Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cidade
Morro do Careca permanece fechado para voos livres, associação pede resposta da prefeitura

Desde 2010 a Associação de Voo Livre (Amca) tomava conta do espaço

Quinta, 3/10/2019 13:23.
Divulgação/AMCA
Morro do Careca recebe mais de mil pessoas por dia no verão

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O Morro do Careca, na Praia dos Amores, permanece fechado para a prática de voo livre (parapente) desde o início de agosto. A associação que era responsável pelos voos e pelo cuidado do local teve que deixar ao local por decisão da juíza Adriana Lisbôa, da Vara da Fazenda Pública. Uma licitação para ocupação do espaço deverá ser feita, mas a prefeitura ainda não informou quando isso deve acontecer. Desde 2010 a Associação de Voo Livre do Morro do Careca (Amca) tomava conta do espaço com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

O presidente da Amca, Ricardo Lincoln das Neves conta que a situação está ‘delicada’. Até agosto deste ano a associação administrava o Morro, oferecendo banheiro, preservando o local, realizando os voos e comercializando bebidas e algumas comidas em um quiosque.

“Desde 2010 sabíamos que precisava haver uma licitação, uma concorrência pública. Não é nossa culpa que não fizeram e foi muito injusto nos tirarem de lá de um dia para o outro”, explica.

Ricardo comenta que há pessoas interessadas na licitação e que inclusive suspeitam de interesse privado no local, o que gera certa apreensão por conta da preservação do Morro, que hoje é totalmente natural.

O presidente relembra que a renda que arrecadavam era praticamente toda para o cuidado do Morro do Careca, e salienta que a prefeitura não ajudava com nenhuma verba, apenas auxiliavam na parte da segurança, disponibilizando guardas. Por exemplo, a Amca investiu R$ 200 mil só no deck que há no local, além de R$ 4 mil por ano que eram para a grama sintética colocada no alto do Morro.

“Prestávamos contas a cada três meses, nunca houve nada de errado, então é muito injusto dizerem que só pensávamos no financeiro. Hoje se você for no Morro vai ver a situação em que está. Sem banheiro, com cheiro de xixi porque as pessoas fazem em qualquer lugar, com muito mato e sem nenhum controle de acesso, gerando até mesmo insegurança. Não está tendo nenhuma manutenção”, diz.

Ricardo cita inclusive o uso de drogas, que era inibido pelos funcionários da Amca, mas que agora pode estar acontecendo. Porém, ele afirma que há um guarda fazendo rondas pelo local, mas mais focado em coibir a prática do voo livre.

Ricardo em vôo de instrução

Segundo Ricardo, a Amca está com uma dívida de aproximadamente R$ 20 mil, entre contas para pagar junto a fornecedores, contabilidade e até mesmo voos agendados anteriormente à interrupção que não puderam ser realizados. Quatro funcionários que atuavam no Morro também foram demitidos.

Hoje, não há local na região para realizar o voo duplo (também chamado de voo de instrução – foram realizados 4,5 mil voos no Morro do Careca entre 2018 e 2019). Na Atalaia, em Itajaí, só está podendo acontecer o voo solo. Cada voo custava R$ 250 (R$ 50 ficava para a Amca e o resto para os instrutores).

“Balneário Camboriú perde muito, porque não temos muitos atrativos turísticos por aqui. Muitas pessoas já se programavam para vir pra cá e voar, o Morro do Careca era associado ao voo livre. Mesmo o Morro do Careca sendo pequeno, a nossa rampa era um exemplo a nível nacional, é um ponto reconhecido em todo o Brasil. Entramos com ação junto à juíza, mas ela não aceitou. Nem a promotoria. Estão obrigando a licitar, então ficamos sem ter o que fazer no momento”, acrescenta.

Falta decisão

Ricardo salienta que está sempre em contato com a prefeitura, e que o governo municipal se mostra com vontade de ajudar a resolver a situação, mas não definem nada sobre a licitação.

“Esperamos resolver antes da temporada, que é quando temos o maior movimento do ano (cerca de 1,5 mil pessoas por dia visitam o Morro), mas não sabemos o que vai acontecer. É um futuro incerto. Quando abrir a licitação vamos tentar participar, mas nosso medo é que uma empresa grande participe também. Nossa maior preocupação é manter o local público e natural. O Morro é o ‘quintal de casa’ de quem mora em Balneário, é natural e conservado, e deveria continuar a ser assim. Balneário Camboriú já é feita de cimento e concreto, precisamos ter um local bonito e natural. A decisão de fechar o Morro até regulamentar foi correta, mas agora tem que consertar e reabrir”, completa.

A prefeitura

O Página 3 entrou em contato com o prefeito Fabrício Oliveira e com o procurador Diego Montibeler em busca de informações sobre a licitação, mas não teve retorno. Caso eles se pronunciem sobre a situação, essa matéria será atualizada. 


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Página 3
Divulgação/AMCA
Morro do Careca recebe mais de mil pessoas por dia no verão
Morro do Careca recebe mais de mil pessoas por dia no verão

Morro do Careca permanece fechado para voos livres, associação pede resposta da prefeitura

Desde 2010 a Associação de Voo Livre (Amca) tomava conta do espaço

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Quinta, 3/10/2019 13:23.

O Morro do Careca, na Praia dos Amores, permanece fechado para a prática de voo livre (parapente) desde o início de agosto. A associação que era responsável pelos voos e pelo cuidado do local teve que deixar ao local por decisão da juíza Adriana Lisbôa, da Vara da Fazenda Pública. Uma licitação para ocupação do espaço deverá ser feita, mas a prefeitura ainda não informou quando isso deve acontecer. Desde 2010 a Associação de Voo Livre do Morro do Careca (Amca) tomava conta do espaço com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

O presidente da Amca, Ricardo Lincoln das Neves conta que a situação está ‘delicada’. Até agosto deste ano a associação administrava o Morro, oferecendo banheiro, preservando o local, realizando os voos e comercializando bebidas e algumas comidas em um quiosque.

“Desde 2010 sabíamos que precisava haver uma licitação, uma concorrência pública. Não é nossa culpa que não fizeram e foi muito injusto nos tirarem de lá de um dia para o outro”, explica.

Ricardo comenta que há pessoas interessadas na licitação e que inclusive suspeitam de interesse privado no local, o que gera certa apreensão por conta da preservação do Morro, que hoje é totalmente natural.

O presidente relembra que a renda que arrecadavam era praticamente toda para o cuidado do Morro do Careca, e salienta que a prefeitura não ajudava com nenhuma verba, apenas auxiliavam na parte da segurança, disponibilizando guardas. Por exemplo, a Amca investiu R$ 200 mil só no deck que há no local, além de R$ 4 mil por ano que eram para a grama sintética colocada no alto do Morro.

“Prestávamos contas a cada três meses, nunca houve nada de errado, então é muito injusto dizerem que só pensávamos no financeiro. Hoje se você for no Morro vai ver a situação em que está. Sem banheiro, com cheiro de xixi porque as pessoas fazem em qualquer lugar, com muito mato e sem nenhum controle de acesso, gerando até mesmo insegurança. Não está tendo nenhuma manutenção”, diz.

Ricardo cita inclusive o uso de drogas, que era inibido pelos funcionários da Amca, mas que agora pode estar acontecendo. Porém, ele afirma que há um guarda fazendo rondas pelo local, mas mais focado em coibir a prática do voo livre.

Ricardo em vôo de instrução

Segundo Ricardo, a Amca está com uma dívida de aproximadamente R$ 20 mil, entre contas para pagar junto a fornecedores, contabilidade e até mesmo voos agendados anteriormente à interrupção que não puderam ser realizados. Quatro funcionários que atuavam no Morro também foram demitidos.

Hoje, não há local na região para realizar o voo duplo (também chamado de voo de instrução – foram realizados 4,5 mil voos no Morro do Careca entre 2018 e 2019). Na Atalaia, em Itajaí, só está podendo acontecer o voo solo. Cada voo custava R$ 250 (R$ 50 ficava para a Amca e o resto para os instrutores).

“Balneário Camboriú perde muito, porque não temos muitos atrativos turísticos por aqui. Muitas pessoas já se programavam para vir pra cá e voar, o Morro do Careca era associado ao voo livre. Mesmo o Morro do Careca sendo pequeno, a nossa rampa era um exemplo a nível nacional, é um ponto reconhecido em todo o Brasil. Entramos com ação junto à juíza, mas ela não aceitou. Nem a promotoria. Estão obrigando a licitar, então ficamos sem ter o que fazer no momento”, acrescenta.

Falta decisão

Ricardo salienta que está sempre em contato com a prefeitura, e que o governo municipal se mostra com vontade de ajudar a resolver a situação, mas não definem nada sobre a licitação.

“Esperamos resolver antes da temporada, que é quando temos o maior movimento do ano (cerca de 1,5 mil pessoas por dia visitam o Morro), mas não sabemos o que vai acontecer. É um futuro incerto. Quando abrir a licitação vamos tentar participar, mas nosso medo é que uma empresa grande participe também. Nossa maior preocupação é manter o local público e natural. O Morro é o ‘quintal de casa’ de quem mora em Balneário, é natural e conservado, e deveria continuar a ser assim. Balneário Camboriú já é feita de cimento e concreto, precisamos ter um local bonito e natural. A decisão de fechar o Morro até regulamentar foi correta, mas agora tem que consertar e reabrir”, completa.

A prefeitura

O Página 3 entrou em contato com o prefeito Fabrício Oliveira e com o procurador Diego Montibeler em busca de informações sobre a licitação, mas não teve retorno. Caso eles se pronunciem sobre a situação, essa matéria será atualizada. 


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