Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Brasil
"Quem vai pagar é a sociedade e ele vai colocar a sociedade contra nós"

Não tem lógica tirar do óleo diesel e repassar para a gasolina.

Terça, 29/5/2018 5:44.
Tomaz Silva/AB.

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FERNANDA CANOFRE
PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Alexandre Bastos de Araujo, 46, é caminhoneiro há 28 anos. Assim como o pai, dois irmãos e um sobrinho. A família, que vive em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, está entre o grupo de caminhoneiros que segue em paralisação no Rio Grande do sul nesta segunda-feira (28).

"Não é uma greve, é um movimento para chamar a atenção do governo, para partir dele a redução de mordomias, de encargos. A carga tributária é muito alta, é isso que a gente está reivindicando. Os motoristas não querem seguir viagem porque não tem lógica tirar do óleo diesel e repassar para a gasolina. O governo já fez promessas e não trouxe benefício nenhum. Isso é uma conta injusta, quem vai pagar é a sociedade e ele vai colocar a sociedade contra nós", diz ele.

Segundo Alexandre, o movimento é "geral", com envolvimento em massa de caminhoneiros dos três estados da Região Sul. Ele diz que nas quase três décadas em que trabalha com transporte, nunca teve tanta dificuldade como agora.

"Chegamos ao fundo do poço. A carga tributária está nos esmagando. A gente já tinha dado recado em 2015, o governo fez pouco caso". No final da tarde de segunda, ele estava entre os caminhoneiros que fez carreata pelo Centro de Porto Alegre até o Parque Moinhos de Vento, onde encontraram um grupo a favor da intervenção militar, que também segurava faixas em apoio à paralisação. Alexandre, porém, diz que a pauta não é uma das prioridades do movimento agora.

"Não vou opinar sobre isso aí", respondeu à reportagem. "O nosso objetivo é que o governo faça uma conta melhor, que não ponha a sociedade contra os caminhoneiros. A gente não quer que a sociedade pague essa conta. Esse movimento é geral, tu vê os carros buzinando [em apoio], a sociedade está junto com a gente".

De acordo com informações do governo do Rio Grande do Sul, há 241 pontos sendo monitorados ainda com movimentação de caminhoneiros, na região metropolitana e no interior. "As reivindicações legítimas foram atendidas em grande parte, agora nós damos sequência às operações para dar andamento ao abastecimento", declarou o vice-governador, José Paulo Cairoli (PDS).

No município de Charqueadas, a 60 km de Porto Alegre, um protesto de caminhoneiros e apoiadores, em frente à fábrica da GKM, bloqueou uma rodovia temporariamente. Mas o Comando Rodoviário da Brigada Militar, a polícia militar gaúcha, diz que nenhum dos 131 pontos que seguem com protestos em rodovias estaduais está bloqueado. Os manifestantes estariam pedindo apenas a parada dos caminhoneiros.

Durante o dia, houve protestos também em frente à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), que atende Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e Paraná, além de outros estados por cabotagem. As cargas de combustíveis que saíram do local, para abastecer o Aeroporto Internacional Salgado Filho e viaturas de segurança pública, foram escoltadas pelo Exército e pela Brigada.

Diante do local, dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, estavam acampadas com faixas pedindo a intervenção militar e "fim da roubalheira". Em outro ponto, na mesma via, outro grupo segurava um cartaz dos "motoristas de aplicativos pela redução dos combustíveis".

Comércios locais, como borracharias, guinchos e oficinas exibiam placas de apoio. Uma delas, à porta do estabelecimento, dizia: "somos todos caminhoneiros".

O Gabinete de Crise do governo do Rio Grande do Sul, criado para atender as questões geradas pela greve dos caminhoneiros, diz que as situações mais graves no estado são as de cargas vivas, transporte de rações e gargalos para setores de avicultura, suinocultura e laticínios no interior.

Estoques de leite seguem sendo descartados, mas ocorrências para distribuição de medicamentos já diminuíram. Dados consolidados, apresentados no fim da tarde, apontam que 72 postos de Porto Alegre já voltaram a ter combustíveis, além de 14 na região metropolitana e 88 no interior.

Moradores queimam pneus em apoio a caminhoneiros na Régis, no Paraná

SAMUEL NUNES
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Moradores de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, interditaram a Régis Bittencourt (BR-116), na tarde desta segunda-feira (28). O grupo incendiou pneus sobre a pista no km 128, no sentido capital, e também na via marginal.

Os manifestantes dizem que o protesto é em apoio aos caminhoneiros, que seguem parados, reivindicando, entre outras coisas, mudanças na cobrança do preço do diesel. Os manifestantes ficaram revoltados com o governo federal, pois as alterações não atingem os demais combustíveis.

No protesto, motociclistas foram convidados a parar e apoiar o ato. Os demais veículos foram liberados aos poucos, o que causou congestionamento na região.

A Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal acompanharam o ato. Uma equipe do Corpo de Bombeiros também foi acionada para apagar as chamas. Mesmo após o fim do fogo, os manifestantes seguiram interrompendo o tráfego da rodovia. De acordo com a PM, não houve registros de atos violentos durante o protesto.


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Página 3
Tomaz Silva/AB.

"Quem vai pagar é a sociedade e ele vai colocar a sociedade contra nós"

Não tem lógica tirar do óleo diesel e repassar para a gasolina.

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Terça, 29/5/2018 5:44.

FERNANDA CANOFRE
PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Alexandre Bastos de Araujo, 46, é caminhoneiro há 28 anos. Assim como o pai, dois irmãos e um sobrinho. A família, que vive em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, está entre o grupo de caminhoneiros que segue em paralisação no Rio Grande do sul nesta segunda-feira (28).

"Não é uma greve, é um movimento para chamar a atenção do governo, para partir dele a redução de mordomias, de encargos. A carga tributária é muito alta, é isso que a gente está reivindicando. Os motoristas não querem seguir viagem porque não tem lógica tirar do óleo diesel e repassar para a gasolina. O governo já fez promessas e não trouxe benefício nenhum. Isso é uma conta injusta, quem vai pagar é a sociedade e ele vai colocar a sociedade contra nós", diz ele.

Segundo Alexandre, o movimento é "geral", com envolvimento em massa de caminhoneiros dos três estados da Região Sul. Ele diz que nas quase três décadas em que trabalha com transporte, nunca teve tanta dificuldade como agora.

"Chegamos ao fundo do poço. A carga tributária está nos esmagando. A gente já tinha dado recado em 2015, o governo fez pouco caso". No final da tarde de segunda, ele estava entre os caminhoneiros que fez carreata pelo Centro de Porto Alegre até o Parque Moinhos de Vento, onde encontraram um grupo a favor da intervenção militar, que também segurava faixas em apoio à paralisação. Alexandre, porém, diz que a pauta não é uma das prioridades do movimento agora.

"Não vou opinar sobre isso aí", respondeu à reportagem. "O nosso objetivo é que o governo faça uma conta melhor, que não ponha a sociedade contra os caminhoneiros. A gente não quer que a sociedade pague essa conta. Esse movimento é geral, tu vê os carros buzinando [em apoio], a sociedade está junto com a gente".

De acordo com informações do governo do Rio Grande do Sul, há 241 pontos sendo monitorados ainda com movimentação de caminhoneiros, na região metropolitana e no interior. "As reivindicações legítimas foram atendidas em grande parte, agora nós damos sequência às operações para dar andamento ao abastecimento", declarou o vice-governador, José Paulo Cairoli (PDS).

No município de Charqueadas, a 60 km de Porto Alegre, um protesto de caminhoneiros e apoiadores, em frente à fábrica da GKM, bloqueou uma rodovia temporariamente. Mas o Comando Rodoviário da Brigada Militar, a polícia militar gaúcha, diz que nenhum dos 131 pontos que seguem com protestos em rodovias estaduais está bloqueado. Os manifestantes estariam pedindo apenas a parada dos caminhoneiros.

Durante o dia, houve protestos também em frente à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), que atende Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e Paraná, além de outros estados por cabotagem. As cargas de combustíveis que saíram do local, para abastecer o Aeroporto Internacional Salgado Filho e viaturas de segurança pública, foram escoltadas pelo Exército e pela Brigada.

Diante do local, dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, estavam acampadas com faixas pedindo a intervenção militar e "fim da roubalheira". Em outro ponto, na mesma via, outro grupo segurava um cartaz dos "motoristas de aplicativos pela redução dos combustíveis".

Comércios locais, como borracharias, guinchos e oficinas exibiam placas de apoio. Uma delas, à porta do estabelecimento, dizia: "somos todos caminhoneiros".

O Gabinete de Crise do governo do Rio Grande do Sul, criado para atender as questões geradas pela greve dos caminhoneiros, diz que as situações mais graves no estado são as de cargas vivas, transporte de rações e gargalos para setores de avicultura, suinocultura e laticínios no interior.

Estoques de leite seguem sendo descartados, mas ocorrências para distribuição de medicamentos já diminuíram. Dados consolidados, apresentados no fim da tarde, apontam que 72 postos de Porto Alegre já voltaram a ter combustíveis, além de 14 na região metropolitana e 88 no interior.

Moradores queimam pneus em apoio a caminhoneiros na Régis, no Paraná

SAMUEL NUNES
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Moradores de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, interditaram a Régis Bittencourt (BR-116), na tarde desta segunda-feira (28). O grupo incendiou pneus sobre a pista no km 128, no sentido capital, e também na via marginal.

Os manifestantes dizem que o protesto é em apoio aos caminhoneiros, que seguem parados, reivindicando, entre outras coisas, mudanças na cobrança do preço do diesel. Os manifestantes ficaram revoltados com o governo federal, pois as alterações não atingem os demais combustíveis.

No protesto, motociclistas foram convidados a parar e apoiar o ato. Os demais veículos foram liberados aos poucos, o que causou congestionamento na região.

A Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal acompanharam o ato. Uma equipe do Corpo de Bombeiros também foi acionada para apagar as chamas. Mesmo após o fim do fogo, os manifestantes seguiram interrompendo o tráfego da rodovia. De acordo com a PM, não houve registros de atos violentos durante o protesto.


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