Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Segurança pública em Balneário Camboriú teve que se ajustar às dificuldades impostas pela pandemia

Os responsáveis analisam primeiro semestre e falam sobre ações futuras

Quinta, 2/7/2020 8:16.

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Renata Rutes

A pandemia do novo Coronavírus afetou também o trabalho dos responsáveis pela segurança de Balneário Camboriú, que ampliaram suas ações, como fiscalizar e apoiar a população e a prefeitura da cidade, nas barreiras sanitárias, por exemplo. Outra preocupação está relacionada diretamente com a decisão do Poder Judiciário em liberar 1.077 presos em Santa Catarina, sendo 128 somente no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, que fica no Bairro Canhanduba, em Itajaí. 105 deles cumpriam pena no presídio e 23 na penitenciária e são pessoas que estavam próximas de progredir para o regime aberto ou que integram grupo de risco, como idosos ou doentes crônicos. Houve detentos que foram presos novamente cometendo outros crimes na região. O número de homicídios em Balneário também aumentou, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina: no mesmo período de 2019 a cidade registrou sete homicídios (chegando a 17) e até o momento já são 10; em Camboriú a situação é igual: de quatro em 2019 para oito em 2020. Porém, o município vizinho conseguiu diminuir consideravelmente os números gerais: em 2018 foram registrados 26 homicídios na cidade e, em 2019, 15.

Em meio a esse cenário, Balneário Camboriú conta também com um ‘novo’ secretário de Segurança, Antônio Gabriel Castanheira Júnior, que retornou ao cargo que ocupou de janeiro de 2017 a janeiro de 2019.

Considerando isso tudo, o Página 3 conversou nesta semana com representantes das forças da segurança de Balneário Camboriú e Camboriú, que analisam o primeiro semestre na área e antecipam os planos para o restante do ano, que também está sendo bastante atípico para eles.

“Não adianta agirmos depois que acontecer o crime”

ANTÔNIO GABRIEL CASTANHEIRA JÚNIOR, secretário de Segurança de Balneário Camboriú

“Não posso fazer uma análise do primeiro semestre, porque eu não estava aqui, mas sei que, como em boa parte das cidades, a segurança de Balneário Camboriú ficou abalada, já que os profissionais passaram a auxiliar também na parte da saúde. Essa movimentação do efetivo reflete também, assim como o número de presidiários colocados em liberdade também agravou a situação. Furtos e roubos aumentaram, e isso era uma tendência com a liberação desses presos. Por isso, estamos aumentando o patrulhamento, colocando viaturas em pontos estratégicos, rodando pela cidade. Não adianta agirmos depois que acontecer o crime. Há pontos específicos de atuação na cidade de acordo com a ‘mancha do crime’, e com esses patrulhamentos que intensificamos tende a antecipar a ação dos criminosos. Os marginais sentem a presença efetiva das forças da segurança, o que tende a coibi-los. A integração da Guarda Municipal com as demais forças não pára. Me reuni com a PM e vamos continuar agindo em conjunto. Estamos lidando agora com o efetivo da PM e da Guarda focados na situação de cumprir os decretos de prevenção ao Covid-19, que é uma questão emergencial, mas agora no segundo semestre vamos focar em ações conjuntas, assim como com a Polícia Civil. Vamos seguir na ação de intensificação de patrulhamento para os marginais sentirem a nossa presença, é isso que queremos mostrar. A Guarda também retomou com um projeto que eu tinha desde a minha gestão passada, com ações específicas nos bairros. É uma operação saturação, duas vezes por semana em cada bairro. Na terça-feira (30) estivemos na Barra e no São Judas Tadeu. Realizamos abordagens, patrulhamentos. Em cada bairro temos um contato direto com a população através de um supervisor (um guarda municipal), e assim conseguimos manter um contato direto com a população de cada local da cidade. As associações de moradores nos passam as demandas e conseguimos ter um feedback muito mais rápido a respeito das situações que incomodam no dia a dia, conseguindo planejar ações mais focadas. Quero que a população sinta a presença da GM de forma mais intensa”.

Fotos da operação nos bairros que teve início na última terça-feira.


“Se eles não respeitam nem a lei penal, não vão respeitar a da área da saúde”

FÁBIO MOREIRA OSÓRIO, delegado regional de Balneário Camboriú

“O que depender da Polícia Civil, a integração com a PM, IGP, Guarda Municipal e Bombeiros está mantida, assim como com a sociedade civil organizada, que é muito participativa. De forma rotineira sou procurado pelos Conselhos de Segurança (Consegs) da cidade, associações de moradores, eles nos passam informações, se colocam à disposição. Balneário Camboriú se destaca por isso, é um diferencial da cidade essa participação da sociedade e auxilia muito no trabalho desenvolvido pelas forças da segurança. Em razão da pandemia fomos muito afetados, passamos por um período de readaptação, não pudemos fechar as portas, mas adotamos uma rotina de atendimento, de preservar a população e os policiais. Tivemos pontos positivos: conseguimos fortalecer dois pontos: antes possuíamos apenas um delegado na Divisão de Investigação Criminal (DIC), o Vicente, e agora conseguimos o Ícaro também, dando uma maior robustez ao trabalho investigativo da Polícia Civil. É a DIC que apura os crimes de maior repercussão da região, envolvendo vidas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro. Conseguimos lotar na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) a doutora Ruth, para auxiliar a delegada Inara. Encerramos 2019 com 16 homicídios e 86% de resoluções dos mesmos. Sabemos que até o momento foram nove homicídios em 2020 a (Secretaria de Segurança Pública informou 10), mas é normal ter essa oscilação de dados e há casos específicos, como o da lavação (localizada na Rua 3.800, ocorrido em fevereiro) onde três pessoas foram mortas. Estamos concentrando esforços para elucidar o maior número possível de homicídios e tentar também frear esse tipo de delito. Continuaremos também articulando operações, inclusive com a Polícia Civil de outros estados, como já estamos fazendo, com o objetivo de resolver homicídios e coibir o tráfico e lavagem de dinheiro. Fechamos 2019 com mais de 1.030 prisões em flagrantes em Balneário Camboriú, em 2018 o número foi parecido, e nesse ano já foram mais de 530 autos de prisões em flagrante. Com base nesses dados, podemos ver que as forças da segurança estão prendendo muito, mas os criminosos costumavam ficar mais tempo presos, eles estão voltando com mais brevidade ao convívio social, tornando o nosso trabalho um grande desafio. Há muitos presos reincidentes também, grande parte deles com inúmeras passagens pelo sistema penitenciário estadual, e a legislação dá margem para isso. É um trabalho muito árduo e por isso a importância ainda maior da integração das forças, canalizando esforços no combate a criminalidade. O segundo semestre ainda está muito incerto em razão da pandemia, mas a Polícia Civil segue agindo diariamente, realizando operações de combate ao tráfico de drogas e eventuais lavagens de dinheiro. Muitas pessoas vêm para a região, possuem bens aqui (que são apreendidos); trabalhamos também na elucidação de homicídios, tudo isso visando dar mais segurança para a nossa comunidade. Houve uma redução pontual na criminalidade no início, mas agora os crimes voltaram. Se eles não respeitam nem a lei penal, não vão respeitar a da área da saúde. Estamos sempre à disposição de todos”.


“A polícia está chegando antes que a marginalidade realize algo”

Tenente-coronel JOFREY SANTOS DA SILVA, comandante da 3ª Região de Polícia Militar (RPM) com sede em Balneário Camboriú e abrange ainda os municípios de Camboriú, Itajaí, Penha, Bombinhas, Nova Trento, Major Gercino, Porto Belo, São João Batista, Canelinha, Tijucas, Itapema, Luiz Alves, Balneário Piçarras e Navegantes

“Houve uma mudança no cotidiano das pessoas por conta da pandemia, e isso acabou exigindo uma certa adequação por parte da PM em relação ao nosso trabalho, como cuidado com a tropa, treinamento diferenciado, diminuição da permanência do efetivo nas ruas, mudanças de escalas, já que os policiais ficam muito tempo na rua e consequentemente mais expostos. Diversos criminosos também estão nas ruas em razão da liberação e isso também exigiu intensificação de nossas ações. Ou seja, ocorreu uma redobrada em nossa demanda, prendemos novamente pessoas que haviam ganhado liberdade e voltaram a delinquir. O lockdown das 23h às 6h retornou, em razão da irresponsabilidade principalmente da juventude, que não está tomando os mínimos cuidados de prevenção ao Coronavírus, e também demandamos um efetivo para atuar na fiscalização – de pessoas, ambientes, cobrando o uso de máscara e reprimindo aglomerações. A PM também é uma autoridade sanitária de saúde, e por isso estamos apoiando o governo municipal dessa forma. Vemos que a presença policial tem continuado a surtir o efeito de sensação de segurança para a população, além da diminuição de crimes. Estamos apreendendo drogas, além do alto índice de prisões, reprimindo também o narcotráfico em toda a região, e no segundo semestre vamos continuar efetivando essas operações, assim como as ações integradas com outras forças da segurança, que acaba sendo um benefício para a comunidade, que é o que nos importa. Vejo que os homicídios estão com pouca oscilação, sendo números parecidos com os outros anos. A polícia está chegando antes que a marginalidade realize algo, quando eles tentam se esforçar contra a polícia, que é mais preparada, há o enfrentamento. Se um agente atira contra a polícia, nós revidamos também. É importante a presença da PM, conhecer o terreno. Não podemos dizer que vamos conseguir erradicar determinado delito, mas um aumento como o atual não quer dizer que houve aumento na criminalidade. O primeiro semestre foi praticamente de adequações, no segundo queremos estar ainda mais presentes, seguindo com operações policiais como Lei Seca e também apoio às vítimas de violência doméstica. Tudo vai ser intensificado”.


“Tentamos monitorar as facções, isso é algo que ocorre no Estado todo”

Major PM Sub Comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar de Balneário Camboriú, JEFERSON SEBASTIÃO VIEIRA, atualmente respondendo pelo comando

“O primeiro semestre foi de muito trabalho e também resultados positivos, com apreensões de drogas, armas, prisões. Fizemos também operações focadas nos furtos de bicicletas, tiramos de circulação os principais infratores que atuavam nessa ‘área’. Por conta do Covid-19 tivemos que adequar o nosso modus operandi, focando em ações preventivas junto da comunidade, repressivas também em questão das fiscalizações. Foi uma adaptação geral dentro dessa ‘nova normalidade’, a população também vem se adequando, e a cada dia há uma novidade. Mas os próprios moradores da cidade nos apoiam, estão conscientes das medidas de prevenção. As ações com as demais forças da segurança também continuam, nos reunimos recentemente e seguimos juntos, fortalecidos. O trabalho integrado é muito positivo e também facilita para a sociedade como um todo. Vejo que o número de homicídios atual não significa uma maior incidência da criminalidade. São casos pontuais, como o do triplo homicídio. A linha tem se mantido tênue nos últimos anos (em questão de números de crimes). Seguimos também com nossas ações preventivas e de inteligência, é algo constante (a exemplo do flagrante em uma facção criminosa que se reuniu em maio no Bairro da Barra, onde houve confronto e óbito de três suspeitos) para evitar situações maiores. Tentamos monitorar as facções, isso é algo que ocorre no Estado todo, e quando suspeitamos de algo agimos. Para o segundo semestre queremos dar continuidade ao trabalho que já vem ocorrendo, vamos aguardar para ver como se procede a pandemia, mas já estamos pensando em ações para as eleições e demais eventos que acontecem nos próximos meses, assim como a Operação Veraneio. Há muitas ações programadas. Continuamos sempre à disposição e contamos com a colaboração da sociedade para continuarmos com excelentes índices de segurança. Pedimos também responsabilidade mútua e que as pessoas se cuidem nesse período de pandemia”.


“Combatemos agora inimigos visíveis e outro invisível”

CapitãoRAFAEL ZANCANARO, comandante da Polícia Militar de Camboriú

“Assumi o comando da Polícia Militar de Camboriú em 13 de dezembro de 2019 e hoje, sete meses depois, apreendemos ao total aproximadamente 325kg de maconha, 17 armas de fogo, prendemos 335 pessoas em flagrante e cumprimos 58 mandados de prisão de pessoas que estavam foragidas da Justiça. Fizemos e estamos colocando em prática um planejamento para dar uma nova roupagem no combate ao crime organizado em Camboriú, reprimindo o tráfico, apreendendo armas de fogo, prendendo foragidos. Tivemos que nos adaptar também às novas demandas do Covid-19 que exigiram e exigem muito da PM. Nos dividimos e combatemos agora inimigos visíveis e outro invisível, o Coronavírus. Entendemos que esse apoio como fiscalização sanitária é uma incumbência das forças da segurança e temos alegria em poder contribuir com a prefeitura de Camboriú desta forma. Vejo que a avaliação sobre o aumento ou não da criminalidade só pode ser feita no final do ano. Por exemplo, em 2019 o primeiro semestre foi tranquilo, e no segundo semestre houve um aumento, acredito que 2020 está seguindo essa linha, que é a mesma de outros anos. Até o momento não tivemos, por exemplo, uma guerra entre facções, que geralmente causa um aumento nas ocorrências e homicídios (até o momento Camboriú contabiliza oito, dois a menos do que Balneário). Há também casos de confrontos (como o ocorrido na última segunda-feira, 29), mas o que nem todas as pessoas sabem é que quando um policial se envolve nesse tipo de ocorrência ele passa por um procedimento bem criterioso; a ação é apurada pela própria pela PM, pela Polícia Civil, Ministério Público e pelo Judiciário. Toda ocorrência que tem confronto, seja com óbito ou não, todos esses órgãos avaliam. O Instituto Geral de Perícias (IGP) também realiza toda a perícia do local. Para o segundo semestre planejamos continuar no duro combate contra ações criminosas. Um dos nossos grandes objetivos é que o Bairro Monte Alegre e seus arredores não seja associado a pessoas envolvidas com o crime. Desejo que seja um lugar de pessoas de bem – que é a maioria que mora ali, e vamos continuar trabalhando para cada vez prender mais criminosos”.


“70% dos incêndios que acontecem em Balneário são ligados a casos elétricos”

Major BM MAICO FRANCISCO DE ALCÂNTARA, respondendo pelo 13º Batalhão de Bombeiros Militar – Balneário Camboriú

“A pandemia tomou boa parte da demanda do nosso trabalho, a cidade parou por si só também, principalmente no primeiro mês da quarentena. Mesmo assim, conseguimos realizar coisas importantes, como a integração da central de operações, unindo os batalhões de Balneário e Itajaí, que atendem toda a região de Barra Velha até o Vale do Rio Tijucas. Agora quem liga para a central 193 é Balneário que atende e repassa a ocorrência para a cidade de origem, gerenciando melhor cada situação. Também unificamos os trabalhos junto do SAMU, conseguimos revesar os atendimentos ou até mesmo ir em conjunto quando os casos são mais graves, gerando otimização de recursos humanos também. Trabalhamos muito com tecnologia, porém os nossos fornecedores são majoritamente internacionais e como o dólar subiu acredito que não conseguiremos realizar todo o nosso planejamento, que era ambicioso. Um dos projetos era focado na questão da comunicação, que gostaríamos de digitalizar tudo. A licitação seria internacional e englobava a instalação de cinco torres de comunicação, custando aproximadamente R$ 1,3 milhão. Mas como o dólar aumentou, o preço também subiu, mas estamos otimistas que quando tudo isso passar vamos conseguir realizar. Outro desejo que temos é o de adquirir um equipamento novo para a retirada de pessoas que ficam presas em ferragens em acidentes de carro. Temos um que está em uso, mas queremos um mais novo e tecnológico. Porém, o preço dele praticamente dobrou. Neste ano também adquirimos duas ambulâncias novas que já estão em operação (três ao todo – sendo duas novas e uma reserva). Para o segundo semestre queremos uma caminhonete focada no trabalho na praia. Temos também o nosso quartel no Pontal Norte, onde ficam as nossas embarcações e motos aquáticas, são aparatos de primeira linha e muito importantes. Queríamos construir um almoxarifado e quartel no Bairro da Barra, mas por conta do Covid-19 possivelmente também não vamos conseguir fazer. Independente se o verão for fraco, precisamos estar preparados para ele, adquirindo equipamentos de salvamento aquático, uniformes para os guarda-vidas, treinamento da equipe. Tudo demanda efetivo e investimento, mas temos otimismo que vamos conseguir operar. Focando nas ocorrências, no primeiro semestre infelizmente tivemos incêndios florestais, e a estiagem favorece isso, mas sabemos também que acontecem atos de vandalismo – até os nossos postos de guarda-vidas são vítimas disso. Tentamos conscientizar a população, mas é um pouco difícil. É muito delicado entrar nessa esfera, mas é claro que ficamos tristes. No caso do incêndio na Avenida do Estado foi algo que exigiu um esforço de vários dias. O Covid-19 gerou redução no número de ocorrências em 30% comparando com o mesmo período de 2019. Até 30 de junho atendemos 1.183 ocorrências, sendo 194 incêndios. A maioria deles foram de pequeno porte, e os prédios são os que mais nos preocupam (a exemplo do incêndio ocorrido no último final de semana, em um apartamento do centro da cidade onde a família estava viajando). Nesse caso, conseguimos utilizar os equipamentos de segurança do prédio, por isso é tão importante que os edifícios da cidade estejam equipados. Usamos ventilação mecânica e houve poucos danos, poderia ter sido muito pior. 70% dos incêndios que acontecem em Balneário são ligados a casos elétricos, como deixar um eletrônico ligado na tomada, um fogão ligado, máquina de lavar com vida útil precária ligada. Normalmente são descuidos relacionados a equipamentos elétricos, por isso a importância de quando sair de casa verificar se não deixou nada ligado, não deixar crianças sozinhas em casa também. Nesta semana tivemos o ciclone extratropical, que causou o apagão na cidade e no Estado, mostrando também a importância de cuidarmos com velas acesas. Deixar uma vela acesa e ir dormir, por exemplo, é extremamente perigoso. Uma das nossas maiores preocupações é o gás. Quem tem dentro de casa deve sempre verificar se não há vazamento. Se sentir cheiro acione o fornecedor ou os bombeiros, estamos sempre à disposição para tirar dúvidas. Deixe as janelas e portas abertas e não acione nada, nem a luz, porque pode causar uma explosão. O gás é um elemento preocupante e é o alimentador principal do incêndio. Qualquer dúvida, disque 193”.



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Segurança pública em Balneário Camboriú teve que se ajustar às dificuldades impostas pela pandemia

Os responsáveis analisam primeiro semestre e falam sobre ações futuras

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Quinta, 2/7/2020 8:16.
Renata Rutes

A pandemia do novo Coronavírus afetou também o trabalho dos responsáveis pela segurança de Balneário Camboriú, que ampliaram suas ações, como fiscalizar e apoiar a população e a prefeitura da cidade, nas barreiras sanitárias, por exemplo. Outra preocupação está relacionada diretamente com a decisão do Poder Judiciário em liberar 1.077 presos em Santa Catarina, sendo 128 somente no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, que fica no Bairro Canhanduba, em Itajaí. 105 deles cumpriam pena no presídio e 23 na penitenciária e são pessoas que estavam próximas de progredir para o regime aberto ou que integram grupo de risco, como idosos ou doentes crônicos. Houve detentos que foram presos novamente cometendo outros crimes na região. O número de homicídios em Balneário também aumentou, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina: no mesmo período de 2019 a cidade registrou sete homicídios (chegando a 17) e até o momento já são 10; em Camboriú a situação é igual: de quatro em 2019 para oito em 2020. Porém, o município vizinho conseguiu diminuir consideravelmente os números gerais: em 2018 foram registrados 26 homicídios na cidade e, em 2019, 15.

Em meio a esse cenário, Balneário Camboriú conta também com um ‘novo’ secretário de Segurança, Antônio Gabriel Castanheira Júnior, que retornou ao cargo que ocupou de janeiro de 2017 a janeiro de 2019.

Considerando isso tudo, o Página 3 conversou nesta semana com representantes das forças da segurança de Balneário Camboriú e Camboriú, que analisam o primeiro semestre na área e antecipam os planos para o restante do ano, que também está sendo bastante atípico para eles.

“Não adianta agirmos depois que acontecer o crime”

ANTÔNIO GABRIEL CASTANHEIRA JÚNIOR, secretário de Segurança de Balneário Camboriú

“Não posso fazer uma análise do primeiro semestre, porque eu não estava aqui, mas sei que, como em boa parte das cidades, a segurança de Balneário Camboriú ficou abalada, já que os profissionais passaram a auxiliar também na parte da saúde. Essa movimentação do efetivo reflete também, assim como o número de presidiários colocados em liberdade também agravou a situação. Furtos e roubos aumentaram, e isso era uma tendência com a liberação desses presos. Por isso, estamos aumentando o patrulhamento, colocando viaturas em pontos estratégicos, rodando pela cidade. Não adianta agirmos depois que acontecer o crime. Há pontos específicos de atuação na cidade de acordo com a ‘mancha do crime’, e com esses patrulhamentos que intensificamos tende a antecipar a ação dos criminosos. Os marginais sentem a presença efetiva das forças da segurança, o que tende a coibi-los. A integração da Guarda Municipal com as demais forças não pára. Me reuni com a PM e vamos continuar agindo em conjunto. Estamos lidando agora com o efetivo da PM e da Guarda focados na situação de cumprir os decretos de prevenção ao Covid-19, que é uma questão emergencial, mas agora no segundo semestre vamos focar em ações conjuntas, assim como com a Polícia Civil. Vamos seguir na ação de intensificação de patrulhamento para os marginais sentirem a nossa presença, é isso que queremos mostrar. A Guarda também retomou com um projeto que eu tinha desde a minha gestão passada, com ações específicas nos bairros. É uma operação saturação, duas vezes por semana em cada bairro. Na terça-feira (30) estivemos na Barra e no São Judas Tadeu. Realizamos abordagens, patrulhamentos. Em cada bairro temos um contato direto com a população através de um supervisor (um guarda municipal), e assim conseguimos manter um contato direto com a população de cada local da cidade. As associações de moradores nos passam as demandas e conseguimos ter um feedback muito mais rápido a respeito das situações que incomodam no dia a dia, conseguindo planejar ações mais focadas. Quero que a população sinta a presença da GM de forma mais intensa”.

Fotos da operação nos bairros que teve início na última terça-feira.


“Se eles não respeitam nem a lei penal, não vão respeitar a da área da saúde”

FÁBIO MOREIRA OSÓRIO, delegado regional de Balneário Camboriú

“O que depender da Polícia Civil, a integração com a PM, IGP, Guarda Municipal e Bombeiros está mantida, assim como com a sociedade civil organizada, que é muito participativa. De forma rotineira sou procurado pelos Conselhos de Segurança (Consegs) da cidade, associações de moradores, eles nos passam informações, se colocam à disposição. Balneário Camboriú se destaca por isso, é um diferencial da cidade essa participação da sociedade e auxilia muito no trabalho desenvolvido pelas forças da segurança. Em razão da pandemia fomos muito afetados, passamos por um período de readaptação, não pudemos fechar as portas, mas adotamos uma rotina de atendimento, de preservar a população e os policiais. Tivemos pontos positivos: conseguimos fortalecer dois pontos: antes possuíamos apenas um delegado na Divisão de Investigação Criminal (DIC), o Vicente, e agora conseguimos o Ícaro também, dando uma maior robustez ao trabalho investigativo da Polícia Civil. É a DIC que apura os crimes de maior repercussão da região, envolvendo vidas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro. Conseguimos lotar na Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) a doutora Ruth, para auxiliar a delegada Inara. Encerramos 2019 com 16 homicídios e 86% de resoluções dos mesmos. Sabemos que até o momento foram nove homicídios em 2020 a (Secretaria de Segurança Pública informou 10), mas é normal ter essa oscilação de dados e há casos específicos, como o da lavação (localizada na Rua 3.800, ocorrido em fevereiro) onde três pessoas foram mortas. Estamos concentrando esforços para elucidar o maior número possível de homicídios e tentar também frear esse tipo de delito. Continuaremos também articulando operações, inclusive com a Polícia Civil de outros estados, como já estamos fazendo, com o objetivo de resolver homicídios e coibir o tráfico e lavagem de dinheiro. Fechamos 2019 com mais de 1.030 prisões em flagrantes em Balneário Camboriú, em 2018 o número foi parecido, e nesse ano já foram mais de 530 autos de prisões em flagrante. Com base nesses dados, podemos ver que as forças da segurança estão prendendo muito, mas os criminosos costumavam ficar mais tempo presos, eles estão voltando com mais brevidade ao convívio social, tornando o nosso trabalho um grande desafio. Há muitos presos reincidentes também, grande parte deles com inúmeras passagens pelo sistema penitenciário estadual, e a legislação dá margem para isso. É um trabalho muito árduo e por isso a importância ainda maior da integração das forças, canalizando esforços no combate a criminalidade. O segundo semestre ainda está muito incerto em razão da pandemia, mas a Polícia Civil segue agindo diariamente, realizando operações de combate ao tráfico de drogas e eventuais lavagens de dinheiro. Muitas pessoas vêm para a região, possuem bens aqui (que são apreendidos); trabalhamos também na elucidação de homicídios, tudo isso visando dar mais segurança para a nossa comunidade. Houve uma redução pontual na criminalidade no início, mas agora os crimes voltaram. Se eles não respeitam nem a lei penal, não vão respeitar a da área da saúde. Estamos sempre à disposição de todos”.


“A polícia está chegando antes que a marginalidade realize algo”

Tenente-coronel JOFREY SANTOS DA SILVA, comandante da 3ª Região de Polícia Militar (RPM) com sede em Balneário Camboriú e abrange ainda os municípios de Camboriú, Itajaí, Penha, Bombinhas, Nova Trento, Major Gercino, Porto Belo, São João Batista, Canelinha, Tijucas, Itapema, Luiz Alves, Balneário Piçarras e Navegantes

“Houve uma mudança no cotidiano das pessoas por conta da pandemia, e isso acabou exigindo uma certa adequação por parte da PM em relação ao nosso trabalho, como cuidado com a tropa, treinamento diferenciado, diminuição da permanência do efetivo nas ruas, mudanças de escalas, já que os policiais ficam muito tempo na rua e consequentemente mais expostos. Diversos criminosos também estão nas ruas em razão da liberação e isso também exigiu intensificação de nossas ações. Ou seja, ocorreu uma redobrada em nossa demanda, prendemos novamente pessoas que haviam ganhado liberdade e voltaram a delinquir. O lockdown das 23h às 6h retornou, em razão da irresponsabilidade principalmente da juventude, que não está tomando os mínimos cuidados de prevenção ao Coronavírus, e também demandamos um efetivo para atuar na fiscalização – de pessoas, ambientes, cobrando o uso de máscara e reprimindo aglomerações. A PM também é uma autoridade sanitária de saúde, e por isso estamos apoiando o governo municipal dessa forma. Vemos que a presença policial tem continuado a surtir o efeito de sensação de segurança para a população, além da diminuição de crimes. Estamos apreendendo drogas, além do alto índice de prisões, reprimindo também o narcotráfico em toda a região, e no segundo semestre vamos continuar efetivando essas operações, assim como as ações integradas com outras forças da segurança, que acaba sendo um benefício para a comunidade, que é o que nos importa. Vejo que os homicídios estão com pouca oscilação, sendo números parecidos com os outros anos. A polícia está chegando antes que a marginalidade realize algo, quando eles tentam se esforçar contra a polícia, que é mais preparada, há o enfrentamento. Se um agente atira contra a polícia, nós revidamos também. É importante a presença da PM, conhecer o terreno. Não podemos dizer que vamos conseguir erradicar determinado delito, mas um aumento como o atual não quer dizer que houve aumento na criminalidade. O primeiro semestre foi praticamente de adequações, no segundo queremos estar ainda mais presentes, seguindo com operações policiais como Lei Seca e também apoio às vítimas de violência doméstica. Tudo vai ser intensificado”.


“Tentamos monitorar as facções, isso é algo que ocorre no Estado todo”

Major PM Sub Comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar de Balneário Camboriú, JEFERSON SEBASTIÃO VIEIRA, atualmente respondendo pelo comando

“O primeiro semestre foi de muito trabalho e também resultados positivos, com apreensões de drogas, armas, prisões. Fizemos também operações focadas nos furtos de bicicletas, tiramos de circulação os principais infratores que atuavam nessa ‘área’. Por conta do Covid-19 tivemos que adequar o nosso modus operandi, focando em ações preventivas junto da comunidade, repressivas também em questão das fiscalizações. Foi uma adaptação geral dentro dessa ‘nova normalidade’, a população também vem se adequando, e a cada dia há uma novidade. Mas os próprios moradores da cidade nos apoiam, estão conscientes das medidas de prevenção. As ações com as demais forças da segurança também continuam, nos reunimos recentemente e seguimos juntos, fortalecidos. O trabalho integrado é muito positivo e também facilita para a sociedade como um todo. Vejo que o número de homicídios atual não significa uma maior incidência da criminalidade. São casos pontuais, como o do triplo homicídio. A linha tem se mantido tênue nos últimos anos (em questão de números de crimes). Seguimos também com nossas ações preventivas e de inteligência, é algo constante (a exemplo do flagrante em uma facção criminosa que se reuniu em maio no Bairro da Barra, onde houve confronto e óbito de três suspeitos) para evitar situações maiores. Tentamos monitorar as facções, isso é algo que ocorre no Estado todo, e quando suspeitamos de algo agimos. Para o segundo semestre queremos dar continuidade ao trabalho que já vem ocorrendo, vamos aguardar para ver como se procede a pandemia, mas já estamos pensando em ações para as eleições e demais eventos que acontecem nos próximos meses, assim como a Operação Veraneio. Há muitas ações programadas. Continuamos sempre à disposição e contamos com a colaboração da sociedade para continuarmos com excelentes índices de segurança. Pedimos também responsabilidade mútua e que as pessoas se cuidem nesse período de pandemia”.


“Combatemos agora inimigos visíveis e outro invisível”

CapitãoRAFAEL ZANCANARO, comandante da Polícia Militar de Camboriú

“Assumi o comando da Polícia Militar de Camboriú em 13 de dezembro de 2019 e hoje, sete meses depois, apreendemos ao total aproximadamente 325kg de maconha, 17 armas de fogo, prendemos 335 pessoas em flagrante e cumprimos 58 mandados de prisão de pessoas que estavam foragidas da Justiça. Fizemos e estamos colocando em prática um planejamento para dar uma nova roupagem no combate ao crime organizado em Camboriú, reprimindo o tráfico, apreendendo armas de fogo, prendendo foragidos. Tivemos que nos adaptar também às novas demandas do Covid-19 que exigiram e exigem muito da PM. Nos dividimos e combatemos agora inimigos visíveis e outro invisível, o Coronavírus. Entendemos que esse apoio como fiscalização sanitária é uma incumbência das forças da segurança e temos alegria em poder contribuir com a prefeitura de Camboriú desta forma. Vejo que a avaliação sobre o aumento ou não da criminalidade só pode ser feita no final do ano. Por exemplo, em 2019 o primeiro semestre foi tranquilo, e no segundo semestre houve um aumento, acredito que 2020 está seguindo essa linha, que é a mesma de outros anos. Até o momento não tivemos, por exemplo, uma guerra entre facções, que geralmente causa um aumento nas ocorrências e homicídios (até o momento Camboriú contabiliza oito, dois a menos do que Balneário). Há também casos de confrontos (como o ocorrido na última segunda-feira, 29), mas o que nem todas as pessoas sabem é que quando um policial se envolve nesse tipo de ocorrência ele passa por um procedimento bem criterioso; a ação é apurada pela própria pela PM, pela Polícia Civil, Ministério Público e pelo Judiciário. Toda ocorrência que tem confronto, seja com óbito ou não, todos esses órgãos avaliam. O Instituto Geral de Perícias (IGP) também realiza toda a perícia do local. Para o segundo semestre planejamos continuar no duro combate contra ações criminosas. Um dos nossos grandes objetivos é que o Bairro Monte Alegre e seus arredores não seja associado a pessoas envolvidas com o crime. Desejo que seja um lugar de pessoas de bem – que é a maioria que mora ali, e vamos continuar trabalhando para cada vez prender mais criminosos”.


“70% dos incêndios que acontecem em Balneário são ligados a casos elétricos”

Major BM MAICO FRANCISCO DE ALCÂNTARA, respondendo pelo 13º Batalhão de Bombeiros Militar – Balneário Camboriú

“A pandemia tomou boa parte da demanda do nosso trabalho, a cidade parou por si só também, principalmente no primeiro mês da quarentena. Mesmo assim, conseguimos realizar coisas importantes, como a integração da central de operações, unindo os batalhões de Balneário e Itajaí, que atendem toda a região de Barra Velha até o Vale do Rio Tijucas. Agora quem liga para a central 193 é Balneário que atende e repassa a ocorrência para a cidade de origem, gerenciando melhor cada situação. Também unificamos os trabalhos junto do SAMU, conseguimos revesar os atendimentos ou até mesmo ir em conjunto quando os casos são mais graves, gerando otimização de recursos humanos também. Trabalhamos muito com tecnologia, porém os nossos fornecedores são majoritamente internacionais e como o dólar subiu acredito que não conseguiremos realizar todo o nosso planejamento, que era ambicioso. Um dos projetos era focado na questão da comunicação, que gostaríamos de digitalizar tudo. A licitação seria internacional e englobava a instalação de cinco torres de comunicação, custando aproximadamente R$ 1,3 milhão. Mas como o dólar aumentou, o preço também subiu, mas estamos otimistas que quando tudo isso passar vamos conseguir realizar. Outro desejo que temos é o de adquirir um equipamento novo para a retirada de pessoas que ficam presas em ferragens em acidentes de carro. Temos um que está em uso, mas queremos um mais novo e tecnológico. Porém, o preço dele praticamente dobrou. Neste ano também adquirimos duas ambulâncias novas que já estão em operação (três ao todo – sendo duas novas e uma reserva). Para o segundo semestre queremos uma caminhonete focada no trabalho na praia. Temos também o nosso quartel no Pontal Norte, onde ficam as nossas embarcações e motos aquáticas, são aparatos de primeira linha e muito importantes. Queríamos construir um almoxarifado e quartel no Bairro da Barra, mas por conta do Covid-19 possivelmente também não vamos conseguir fazer. Independente se o verão for fraco, precisamos estar preparados para ele, adquirindo equipamentos de salvamento aquático, uniformes para os guarda-vidas, treinamento da equipe. Tudo demanda efetivo e investimento, mas temos otimismo que vamos conseguir operar. Focando nas ocorrências, no primeiro semestre infelizmente tivemos incêndios florestais, e a estiagem favorece isso, mas sabemos também que acontecem atos de vandalismo – até os nossos postos de guarda-vidas são vítimas disso. Tentamos conscientizar a população, mas é um pouco difícil. É muito delicado entrar nessa esfera, mas é claro que ficamos tristes. No caso do incêndio na Avenida do Estado foi algo que exigiu um esforço de vários dias. O Covid-19 gerou redução no número de ocorrências em 30% comparando com o mesmo período de 2019. Até 30 de junho atendemos 1.183 ocorrências, sendo 194 incêndios. A maioria deles foram de pequeno porte, e os prédios são os que mais nos preocupam (a exemplo do incêndio ocorrido no último final de semana, em um apartamento do centro da cidade onde a família estava viajando). Nesse caso, conseguimos utilizar os equipamentos de segurança do prédio, por isso é tão importante que os edifícios da cidade estejam equipados. Usamos ventilação mecânica e houve poucos danos, poderia ter sido muito pior. 70% dos incêndios que acontecem em Balneário são ligados a casos elétricos, como deixar um eletrônico ligado na tomada, um fogão ligado, máquina de lavar com vida útil precária ligada. Normalmente são descuidos relacionados a equipamentos elétricos, por isso a importância de quando sair de casa verificar se não deixou nada ligado, não deixar crianças sozinhas em casa também. Nesta semana tivemos o ciclone extratropical, que causou o apagão na cidade e no Estado, mostrando também a importância de cuidarmos com velas acesas. Deixar uma vela acesa e ir dormir, por exemplo, é extremamente perigoso. Uma das nossas maiores preocupações é o gás. Quem tem dentro de casa deve sempre verificar se não há vazamento. Se sentir cheiro acione o fornecedor ou os bombeiros, estamos sempre à disposição para tirar dúvidas. Deixe as janelas e portas abertas e não acione nada, nem a luz, porque pode causar uma explosão. O gás é um elemento preocupante e é o alimentador principal do incêndio. Qualquer dúvida, disque 193”.



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