Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Balneário Camboriú tem mais cães do que crianças, veja como é essa vida de cachorro

Quinta, 13/2/2020 16:03.

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Renata Rutes

Não há uma estimativa de quantos animais (com dono ou sem dono) vivem em Balneário Camboriú. O controle é difícil, mas segundo dados do IBGE no Brasil há mais cachorros do que crianças e adolescentes com idade entre zero e 15 anos. A média é de aproximadamente três cachorros domiciliados (que possuem lar) por humano. Considerando isso, há um mercado focado nesse nicho que cresce cada vez mais. Somente em Balneário, segundo a Secretaria da Fazenda, há 38 pets shops. No ano passado inaugurou por aqui uma unidade da franquia Petz, que é uma das maiores redes do Brasil. Além disso, há agora na cidade um hospital veterinário referência, que funciona durante 24h.

A franquia Petz, bem na entrada da cidade.


Hospital Veterinário da UniAvan atende animais domésticos, exóticos e até grandes felinos

Uma das novidades deste ano é a inauguração do Hospital Veterinário da UniAvan, que fica na Avenida do Estado, nº 1.340, no Bairro Ariribá. O Página 3 visitou o local, que é amplo (1400m² de área construída), com atendimento 24 horas, nove consultórios, UTI, um espaço específico para internação de doenças infecciosas e sala exclusiva para felinos (tanto de espera quanto para consultas). Como o hospital é universitário, no futuro (ainda não foi definida a data) haverá aulas assistidas pelos alunos e essas consultas ficarão 40% mais baratas. Inclusive há espaço ‘aquário’, onde os acadêmicos de graduação e pós acompanharão os atendimentos pelo vidro, além de uma ampla sala de aula.

Veterinário Lucas com seu cãozinho Kolby, o acompanha diariamente no hospital.

A reportagem do jornal foi recepcionada no ZooCare pelo diretor do Hospital, o veterinário Lucas de Angelis Cortês, que é de São Paulo. Ele é filho de um veterinário, possui irmão, tios e cunhada que também atuam na área. Ele conheceu a esposa, Viviane, na faculdade. O casal se mudou com os filhos para Balneário há oito meses e estão gerenciando o local juntos.

Lucas conta que possui empresas que prestam consultoria para hospitais veterinários, e uma equipe da UniAvan foi até São Paulo para conhecer unidades (já pensando no hospital de Balneário).

“Por acaso nos conhecemos. Eu e minha família estávamos planejando nos mudar para Portugal agora em fevereiro, mas viajamos para o Sul e nos apaixonamos por Balneário Camboriú. Aqui surgiu a oportunidade de auxiliar a UniAvan a projetar cursos de pós-graduação na área da Medicina Veterinária e também nos convidaram para gerenciar o hospital”, conta.

Segundo Lucas, desde que abriram o ZooCare, há aproximadamente 20 dias, já atenderam cerca de 100 pacientes – número expressivo, já que o local ainda não foi amplamente divulgado. Os principais atendimentos até agora foram traumas (como quedas de gatos de prédios), insuficiência respiratória, distúrbios endócrinos (como diabete), cinomose e parvovirose, além de doenças por carrapato, que podem acarretar sangramento e anemia. Quando o Página 3 estava lá o movimento estava calmo, mas o veterinário diz que durante o dia é comum fazerem vacinas, atenderem problemas de pele, fazerem check up e raio-x, e à noite aparecem as emergências.

“Somos referência porque priorizamos muito a tecnologia, aqui os animais vão receber o melhor tratamento possível no Brasil. A Medicina Veterinária avançou muito nos últimos 10 anos, sendo bem equivalente à medicina humana. Nosso segundo alicerce é embasado na produção científica, seguimos diretrizes e publicações referenciadas, tudo que fazemos há justificativa por trás. O terceiro fator é a comunicação, para um resultado positivo é preciso sabermos todos os detalhes do animal, junto do tutor e do veterinário externo. A comunicação é a vertente mais importante para o sucesso”, afirma.

O hospital conta com aproximadamente 15 veterinários na equipe, entre internos e externos (que atendem sob agendamento), há desde oftalmologista, ortopedista, fisioterapeuta, hematologista e especialista em doenças do sistema respiratório. Há uma parceria com o Beto Carrero World, fornecendo espaço para exames e cirurgias em animais debilitados – principalmente grandes felinos.

“Contamos também com um veterinário especializado em animais exóticos, como aves e roedores. Já atendemos coelho e calopsita, e nos ligaram perguntando se atendíamos uma galinha (risos), e o nosso veterinário atende, sim”, acrescenta.

O veterinário disse que se surpreendeu com a quantidade de animais em Balneário, dizendo que é comparável com São Paulo, e que se abrisse um hospital lá demoraria ‘pelo menos 15 dias’ para conseguir atrair clientes, e que na cidade foi ‘só abrir’ e o pessoal apareceu. Lucas não informou valores das consultas, mas disse que é acessível, pois o objetivo do hospital é atender o maior número de animais.

“Quando houver aula vai ser ainda mais barato, todos os procedimentos vão ter 40% de desconto”, comenta.

O gestor defende que é ideal prevenir doenças nos animais, assim como nos humanos, e por isso aconselha que cães e gatos façam check-up anual.

“Porém, sabemos que no caso dos gatos é mais difícil. Muitos se estressam ao sair de casa. Por isso temos aqui a sala exclusiva para felinos. Cada paciente é individual, mas o nosso foco é identificar possíveis doenças o quanto antes, aumentando assim o tempo e a qualidade de vida dos pets. Prevenir é melhor do que medicar. Futuramente também vamos implantar um sistema de ‘leva e traz’, sendo mais um benefício para os nossos clientes”, completa.


ONG Viva Bicho: 650 animais esperam por um lar

A realidade de muitos cães e gatos de Balneário é bastante diferente dos que vivem bem com seus donos. Somente no abrigo da ONG Viva Bicho há 650 animais, sendo 100 gatos e 550 cães que esperam por um lar, entre filhotes, adultos, deficientes físicos, dos mais diversos portes. Esse número reduziu bastante, pois já houve época em que mais de mil animais estavam no local. A tesoureira da ONG, Patrícia Ferreira, conta que todos os animais são castrados e que a maioria deles já estão ‘microchipados’, onde consta informações de exames e vacinas que eles tomaram, além de ser uma forma de identificação.

Desde 2017, a Viva Bicho possui uma parceria com a prefeitura municipal, que auxilia com alimentação dos animais e manutenção do abrigo.

“Se não fosse por essa parceria com o Executivo a ONG já teria fechado as portas porque só com a ajuda da população não nos manteríamos, devido a alta demanda que temos”, diz.

Em 2019 a Viva Bicho recolheu 900 animais das ruas de Balneário, 300 cirurgias foram feitas através das clínicas conveniadas e 1.540 castrações gratuitas para animais de rua (sem dono) e de pessoas de baixa renda (renda familiar de até R$ 3 mil).

“Em janeiro já recolhemos da rua 41 animais, foram 27 atendimentos de emergência com cirurgias e 111 castrações gratuitas. Essa castração está disponível para toda a população de Balneário que se enquadra nesse perfil. É só a pessoa enviar os documentos e ela tem direito de castrar os animais que tem em casa”, explica.

Patrícia aproveita para salientar sobre a triagem que é feita para a ONG recolher ou não o animal de rua. Ela conta que pelo menos 20 pessoas por dia os procuram para entregar um animal, o que pode configurar abandono e é crime previsto no Código Penal (incluindo maus tratos e negligência). Em Balneário também é aplicada multa, se configurar algum dos crimes a pessoa responderá criminalmente e será penalizada. “Só aceitamos animais debilitados (feridos, atropelados), fêmeas com filhotes ou prenhas, filhotes, idosos e fêmeas no cio. São esses animais que a Guarda Ambiental acolhe quando estão na rua. Há pessoas que reclamam que não acolhemos o animal ou a Guarda não levou. Se o animal sabe se virar na rua, é melhor que ele fique na rua do que preso em um canil com cinco ou seis. Nós não temos condição de acolher todos que estão na rua. Temos que dar prioridade para os animais em situação de vulnerabilidade”, comenta.

Quem estiver interessado em adotar um cão ou gato, pode ir até o abrigo da Viva Bicho, que fica na Avenida José Alves Cabral, 104, no Bairro Nova Esperança.

  • É preciso apresentar documento de identidade e comprovante de residência, além de assinar um termo de responsabilidade pelo animal.
  • A ONG recebe ao público de segunda a sábado das 9h às 12h e das 14h às 17h.
  • Mais informações: 3263-1020.

Abraço Animal: em 2019 mais de 400 animais resgatados

A prefeitura de Balneário Camboriú conta com o programa Abraço Animal, focado em resgatar animais em situação de vulnerabilidade ou que coloquem em risco os humanos, como silvestres (entre aves, répteis e mamíferos, como o tatu – foram 490 resgates em 2019) e domésticos (410 cães e gatos resgatados no ano passado).

A secretária do Meio Ambiente, Maria Heloísa Furtado Lenzi, conta que os silvestres são encaminhados ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd e se possuírem condições retornam para o seu habitat natural, e os cães e gatos para a ONG Viva Bicho.

“Tanto o zoológico quanto a Viva Bicho possuem convênio com o município. Pela Secretaria do Meio Ambiente pagamos alimentação e manutenção do abrigo da ONG, e a Secretaria de Saúde paga convênio para castração e atendimento emergencial. No governo do prefeito Fabrício Oliveira foi triplicado o valor de investimento nessa área, chegando a R$ 1,2 milhões”, diz.

Maria Heloísa reforça a fala de Patrícia, lembrando que há de fato um protocolo de atendimento e que não podem pegar qualquer animal, isso também para não superlotar o abrigo da ONG novamente, que já chegou a abrigar mais de mil animais.

“Resgatamos apenas animais que não tem condições, que estão vulneráveis. Estamos incentivando os cães comunitários, como o Berlim, que já é famoso na cidade. Castramos esses cães também. Inclusive está tramitando na Câmara de Vereadores um projeto de lei nesse sentido, apoiando o cão comunitário e a castração”, acrescenta.

A secretária diz que não há uma estimativa de quantos animais há hoje em Balneário Camboriú, mas conta que no Brasil estimam que há três por pessoa, e que por isso esse número ultrapassa o de crianças e adolescentes dos zero aos 15 anos.

“Nós já avançamos muito, mas as pessoas precisam entender mais o que são maus tratos, como deixar um cão preso no sol em uma coleira curta, e precisa haver mais consciência sobre a importância da castração e adoção. O mesmo amor que um cão de raça dá, o vira-lata também dá. O resultado é o mesmo, ele também será uma excelente companhia. Vemos que as empresas estão entendendo mais, há muitos espaços pet friendly (onde são aceito animais) na cidade, até nos shoppings. Incentivamos também que as pessoas tenham animal no ambiente de trabalho, já que isso pode agregar muito. O animal pode conviver com as pessoas, não só em casa”, afirma.

Maria Heloísa aproveita para lembrar que Balneário conta com três dog parks:

  • Rua 2.950, nº 800
  • Avenida Alvim Bauer, nº 330
  • Avenida Brasil, perto da Rua 1.911

“O governo municipal investiu nisso, sendo uma alternativa para que as pessoas deixem de levar os animais em lugares onde não é permitido e nem positivo para as pessoas e para eles, como a praia e o parque ecológico. Esses espaços (os dog parks) são apropriados para eles, onde podem correr e brincar”, completa.


E quando o animal morre, o que fazer?

O Página 3 recebe com frequência muitos questionamentos sobre o que fazer quando o animalzinho de estimação morre. Balneário Camboriú possui um crematório animal, o Caminho dos Animais, mas para quem não pode pagar pelo serviço a outra opção é o descarte através da Ambiental. Uma funcionária da empresa informou ao jornal que é preciso agendar esse serviço (através do telefone (47) 3169-2900) e o animal precisa ser ensacado e deixado na lixeira ou na calçada. Se o agendamento é feito até às 16h30 ele é recolhido no mesmo dia, se não somente no outro dia. Os animais são encaminhados para o aterro sanitário. A Viva Bicho utiliza esse sistema, assim como os animais de rua da cidade.

Outra opção é o crematório Caminho dos Animais, que fica ao lado do Crematório Vaticano, na BR-101. O gerente do local, Paulo Vasques, conta que o cliente ou a clínica veterinária os contata e, depois de concordada a cremação, a equipe busca o animal.

O local realiza aproximadamente 60 cremações/mês, sendo 70% de cães, 25% gatos e 5% outros mascotes como papagaio, tartaruga, coelho, porquinho da Índia, hamster e até marreco.

“É realizado o processo de cremação no mesmo dia ou mais tardar no dia seguinte. Um a dois dias após vamos até a residência do tutor entregar as cinzas que ficam em uma urna (de madeira crua – inclusa no valor da cremação, de madeira laqueada ou cerâmica) e o certificado de cremação (onde constarão os dados do animal)”, explica. O valor da cremação até 20k é de R$ 440,00 e acima de 20k a 50k o valor é de R$ 540,00.

Há também a opção dos tutores levarem seus animais e conhecerem o local, onde podem se despedir de seus pets. No site do crematóriowww.caminhodosanimais.com.brhá um setor chamado Lápide Virtual, onde é possível escrever uma mensagem, adicionando dados e fotos, ficando lá definitivamente.


Cemitério municipal ou cremação social

Quando a atual secretária da Inclusão Social, Christina Barichello, foi vereadora, ela propôs a construção de um cemitério municipal para animais, mas o projeto não foi adiante. Christina conversou com a reportagem sobre e salienta que até hoje vê que é importante a prefeitura pensar sobre o assunto.

“Há muitos animais em Balneário Camboriú e é até uma questão de saúde pública. Nem todos possuem condição de fazer a cremação particular, e há quem acabe descartando até mesmo em terrenos baldios. Uma boa solução seria uma cremação social para animais também. O cemitério não é mais viável por não haver espaço, mas a cremação seria uma boa opção”, opina.

A atual vereadora e ex- diretora de Patrimônio da Secretaria de Gestão Administrativa de Balneário Camboriú, Zezé Wolff, concorda com Christina e diz a cremação social para animais é uma boa ideia.

“A lei que utilizamos para conseguirmos licitar a cremação social para humanos não se aplica a animais, mas o Executivo pode sugerir um decreto. É realmente uma boa ideia e se faz bastante necessário”, comenta.


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Página 3

Balneário Camboriú tem mais cães do que crianças, veja como é essa vida de cachorro

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Quinta, 13/2/2020 16:03.
Renata Rutes

Não há uma estimativa de quantos animais (com dono ou sem dono) vivem em Balneário Camboriú. O controle é difícil, mas segundo dados do IBGE no Brasil há mais cachorros do que crianças e adolescentes com idade entre zero e 15 anos. A média é de aproximadamente três cachorros domiciliados (que possuem lar) por humano. Considerando isso, há um mercado focado nesse nicho que cresce cada vez mais. Somente em Balneário, segundo a Secretaria da Fazenda, há 38 pets shops. No ano passado inaugurou por aqui uma unidade da franquia Petz, que é uma das maiores redes do Brasil. Além disso, há agora na cidade um hospital veterinário referência, que funciona durante 24h.

A franquia Petz, bem na entrada da cidade.


Hospital Veterinário da UniAvan atende animais domésticos, exóticos e até grandes felinos

Uma das novidades deste ano é a inauguração do Hospital Veterinário da UniAvan, que fica na Avenida do Estado, nº 1.340, no Bairro Ariribá. O Página 3 visitou o local, que é amplo (1400m² de área construída), com atendimento 24 horas, nove consultórios, UTI, um espaço específico para internação de doenças infecciosas e sala exclusiva para felinos (tanto de espera quanto para consultas). Como o hospital é universitário, no futuro (ainda não foi definida a data) haverá aulas assistidas pelos alunos e essas consultas ficarão 40% mais baratas. Inclusive há espaço ‘aquário’, onde os acadêmicos de graduação e pós acompanharão os atendimentos pelo vidro, além de uma ampla sala de aula.

Veterinário Lucas com seu cãozinho Kolby, o acompanha diariamente no hospital.

A reportagem do jornal foi recepcionada no ZooCare pelo diretor do Hospital, o veterinário Lucas de Angelis Cortês, que é de São Paulo. Ele é filho de um veterinário, possui irmão, tios e cunhada que também atuam na área. Ele conheceu a esposa, Viviane, na faculdade. O casal se mudou com os filhos para Balneário há oito meses e estão gerenciando o local juntos.

Lucas conta que possui empresas que prestam consultoria para hospitais veterinários, e uma equipe da UniAvan foi até São Paulo para conhecer unidades (já pensando no hospital de Balneário).

“Por acaso nos conhecemos. Eu e minha família estávamos planejando nos mudar para Portugal agora em fevereiro, mas viajamos para o Sul e nos apaixonamos por Balneário Camboriú. Aqui surgiu a oportunidade de auxiliar a UniAvan a projetar cursos de pós-graduação na área da Medicina Veterinária e também nos convidaram para gerenciar o hospital”, conta.

Segundo Lucas, desde que abriram o ZooCare, há aproximadamente 20 dias, já atenderam cerca de 100 pacientes – número expressivo, já que o local ainda não foi amplamente divulgado. Os principais atendimentos até agora foram traumas (como quedas de gatos de prédios), insuficiência respiratória, distúrbios endócrinos (como diabete), cinomose e parvovirose, além de doenças por carrapato, que podem acarretar sangramento e anemia. Quando o Página 3 estava lá o movimento estava calmo, mas o veterinário diz que durante o dia é comum fazerem vacinas, atenderem problemas de pele, fazerem check up e raio-x, e à noite aparecem as emergências.

“Somos referência porque priorizamos muito a tecnologia, aqui os animais vão receber o melhor tratamento possível no Brasil. A Medicina Veterinária avançou muito nos últimos 10 anos, sendo bem equivalente à medicina humana. Nosso segundo alicerce é embasado na produção científica, seguimos diretrizes e publicações referenciadas, tudo que fazemos há justificativa por trás. O terceiro fator é a comunicação, para um resultado positivo é preciso sabermos todos os detalhes do animal, junto do tutor e do veterinário externo. A comunicação é a vertente mais importante para o sucesso”, afirma.

O hospital conta com aproximadamente 15 veterinários na equipe, entre internos e externos (que atendem sob agendamento), há desde oftalmologista, ortopedista, fisioterapeuta, hematologista e especialista em doenças do sistema respiratório. Há uma parceria com o Beto Carrero World, fornecendo espaço para exames e cirurgias em animais debilitados – principalmente grandes felinos.

“Contamos também com um veterinário especializado em animais exóticos, como aves e roedores. Já atendemos coelho e calopsita, e nos ligaram perguntando se atendíamos uma galinha (risos), e o nosso veterinário atende, sim”, acrescenta.

O veterinário disse que se surpreendeu com a quantidade de animais em Balneário, dizendo que é comparável com São Paulo, e que se abrisse um hospital lá demoraria ‘pelo menos 15 dias’ para conseguir atrair clientes, e que na cidade foi ‘só abrir’ e o pessoal apareceu. Lucas não informou valores das consultas, mas disse que é acessível, pois o objetivo do hospital é atender o maior número de animais.

“Quando houver aula vai ser ainda mais barato, todos os procedimentos vão ter 40% de desconto”, comenta.

O gestor defende que é ideal prevenir doenças nos animais, assim como nos humanos, e por isso aconselha que cães e gatos façam check-up anual.

“Porém, sabemos que no caso dos gatos é mais difícil. Muitos se estressam ao sair de casa. Por isso temos aqui a sala exclusiva para felinos. Cada paciente é individual, mas o nosso foco é identificar possíveis doenças o quanto antes, aumentando assim o tempo e a qualidade de vida dos pets. Prevenir é melhor do que medicar. Futuramente também vamos implantar um sistema de ‘leva e traz’, sendo mais um benefício para os nossos clientes”, completa.


ONG Viva Bicho: 650 animais esperam por um lar

A realidade de muitos cães e gatos de Balneário é bastante diferente dos que vivem bem com seus donos. Somente no abrigo da ONG Viva Bicho há 650 animais, sendo 100 gatos e 550 cães que esperam por um lar, entre filhotes, adultos, deficientes físicos, dos mais diversos portes. Esse número reduziu bastante, pois já houve época em que mais de mil animais estavam no local. A tesoureira da ONG, Patrícia Ferreira, conta que todos os animais são castrados e que a maioria deles já estão ‘microchipados’, onde consta informações de exames e vacinas que eles tomaram, além de ser uma forma de identificação.

Desde 2017, a Viva Bicho possui uma parceria com a prefeitura municipal, que auxilia com alimentação dos animais e manutenção do abrigo.

“Se não fosse por essa parceria com o Executivo a ONG já teria fechado as portas porque só com a ajuda da população não nos manteríamos, devido a alta demanda que temos”, diz.

Em 2019 a Viva Bicho recolheu 900 animais das ruas de Balneário, 300 cirurgias foram feitas através das clínicas conveniadas e 1.540 castrações gratuitas para animais de rua (sem dono) e de pessoas de baixa renda (renda familiar de até R$ 3 mil).

“Em janeiro já recolhemos da rua 41 animais, foram 27 atendimentos de emergência com cirurgias e 111 castrações gratuitas. Essa castração está disponível para toda a população de Balneário que se enquadra nesse perfil. É só a pessoa enviar os documentos e ela tem direito de castrar os animais que tem em casa”, explica.

Patrícia aproveita para salientar sobre a triagem que é feita para a ONG recolher ou não o animal de rua. Ela conta que pelo menos 20 pessoas por dia os procuram para entregar um animal, o que pode configurar abandono e é crime previsto no Código Penal (incluindo maus tratos e negligência). Em Balneário também é aplicada multa, se configurar algum dos crimes a pessoa responderá criminalmente e será penalizada. “Só aceitamos animais debilitados (feridos, atropelados), fêmeas com filhotes ou prenhas, filhotes, idosos e fêmeas no cio. São esses animais que a Guarda Ambiental acolhe quando estão na rua. Há pessoas que reclamam que não acolhemos o animal ou a Guarda não levou. Se o animal sabe se virar na rua, é melhor que ele fique na rua do que preso em um canil com cinco ou seis. Nós não temos condição de acolher todos que estão na rua. Temos que dar prioridade para os animais em situação de vulnerabilidade”, comenta.

Quem estiver interessado em adotar um cão ou gato, pode ir até o abrigo da Viva Bicho, que fica na Avenida José Alves Cabral, 104, no Bairro Nova Esperança.

  • É preciso apresentar documento de identidade e comprovante de residência, além de assinar um termo de responsabilidade pelo animal.
  • A ONG recebe ao público de segunda a sábado das 9h às 12h e das 14h às 17h.
  • Mais informações: 3263-1020.

Abraço Animal: em 2019 mais de 400 animais resgatados

A prefeitura de Balneário Camboriú conta com o programa Abraço Animal, focado em resgatar animais em situação de vulnerabilidade ou que coloquem em risco os humanos, como silvestres (entre aves, répteis e mamíferos, como o tatu – foram 490 resgates em 2019) e domésticos (410 cães e gatos resgatados no ano passado).

A secretária do Meio Ambiente, Maria Heloísa Furtado Lenzi, conta que os silvestres são encaminhados ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd e se possuírem condições retornam para o seu habitat natural, e os cães e gatos para a ONG Viva Bicho.

“Tanto o zoológico quanto a Viva Bicho possuem convênio com o município. Pela Secretaria do Meio Ambiente pagamos alimentação e manutenção do abrigo da ONG, e a Secretaria de Saúde paga convênio para castração e atendimento emergencial. No governo do prefeito Fabrício Oliveira foi triplicado o valor de investimento nessa área, chegando a R$ 1,2 milhões”, diz.

Maria Heloísa reforça a fala de Patrícia, lembrando que há de fato um protocolo de atendimento e que não podem pegar qualquer animal, isso também para não superlotar o abrigo da ONG novamente, que já chegou a abrigar mais de mil animais.

“Resgatamos apenas animais que não tem condições, que estão vulneráveis. Estamos incentivando os cães comunitários, como o Berlim, que já é famoso na cidade. Castramos esses cães também. Inclusive está tramitando na Câmara de Vereadores um projeto de lei nesse sentido, apoiando o cão comunitário e a castração”, acrescenta.

A secretária diz que não há uma estimativa de quantos animais há hoje em Balneário Camboriú, mas conta que no Brasil estimam que há três por pessoa, e que por isso esse número ultrapassa o de crianças e adolescentes dos zero aos 15 anos.

“Nós já avançamos muito, mas as pessoas precisam entender mais o que são maus tratos, como deixar um cão preso no sol em uma coleira curta, e precisa haver mais consciência sobre a importância da castração e adoção. O mesmo amor que um cão de raça dá, o vira-lata também dá. O resultado é o mesmo, ele também será uma excelente companhia. Vemos que as empresas estão entendendo mais, há muitos espaços pet friendly (onde são aceito animais) na cidade, até nos shoppings. Incentivamos também que as pessoas tenham animal no ambiente de trabalho, já que isso pode agregar muito. O animal pode conviver com as pessoas, não só em casa”, afirma.

Maria Heloísa aproveita para lembrar que Balneário conta com três dog parks:

  • Rua 2.950, nº 800
  • Avenida Alvim Bauer, nº 330
  • Avenida Brasil, perto da Rua 1.911

“O governo municipal investiu nisso, sendo uma alternativa para que as pessoas deixem de levar os animais em lugares onde não é permitido e nem positivo para as pessoas e para eles, como a praia e o parque ecológico. Esses espaços (os dog parks) são apropriados para eles, onde podem correr e brincar”, completa.


E quando o animal morre, o que fazer?

O Página 3 recebe com frequência muitos questionamentos sobre o que fazer quando o animalzinho de estimação morre. Balneário Camboriú possui um crematório animal, o Caminho dos Animais, mas para quem não pode pagar pelo serviço a outra opção é o descarte através da Ambiental. Uma funcionária da empresa informou ao jornal que é preciso agendar esse serviço (através do telefone (47) 3169-2900) e o animal precisa ser ensacado e deixado na lixeira ou na calçada. Se o agendamento é feito até às 16h30 ele é recolhido no mesmo dia, se não somente no outro dia. Os animais são encaminhados para o aterro sanitário. A Viva Bicho utiliza esse sistema, assim como os animais de rua da cidade.

Outra opção é o crematório Caminho dos Animais, que fica ao lado do Crematório Vaticano, na BR-101. O gerente do local, Paulo Vasques, conta que o cliente ou a clínica veterinária os contata e, depois de concordada a cremação, a equipe busca o animal.

O local realiza aproximadamente 60 cremações/mês, sendo 70% de cães, 25% gatos e 5% outros mascotes como papagaio, tartaruga, coelho, porquinho da Índia, hamster e até marreco.

“É realizado o processo de cremação no mesmo dia ou mais tardar no dia seguinte. Um a dois dias após vamos até a residência do tutor entregar as cinzas que ficam em uma urna (de madeira crua – inclusa no valor da cremação, de madeira laqueada ou cerâmica) e o certificado de cremação (onde constarão os dados do animal)”, explica. O valor da cremação até 20k é de R$ 440,00 e acima de 20k a 50k o valor é de R$ 540,00.

Há também a opção dos tutores levarem seus animais e conhecerem o local, onde podem se despedir de seus pets. No site do crematóriowww.caminhodosanimais.com.brhá um setor chamado Lápide Virtual, onde é possível escrever uma mensagem, adicionando dados e fotos, ficando lá definitivamente.


Cemitério municipal ou cremação social

Quando a atual secretária da Inclusão Social, Christina Barichello, foi vereadora, ela propôs a construção de um cemitério municipal para animais, mas o projeto não foi adiante. Christina conversou com a reportagem sobre e salienta que até hoje vê que é importante a prefeitura pensar sobre o assunto.

“Há muitos animais em Balneário Camboriú e é até uma questão de saúde pública. Nem todos possuem condição de fazer a cremação particular, e há quem acabe descartando até mesmo em terrenos baldios. Uma boa solução seria uma cremação social para animais também. O cemitério não é mais viável por não haver espaço, mas a cremação seria uma boa opção”, opina.

A atual vereadora e ex- diretora de Patrimônio da Secretaria de Gestão Administrativa de Balneário Camboriú, Zezé Wolff, concorda com Christina e diz a cremação social para animais é uma boa ideia.

“A lei que utilizamos para conseguirmos licitar a cremação social para humanos não se aplica a animais, mas o Executivo pode sugerir um decreto. É realmente uma boa ideia e se faz bastante necessário”, comenta.


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