em gel, distanciamento entre trabalhadores, todos com máscaras, EPIs, não temos visto contaminações no setor. Os mais idosos estão em casa. Nossos técnicos de segurança estão redobrando o trabalho de fiscalização.

Os nossos negócios são de médio e longo prazo, não podíamos parar por mais tempo. Essa parada seria tenebrosa.

Dois meses muito difíceis. Não estamos 100%, mas estamos trabalhando.

As vendas estão difíceis, mas temos consulta. Acredito que a construção civil será uma boa opção de investimento pós pandemia e acredito que o turismo será um segmento muito valorizado, porque as pessoas não vão viajar para o exterior, então vão investir no turismo interno e nós temos importantes opções de turismo em nossa cidade e região”.


“Este é um momento de agir com cautela e planejamento”

Credito - Samuel Melim

Tatiana Rosa Cequinel, presidente da EMBRAED

“O período em que estamos vivendo é desafiador para todo o mundo. Neste momento, nós da Embraed, atuamos com positivismo para dias melhores para todos e buscamos contribuir, com o que estiver ao nosso alcance, com ações para minimizar os efeitos da Covid-19 nas cidades de Balneário Camboriú e Camboriú.

Exemplos são as atividades realizadas por meio do Instituto Rogério Rosa (@institutorogeriorosa) com o mapeamento de ações sociais, além de doações de cestas básicas e equipamentos hospitalares para instituições, como é o caso do Hospital Ruth Cardoso. Por meio de nossa equipe de especialistas e parceria com entidades, o Instituto Rogério Rosa também iniciou um trabalho que visa orientar e apoiar pequenas e médias empresas na retomada das atividades.

Todos os setores da economia passam hoje por uma situação de incertezas e este é um momento de agir com cautela, através de um bom planejamento. Seguimos normalmente o nosso cronograma de produção nas obras e nos escritórios administrativos e vendas, tomando todos os cuidados no isolamento das pessoas em faixa de risco, usando os EPIs necessários, intensificando a limpeza dos ambientes e fazendo um trabalho de conscientização através do nosso endomarketing. Também adquirimos alguns testes rápidos.

Percebemos que há um perfil de público que está optando por investir mais em imóveis diante deste cenário, pelo alto índice de valorização e por ser uma alternativa de proteção de recursos a longo prazo”


É válido reforçar que este é um novo período, de redescobertas”

Credito - Divulgação

Alcino Pasqualotto Neto, presidente da Pasqualotto&GT.

“Acreditamos que toda mudança pode ser vista de maneira otimista, pois nos ajuda a desenvolver, a criar oportunidades e a crescer ainda mais. Nós adotamos diversas medidas para garantir a segurança e bem-estar de todos, estas que vão além do que preconizam os órgãos de saúde. A nossa avaliação referente a toda esta prevenção nestes mais de 60 dias tem gerado resultados muito interessantes, pois nos mantemos no desenvolvimento de metas, atividades, e como consequência, contribuímos com a nossa parcela para a movimentação do setor e da economia. É válido reforçar que este é um novo período, de redescoberta, de novas estratégias para todos os setores em nível mundial, mas acima de tudo, de empatia. Vemos que estamos cada vez mais conectados com o próximo – ainda que em distanciamento necessário.

Na Pasqualotto&GT nós também ampliamos as iniciativas em prol do próximo, com ações sociais, de acolhimento, arrecadação, doações, série gratuita on-line com foco nas dicas de bem-estar com participação de especialistas, entre tantas outras iniciativas. No que depender de nós, este período de distanciamento social acabará trazendo ainda mais motivação. Queremos que todos se sintam bem e seguros, fazendo o melhor pelo país, pelo município, pelo próximo e pelos seus”.


MERCADO IMOBILIÁRIO

Atrasos nos aluguéis e negociações

O setor imobiliário também foi diretamente afetado pela pandemia do Covid-19, muitas pessoas perderam seus empregos ou tiveram dedução nos salários e por isso não conseguiram pagar as contas, como os aluguéis. Há ainda os casos de comerciantes que precisaram fechar as suas portas. Mesmo assim, há pessoas que por influência da quarentena perceberam que gostariam de morar em outro local e estão apostando na compra de outro imóvel.

“Houve 30% de desocupação em Balneário Camboriú”

Sérgio Luiz dos Santos é presidente do Sindicato da Habitação (Secovi/SC)

“O ramo imobiliário de forma geral sofreu uma estagnação, tanto a comercialização como oferta. Houve 30% de desocupação em Balneário Camboriú, principalmente nos imóveis de pequeno porte, onde residia a classe trabalhadora. 12% dos locatários também não estão conseguindo pagar, mas estão acontecendo negociações, parcelamentos. Muitos inquilinos estão alinhando diretamente com o proprietário do imóvel, que proporcionam flexibilização, mas isentar do pagamento em hipótese alguma. Porém, há aproveitadores que querem ter algum benefício. Se a pessoa não consegue provar a perda da receita não estamos aceitando negociar. Vários pontos comerciais também fecharam. Há 4,5 mil pequenos comércios em Balneário e deve diminuir em 50%. Em alguns casos houve perdão de um mês de aluguel, descontos também. Passaram-se 60 dias e não há prognóstico de normalidade ainda, há uma barreira muito grande. A pandemia traz um outro conceito de sociabilidade, as pessoas não podem se aproximar, precisam comprar por dedução já que não podem provar um sapato, uma roupa, e comprar por hipótese nesse cenário econômico acaba não sendo uma boa opção para a maioria, que prefere não adquirir. O complicado é que a pandemia não tem fim, ainda não vemos uma luz no fim do túnel, por isso está difícil de trabalhar. O mundo econômico está sendo prejudicado de forma generalizada. Já sobre os condomínios, 40% de nossa população é idosa e percebemos que há certo estresse, além de brigas familiares, exaltação de alguns moradores que estão incomodados por estarem em casa o tempo todo, tudo isso gera transtorno psicológico, mas no geral percebemos um comportamento bastante educativo por parte da comunidade. Os funcionários também seguem trabalhando, conseguimos atravessar de forma condizente, porém temos que sair dessa situação o mais breve possível”.


“Me preocupo muito com o que virá pelo futuro”

Fabiane Schlindwein é corretora e presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Balneário Camboriú (ACIBC)

“O Brasil vinha dando sinais de recuperação econômica após quatro anos de dura recessão quando foi abalado por esta pandemia que afetou e está afetando duramente o mundo inteiro. Balneário Camboriú é uma cidade à parte do Brasil. Aqui a economia é forte e os problemas sociais são menores, mas todos estão tendo que se reorganizar com novos hábitos, cuidados com a saúde e reorganização financeira. Muitos comércios estão fechando, pessoas perdendo seus postos de trabalhos e a atividade econômica em retração. Como corretora de imóveis e presidente da ACIBC, me preocupo muito com o que virá pelo futuro. O turismo foi fortemente afetado, os investimentos irão diminuir e as demandas sociais irão aumentar. As pessoas terão que criar novas formas de se relacionarem nos negócios e as mídias sociais poderão ajudar muito. O que devemos fazer é tomar os cuidados necessários, levantar a nossa autoestima e ir à luta como bons brasileiros para recuperarmos a nossa economia e a saúde de todos”.


“Há muitas negociações acontecendo”

Flávio Júnior Pavan é corretor de imóveis e proprietário da 100% Imóveis

“Nosso foco é mais em vendas, não trabalhamos tão forte com as locações, mas houve casos de clientes que atrasaram alguns dias, que a renovação do contrato do aluguel teria aumento, e conseguimos negociar tudo isso. Há muitas negociações acontecendo, as partes estão conseguindo acertar descontos, por exemplo. Os proprietários normalmente preferem esperar a situação se normalizar e todos estão entendendo o cenário que estamos vivendo, é um problema mundial. Estou trabalhando 60 dias em casa e está sendo tranquilo atender os clientes. Mesmo com a pandemia, está havendo uma procura grande de imóveis. O juro baixou, as pessoas estão muito em casa e sentiram que querem se mudar. Fizemos vendas, em imóveis de menor valor (até R$ 500 mil), mas conseguimos vender. Os anúncios que estamos fazendo dobraram a procura. Não conseguimos levar clientes em locais onde há pessoas morando, nem peço por respeito, mas nos imóveis desocupados estamos conseguindo ir. Claro, com máscara, álcool gel, distanciamento. Há uma incerteza do que vai acontecer, muita incógnita sobre o segundo semestre. Normalmente é muito forte por conta da temporada, mas ainda não dá para saber como será o mercado. Estava havendo um crescimento em relação a 2019, mas a pandemia modificou tudo”.


CULTURA

Artistas opinam sobre o cenário e analisam futuro

Os artistas vêm sendo essenciais nesse período de isolamento social, com suas lives e interações virtuais com o público. Porém, a situação econômica de muitos deles não é positiva, já que a maioria depende do contato com o público, como atores, bailarinos, músicos. A Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC), junto do Conselho Municipal de Política Cultural, vem desenvolvendo ações para apoiar a classe, como a arrecadação e doação de alimentos e a assinatura dos contratos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) – que deve acontecer até julho, além da disponibilização de espaço para gravação de vídeos no Teatro Municipal Bruno Nitz e uma ‘feira online’ através do site da FCBC.

“A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”

Denize Leite é presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú

“A cultura foi um dos setores mais afetados pela pandemia, e também provavelmente será o que mais vai demorar para retornar. Realizamos com o Conselho da Cultura um diagnóstico junto aos artistas e tivemos 210 respostas, que apontam quais foram as áreas mais afetadas. Nos preocupamos com os artistas da cidade e discutimos de que forma poderíamos aumentar e continuar a movimentar a economia, mesmo com a pandemia. Conseguimos dar continuidade à LIC (Lei de Incentivo à Cultura). O processo está com o Comitê Gestor e assim que for liberado vamos assinar os contratos com os artistas contemplados. Eles têm a garantia que vão receber seus recursos e em cima disso vão movimentar a cadeia produtiva de uma forma bem significativa. Porém, a FCBC não vive só da LIC; outras ações aconteceram paralelamente. Estamos apoiando os pescadores, que estão trabalhando na safra da tainha, conseguimos tendas para eles e apoio logístico, divulgamos e destacamos a importância da valorização da pesca artesanal, que é um patrimônio cultural de Balneário. As feiras (das praças da Cultura e do Pescador e também da Rua 200) foram bastante afetadas e considerando isso criamos a Feira Online, em um hotsite através de nosso site (www.culturabc.com.br). Já estamos com 21 artistas inscritos, que estão em contato com potenciais clientes, mostrando seus produtos, entregando via delivery. O bacana é que a Feira Online funciona 24h e não somente nos dias de feira. Para participar, o artista deve mandar fotos e descrições de seus produtos. Outra ação foi a utilização do Teatro Bruno Nitz, que conta com infraestrutura de câmeras, som, computadores e apoio técnico para auxiliar artistas a gravarem seus vídeos, lives, videoaulas, etc. Como os eventos presenciais foram cancelados e possuíamos o edital de credenciamento, chamamos os artistas credenciados para fazer lives remuneradas, que acontecem todas as quartas às 20h, pelo Facebook da prefeitura. O credenciamento tem vigência até julho e já estamos trabalhando em um novo. A parte social também foi priorizada, com apoio aos artistas que precisam. Conseguimos doação de proteínas e cestas básicas e 49 famílias já foram contempladas. Vamos seguir entregando enquanto tivermos estoque. Seguimos desenvolvendo novos projetos, estamos muito empenhados nisso. Vejo que Balneário Camboriú está de parabéns porque não mediu esforços em lançar e inovar dentro de um momento tão difícil como é a pandemia. Muitos dos funcionários da FCBC poderiam estar em home-office, mas estão trabalhando presencialmente em dois turnos porque queremos estar disponíveis para apoiar os artistas. Agradeço a eles porque estão se desdobrando e motivados em apoiar a classe. A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”.

“Estamos à deriva”

Dagma Castro é presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Balneário Camboriú

“Cada dia mais incertezas do futuro nos cercam. Os números do país são assustadores e também ao nosso entorno. A cadeia produtiva da cultura está estancada e os trabalhadores sem políticas de governos, em todas as esferas. Apenas esperanças em PLs dos legislativos (federal e de SC) que poderão dar um fôlego aos trabalhadores da cultura, e que poderão ser vetados por um governo que persegue a cultura. No que se refere a nossa cidade, algumas ações acontecem, mas somente de editais já fechados antes da pandemia; também de coletivos que se movimentam construindo alternativas. A Fundação, sentimos, tem buscado, dentro do possível, fortalecer a cultura local com as lives e auxiliar com alimentos, aos que vieram com este pedido no formulário; que inclusive está sendo trabalhado no diagnóstico colhido dele. Mas já sabemos que áreas mais impactadas são a música, o teatro, o artesanato e a produção cultural, proporcionalmente as demais áreas, toda a cadeia está atingida, fato. Do Conselho e artistas estamos com a força tarefa no Mercadinho, nas doações que recebemos e distribuímos. Mas no quadro geral está muito difícil, somos muitos e diversos nas áreas artísticas; algumas com perspectivas de retorno só em 2021- shows e peças de teatro, estas áreas lidam diretamente com o número de público, estarão impedidas (necessariamente) por muito tempo, como vão sobreviver? Tudo está interligado, se não temos políticas de contenção da pandemia o efeito é em cadeia também na cultura. Estamos à deriva e buscando construir botes salva-vidas para todos. Logo o grupo do SOS Artistas terá outra ação muito legal para a cidade e para contribuir financeiramente com os artistas. Contamos mesmo com nossa criatividade e a empatia do povo que está percebendo o valor da cultura, é nós por nós”.


“Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare”


Monique Neves, produtora e atriz da Primo Atto Escola de Teatro

“No cenário teatral, assim como em outras áreas da Cultura, a paralisação das atividades presenciais atingiu e muito o nosso rendimento econômico. Tanto no que se diz respeito as apresentações artísticas de espetáculos nos palcos, teatros, praças e escolas, quanto também as nossas atividades educacionais de formação com aulas de teatro. Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare, como lives, aulas online e chapéu virtual para as apresentações a distância. Porém não surtem o mesmo efeito, diminuindo e muito o retorno financeiro dos artistas e profissionais da área para seu sustento. Se tratando de Teatro, esta arte é conhecida como a “arte do encontro”, e esses encontros estão impedidos de serem realizados, pelo menos pessoalmente, por enquanto. Além dos fatores humanos que a arte foi impedida de atuar presencialmente, também existem os aspectos financeiro de se manter os espaços culturais. Para que a arte seja produzida, para que os artistas ensaiem seus espetáculos, para que as aulas possam ser ministradas, é necessária toda uma estrutura. Tudo isto tem custos como qualquer outra empresa: aluguel, água, luz, manutenção, funcionários, etc. Com nossas atividades paralisadas, não temos de onde tirar os recursos necessários para que os espaços e escolas de artes se mantenham. Uma das alternativas que buscamos para sustentar nossa Escola foi a negociação com os pais de nossos alunos, para que continuem pagando as mensalidades, mesmo não podendo ter aula presencial, mas que serão repostas mais a frente, e também a oferta de aulas online. Porém, nem todos podem aderir ao novo formato e acabam optando pela desistência. Perdemos um grande número de alunos, consequentemente nossa renda para nos mantermos. Criamos também um novo curso de teatro 100% online especialmente voltado para professores que estão com dificuldades em gravar suas aulas online. E assim seguimos, mesmo com a paralisação de nossas atividades presenciais, tentando sustentar tanto nossas despesas e necessidades pessoais como cidadãos que somos, quanto manter nossas estruturas profissionais que também necessita de grande demanda econômica para manter-se viva”.


“A situação não é fácil”

Rafaela Backer é musicista e presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário Camboriú

“Falo em nome de vários dos meus colegas, como presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário. Sem dúvida a área da música foi uma das grandes afetadas nessa pandemia. Fomos uns dos primeiros profissionais a pararem e sem dúvida seremos os últimos a retornarmos. Balneário Camboriú tem inúmeros músicos que atuam diariamente fazendo shows, lecionando, temos muitas casas, bares, restaurantes, eventos municipais, espaços culturais, hotéis, que permite os músicos terem na profissão o seu principal sustento. Sendo assim, fomos diretamente afetados. Os músicos que são professores conseguiram contornar um pouco a situação, através das aulas-online, que conseguiram inclusive aumentar o número de alunos. Não resolve o problema completamente porque as escolas de música, músicos que davam aulas particulares, perderam significativamente seu número de alunos. As lives também foram positivas, já que foi possível continuar produzindo através delas e até mesmo ganhar com isso. Porém, dificilmente o público tem condição de apoiar financeiramente todos os artistas, pois são muitas lives sendo oferecidas, além daqueles que têm atuação nacional, internacional, com mais visibilidade. A maioria das lives são gratuitas, então acaba sendo difícil concorrer. Estabelecimentos como bares e restaurantes voltaram, mas os músicos não, seja por conta de corte de gastos como também o preconceito do público, que está discriminando as apresentações. Temos casos bem absurdos que aconteceram na região. Há ações muito positivas acontecendo, a exemplo do Conselho da Cultura, que criou o Mercadinho da Cultura, apoiando artistas que precisam, além das lives remuneradas que estão acontecendo através da prefeitura. Há pessoas e estabelecimentos que também estão nos apoiando. A situação não é fácil, apesar de serem várias frentes de atuação que o músico tem a principal delas é a apresentação presencial. Os músicos em Balneário têm uma presença muito importante, há muitos artistas da área, e realmente vemos como a situação está triste. Agora nesse momento de isolamento, quando temos essa certa de solidão, a gente recorre à arte, lemos livros, assistimos filmes ou lives, ouvimos músicas; e percebemos o valor que tem a arte para ajudar no psicológico, em nosso equilíbrio, na nossa alma. Seguimos transmitindo a nossa expressão, o que podemos, para trazer um alívio e conforto para a sociedade, enquanto aguardamos por uma cura e solução”.


“Tudo provavelmente irá atrasar”

Fernando Dalla Nora é bailarino, professor de dança contemporânea no Studio de Dança Adriana Alcântara e membro do Núcleo Corpóreo

“No começo da quarentena foi complicado, apesar de que ainda está sendo. No studio conseguimos dar aulas online, mas diminuiu em 50% a nossa demanda. Seguimos com aulas online e também presencial, mas com no máximo cinco por turma, antes as turmas eram de no mínimo 10 alunos. É difícil, porque o contato com os alunos muda bastante, há uma incerteza no ar. No Núcleo a nossa realidade é ainda mais diferente, já que trabalhamos com projetos culturais. Fomos aprovados na LIC deste ano, mas ainda não assinamos o contrato, estamos aguardando a Fundação Cultural. Porém, quando a LIC iniciar já estamos pensando em modificar algumas coisas, adaptar para virtual. Trabalhamos com um público menor, mas as pessoas ainda estão apreensivas de sair, de ir ao teatro, acredito que os projetos devem ficar para o ano que vem. Tudo provavelmente irá atrasar. Não só a dança, mas outras atividades físicas foram deixadas em segundo plano, e não deveria ser assim. Devemos seguir cuidado da nossa saúde corporal, que influencia também na mental. A dança ajuda nesses dois aspectos. A prática esportiva é essencial, também combate o ócio que o isolamento social causa”.


“Dois projetos novos: plataforma de streaming e drive-in”

André Gevaerd é cineasta e proprietário da Cineramabc Arthouse

“A Arthouse fechou até antes da quarentena ser imposta porque entendemos a gravidade do que estava acontecendo, que até então ainda era desconhecido. No passar desses dois meses surgiram dois projetos novos. Estamos entrando no cinema virtual, com a criação de uma plataforma de streaming que está na fase final e logo deve começar a operar e estamos planejando um drive-in com sessões de cinema comerciais. O drive-in está nos estudos finais para execução. Queremos instalar algo com qualidade suficiente para se tornar uma experiência agradável ao público, e isso tem custo alto. Acredito que mesmo se acontecer a reabertura de casas de shows, cinemas, a operação será reduzida, com risco de retrocesso frente a alta na pandemia, e por isso temos essa segurança quanto ao drive-in. Porém, precisamos de um decreto por parte da prefeitura, ainda não há nada nesse sentido em Balneário Camboriú ou em Santa Catarina. Estamos aguardando uma clareza nesse aspecto. Não podemos simplesmente abrir. Já há municípios fazendo decretos e regulamentos nesse sentido priorizando a segurança. Brasília já fez decreto e conta com um drive-in em funcionamento; Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro também contam com projetos nesse sentido. Estou recebendo ligações diárias, estou em contato com fornecedores e parceiros para que tudo aconteça da forma certa e que não vejam que em Balneário Camboriú fomos ‘aventureiros’”.


IGREJAS

Coronavírus também mudou a rotina

As igrejas também precisaram se adequar nesse período de isolamento social em prevenção ao Coronavírus. Inicialmente, os templos estavam proibidos de atender ao público, inclusive passando por uma Semana Santa e Páscoa de forma virtual, mas recentemente o retorno dos cultos e missas foi permitido – com limite de público, distanciamento social, uso de máscaras e álcool gel. Porém, muitas das igrejas optaram por seguir transmitindo suas celebrações de forma online, como a igreja luterana Martin Luther, de Balneário Camboriú, que seguiu as orientações da direção nacional da IECLB (sediada em Porto Alegre) e suspendeu todas as atividades presenciais, desde o início da pandemia, fortalecendo a importância do distanciamento social. Os cultos tornaram-se virtuais e demais ações seguiram através de contatos por internet ou telefone.

“Continuidade à evangelização por novos meios”

Frei Daniel Dellandrea é o pároco da Igreja Matriz Santa Inês

“A pandemia da Covid-19 trouxe à sociedade uma grave crise humanitária. Assim como todas as instituições, a Igreja Santa Inês, desde o dia 18 de março, teve que suspender todas as celebrações das missas e ações pastorais presenciais. Diante da nova realidade foi preciso dar continuidade à evangelização por novos meios para que a palavra de Deus possa chegar aos paroquianos levando conforto espiritual e esperança. Juntamente com a Pastoral da Comunicação (Pascom) foram delineadas algumas estratégias para cada tempo litúrgico que celebramos: missas transmitidas pelo Facebook da paróquia e aos domingos em parceria com a TV Litoral Panorama, oração do Angelus ao meio dia até a Páscoa, envio por meio do WhatsApp da reflexão diária da Palavra de Deus, encontros da catequese online e incentivo ao acompanhamento semanal dos pais. Na ação social estão sendo realizadas doações de cestas básicas e de produtos de higiene a diversas famílias. Agora, com a possibilidade de missas novamente com o povo, seguimos todas as recomendações de prevenção: limitando o número de participantes (por isso necessário agendamento prévio na secretaria), adaptação nos horários de missas para permitir a higienização entre uma missa e outra, e intensificação das transmissões, agora praticamente diárias”.


“Temos que apoiar as decisões tomadas e não procurar culpados”

Michael Aboud é pastor da Embaixada do Reino de Deus

“Esses 60 dias tiveram várias fases, e realmente fases necessárias. Primeiro foi o fechamento, faltavam testes e conhecimentos, falavam de cloroquina, não tinha nada certo, como ainda não tem. Foi uma forma de prevenção, zelo e cuidado. A reabertura gradativa se deu porque é necessário voltar; temos que proteger a população para não ficarmos doentes, mas há também a questão de precisar evitar a quebra financeira. Vejo que a abertura deveria ser bem rigorosa com grupo de riscos, aqueles de idade avançada e que possuem diabete e hipertensão, evitando também as aglomerações. Se fosse dessa forma rigorosa mesmo talvez a reabertura pudesse ter acontecido até um pouco antes. Observo que políticos, a mídia, líderes de todos os setores, procuram culpados e não há. Fechar ou abrir tudo está errado, tomar medicamento por conta também. Quem toma decisão pode errar e quem não toma já errou. Temos que apoiar as decisões tomadas e não procurar culpados. Se tivéssemos consciência desde o início os prejuízos estariam mais atenuados. Nosso templo é muito grande, com capacidade para três mil pessoas, e o governo permitiu a capacidade de 30%, que seriam quase 900 lugares. Pensamos que poderia causar problema no fluxo de chegada e saída, por isso optamos por 22% de ocupação, com ar-condicionado com filtros, portas abertas para fluxo de ar constante, disponibilizamos álcool gel, máscaras e luvas. Uma poltrona é utilizada e duas são fechadas. Uma fila é ocupada e a de trás não pode ser utilizada. Nossos cultos passaram a ter duração de 40 minutos ao invés de 1h20min, para que as pessoas permaneçam por menor tempo. Só má notícia adoece as pessoas psicologicamente emocionalmente. A igreja é um lugar de refúgio muito importante, é essencial recorrer a fé e oração. Os grupos de risco não estão indo, e continuamos a transmitir todos os nossos cultos online, para que o público possa seguir acompanhando”.


NOVOS HÁBITOS

Coronavírus potencializou o home-office e mudou hábitos

Apesar de já difundido mundialmente, o home-office é uma nova realidade para muitos trabalhadores, que viram no trabalho remoto a chance de continuarem a produzir. Porém, o isolamento social e a continuidade da rotina pode gerar ansiedade, estresse e até mesmo medo, considerando que ainda não há uma previsão do fim da quarentena.

“Foi um misto de novidade com pânico”

Caroline Mezadri Cardon Dell’Aira é publicitária e está trabalhando pela primeira vez de forma home-office

“Foi dia 17 de março que fomos trabalhar na agência física e a minha chefe nos comunicou que irÍamos passar a trabalhar home-office devido a pandemia que estava se instaurando. Foi um misto de novidade com pânico e em pensar em várias estratégias para se manter em casa. Na época, meu marido e eu morávamos com meus pais. Então a ergonomia prejudicou um pouco o trabalho na questão de concentração, pois estava complicado adequar o notebook, a mesa e a cadeira. Muitas vezes passei o dia sentada na cama para trabalhar. Foi também um momento em que todos estavam se adequando, clientes, agência, processos, a própria casa, pois tínhamos que nos planejar para as idas ao mercado, convencer os pais de ficar em casa. No início, foi uma situação delicada até para criar conteúdos para as redes sociais, pois a mudança na situação era constante, então, o planejamento que a gente fazia para uma semana, de repente mudava e tínhamos que criar de novo. Apesar de tudo, foi uma adequação rápida, pois fomos movidos pela vontade de fazer dar certo. Aos poucos fomos nos acostumando com o novo normal. No meio disso tudo, eu fiz mudança. Tive que me adequar duas vezes. Consegui arrumar um mini escritório. Hoje está muito mais confortável. Não perdemos o contato, estamos trabalhando com videochamadas, WhatsApp e também com o Trello para nos organizarmos. Pelo lado positivo, estamos menos expostos a riscos, eu moro em Itajaí e ia todos os dias até Balneário de moto. Podemos fazer a comida na hora do almoço, evitamos a correria e ainda é possível ter uma cobertinha pra espantar o frio durante o trabalho (risos). São coisas que influenciam na nossa qualidade de vida. Por outro lado, o dia a dia da agência era muito bom, tínhamos momentos de descontração. Creio que criamos novos processos, novos conteúdos, pensamos mais nos outros, criamos novos formatos, como as lives semanais que a agência vem fazendo e proporcionando experiência novas. Estamos numa realidade diferente, creio que estamos descobrindo muitas coisas, dando valor a outras que pareciam tão comuns. A equipe da agência está amadurecendo muito, puxando a responsabilidade pra si. Estamos aprendendo novas habilidades. Às vezes é mais cansativo estar em home-office do que ir para a agência e voltar para casa, pois parece que estamos trabalhando o dobro. Uma coisa que eu percebi muito nessa pandemia, foi o valor das profissões como a dos comunicadores, dos biólogos, médicos, enfermeiros, enfim, algumas profissões que não recebiam o valor devido, hoje recebem. Então o nosso trabalho enfim está sendo visto com outro olhar”.


“Não devemos nos exigir demais”

Silvana Borba Gallina é psicóloga

“Sigo atendendo meus pacientes e também entraram novos, toda semana isso tem acontecido, na verdade. Percebo que quem não tinha ansiedade passou a ter. É um momento único, ninguém imaginou que podia acontecer, não tem ninguém para relatar algo parecido. Se acontecesse uma Terceira Guerra Mundial teria uma análise de algo parecido. Citam a Gripe Espanhola, mas nenhuma peste se compara. É um momento que muda a cada semana, e tem sido um desafio diário para todas as famílias, que vivem novas descobertas dentro de casa. Casais que não conviviam muito estão juntos o tempo todo, pais me relatam que estão descobrindo os seus filhos. Está havendo um resgate de hábitos, como o de telefonar para familiares e amigos, gerando essa comoção positiva de preocupação, empatia. E temos que buscar essa intenção positiva, analisar o que a pandemia está contribuindo. Por mais que nos sentimos isolados, enclausurados, cada pessoa vê a pandemia de uma forma, temos que buscar para o que está acontecendo. Sei que nem todas as famílias estão em plena harmonia, há dificuldade com as crianças e adolescentes por conta da escola, e eu digo que não é hora de exigir alto rendimentos. No começo havia uma necessidade de seguir rotina, mas agora não é momento para gerar mais ansiedade. Antes havia a preocupação de reduzir o tempo dos filhos com eletrônicos, e agora isso pode ajudar. Não devemos nos exigir demais, não temos que assistir todas as lives, acompanhar todas as notícias. Precisamos nos distrair com o que gostamos, fazer atividades com os as crianças como assistir TV e jogar jogos de tabuleiro, por exemplo. O ideal é acompanhar as notícias no máximo uma hora por dia, incluindo TV e jornais online. Precisamos ter uma rotina saudável, fazer as refeições nos horários certos, se possível praticar exercícios dentro de casa. As pessoas não devem se privar de buscar ajuda se não estão se sentindo bem, é importante que busquem e acionem sua rede para auxiliar nesse momento, nem que seja virtualmente”.


“Ansiedade foi o que predominou até agora”


Miriam Pereira é psicóloga

“Se alguém tinha dúvida quanto a importância da saúde mental, não restou nenhuma. Vejo que ela será encarada de outra forma. O estresse atingiu todo mundo, uns mais, outros menos. Logo no início todos fomos privados de ir a rua, fazer atividades ao ar livre, deixou todo mundo mais ou menos estressado e afetou psicologicamente. Algumas pessoas desenvolveram ansiedade, depressão, que antes não tinham. Quem já tinha algum sintoma ou algum transtorno acabou acentuando. Ainda teremos pessoas desenvolvendo doenças mentais daqui pra frente, é esperado e provavelmente teremos bastante trabalho em relação a saúde mental. Ansiedade foi o que predominou até agora, pessoas com crise ansiosa, extremamente preocupadas com a pandemia, mudanças que ela gerou não só na vida delas, mas no mundo inteiro. Todo o contexto econômico, político, social, além de todas as notícias que recebemos provocaram em algumas pessoas desespero, em outras desânimo, afetou bastante os relacionamentos. Exigiu a convivência familiar ou às vezes a solidão para quem mora sozinho, e tem sido um período de reflexão, as pessoas passaram a olhar para si mesmas, refletindo sobre o que é importante e como algumas coisas que antes não eram valorizadas são importantes, como o ir e vir, encontros com amigos, e o trabalho, que agora será visto por outra perspectiva. Teve mães que descobriram o que é cuidar e conviver com os filhos, tendo que encontrar uma maneira de adequar a rotina. Há desafios para as crianças também, com aulas-online, e sentindo falta do convívio que tinham na escola, que agora não está acontecendo. Os profissionais de saúde também merecem atenção, estão exaustos, sentem a pressão física e psicológica e estão na linha de frente, com o receio de se contaminarem e também se colocam como risco para seus familiares, já que estão em contato com pessoas que podem estar contaminadas, podendo ser hostilizados pela população e até por seus familiares. Eles podem desenvolver doenças mentais daqui pra frente também. A principal dica é criar uma rotina que seja prazerosa, como manter alguns itens da rotina antiga, evitando assim sentir o impacto da nova realidade. Há quem goste de ver séries, ler, cozinhar, ouvir música, dançar, escrever, colocar no papel os sentimentos, os medos. Meditação também é incrível nesse momento porque é um exercício que faz a pessoa se manter no presente, o que gera a ansiedade é a preocupação com o futuro, e há coisas que não dependem da gente, temos que dar tempo ao tempo”.



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