Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Galpão Cultural da Casa Linhares usado como depósito de documentos da prefeitura

Desleixo e desorganização explícitas

Quarta, 19/2/2020 15:22.

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O Galpão da Casa Linhares, que serve de sede para atividades culturais na Barra, está sendo parcialmente usado como depósito para pilhas de caixas e documentos da prefeitura. O responsável pela sub prefeitura Anderson dos Santos, disse que as secretarias da Fazenda/ Administração deixaram o material ali devido a uma reforma, mas que devem resolver a situação em breve.

Anderson explicou que a sub prefeitura não utilizará o galpão e sim a Casa Linhares, três salas que estavam sem uso. Essa semana eles farão uma pintura na Casa, o que exige atenção dos responsáveis, pois trata-se de patrimônio histórico.


Há duas semanas, o galpão estava assim. Sorte que não choveu e o evento pode acontecer na rua.


Já faz duas semanas que a reportagem flagrou os documentos no chão do galpão, durante um evento público na Praça do Pescador que usa o local como base. Nesse domingo, em outro evento na Praça, os documentos continuavam lá, talvez até de forma mais desleixada que antes, quando ficou explícita a desorganização da prefeitura e o pouco caso com a cultura e com a própria documentação que estava ali, jogada no chão "provisoriamente", causando uma péssima impressão em quem passava e desrespeitando completamente os movimentos culturais que acontecem no galpão e na praça.

A secretária da Cultura Bia Mattar, disse que entende que foi uma urgência e que sabe que o Arquivo Intermediário, para onde teriam que ser encaminhadas os documentos, está esgotado fisicamente, mas conta que foi pega de surpresa e acha que a forma que o material foi depositado não foi a ideal. "A produção cultural não esperava, e os documentos públicos precisam ser tratados de forma responsável". Bia disse que já solicitou agilidade na organização.

Nesse domingo a situação era essa. Dezenas de pessoas passaram pela Praça, e quem olhou pra dentro, viu.

Galpão segue funcionando como base para cultura
Há muito tempo nenhuma manutenção é feita no galpão, que precisa de reformas, mas não existem planos porque a ideia da prefeitura é demolir o espaço, com vistas ao projeto do Mercado Público que planejam construir na praça. Porém, como ainda não há definições sobre a execução, a situação segue dessa forma. Esse ano o galpão não deve ser removido mas também não deve haver investimentos.

Mesmo que teoricamente esteja com os "dias contados", o Galpão está funcionando como sede de movimentos culturais, o grupo de maracatu Nova Lua, que tem ensaios semanais, o Sarau da Tainha, que leva poesia, música e literatura uma vez por mês para a praça, as artesãs que fazem o resgate da arte caiçara e produzem no espaço semanalmente, e também foi onde foram confeccionados os bonecos gigantes que recém estrearam no Carnaval. Esses movimentos acontecem há cerca de dois anos, são independentes e recebem da Fundação Cultural como apoio o uso de espaço.

Ocupar a Casa
A Casa Linhares já foi verdadeiramente utilizado como centro cultural pela prefeitura, quando, na gestão de Rubens Spernau, oferecia gratuitamente à comunidade mais de 300 vagas de Arte e Artesanato, muitos ministrados por moradores da comunidade, artesãos, e conhecedores da arte popular. Boi de Mamão, Terno de Reis, artes manuais como cerâmica, argila, mosaico, fuxico, crochê, costura, e outros, já tiveram espaço e reconhecimento ali. O próprio galpão contava até com forno para queimar as cerâmicas modeladas, mas com a mudança para o governo Piriquito o município parou de investir no espaço como local de arte e cultura, mesmo que a Casa Linhares seja um dos poucos patrimônios históricos de Balneário Camboriú. Assim seguiu até hoje, parte da Casa foi "emprestada", para a Polícia Militar, e agora para a sub prefeitura, enquanto os artistas utilizam o galpão, de forma muitas vezes precária.

A Casa Linhares e o galpão cultural no bairro da Barra é o cenário perfeito para o resgate histórico e cultural das manifestações populares, artísticas e culturais da região. A secretária Bia Mattar disse que tem um projeto aprovado pela Lei Rouanet para reativar as oficinas de arte mas ainda não conseguiram captar recursos para pôr em prática. Ela não vê problemas de dividir espaço com a sub prefeitura, por exemplo, mesmo que para funções burocráticas, já que será um serviço oferecido à comunidade. "De uma forma ou outra a casa precisa ser usada, ter movimento, servir", acha Bia.


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Galpão Cultural da Casa Linhares usado como depósito de documentos da prefeitura

Desleixo e desorganização explícitas

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Quarta, 19/2/2020 15:22.

O Galpão da Casa Linhares, que serve de sede para atividades culturais na Barra, está sendo parcialmente usado como depósito para pilhas de caixas e documentos da prefeitura. O responsável pela sub prefeitura Anderson dos Santos, disse que as secretarias da Fazenda/ Administração deixaram o material ali devido a uma reforma, mas que devem resolver a situação em breve.

Anderson explicou que a sub prefeitura não utilizará o galpão e sim a Casa Linhares, três salas que estavam sem uso. Essa semana eles farão uma pintura na Casa, o que exige atenção dos responsáveis, pois trata-se de patrimônio histórico.


Há duas semanas, o galpão estava assim. Sorte que não choveu e o evento pode acontecer na rua.


Já faz duas semanas que a reportagem flagrou os documentos no chão do galpão, durante um evento público na Praça do Pescador que usa o local como base. Nesse domingo, em outro evento na Praça, os documentos continuavam lá, talvez até de forma mais desleixada que antes, quando ficou explícita a desorganização da prefeitura e o pouco caso com a cultura e com a própria documentação que estava ali, jogada no chão "provisoriamente", causando uma péssima impressão em quem passava e desrespeitando completamente os movimentos culturais que acontecem no galpão e na praça.

A secretária da Cultura Bia Mattar, disse que entende que foi uma urgência e que sabe que o Arquivo Intermediário, para onde teriam que ser encaminhadas os documentos, está esgotado fisicamente, mas conta que foi pega de surpresa e acha que a forma que o material foi depositado não foi a ideal. "A produção cultural não esperava, e os documentos públicos precisam ser tratados de forma responsável". Bia disse que já solicitou agilidade na organização.

Nesse domingo a situação era essa. Dezenas de pessoas passaram pela Praça, e quem olhou pra dentro, viu.

Galpão segue funcionando como base para cultura
Há muito tempo nenhuma manutenção é feita no galpão, que precisa de reformas, mas não existem planos porque a ideia da prefeitura é demolir o espaço, com vistas ao projeto do Mercado Público que planejam construir na praça. Porém, como ainda não há definições sobre a execução, a situação segue dessa forma. Esse ano o galpão não deve ser removido mas também não deve haver investimentos.

Mesmo que teoricamente esteja com os "dias contados", o Galpão está funcionando como sede de movimentos culturais, o grupo de maracatu Nova Lua, que tem ensaios semanais, o Sarau da Tainha, que leva poesia, música e literatura uma vez por mês para a praça, as artesãs que fazem o resgate da arte caiçara e produzem no espaço semanalmente, e também foi onde foram confeccionados os bonecos gigantes que recém estrearam no Carnaval. Esses movimentos acontecem há cerca de dois anos, são independentes e recebem da Fundação Cultural como apoio o uso de espaço.

Ocupar a Casa
A Casa Linhares já foi verdadeiramente utilizado como centro cultural pela prefeitura, quando, na gestão de Rubens Spernau, oferecia gratuitamente à comunidade mais de 300 vagas de Arte e Artesanato, muitos ministrados por moradores da comunidade, artesãos, e conhecedores da arte popular. Boi de Mamão, Terno de Reis, artes manuais como cerâmica, argila, mosaico, fuxico, crochê, costura, e outros, já tiveram espaço e reconhecimento ali. O próprio galpão contava até com forno para queimar as cerâmicas modeladas, mas com a mudança para o governo Piriquito o município parou de investir no espaço como local de arte e cultura, mesmo que a Casa Linhares seja um dos poucos patrimônios históricos de Balneário Camboriú. Assim seguiu até hoje, parte da Casa foi "emprestada", para a Polícia Militar, e agora para a sub prefeitura, enquanto os artistas utilizam o galpão, de forma muitas vezes precária.

A Casa Linhares e o galpão cultural no bairro da Barra é o cenário perfeito para o resgate histórico e cultural das manifestações populares, artísticas e culturais da região. A secretária Bia Mattar disse que tem um projeto aprovado pela Lei Rouanet para reativar as oficinas de arte mas ainda não conseguiram captar recursos para pôr em prática. Ela não vê problemas de dividir espaço com a sub prefeitura, por exemplo, mesmo que para funções burocráticas, já que será um serviço oferecido à comunidade. "De uma forma ou outra a casa precisa ser usada, ter movimento, servir", acha Bia.


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