Jornal Página 3

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Walendowsky fala sobre mudanças para o turismo de Balneário Camboriú
Renata Rutes Henning.
O secretário Walendowsky.

Sábado, 27/4/2019 12:42.

(Renata Rutes Henning/JP3) - Em entrevista ao jornal Página3 na quinta-feira (25), o novo secretário de Turismo de Balneário Camboriú, Valdir Walendowsky, defendeu a inauguração do Centro de Eventos, ‘o quanto antes’ e falou sobre a necessidade da cidade ter mais atrativos turísticos.

Walendowsky é figura conhecida no turismo catarinense, acumulando mais de 30 anos de atuação no segmento.

Ele presidiu a Santa Catarina Turismo (Santur) até fevereiro, além de já ter dirigido o Joinville Convention & Visitors Bureau e foi secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina de julho a dezembro de 2010, durante o governo Leonel Pavan.

JP3: Como surgiu o convite para assumir o Turismo em Balneário?

Walendowsky: Eu sempre tive muito envolvimento com Balneário Camboriú, mesmo a nível estadual, em função de que Balneário é um ícone do turismo brasileiro. Quando as cidades são ícones, se tem um trabalho mais forte junto ao Governo do Estado. O prefeito Fabrício fez o contato, começamos a conversar e eu aceitei prontamente. Foi muito rápido, tranquilo e objetivo. Vamos fazer, ajudar, trabalhar, fazer uma economia mais forte e melhor ainda.

JP3: De que forma o senhor analisa Balneário Camboriú hoje? O que ainda precisa avançar?

Walendowsky: Temos que pensar ‘o que os outros grandes destinos do mundo estão fazendo?’ Temos que nos colocar como um grande destino do mundo, então precisamos nos basear nisso para termos um fluxo turístico maior e um gasto médio diário também. Não adianta trazer, trazer, trazer pessoas e ninguém gastar. Tudo isso tem que ser pensado, não é só ser uma cidade bonita e maravilhosa. A cidade precisa apresentar novidades sempre, não pode estagnar. O turista precisa de entretenimento. Hoje a maior temporada de turismo é o verão, com o sol e mar, mas para que o turista fique mais tempo, temos que apresentar algo a mais. Sou a favor de projetos como a roda gigante, molhe do Pontal Norte. Temos que ter mais atrativos. Beto Carrero e Unipraias, por exemplo, também precisam se reinventar. Porque se não o turista vai uma, duas vezes e na terceira já vai pensar se vale a pena ir novamente. Vamos falar da Flórida, que ano passado recebeu 175 milhões de turistas, porque estão sempre se reinventando. Sempre tem algo novo para experimentar. É isso que temos que fazer, temos que cada vez melhorar mais a cidade, ter atrativos cada vez melhores. Estamos concorrendo com grandes destinos do mundo, então é para esse viés que estamos olhando.

JP3: Como o senhor vê a questão dos eventos? O Carnaval, por exemplo, ainda não está presente no calendário oficial da cidade.

Walendowsky: É importante ter também eventos fixos da cidade. Já tivemos a Julifest. Esse é um assunto que já está sendo pensado, para Balneário ter seu calendário fixo. Estamos discutindo isso com empresários, porque o poder público não pode ser o responsável por tudo. Blumenau, Pomerode, Gramado... todas essas cidades têm o turismo como um fator econômico importante e possuem suas festas, assim como Balneário também precisa caminhar para esse lado. O público já se prepara para elas, agências vendem pacotes especiais. Podemos e devemos participar desse nicho. Os eventos que já temos, o Balneário Saboroso por exemplo, também deve continuar. Quando estive na Santur sempre fomos parceiros dele, e a gastronomia é um fator fundamental. Não há turismo sem gastronomia, e Balneário tem um nome muito forte na questão da gastronomia, além de ter a faculdade, que é uma das melhores do Brasil. O Turismo Gastronômico, aliás, vem crescendo muito e temos que desenvolvê-lo cada vez mais por aqui.

JP3: Que tipos de atrativos faltam em Balneário?

Walendowsky: Temos a zona sul de Balneário muito interessante na área da natureza, podendo realizar atividades em qualquer época do ano. Aventura, caminhadas, trekking, cicloturismo. É altamente propícia para essas atividades. A Interpraias é uma rota cênica (um caminho que apresenta qualidades naturais, históricas, recreativas, culturais ou arqueológicas), se passarmos a valorizar isso o pessoal olhará a rodovia de um modo diferente. Temos que colocar sinalizações, para os turistas irem além de Laranjeiras. Temos que ter placas mostrando locais para tirar fotos maravilhosas, por exemplo. Esse é um dos pontos, tem muito mais. Também temos que trabalhar o Parque Ecológico. Na minha passagem por Florianópolis nesta semana lancei a ideia do Turismo de Natureza para dois empresários do ramo e eles adoraram. Eles também precisam de produto, mas temos que apresentar isso ao público. Mesma coisa a Praia do Pinho, foi a precursora do naturismo no Brasil, e hoje estamos perdendo para o Nordeste. Temos que voltar a focar e divulgá-la. É um produto que pode ser visitado o ano todo. Quando há uma movimentação de pessoas, é turismo. Mesmo que sejam pessoas de cidades próximas.

JP3: Balneário também já teve sua época de ouro com as casas noturnas da Barra Sul, e hoje isso decaiu um pouco...

Walendowsky: Sim, bastante. Esse é outro ponto que temos que conversar com empresários e ver uma forma de melhorar. Eu concordo contigo que, como Floripa teve seu auge, Balneário também decaiu nesse sentido. Vinham muitos turistas para as baladas, até estrangeiros. Apesar de não ter uma casa noturna grandiosa em Balneário mesmo, há a Green Valley de Camboriú e o Warung de Itajaí, e Balneário é a cidade polo. As pessoas vêm para as festas em outras cidades e se hospedam aqui. Isso é outro ponto que também temos que sempre reforçar, que é a questão de sermos indutores do turismo. O Beto Carrero também vive isso. As agências vendem, por exemplo, pacotes de hospedagem em Balneário com dias no parque. Isso induz e chama o público, que pode desfrutar de ambas as coisas. Temos que fazer essas conexões: turismo noturno, de aventura, natureza, gastronômico. Se investirmos nisso a tendência é a sazonalidade diminuir cada vez mais. É importante para nós termos nomes grandes linkados com Balneário, como Floripa que teve show da Beyonce, Paul McCartney. Balneário também já recebeu Alok, Fatboy Slim... isso atrai o público. Na época do auge de Floripa, o NY Times chegou a citar a vida noturna da cidade em seu caderno de domingo, foi muito emocionante. E Balneário tem força para viver isso também. Temos que ir atrás disso. Quanto mais tivermos condições de trazer nomes famosos para Balneário, melhor. Claro que respeitando questões ambientais e sociais sempre.

JP3: O Centro de Eventos é um assunto muito discutido, principalmente pelos atrasos na obra de finalização. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Walendowsky: Primeiro temos que dizer que o prefeito está muito empenhado em finalizar essa obra o quanto antes. Tudo no Centro de Eventos é o quanto antes. Falta pouco para terminá-lo. A obra física está pronta, agora falta ar-condicionado, colocação das divisórias que já foi feita a licitação e elevador. O resto está tudo pronto. O que todos queremos é o quanto antes abrir.

JP3: A Santur emitiu nota essa semana informando que administrará provisoriamente o Centro de Eventos.

Walendowsky: Quando eu estava em Florianópolis, como presidente da Santur, o Centro de Eventos de Canasvieiras a Santur começou a administrá-lo em 2016 e continua administrando-o. Canasvieiras não vai ser administrado por outro, já possui uma administradora. O que o prefeito quer e eu também é ter junto uma administração compartilhada. Queremos ajudar. Quanto mais captação de eventos, melhor. Queremos uma definição o quanto antes. A Santur respondeu ao prefeito que isso só seria resolvido a partir de junho do ano que vem, mas podemos e precisamos adiantar isso. Temos urgência. Falta muito pouco para inaugurarmos.

JP3: O Centro de Eventos pode auxiliar o problema de sazonalidade que Balneário ainda enfrenta?

Walendowsky: Sem dúvidas será uma grande alavanca, mas não posso dizer que vai resolver todo o problema da sazonalidade. Até porque o número de leitos de Balneário Camboriú é bastante grande, e nem todos os eventos são do tamanho para absorver todos os leitos. O importante é que o Centro de Eventos abra logo. O Turismo de Cruzeiros também tem auxiliado, todos os grandes destinos que possuem proximidade com o mar ou rios navegáveis tem cruzeiro, e isso coloca Balneário como uma grande vitrine também nessa área. Sempre falo que Balneário pode ser um grande indutor de cruzeiros para o sul do mundo. Se um dia isso se concretizar imagina que maravilhoso que vai ser? Porque na América do Sul tem cruzeiros o ano todo, e não só no verão. Se tivermos embarque e desembarque receberemos turistas por mais tempo, porque normalmente quem vem fazer cruzeiro chega alguns dias antes. Temos condições. Quanto mais atrativos tivermos, maior vai ser o movimento de visitantes.

JP3: Quais serão as ações de promoção da cidade como destino turístico? O senhor planeja fortalecer isso?

Walendowsky: Sem dúvidas. Isso é muito importante. São várias ações que fazemos ao longo do ano, uma delas é o Visite BC & Região, comandado pelo BC Convention. Também temos que trazer influenciadores digitais para a cidade, que é extremamente importante hoje, porque eles realmente impactam. Seguiremos participando de feiras não só no Brasil como em toda a América do Sul. Vamos para a FIT em Buenos Aires todos os anos, e não é porque os argentinos vieram em menor quantidade que deixaremos de ir. Na verdade temos que fortalecer o laço que temos com eles, mostrando que os valorizamos. A Argentina é cíclica, tem a economia muito instável, logo eles estão bem novamente e vão voltar a vir. Temos que manter sempre a clientela.

JP3: Falando sobre a Argentina, foi bastante sentida a diminuição da vinda deles pelos comerciantes e o trade em si. Há um plano para tentar atrair turistas de outros países?

Walendowsky: Quanto mais perto o país é de nós, mais fácil de trazer. Quando começam a falar de Japão, China, temos que pensar se estamos preparados para recebê-los. Eles realmente são hoje os públicos que mais viajam, mas precisamos ter tudo preparado para eles, em questão de hotelaria, cardápio em restaurantes e é claro: falar o idioma. Tem que pensar tudo isso. Brasil e América do Sul continuam sendo os nossos principais alvos. Quando inaugurar a ampliação do Aeroporto de Florianópolis, que está prevista para outubro, e se houver alguma linha internacional, para os Estados Unidos e Europa, como uma TAP fazendo voo direto Portugal x Floripa, é claro que vale atacarmos esse mercado. Mas primeiro temos que ter essa ligação. Também queremos ter linha fixa com Buenos Aires e Foz do Iguaçu no Aeroporto de Navegantes, que só existem no verão. Floripa tem todos os dias, e temos que puxar pra cá também. Há ainda a questão do transporte, nossas BRs precisam melhorar. Muitas pessoas deixam de vir porque sabem que ficam muito tempo no trânsito em feriados, etc. Se não melhorarmos, teremos cada vez menos pessoas por aqui. Dependemos muito do Governo do Estado e do Governo Federal também. Não fazemos nada sozinhos.

JP3: O turismo precisa entrar na era da tecnologia. Ainda estamos distantes.

Walendowsky: Posso dizer que estamos trabalhando nisso, mas mais para frente abordaremos melhor esse assunto. Chamam Balneário de ‘Dubai brasileira’, então temos que ter tecnologia de Dubai também. Não adianta ser só os prédios. Temos que ter tecnologia nos hotéis, restaurantes, entidades como o Convention e Sindicato de Hotéis. Tem muitos assuntos que são de bastidores e precisam ser mais eficazes. Temos que ter resposta rápida. Algo que já existe em alguns restaurantes da cidade é o cardápio no tablet, onde o cliente já pede tudo diretamente da mesa por conta própria, sem ter que esperar o garçom vir atendê-lo. Ideias assim precisam ser mais difundidas. Tem muito, muito, muito trabalho para fazer, inclusive com base nos planos de outros secretários. Não tem isso de colocar os projetos na gaveta só porque não são meus, se são bons precisam continuar. Temos que melhorar o Posto de Informação Turística (PIT), a Passarela. Está tudo dentro do nosso radar. É claro que não dá para abraçar o mundo em pouco tempo, mas estamos atuando e queremos fazer grandes coisas. 

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Walendowsky fala sobre mudanças para o turismo de Balneário Camboriú

Renata Rutes Henning.
O secretário Walendowsky.
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Sábado, 27/4/2019 12:42.

(Renata Rutes Henning/JP3) - Em entrevista ao jornal Página3 na quinta-feira (25), o novo secretário de Turismo de Balneário Camboriú, Valdir Walendowsky, defendeu a inauguração do Centro de Eventos, ‘o quanto antes’ e falou sobre a necessidade da cidade ter mais atrativos turísticos.

Walendowsky é figura conhecida no turismo catarinense, acumulando mais de 30 anos de atuação no segmento.

Ele presidiu a Santa Catarina Turismo (Santur) até fevereiro, além de já ter dirigido o Joinville Convention & Visitors Bureau e foi secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina de julho a dezembro de 2010, durante o governo Leonel Pavan.

JP3: Como surgiu o convite para assumir o Turismo em Balneário?

Walendowsky: Eu sempre tive muito envolvimento com Balneário Camboriú, mesmo a nível estadual, em função de que Balneário é um ícone do turismo brasileiro. Quando as cidades são ícones, se tem um trabalho mais forte junto ao Governo do Estado. O prefeito Fabrício fez o contato, começamos a conversar e eu aceitei prontamente. Foi muito rápido, tranquilo e objetivo. Vamos fazer, ajudar, trabalhar, fazer uma economia mais forte e melhor ainda.

JP3: De que forma o senhor analisa Balneário Camboriú hoje? O que ainda precisa avançar?

Walendowsky: Temos que pensar ‘o que os outros grandes destinos do mundo estão fazendo?’ Temos que nos colocar como um grande destino do mundo, então precisamos nos basear nisso para termos um fluxo turístico maior e um gasto médio diário também. Não adianta trazer, trazer, trazer pessoas e ninguém gastar. Tudo isso tem que ser pensado, não é só ser uma cidade bonita e maravilhosa. A cidade precisa apresentar novidades sempre, não pode estagnar. O turista precisa de entretenimento. Hoje a maior temporada de turismo é o verão, com o sol e mar, mas para que o turista fique mais tempo, temos que apresentar algo a mais. Sou a favor de projetos como a roda gigante, molhe do Pontal Norte. Temos que ter mais atrativos. Beto Carrero e Unipraias, por exemplo, também precisam se reinventar. Porque se não o turista vai uma, duas vezes e na terceira já vai pensar se vale a pena ir novamente. Vamos falar da Flórida, que ano passado recebeu 175 milhões de turistas, porque estão sempre se reinventando. Sempre tem algo novo para experimentar. É isso que temos que fazer, temos que cada vez melhorar mais a cidade, ter atrativos cada vez melhores. Estamos concorrendo com grandes destinos do mundo, então é para esse viés que estamos olhando.

JP3: Como o senhor vê a questão dos eventos? O Carnaval, por exemplo, ainda não está presente no calendário oficial da cidade.

Walendowsky: É importante ter também eventos fixos da cidade. Já tivemos a Julifest. Esse é um assunto que já está sendo pensado, para Balneário ter seu calendário fixo. Estamos discutindo isso com empresários, porque o poder público não pode ser o responsável por tudo. Blumenau, Pomerode, Gramado... todas essas cidades têm o turismo como um fator econômico importante e possuem suas festas, assim como Balneário também precisa caminhar para esse lado. O público já se prepara para elas, agências vendem pacotes especiais. Podemos e devemos participar desse nicho. Os eventos que já temos, o Balneário Saboroso por exemplo, também deve continuar. Quando estive na Santur sempre fomos parceiros dele, e a gastronomia é um fator fundamental. Não há turismo sem gastronomia, e Balneário tem um nome muito forte na questão da gastronomia, além de ter a faculdade, que é uma das melhores do Brasil. O Turismo Gastronômico, aliás, vem crescendo muito e temos que desenvolvê-lo cada vez mais por aqui.

JP3: Que tipos de atrativos faltam em Balneário?

Walendowsky: Temos a zona sul de Balneário muito interessante na área da natureza, podendo realizar atividades em qualquer época do ano. Aventura, caminhadas, trekking, cicloturismo. É altamente propícia para essas atividades. A Interpraias é uma rota cênica (um caminho que apresenta qualidades naturais, históricas, recreativas, culturais ou arqueológicas), se passarmos a valorizar isso o pessoal olhará a rodovia de um modo diferente. Temos que colocar sinalizações, para os turistas irem além de Laranjeiras. Temos que ter placas mostrando locais para tirar fotos maravilhosas, por exemplo. Esse é um dos pontos, tem muito mais. Também temos que trabalhar o Parque Ecológico. Na minha passagem por Florianópolis nesta semana lancei a ideia do Turismo de Natureza para dois empresários do ramo e eles adoraram. Eles também precisam de produto, mas temos que apresentar isso ao público. Mesma coisa a Praia do Pinho, foi a precursora do naturismo no Brasil, e hoje estamos perdendo para o Nordeste. Temos que voltar a focar e divulgá-la. É um produto que pode ser visitado o ano todo. Quando há uma movimentação de pessoas, é turismo. Mesmo que sejam pessoas de cidades próximas.

JP3: Balneário também já teve sua época de ouro com as casas noturnas da Barra Sul, e hoje isso decaiu um pouco...

Walendowsky: Sim, bastante. Esse é outro ponto que temos que conversar com empresários e ver uma forma de melhorar. Eu concordo contigo que, como Floripa teve seu auge, Balneário também decaiu nesse sentido. Vinham muitos turistas para as baladas, até estrangeiros. Apesar de não ter uma casa noturna grandiosa em Balneário mesmo, há a Green Valley de Camboriú e o Warung de Itajaí, e Balneário é a cidade polo. As pessoas vêm para as festas em outras cidades e se hospedam aqui. Isso é outro ponto que também temos que sempre reforçar, que é a questão de sermos indutores do turismo. O Beto Carrero também vive isso. As agências vendem, por exemplo, pacotes de hospedagem em Balneário com dias no parque. Isso induz e chama o público, que pode desfrutar de ambas as coisas. Temos que fazer essas conexões: turismo noturno, de aventura, natureza, gastronômico. Se investirmos nisso a tendência é a sazonalidade diminuir cada vez mais. É importante para nós termos nomes grandes linkados com Balneário, como Floripa que teve show da Beyonce, Paul McCartney. Balneário também já recebeu Alok, Fatboy Slim... isso atrai o público. Na época do auge de Floripa, o NY Times chegou a citar a vida noturna da cidade em seu caderno de domingo, foi muito emocionante. E Balneário tem força para viver isso também. Temos que ir atrás disso. Quanto mais tivermos condições de trazer nomes famosos para Balneário, melhor. Claro que respeitando questões ambientais e sociais sempre.

JP3: O Centro de Eventos é um assunto muito discutido, principalmente pelos atrasos na obra de finalização. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Walendowsky: Primeiro temos que dizer que o prefeito está muito empenhado em finalizar essa obra o quanto antes. Tudo no Centro de Eventos é o quanto antes. Falta pouco para terminá-lo. A obra física está pronta, agora falta ar-condicionado, colocação das divisórias que já foi feita a licitação e elevador. O resto está tudo pronto. O que todos queremos é o quanto antes abrir.

JP3: A Santur emitiu nota essa semana informando que administrará provisoriamente o Centro de Eventos.

Walendowsky: Quando eu estava em Florianópolis, como presidente da Santur, o Centro de Eventos de Canasvieiras a Santur começou a administrá-lo em 2016 e continua administrando-o. Canasvieiras não vai ser administrado por outro, já possui uma administradora. O que o prefeito quer e eu também é ter junto uma administração compartilhada. Queremos ajudar. Quanto mais captação de eventos, melhor. Queremos uma definição o quanto antes. A Santur respondeu ao prefeito que isso só seria resolvido a partir de junho do ano que vem, mas podemos e precisamos adiantar isso. Temos urgência. Falta muito pouco para inaugurarmos.

JP3: O Centro de Eventos pode auxiliar o problema de sazonalidade que Balneário ainda enfrenta?

Walendowsky: Sem dúvidas será uma grande alavanca, mas não posso dizer que vai resolver todo o problema da sazonalidade. Até porque o número de leitos de Balneário Camboriú é bastante grande, e nem todos os eventos são do tamanho para absorver todos os leitos. O importante é que o Centro de Eventos abra logo. O Turismo de Cruzeiros também tem auxiliado, todos os grandes destinos que possuem proximidade com o mar ou rios navegáveis tem cruzeiro, e isso coloca Balneário como uma grande vitrine também nessa área. Sempre falo que Balneário pode ser um grande indutor de cruzeiros para o sul do mundo. Se um dia isso se concretizar imagina que maravilhoso que vai ser? Porque na América do Sul tem cruzeiros o ano todo, e não só no verão. Se tivermos embarque e desembarque receberemos turistas por mais tempo, porque normalmente quem vem fazer cruzeiro chega alguns dias antes. Temos condições. Quanto mais atrativos tivermos, maior vai ser o movimento de visitantes.

JP3: Quais serão as ações de promoção da cidade como destino turístico? O senhor planeja fortalecer isso?

Walendowsky: Sem dúvidas. Isso é muito importante. São várias ações que fazemos ao longo do ano, uma delas é o Visite BC & Região, comandado pelo BC Convention. Também temos que trazer influenciadores digitais para a cidade, que é extremamente importante hoje, porque eles realmente impactam. Seguiremos participando de feiras não só no Brasil como em toda a América do Sul. Vamos para a FIT em Buenos Aires todos os anos, e não é porque os argentinos vieram em menor quantidade que deixaremos de ir. Na verdade temos que fortalecer o laço que temos com eles, mostrando que os valorizamos. A Argentina é cíclica, tem a economia muito instável, logo eles estão bem novamente e vão voltar a vir. Temos que manter sempre a clientela.

JP3: Falando sobre a Argentina, foi bastante sentida a diminuição da vinda deles pelos comerciantes e o trade em si. Há um plano para tentar atrair turistas de outros países?

Walendowsky: Quanto mais perto o país é de nós, mais fácil de trazer. Quando começam a falar de Japão, China, temos que pensar se estamos preparados para recebê-los. Eles realmente são hoje os públicos que mais viajam, mas precisamos ter tudo preparado para eles, em questão de hotelaria, cardápio em restaurantes e é claro: falar o idioma. Tem que pensar tudo isso. Brasil e América do Sul continuam sendo os nossos principais alvos. Quando inaugurar a ampliação do Aeroporto de Florianópolis, que está prevista para outubro, e se houver alguma linha internacional, para os Estados Unidos e Europa, como uma TAP fazendo voo direto Portugal x Floripa, é claro que vale atacarmos esse mercado. Mas primeiro temos que ter essa ligação. Também queremos ter linha fixa com Buenos Aires e Foz do Iguaçu no Aeroporto de Navegantes, que só existem no verão. Floripa tem todos os dias, e temos que puxar pra cá também. Há ainda a questão do transporte, nossas BRs precisam melhorar. Muitas pessoas deixam de vir porque sabem que ficam muito tempo no trânsito em feriados, etc. Se não melhorarmos, teremos cada vez menos pessoas por aqui. Dependemos muito do Governo do Estado e do Governo Federal também. Não fazemos nada sozinhos.

JP3: O turismo precisa entrar na era da tecnologia. Ainda estamos distantes.

Walendowsky: Posso dizer que estamos trabalhando nisso, mas mais para frente abordaremos melhor esse assunto. Chamam Balneário de ‘Dubai brasileira’, então temos que ter tecnologia de Dubai também. Não adianta ser só os prédios. Temos que ter tecnologia nos hotéis, restaurantes, entidades como o Convention e Sindicato de Hotéis. Tem muitos assuntos que são de bastidores e precisam ser mais eficazes. Temos que ter resposta rápida. Algo que já existe em alguns restaurantes da cidade é o cardápio no tablet, onde o cliente já pede tudo diretamente da mesa por conta própria, sem ter que esperar o garçom vir atendê-lo. Ideias assim precisam ser mais difundidas. Tem muito, muito, muito trabalho para fazer, inclusive com base nos planos de outros secretários. Não tem isso de colocar os projetos na gaveta só porque não são meus, se são bons precisam continuar. Temos que melhorar o Posto de Informação Turística (PIT), a Passarela. Está tudo dentro do nosso radar. É claro que não dá para abraçar o mundo em pouco tempo, mas estamos atuando e queremos fazer grandes coisas. 

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