Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Brasil
Senado argentino pode votar logo legalização do aborto, preveem líderes

Quinta, 14/6/2018 18:16.

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SYLVIA COLOMBO

BOGOTÁ, COLOMBIA (FOLHAPRESS) - Os dois líderes das bancadas com mais parlamentares no Senado argentino, Miguel Piccheto, peronista, e Luis Naidenoff, da União Cívica Radical, disseram nesta quinta-feira (14) que suas bancadas devem votar unidas a favor da legalização do aborto.

Apesar de ter um perfil mais conservador que o da Câmara de Deputados, tem havido uma mudança no Senado nos últimos tempos.
Devido ao desgaste da aprovação de Mauricio Macri (foi de 58% em outubro para 35%), a ala peronista não kirchnerista, ou seja, a mais aliada ao governo, tem se desprendido da administração do presidente e voltando a aliar-se com a ala kirchnerista, mais à esquerda, e votando junto com a oposição.

Foi o que ocorreu durante a votação que aprovou o freio ao aumento de tarifas, no mês passado, que acabou sendo vetado pelo presidente.
Segundo Naidenoff: "O Senado tem que se responsabilizar pela demanda dos cidadãos e legislar realidades. O aborto não é uma questão de fé, e sim de saúde pública".

Já Pichetto diz que a votação no Senado deve ter um efeito "imparável" e se referiu a verdadeira maré de mulheres com panos verdes que, desde a noite de quarta-feira (14) fez vigília na porta do Congresso, e vinha celebrando ainda durante a fria tarde de outono nas ruas de Buenos Aires, logo após o anúncio da aprovação da lei na Câmara.

Pichetto considerou que a lei deveria ser votada antes do recesso de julho, para "não perder o ritmo da discussão", mas adiantou que esta será mais detalhada e se "afinarão diferenças". Estimou que a nova votação ocorreria em duas ou três semanas.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro da Cultura, Pablo Avelluto, um dos defensores da lei, disse que a ideia não é ir "contra os princípios filosóficos nem religiosos de ninguém, mas a verdade é que se a política não acompanha a realidade, a realidade será mais feia, com mais e mais mulheres mortas ou desatendidas".

Naidenoff ainda acrescentou que "não se pode ir contra a evolução da sociedade e das demandas das mulheres".

Já o presidente Mauricio Macri, que se encontra num dia de visitas e inaugurações em Corrientes, não expressou sua posição pessoal com relação ao aborto (ele se declara contra o aborto), mas disse que achou a discussão na Câmara de Deputados de alto nível e que foi "uma jornada histórica em busca de um país mais democrático".

Em mais de uma ocasião, Macri afirmou que não vetará a lei caso passe pelo Senado.

"O jogo se inverteu, agora quem votar contra vai queimar a imagem", diz a escritora e líder ativista pelo aborto Claudia Piñeiro.


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Página 3

Senado argentino pode votar logo legalização do aborto, preveem líderes

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Quinta, 14/6/2018 18:16.

SYLVIA COLOMBO

BOGOTÁ, COLOMBIA (FOLHAPRESS) - Os dois líderes das bancadas com mais parlamentares no Senado argentino, Miguel Piccheto, peronista, e Luis Naidenoff, da União Cívica Radical, disseram nesta quinta-feira (14) que suas bancadas devem votar unidas a favor da legalização do aborto.

Apesar de ter um perfil mais conservador que o da Câmara de Deputados, tem havido uma mudança no Senado nos últimos tempos.
Devido ao desgaste da aprovação de Mauricio Macri (foi de 58% em outubro para 35%), a ala peronista não kirchnerista, ou seja, a mais aliada ao governo, tem se desprendido da administração do presidente e voltando a aliar-se com a ala kirchnerista, mais à esquerda, e votando junto com a oposição.

Foi o que ocorreu durante a votação que aprovou o freio ao aumento de tarifas, no mês passado, que acabou sendo vetado pelo presidente.
Segundo Naidenoff: "O Senado tem que se responsabilizar pela demanda dos cidadãos e legislar realidades. O aborto não é uma questão de fé, e sim de saúde pública".

Já Pichetto diz que a votação no Senado deve ter um efeito "imparável" e se referiu a verdadeira maré de mulheres com panos verdes que, desde a noite de quarta-feira (14) fez vigília na porta do Congresso, e vinha celebrando ainda durante a fria tarde de outono nas ruas de Buenos Aires, logo após o anúncio da aprovação da lei na Câmara.

Pichetto considerou que a lei deveria ser votada antes do recesso de julho, para "não perder o ritmo da discussão", mas adiantou que esta será mais detalhada e se "afinarão diferenças". Estimou que a nova votação ocorreria em duas ou três semanas.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro da Cultura, Pablo Avelluto, um dos defensores da lei, disse que a ideia não é ir "contra os princípios filosóficos nem religiosos de ninguém, mas a verdade é que se a política não acompanha a realidade, a realidade será mais feia, com mais e mais mulheres mortas ou desatendidas".

Naidenoff ainda acrescentou que "não se pode ir contra a evolução da sociedade e das demandas das mulheres".

Já o presidente Mauricio Macri, que se encontra num dia de visitas e inaugurações em Corrientes, não expressou sua posição pessoal com relação ao aborto (ele se declara contra o aborto), mas disse que achou a discussão na Câmara de Deputados de alto nível e que foi "uma jornada histórica em busca de um país mais democrático".

Em mais de uma ocasião, Macri afirmou que não vetará a lei caso passe pelo Senado.

"O jogo se inverteu, agora quem votar contra vai queimar a imagem", diz a escritora e líder ativista pelo aborto Claudia Piñeiro.


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