Jornal Página 3

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“É uma vergonheira”, diz pescador sobre retirada dos ranchos de pesca da tainha
Divulgação
O rancho da 3600 antes do desmanche

Terça, 11/6/2019 18:57.

A retirada dos ranchos dos pescadores da praia central, comuns nessa época do ano para a pesca da tainha, está causando discussões e embates com a prefeitura, já que a ação é uma iniciativa da secretaria de Segurança, através da Guarda Municipal. Somente na sexta-feira (7) dois ranchos foram desmanchados, um perto da rua 3.600 e outro na altura da 4.000, o que já havia acontecido no fim de maio. Esta semana o vereador David La Barrica protocolou uma série de questionamentos sobre a situação, que serão enviados ao prefeito Fabrício Oliveira.

Luiz Wilbert

Os pescadores estão sem o rancho

No requerimento, o vereador fez seis perguntas ao prefeito, dentre elas, questionou o motivo que levou a secretaria de Segurança a estar retirando os ranchos de pesca, salientando que se fosse pela ‘baderna’ e uso de drogas – que foram denunciados por vizinhos e que o Página 3 noticiou – saber se a situação foi investigada, entre outros questionamentos acerca do assunto.

O vereador disse que um grupo de pescadores foi até o seu gabinete, mas ele não estava no momento. Mesmo assim, quando foi informado sobre a situação, decidiu então encaminhar os questionamentos ao prefeito.

“A pesca é uma tradição em Balneário Camboriú, tem que haver uma forma de ‘estancar o sangue’ da melhor maneira possível. Entendo a visão da secretaria de Segurança e a preocupação com o uso de drogas, mas os pescadores não podem ser prejudicados. Inclusive vou hoje (11) conversar com o secretário sobre esse assunto”, pontua.


“Inventaram muita história, tudo para nos cortar”

Um dos pescadores envolvidos na situação é Luiz Wilbert, 63, que pesca há 10 anos em Balneário Camboriú e era o proprietário do rancho que ficava nas proximidades da rua 3.600. Ele conta que o problema começou quando deram um prato de comida para um mendigo.

“Jamais nego comida para ninguém. Chegamos a ver que ele queria usar drogas e corremos com ele. Porém, a noite não estávamos no rancho e ele dormiu numa canoa nossa que estava por lá, foi aí que a Guarda Municipal passou e descobriu que ele era foragido da Canhanduba e o prendeu”, explica.

Desde então, segundo o pescador, a secretaria de Segurança começou a ‘encher a paciência e deu no que deu’.

Divulgação

Como o rancho era por dentro

Luiz lembra que é pescador há 43 anos, sendo há 10 fixo somente em Balneário. Segundo ele, nunca aconteceu de retirarem o rancho da pesca artesanal de tainha.

“Sempre pudemos construir, nos governos anteriores a prefeitura até nos dava o rancho. O secretário de Segurança não sabe da rotina da cidade, e o prefeito não manda nada, só diz que não pode fazer nada. Ele é mandado pelos subordinados dele. Pode publicar aí: não temos prefeito. É uma vergonheira”, acrescenta.


‘Deixar assim’

Por enquanto, segundo Luiz, os pescadores decidiram acatar a ordem da secretaria e ‘deixar assim’. Eles continuam na pescaria e, caso chova, vão usar um toldo para se cobrir.

“Teremos que partir para a ignorância, assim como eles fizeram. Dizem que há uso de drogas, mas eles não provaram nada. Eles deveriam ver se as denúncias são contra nós pescadores, porque não são. Chegamos a protocolar um pedido junto da prefeitura, mas eles negaram e estão nos enrolando muito. Estamos com muito nojo, nem os procuramos mais por isso. Eles inventaram muita história, tudo para nos cortar. Não poderiam ter feito isso tudo sem provas”, completa.


Safra ainda está ruim, mas deve melhorar nos próximos dias

A safra da tainha ainda está ruim, segundo Luiz. Porém, há expectativa de que haja melhora nos próximos dias.

“Foi bom o lance de fevereiro, que pegamos na altura da praça Tamandaré, depois disso foi decaindo. Mas ficamos sabendo que hoje (11) deu tainha em Florianópolis, na Praia do Santinho, e em Bombas. Ontem (10) deu um lance bom em Perequê (Porto Belo) também. Estão demorando para chegar em Balneário, elas estão vindo mais atrasadas, mas esperamos que cheguem logo. O calor também influencia, nos outros anos nessa época o clima já estava mais gelado, estamos estranhando”, diz.


O que diz o secretário

O secretário de Segurança, David Queiroz, explica que pediu que os pescadores apresentassem um projeto indicando o que vão construir e o que colocarão nos ranchos.

“Pedimos que eles utilizassem uma lona transparente, pois assim seria possível ver o que há dentro, pois o jeito que estava antes comprometia a segurança”, comenta.

Porém, não houve resposta até então e o próprio secretário teve a ideia de propor que os pescadores usem barracas de praia, o que deverá ser proposto para eles em breve.

“Não somos contra a pesca e os pescadores e sim queremos organizar a situação. Vale lembrar que eles podem usar os quiosques e queremos ajudá-los a se adequarem. Mas do jeito que estava antes, com uso de fogão e botijão de gás, não poderá mais acontecer”, acrescenta.

Queiroz conta ainda que conversou com alguns pescadores e eles não demonstraram estarem bravos, apenas pontuaram o ponto de vista deles, defendendo os ranchos que construíam.

“Na visão deles, eles estão corretos. Alegam que não conseguem construir de outro jeito, que não há mais tempo. Volto a dizer: não somos contra a pesca e sim queremos resolver isso tudo da melhor forma para todos, priorizando a segurança”, finaliza. 

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“É uma vergonheira”, diz pescador sobre retirada dos ranchos de pesca da tainha

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O rancho da 3600 antes do desmanche
O rancho da 3600 antes do desmanche

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Terça, 11/6/2019 18:57.

A retirada dos ranchos dos pescadores da praia central, comuns nessa época do ano para a pesca da tainha, está causando discussões e embates com a prefeitura, já que a ação é uma iniciativa da secretaria de Segurança, através da Guarda Municipal. Somente na sexta-feira (7) dois ranchos foram desmanchados, um perto da rua 3.600 e outro na altura da 4.000, o que já havia acontecido no fim de maio. Esta semana o vereador David La Barrica protocolou uma série de questionamentos sobre a situação, que serão enviados ao prefeito Fabrício Oliveira.

Luiz Wilbert

Os pescadores estão sem o rancho

No requerimento, o vereador fez seis perguntas ao prefeito, dentre elas, questionou o motivo que levou a secretaria de Segurança a estar retirando os ranchos de pesca, salientando que se fosse pela ‘baderna’ e uso de drogas – que foram denunciados por vizinhos e que o Página 3 noticiou – saber se a situação foi investigada, entre outros questionamentos acerca do assunto.

O vereador disse que um grupo de pescadores foi até o seu gabinete, mas ele não estava no momento. Mesmo assim, quando foi informado sobre a situação, decidiu então encaminhar os questionamentos ao prefeito.

“A pesca é uma tradição em Balneário Camboriú, tem que haver uma forma de ‘estancar o sangue’ da melhor maneira possível. Entendo a visão da secretaria de Segurança e a preocupação com o uso de drogas, mas os pescadores não podem ser prejudicados. Inclusive vou hoje (11) conversar com o secretário sobre esse assunto”, pontua.


“Inventaram muita história, tudo para nos cortar”

Um dos pescadores envolvidos na situação é Luiz Wilbert, 63, que pesca há 10 anos em Balneário Camboriú e era o proprietário do rancho que ficava nas proximidades da rua 3.600. Ele conta que o problema começou quando deram um prato de comida para um mendigo.

“Jamais nego comida para ninguém. Chegamos a ver que ele queria usar drogas e corremos com ele. Porém, a noite não estávamos no rancho e ele dormiu numa canoa nossa que estava por lá, foi aí que a Guarda Municipal passou e descobriu que ele era foragido da Canhanduba e o prendeu”, explica.

Desde então, segundo o pescador, a secretaria de Segurança começou a ‘encher a paciência e deu no que deu’.

Divulgação

Como o rancho era por dentro

Luiz lembra que é pescador há 43 anos, sendo há 10 fixo somente em Balneário. Segundo ele, nunca aconteceu de retirarem o rancho da pesca artesanal de tainha.

“Sempre pudemos construir, nos governos anteriores a prefeitura até nos dava o rancho. O secretário de Segurança não sabe da rotina da cidade, e o prefeito não manda nada, só diz que não pode fazer nada. Ele é mandado pelos subordinados dele. Pode publicar aí: não temos prefeito. É uma vergonheira”, acrescenta.


‘Deixar assim’

Por enquanto, segundo Luiz, os pescadores decidiram acatar a ordem da secretaria e ‘deixar assim’. Eles continuam na pescaria e, caso chova, vão usar um toldo para se cobrir.

“Teremos que partir para a ignorância, assim como eles fizeram. Dizem que há uso de drogas, mas eles não provaram nada. Eles deveriam ver se as denúncias são contra nós pescadores, porque não são. Chegamos a protocolar um pedido junto da prefeitura, mas eles negaram e estão nos enrolando muito. Estamos com muito nojo, nem os procuramos mais por isso. Eles inventaram muita história, tudo para nos cortar. Não poderiam ter feito isso tudo sem provas”, completa.


Safra ainda está ruim, mas deve melhorar nos próximos dias

A safra da tainha ainda está ruim, segundo Luiz. Porém, há expectativa de que haja melhora nos próximos dias.

“Foi bom o lance de fevereiro, que pegamos na altura da praça Tamandaré, depois disso foi decaindo. Mas ficamos sabendo que hoje (11) deu tainha em Florianópolis, na Praia do Santinho, e em Bombas. Ontem (10) deu um lance bom em Perequê (Porto Belo) também. Estão demorando para chegar em Balneário, elas estão vindo mais atrasadas, mas esperamos que cheguem logo. O calor também influencia, nos outros anos nessa época o clima já estava mais gelado, estamos estranhando”, diz.


O que diz o secretário

O secretário de Segurança, David Queiroz, explica que pediu que os pescadores apresentassem um projeto indicando o que vão construir e o que colocarão nos ranchos.

“Pedimos que eles utilizassem uma lona transparente, pois assim seria possível ver o que há dentro, pois o jeito que estava antes comprometia a segurança”, comenta.

Porém, não houve resposta até então e o próprio secretário teve a ideia de propor que os pescadores usem barracas de praia, o que deverá ser proposto para eles em breve.

“Não somos contra a pesca e os pescadores e sim queremos organizar a situação. Vale lembrar que eles podem usar os quiosques e queremos ajudá-los a se adequarem. Mas do jeito que estava antes, com uso de fogão e botijão de gás, não poderá mais acontecer”, acrescenta.

Queiroz conta ainda que conversou com alguns pescadores e eles não demonstraram estarem bravos, apenas pontuaram o ponto de vista deles, defendendo os ranchos que construíam.

“Na visão deles, eles estão corretos. Alegam que não conseguem construir de outro jeito, que não há mais tempo. Volto a dizer: não somos contra a pesca e sim queremos resolver isso tudo da melhor forma para todos, priorizando a segurança”, finaliza. 

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