Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Brasil
Globalização do Brasil tiraria 6 milhões da pobreza

Em 2030 país terá mais crianças e idosos do que trabalhadores

Quinta, 8/3/2018 6:16.

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MARIANA CARNEIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Para ganhar eficiência e crescer mais, o Brasil tem de abrir sua economia à concorrência estrangeira, afirma o Banco Mundial.

Cálculo apresentado no relatório "Emprego e Crescimento: a agenda da produtividade", divulgado nesta quarta-feira (7), mostra que o Brasil poderia tirar 6 milhões da pobreza com uma abertura coordenada com seus pares do Mercosul.

Se conseguisse distribuir os benefícios da abertura de maneira mais equilibrada a todas as regiões do Brasil, mais 3 milhões poderiam deixar a pobreza, cuja linha delimitada pelo Banco Mundial é US$ 5,50 por dia, a preços de 2011 pela paridade de poder de compra (que tenta capturar os efeitos das diferenças de custos entre os países desconsiderando oscilações cambiais).

Ainda que tenha gerado dificuldade em vários setores econômicos do país, a liberalização comercial dos anos 1990, feita no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), é citada como um exemplo de ganho para os mais pobres.

Na ocasião, o Brasil reduziu unilateralmente as tarifas de importação de uma média de 30% para 13%.

"O aumento dos rendimentos reais das famílias pobres foi o dobro do aumento dos rendimentos das famílias mais ricas", afirma o texto.

Dessa vez, o país deveria reduzir as tarifas de importação em todos os membros do Mercosul em 50% para compras vindas de países de fora do bloco. Já os impostos de exportação seriam extintos.

Isso poderia elevar as exportações em 7,5% e as importações, em 6,6%. O PIB poderia crescer quase 1 ponto percentual a mais.

Em 2030, Brasil terá mais criança e idoso do que trabalhador

O Brasil vive os últimos anos de uma vantagem populacional que se esgotará, segundo projeção do Banco Mundial, em aproximadamente três anos, em 2020. A população em idade ativa (entre 15 e 64 anos) vai parar de crescer, e o número de idosos e crianças vai aumentar.

"O perfil demográfico do Brasil em breve começará a assemelhar-se ao de muitos países europeus, embora o país se encontre em nível muito inferior de desenvolvimento econômico", diz o banco no relatório "Competência e Empregos: uma agenda para a juventude", divulgado nesta quarta-feira (7) em Brasília.

A chamada taxa de dependência (proporção de crianças até 14 anos e idosos acima de 65 anos na população) parará de cair em 2020, ficando estável em 47% até 2024, quando passará a subir.

Em 2030, as pessoas fora da idade habitual para trabalhar serão mais numerosas do que os potenciais trabalhadores. A previsão é alarmante porque o crescimento do Brasil, nas últimas duas décadas, se deu basicamente pela inserção de mais pessoas no mercado de trabalho. E quase nada sobre ganhos de eficiência (ou de produtividade).

A produtividade do trabalho, segundo o Banco Mundial, respondeu por 39% do aumento da renda per capita entre 1996 e 2014. O país poderia crescer cerca de 4,5% ao ano de maneira sustentável se aumentasse a produtividade. Caso não consiga gerar mais eficiência, o potencial de expansão do PIB e da renda da população fica limitado.

A instituição sugeriu ao país focar na juventude, uma vez que, mais numerosos, os entrantes do mercado terão de ser mais produtivos.
Mais da metade dos jovens com idade entre 15 e 29 anos, porém, se enquadra no conceito de desengajamento. São "nem-nem" (não estudam nem trabalham).

A economista do Banco Mundial Rita Almeida diz que a chave desse processo é a qualidade da educação. "A escolaridade não está relacionada com produtividade no Brasil", disse Almeida.

Segundo a instituição, quatro em cada dez pessoas no Brasil com mais de 25 anos concluíram o ensino médio. Nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a média é de seis. "Dessa maneira, o país não tem força adequada para alcançar a renda alta", disse.


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Globalização do Brasil tiraria 6 milhões da pobreza

Em 2030 país terá mais crianças e idosos do que trabalhadores

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Quinta, 8/3/2018 6:16.

MARIANA CARNEIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Para ganhar eficiência e crescer mais, o Brasil tem de abrir sua economia à concorrência estrangeira, afirma o Banco Mundial.

Cálculo apresentado no relatório "Emprego e Crescimento: a agenda da produtividade", divulgado nesta quarta-feira (7), mostra que o Brasil poderia tirar 6 milhões da pobreza com uma abertura coordenada com seus pares do Mercosul.

Se conseguisse distribuir os benefícios da abertura de maneira mais equilibrada a todas as regiões do Brasil, mais 3 milhões poderiam deixar a pobreza, cuja linha delimitada pelo Banco Mundial é US$ 5,50 por dia, a preços de 2011 pela paridade de poder de compra (que tenta capturar os efeitos das diferenças de custos entre os países desconsiderando oscilações cambiais).

Ainda que tenha gerado dificuldade em vários setores econômicos do país, a liberalização comercial dos anos 1990, feita no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), é citada como um exemplo de ganho para os mais pobres.

Na ocasião, o Brasil reduziu unilateralmente as tarifas de importação de uma média de 30% para 13%.

"O aumento dos rendimentos reais das famílias pobres foi o dobro do aumento dos rendimentos das famílias mais ricas", afirma o texto.

Dessa vez, o país deveria reduzir as tarifas de importação em todos os membros do Mercosul em 50% para compras vindas de países de fora do bloco. Já os impostos de exportação seriam extintos.

Isso poderia elevar as exportações em 7,5% e as importações, em 6,6%. O PIB poderia crescer quase 1 ponto percentual a mais.

Em 2030, Brasil terá mais criança e idoso do que trabalhador

O Brasil vive os últimos anos de uma vantagem populacional que se esgotará, segundo projeção do Banco Mundial, em aproximadamente três anos, em 2020. A população em idade ativa (entre 15 e 64 anos) vai parar de crescer, e o número de idosos e crianças vai aumentar.

"O perfil demográfico do Brasil em breve começará a assemelhar-se ao de muitos países europeus, embora o país se encontre em nível muito inferior de desenvolvimento econômico", diz o banco no relatório "Competência e Empregos: uma agenda para a juventude", divulgado nesta quarta-feira (7) em Brasília.

A chamada taxa de dependência (proporção de crianças até 14 anos e idosos acima de 65 anos na população) parará de cair em 2020, ficando estável em 47% até 2024, quando passará a subir.

Em 2030, as pessoas fora da idade habitual para trabalhar serão mais numerosas do que os potenciais trabalhadores. A previsão é alarmante porque o crescimento do Brasil, nas últimas duas décadas, se deu basicamente pela inserção de mais pessoas no mercado de trabalho. E quase nada sobre ganhos de eficiência (ou de produtividade).

A produtividade do trabalho, segundo o Banco Mundial, respondeu por 39% do aumento da renda per capita entre 1996 e 2014. O país poderia crescer cerca de 4,5% ao ano de maneira sustentável se aumentasse a produtividade. Caso não consiga gerar mais eficiência, o potencial de expansão do PIB e da renda da população fica limitado.

A instituição sugeriu ao país focar na juventude, uma vez que, mais numerosos, os entrantes do mercado terão de ser mais produtivos.
Mais da metade dos jovens com idade entre 15 e 29 anos, porém, se enquadra no conceito de desengajamento. São "nem-nem" (não estudam nem trabalham).

A economista do Banco Mundial Rita Almeida diz que a chave desse processo é a qualidade da educação. "A escolaridade não está relacionada com produtividade no Brasil", disse Almeida.

Segundo a instituição, quatro em cada dez pessoas no Brasil com mais de 25 anos concluíram o ensino médio. Nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a média é de seis. "Dessa maneira, o país não tem força adequada para alcançar a renda alta", disse.


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