Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Brasil
Protesto de caminhoneiros entra no 3º dia com bloqueios e desabastecimento

Cooperativa catarinense paralisa15 fábricas e 28.000 empregados

Quarta, 23/5/2018 7:28.
O Tempo/Folhapress.

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(FOLHAPRESS/JP3) - A greve dos caminhoneiros entra no 3º dia nesta quarta-feira (23) com bloqueios em rodovias federais em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Eles permitem a passagem apenas de carros, ônibus e ambulâncias.

Em Santa Catarina a PRF divulgou ao meio dia de hoje um quadro mostrando os pontos onde há concentração da caminhoneiros:

Em São Paulo, por volta das 5h30 eram registrados ao menos três bloqueios na rodovia Presidente Dutra. Na região de Santa Isabel, o protesto ocorria nos dois sentidos da via, no km 186.

Nas cidades de Jacareí e São José dos Campos, os caminhoneiros bloqueavam a via no sentido Rio nos quilômetros 164 e 156.

No mesmo horário, os caminhoneiros também protestavam nos dois sentidos da rodovia Régis Bittencourt.

No sentido São Paulo, o bloqueio na via ocorria do km 478 ao 477. Já no trânsito no sentido Paraná, estava interrompido do km 470 ao 477, na região de Jacupiranga; e do km 384 ao 385, em Miracatu.

Na rodovia Fernão Dias, os motoristas enfrentavam ao menos 15 bloqueios em cidades de São Paulo e Minas Gerais.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Minas registrava outros bloqueios em trechos das rodovias BR-40, BR-50, BR-116, BR-153, BR-251, BR-262, BR-365 e BR-381.

No Espírito Santo, o trânsito está interrompido nos quilômetros 304, 376 e 414 da BR-101; no km 262 da BR-262; km 46 e km 50,7 da BR-259.

REIVINDICAÇÕES

Os caminhoneiros pedem mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras (medida que o governo refuta) e redução da carga tributária para o diesel (que está em negociação).

A nova política de reajustes, adotada pela Petrobras em julho do ano passado, é bem-vista por investidores por acompanhar o padrão adotado em outros países. Alterá-la agora seria interpretado como intervenção do governo na estatal.

Com essa nova política, os valores dos combustíveis sofrem alterações diárias que acompanham a cotação internacional do petróleo e a variação do câmbio.

Como o dólar e o preço do óleo tiveram repiques, o valor do diesel saltou. Em um mês, o litro do diesel na bomba subiu 4,9%, de R$ 3,42 para R$ 3,59, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

À ESPERA DE ACORDO

Na tentativa de encerrar a greve dos caminhoneiros, que já atinge 24 estados, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou, nesta terça-feira (22), que o governo vai zerar a cobrança da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o diesel. Impôs, no entanto, uma condição: que o Congresso aprove a reoneração da folha de pagamento.

"Hoje fechamos um acordo com os presidentes da Câmara e do Senado", disse Guardia. "Uma vez aprovada a reoneração, sairemos com o decreto zerando a Cide."

O governo está cauteloso porque zerar a Cide amplia a perda de arrecadação em um momento de aperto fiscal. A estimativa é de uma perda de R$ 2,5 bilhões com a Cidemas, mas de um ganho de R$ 3 bilhões com a reoneração.

A reação do Congresso, porém, se mostra inconclusiva. Logo após o anúncio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pretende colocar o projeto em votação na próxima semana.

Porém, ao fim da noite, Maia deu uma nova declaração: que incluiria a redução da PIS/Cofins do diesel no projeto de reoneração da folha –o que ampliaria a perda fiscal.

Por sua vez, o relator da proposta de reoneração, deputado Orlando Silva (PC do B-SP), disse que não quer limitar a queda do tributo ao diesel. "Vou tentar ver se fica de pé uma abordagem que inclua o gás de cozinha e gasolina", disse Silva. As conversas prosseguem nesta quarta (23).

A Cooperativa Aurora, com 15 fábricas e 28.000 trabalhadores, decidiu parar e distribuiu a seguinte nota:

Greve dos caminhoneiros causa paralisação total na Aurora Alimentos

A Cooperativa Central Aurora Alimentos comunica que, em consequência da greve que atinge o setor de transportes nas regiões onde estão instaladas as suas unidades produtivas,paralisará totalmenteas atividades das indústrias de processamento de aves e suínosem Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (inicialmente) nestaquinta e sexta-feira, dias 24 e 25 de maiode 2018.

A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo. A capacidade de estocagem de produtos frigorificados – de 50 mil toneladas – está exaurida.

No campo, as famílias rurais são as mais prejudicadas porque o mesmo movimento grevista impede o fornecimento de ração, pintinhos, material genético, remédios etc. aos milhares de produtores rurais, colocando em risco imensos planteis de aves, suínos e bovinos. Ao mesmo tempo, impede a retirada da produção agrícola e pecuária.

Dessa forma, o sistema de produção no campo e na cidade ficouasfixiadoe impossibilitado de operar em face da falência de suprimentos.

Sem fazer qualquer julgamento sobre a legitimidade ou a legalidade da greve, a Aurora Alimentos adverte para o sofrimento e as perdas que estão sendo impostas a milhares de famílias rurais, trabalhadores urbanos, micro e pequenas empresas da cadeia produtiva e ao sistema cooperativista.

Mesmo que, eventualmente, a greve venha a ser encerrada nas próximas horas ou dias, a paralisação das unidades industriais nesta semana não poderá ser cancelada em face das condições adversas que se criaram ao fluxo normal da produção.

Nesses dois dias em que as plantas industriais da Aurora estarão fechadas:

·7 indústrias de aves e 8 indústrias de suínos estarão inoperantes;

·28 mil trabalhadores diretos estarão dispensados temporariamente do trabalho;

·Cerca de 8 mil produtores rurais terão que adotar regime de restrição alimentar aos plantéis de aves, suínos e bovinos;

·A escassez ou falta de rações prejudicará de forma insidiosa o desenvolvimento de um plantel de 32 milhões de frangos e 1 milhão 260 mil suínos porque, quando o movimento dos caminheiros cessar, os prejuízos continuarão se manifestando nesses ativos biológicos mal-nutridos;

·2 milhões de aves e 40 mil suínos deixarão de ser processados apenas nesses dois dias;

·300 caminhões câmaras-frias/dia, 200 caminhões com cargas vivas/dia e 120 caminhões de ração/dia deixarão de circular.

Tudo isso representa mais de R$ 50 milhões de prejuízos para toda a cadeia produtiva ancorada na Aurora Alimentos, justamente em um ano em que a perda de mercados e problemas conjunturais já sacrificam severamente a agroindústria da carne com milhões em perdas.

A Cooperativa Central Aurora Alimentos apela para que o Governo e o Movimento dos Transportadores dialoguem e, num exercício de grandeza e compreensão com os graves problemas nacionais, encontrem uma alternativa para por fim à greve, pois reconhece a enorme importância do setor de transporte rodoviário para o País e o papel social e profissional dos caminhoneiros

Chapecó (SC), 22 de maio de 2018.


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Página 3
O Tempo/Folhapress.

Protesto de caminhoneiros entra no 3º dia com bloqueios e desabastecimento

Cooperativa catarinense paralisa15 fábricas e 28.000 empregados

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Quarta, 23/5/2018 7:28.

(FOLHAPRESS/JP3) - A greve dos caminhoneiros entra no 3º dia nesta quarta-feira (23) com bloqueios em rodovias federais em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Eles permitem a passagem apenas de carros, ônibus e ambulâncias.

Em Santa Catarina a PRF divulgou ao meio dia de hoje um quadro mostrando os pontos onde há concentração da caminhoneiros:

Em São Paulo, por volta das 5h30 eram registrados ao menos três bloqueios na rodovia Presidente Dutra. Na região de Santa Isabel, o protesto ocorria nos dois sentidos da via, no km 186.

Nas cidades de Jacareí e São José dos Campos, os caminhoneiros bloqueavam a via no sentido Rio nos quilômetros 164 e 156.

No mesmo horário, os caminhoneiros também protestavam nos dois sentidos da rodovia Régis Bittencourt.

No sentido São Paulo, o bloqueio na via ocorria do km 478 ao 477. Já no trânsito no sentido Paraná, estava interrompido do km 470 ao 477, na região de Jacupiranga; e do km 384 ao 385, em Miracatu.

Na rodovia Fernão Dias, os motoristas enfrentavam ao menos 15 bloqueios em cidades de São Paulo e Minas Gerais.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Minas registrava outros bloqueios em trechos das rodovias BR-40, BR-50, BR-116, BR-153, BR-251, BR-262, BR-365 e BR-381.

No Espírito Santo, o trânsito está interrompido nos quilômetros 304, 376 e 414 da BR-101; no km 262 da BR-262; km 46 e km 50,7 da BR-259.

REIVINDICAÇÕES

Os caminhoneiros pedem mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras (medida que o governo refuta) e redução da carga tributária para o diesel (que está em negociação).

A nova política de reajustes, adotada pela Petrobras em julho do ano passado, é bem-vista por investidores por acompanhar o padrão adotado em outros países. Alterá-la agora seria interpretado como intervenção do governo na estatal.

Com essa nova política, os valores dos combustíveis sofrem alterações diárias que acompanham a cotação internacional do petróleo e a variação do câmbio.

Como o dólar e o preço do óleo tiveram repiques, o valor do diesel saltou. Em um mês, o litro do diesel na bomba subiu 4,9%, de R$ 3,42 para R$ 3,59, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

À ESPERA DE ACORDO

Na tentativa de encerrar a greve dos caminhoneiros, que já atinge 24 estados, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou, nesta terça-feira (22), que o governo vai zerar a cobrança da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre o diesel. Impôs, no entanto, uma condição: que o Congresso aprove a reoneração da folha de pagamento.

"Hoje fechamos um acordo com os presidentes da Câmara e do Senado", disse Guardia. "Uma vez aprovada a reoneração, sairemos com o decreto zerando a Cide."

O governo está cauteloso porque zerar a Cide amplia a perda de arrecadação em um momento de aperto fiscal. A estimativa é de uma perda de R$ 2,5 bilhões com a Cidemas, mas de um ganho de R$ 3 bilhões com a reoneração.

A reação do Congresso, porém, se mostra inconclusiva. Logo após o anúncio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pretende colocar o projeto em votação na próxima semana.

Porém, ao fim da noite, Maia deu uma nova declaração: que incluiria a redução da PIS/Cofins do diesel no projeto de reoneração da folha –o que ampliaria a perda fiscal.

Por sua vez, o relator da proposta de reoneração, deputado Orlando Silva (PC do B-SP), disse que não quer limitar a queda do tributo ao diesel. "Vou tentar ver se fica de pé uma abordagem que inclua o gás de cozinha e gasolina", disse Silva. As conversas prosseguem nesta quarta (23).

A Cooperativa Aurora, com 15 fábricas e 28.000 trabalhadores, decidiu parar e distribuiu a seguinte nota:

Greve dos caminhoneiros causa paralisação total na Aurora Alimentos

A Cooperativa Central Aurora Alimentos comunica que, em consequência da greve que atinge o setor de transportes nas regiões onde estão instaladas as suas unidades produtivas,paralisará totalmenteas atividades das indústrias de processamento de aves e suínosem Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (inicialmente) nestaquinta e sexta-feira, dias 24 e 25 de maiode 2018.

A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo. A capacidade de estocagem de produtos frigorificados – de 50 mil toneladas – está exaurida.

No campo, as famílias rurais são as mais prejudicadas porque o mesmo movimento grevista impede o fornecimento de ração, pintinhos, material genético, remédios etc. aos milhares de produtores rurais, colocando em risco imensos planteis de aves, suínos e bovinos. Ao mesmo tempo, impede a retirada da produção agrícola e pecuária.

Dessa forma, o sistema de produção no campo e na cidade ficouasfixiadoe impossibilitado de operar em face da falência de suprimentos.

Sem fazer qualquer julgamento sobre a legitimidade ou a legalidade da greve, a Aurora Alimentos adverte para o sofrimento e as perdas que estão sendo impostas a milhares de famílias rurais, trabalhadores urbanos, micro e pequenas empresas da cadeia produtiva e ao sistema cooperativista.

Mesmo que, eventualmente, a greve venha a ser encerrada nas próximas horas ou dias, a paralisação das unidades industriais nesta semana não poderá ser cancelada em face das condições adversas que se criaram ao fluxo normal da produção.

Nesses dois dias em que as plantas industriais da Aurora estarão fechadas:

·7 indústrias de aves e 8 indústrias de suínos estarão inoperantes;

·28 mil trabalhadores diretos estarão dispensados temporariamente do trabalho;

·Cerca de 8 mil produtores rurais terão que adotar regime de restrição alimentar aos plantéis de aves, suínos e bovinos;

·A escassez ou falta de rações prejudicará de forma insidiosa o desenvolvimento de um plantel de 32 milhões de frangos e 1 milhão 260 mil suínos porque, quando o movimento dos caminheiros cessar, os prejuízos continuarão se manifestando nesses ativos biológicos mal-nutridos;

·2 milhões de aves e 40 mil suínos deixarão de ser processados apenas nesses dois dias;

·300 caminhões câmaras-frias/dia, 200 caminhões com cargas vivas/dia e 120 caminhões de ração/dia deixarão de circular.

Tudo isso representa mais de R$ 50 milhões de prejuízos para toda a cadeia produtiva ancorada na Aurora Alimentos, justamente em um ano em que a perda de mercados e problemas conjunturais já sacrificam severamente a agroindústria da carne com milhões em perdas.

A Cooperativa Central Aurora Alimentos apela para que o Governo e o Movimento dos Transportadores dialoguem e, num exercício de grandeza e compreensão com os graves problemas nacionais, encontrem uma alternativa para por fim à greve, pois reconhece a enorme importância do setor de transporte rodoviário para o País e o papel social e profissional dos caminhoneiros

Chapecó (SC), 22 de maio de 2018.


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