Jornal Página 3

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Quem pagará o prejuízo do viaduto da Quarta Avenida?

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Celso Peixoto/PMBC
Projeto custou mais de meio milhão

Quarta, 25/5/2016 8:26.

Três anos atrás a prefeitura de Balneário Camboriú contratou e pagou R$ 542.315,47 pelo projeto de um viaduto que seria construído no encontro da Avenida Martin Luther com Quarta Avenida, passando sobre a Avenida do Estado, na altura do quartel dos bombeiros.

A obra não foi adiante, quase meio milhão de reais foi gasto pelo prefeito Edson Renato Dias, que nunca veio a público explicar o que ocorreu.

Não foi adiante porque no dia 15 de setembro de 2014 policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) desmantelaram a quadrilha de empresários e cargos de confiança que atuava na prefeitura e apreenderam, na mesa de uma funcionária do setor de compras, documentos comprovando fraude na licitação para fiscalizar uma obra que estava prestes a iniciar, o viaduto da Quarta Avenida.

Seriam gastos mais de R$ 17 milhões no viaduto. O monitoramento telefônico feito pelo Gaeco mostrou que estava tudo arranjado para reproduzir o mesmo esquema criminoso que operava na Passarela da Barra, inclusive envolvendo alguns dos principais larápios. A bandalheira era escancarada, num diálogo telefônico gravado, o namorado de uma engenheira da Passarela da Barra pergunta a ela se no viaduto também haveria “chuncho”.

A construção do viaduto seria feita pela Legnet Engenharia e seu diretor Gilberto Piva, assim como seus associados Rodrigues Valadares de Paiva e Evandro Gonçalves, confirmaram em depoimentos que a licitação foi dirigida. Deveriam pagar inicialmente R$ 100 mil de propina a Niênio Gontijo, homem de confiança do prefeito Edson Piriquito e comissão de 7% sobre o total da obra.

O engenheiro Marcelo Monte Carlo Silva Fonseca, da Sotepa Ltda., empresa que projetou o viaduto, confirmou o arranjo da licitação, o pedido de propina e ainda informou que o prefeito Edson Piriquito estava envolvido neste e em outros negócios escusos. O prefeito negou e o caso continua sob investigação do Ministério Público, em segredo de justiça.

A base da fraude é que o projeto do viaduto tinha “gorduras” que poderiam dirigir a licitação para a obra. Depois, fiscais corruptos nomeados pelo prefeito e aditivos suspeitos, exatamente como ocorreu na Passarela, gerariam as propinas.

A direção da Sotepa, empresa que fez o projeto, assegura que não existe gordura alguma e engenheiros da prefeitura continuam examinando o assunto para ver se é verdade ou não. É espantoso que esses engenheiros precisem de quase dois anos para examinar um projeto.

Assessores do prefeito disseram ao Página 3 na última semana que a opção foi prolongar a Quarta Avenida. Essa explicação não se sustenta, o viaduto e o prolongamento são obras diferentes para problemas diferentes e com dinheiro em caixa separado, o que é de uma não pode ser usado na outra.

O prefeito Edson Piriquito mudou de ideia por motivos obscuros, não esclarecidos. Em agosto de 2014, quando assinou a ordem de serviço para o início da construção, o prefeito disse que “trata-se da construção de um viaduto que dará uma profunda transformação no sistema viário da cidade. Uma obra grande, em um ponto estratégico que trará maior dinâmica, fluidez e segurança no trânsito”.

Para a sociedade interessa saber se o projeto de engenharia que custou mais de meio milhão de reais pode ser usado para construir um viaduto funcional e econômico. Se não pode, o prefeito tem que dizer quem vai devolver o dinheiro ao cofre público e quando.


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