Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Sindicatos de Balneário Camboriú se manifestam sobre reabertura dos hotéis

“Não vai haver demanda”, diz presidente do Sindisol.“Vamos torcer para não ter hóspedes”, diz presidente do Sechobar


Segunda, 13/4/2020 13:44.
Divulgação

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O governo do estado emitiu decreto permitindo a reabertura de hotéis, pousadas e albergues a partir desta segunda-feira (13). Restaurantes, cafés, bares e lanchonetes também, mas podem apenas atender aos clientes presencialmente que forem retirar seus pedidos no balcão. A reportagem do Página 3 conversou com os presidentes dos sindicatos que representam os empresários e os funcionários do setor, Sindisol e Sechobar respectivamente. Confira.

Isaac Pires preside o Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares (Sindisol)

“Vamos ter reunião na tarde desta segunda-feira (13) com o prefeito Fabrício Oliveira para definir algumas regras que todos deverão seguir, porque não queremos expor os nossos colabores. Eu vejo que não há mercado para reabrir os hotéis. Os turistas vêm de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, e todos esses lugares estão ‘fechados’. Diariamente recebíamos 90 voos em Navegantes, e hoje só estão vindo dois. É uma redução muito grande. E acredito que esses dois trazem executivos que fazem SP-Navegantes, não devem ser turistas. A hotelaria aberta e sem emissores não faz sentido. Estou em contato com hoteleiros e esses com quem conversei não querem abrir seus hotéis exatamente por isso. Mas já fizemos uma ‘regra’ sobre o café da manhã, por exemplo. Os turistas que estiverem nos hotéis irão retirar um ‘kit’ com fruta, sanduíche e iogurte, por exemplo, na recepção e sairão para comer, uma espécie de ‘delivery’, evitando assim aglomerações porque buffets não podem ser montados. Não podemos impedir os hotéis que querem abrir, mas acredito que não terá demanda. Iremos fiscalizar aqueles que reabrirem para ver se estão seguindo as normas da OMS, porque não podemos expor ninguém, colaboradores e clientes. Temos a previsão de fim de maio reabrirmos os canais de vendas, acreditamos que o retorno oficial se dará no segundo semestre, esse primeiro realmente está bastante prejudicado. Somos solidários com a vida humana, o equilíbrio econômico será discutido no futuro. Temos cerca de 700 estabelecimentos em Balneário Camboriú ligados ao turismo (gastronomia e hotelaria), são 10 mil empregos diretos. É uma força muito grande. O Sindisol tinha a expectativa da abertura dos bares e restaurantes, que obedeceriam as normativas da OMS, como distância de 1,5m, uso de máscaras e luvas, e que poderiam receber ao público. Foi uma frustração nesse sentido. Os restaurantes que estão com seus estoques parados estão tendo um prejuízo imenso, estão sofrendo muito com os produtos que estragam. São pequenos e médios empresários que dependem do valor para o sustento deles e de seus funcionários. Estamos cadastrando junto da prefeitura uma plataforma digital onde os colaboradores saberão online se estão com algum sintoma do Covid-19, assim não expomos nem as equipes e nem os clientes. Até o momento não tivemos nenhum caso suspeito ou confirmado de Coronavírus na rede hoteleira ou bares e restaurantes. Na quarta-feira (15) teremos uma reunião online com o SESI, que irá ensinar 250 estabelecimentos de Balneário sobre essa plataforma para que os trabalhadores saibam se possuem algum sintoma”.

Olga Ferreira, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar)

“Firmamos perante esta pandemia, desde início de março, com o sindicato patronal (Sindisol), dois termos para garantia do emprego dos funcionários ligados ao turismo. O segundo termo foi firmado semana passada, antes do governador Carlos Moisés decretar a reabertura dos hotéis e pousadas cheia de restrições. O Sechobar defende que não é o momento para isso acontecer, estamos acompanhando os noticiários, a OMS, o Ministério da Saúde. Entendemos que o pico, o colapso do número de casos, ainda está por vir. Deverá ser no fim do mês, abrangendo ainda maio e junho. Entendemos a questão da economia, discutimos com o Sindisol a redução da jornada e redução dos salários, haverá algumas demissões, mas também citamos a antecipação de férias. Não podemos deixar os trabalhadores expostos, quando é óbvio que se os hotéis reabrirem o movimento dentro da cidade também vai aumentar. As pessoas vão estar circulando pelas ruas, não vão ficar trancadas dentro dos hotéis; vão querer ir nas praias. Vejo que o decreto é extremamente irresponsável, e o Sechobar é contra. Vamos torcer para não ter hóspedes, porque temos que pensar na vida dos trabalhadores. Não temos hospitais para todo mundo, tanto particulares quanto públicos. Já estamos vendo o que está acontecendo com os agentes de saúde, e vai acontecer um colapso ainda maior na saúde. Estou muitíssimo preocupada, porque acredito naquele velho ditado: “A corda vai arrebentar do lado mais fraco”, e inclui o mais fraco financeiramente e socialmente. Está complicado para a nossa categoria, já aconteceram demissões, houve empresários que fizeram trabalhadores assinarem documentos sem passar pelo Sechobar. Há o medo de quem está trabalhando e precisa voltar para casa. Estou muito decepcionada, porque estávamos indo muito bem no início, o governador e o prefeito Fabrício estavam sendo heróis, e agora fazem isso”.


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Sindicatos de Balneário Camboriú se manifestam sobre reabertura dos hotéis

“Não vai haver demanda”, diz presidente do Sindisol.“Vamos torcer para não ter hóspedes”, diz presidente do Sechobar


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Segunda, 13/4/2020 13:44.

O governo do estado emitiu decreto permitindo a reabertura de hotéis, pousadas e albergues a partir desta segunda-feira (13). Restaurantes, cafés, bares e lanchonetes também, mas podem apenas atender aos clientes presencialmente que forem retirar seus pedidos no balcão. A reportagem do Página 3 conversou com os presidentes dos sindicatos que representam os empresários e os funcionários do setor, Sindisol e Sechobar respectivamente. Confira.

Isaac Pires preside o Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares (Sindisol)

“Vamos ter reunião na tarde desta segunda-feira (13) com o prefeito Fabrício Oliveira para definir algumas regras que todos deverão seguir, porque não queremos expor os nossos colabores. Eu vejo que não há mercado para reabrir os hotéis. Os turistas vêm de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, e todos esses lugares estão ‘fechados’. Diariamente recebíamos 90 voos em Navegantes, e hoje só estão vindo dois. É uma redução muito grande. E acredito que esses dois trazem executivos que fazem SP-Navegantes, não devem ser turistas. A hotelaria aberta e sem emissores não faz sentido. Estou em contato com hoteleiros e esses com quem conversei não querem abrir seus hotéis exatamente por isso. Mas já fizemos uma ‘regra’ sobre o café da manhã, por exemplo. Os turistas que estiverem nos hotéis irão retirar um ‘kit’ com fruta, sanduíche e iogurte, por exemplo, na recepção e sairão para comer, uma espécie de ‘delivery’, evitando assim aglomerações porque buffets não podem ser montados. Não podemos impedir os hotéis que querem abrir, mas acredito que não terá demanda. Iremos fiscalizar aqueles que reabrirem para ver se estão seguindo as normas da OMS, porque não podemos expor ninguém, colaboradores e clientes. Temos a previsão de fim de maio reabrirmos os canais de vendas, acreditamos que o retorno oficial se dará no segundo semestre, esse primeiro realmente está bastante prejudicado. Somos solidários com a vida humana, o equilíbrio econômico será discutido no futuro. Temos cerca de 700 estabelecimentos em Balneário Camboriú ligados ao turismo (gastronomia e hotelaria), são 10 mil empregos diretos. É uma força muito grande. O Sindisol tinha a expectativa da abertura dos bares e restaurantes, que obedeceriam as normativas da OMS, como distância de 1,5m, uso de máscaras e luvas, e que poderiam receber ao público. Foi uma frustração nesse sentido. Os restaurantes que estão com seus estoques parados estão tendo um prejuízo imenso, estão sofrendo muito com os produtos que estragam. São pequenos e médios empresários que dependem do valor para o sustento deles e de seus funcionários. Estamos cadastrando junto da prefeitura uma plataforma digital onde os colaboradores saberão online se estão com algum sintoma do Covid-19, assim não expomos nem as equipes e nem os clientes. Até o momento não tivemos nenhum caso suspeito ou confirmado de Coronavírus na rede hoteleira ou bares e restaurantes. Na quarta-feira (15) teremos uma reunião online com o SESI, que irá ensinar 250 estabelecimentos de Balneário sobre essa plataforma para que os trabalhadores saibam se possuem algum sintoma”.

Olga Ferreira, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar)

“Firmamos perante esta pandemia, desde início de março, com o sindicato patronal (Sindisol), dois termos para garantia do emprego dos funcionários ligados ao turismo. O segundo termo foi firmado semana passada, antes do governador Carlos Moisés decretar a reabertura dos hotéis e pousadas cheia de restrições. O Sechobar defende que não é o momento para isso acontecer, estamos acompanhando os noticiários, a OMS, o Ministério da Saúde. Entendemos que o pico, o colapso do número de casos, ainda está por vir. Deverá ser no fim do mês, abrangendo ainda maio e junho. Entendemos a questão da economia, discutimos com o Sindisol a redução da jornada e redução dos salários, haverá algumas demissões, mas também citamos a antecipação de férias. Não podemos deixar os trabalhadores expostos, quando é óbvio que se os hotéis reabrirem o movimento dentro da cidade também vai aumentar. As pessoas vão estar circulando pelas ruas, não vão ficar trancadas dentro dos hotéis; vão querer ir nas praias. Vejo que o decreto é extremamente irresponsável, e o Sechobar é contra. Vamos torcer para não ter hóspedes, porque temos que pensar na vida dos trabalhadores. Não temos hospitais para todo mundo, tanto particulares quanto públicos. Já estamos vendo o que está acontecendo com os agentes de saúde, e vai acontecer um colapso ainda maior na saúde. Estou muitíssimo preocupada, porque acredito naquele velho ditado: “A corda vai arrebentar do lado mais fraco”, e inclui o mais fraco financeiramente e socialmente. Está complicado para a nossa categoria, já aconteceram demissões, houve empresários que fizeram trabalhadores assinarem documentos sem passar pelo Sechobar. Há o medo de quem está trabalhando e precisa voltar para casa. Estou muito decepcionada, porque estávamos indo muito bem no início, o governador e o prefeito Fabrício estavam sendo heróis, e agora fazem isso”.


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