Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Brasil
Seafood Watch vai monitorar riscos ambientais do pescado no Brasil

Sexta, 27/7/2018 13:51.
Reprodução

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MARA GAMA(FOLHAPRESS)

Apesar dos mais de 8 mil quilômetros de costa e uma enorme bacia hidrográfica, o Brasil não consome grande variedade e nem quantidade de peixes. O brasileiro da estatística consumiu 10 kg de pescado no ano inteiro de 2017, sendo que a média mundial é de 20 kg.

O consumo tem crescido mundialmente. Segundo estimativa da ONU, pode aumentar 33% até 2030 na América Latina e no Caribe. A produção pesqueira da região pode crescer 24,2%, passando de 12,9 milhões de toneladas para 16 milhões de toneladas neste período.

O crescimento, porém, não elimina problemas antigos e não previne contra os mais recentes, como a poluição marinha causada pelas redes e pelos resíduos da atividade econômica depositados diretamente no mar.

A cadeia do pescado é considerada crítica. Isso quer dizer que há potenciais riscos ambientais e sociais em vários elos dessa operação econômica. Entre os sociais, estão o trabalho análogo à escravidão e aquele que é danoso para a saúde do trabalhador.

Entre os ambientais, pesca de espécies ameaçadas, aquela que não respeita períodos de resguardo, e a pesca de arrasto, a mais insustentável das práticas, que mata e desperdiça a maior parte dos peixes e frutos do mar retidos. Além destes, na aquicultura, a criação com o uso de antibióticos.

Para desenhar o mapa desses riscos entre seus fornecedores, a rede Carrefour firmou um acordo com a Seafood Watch, empresa especializada na elaboração de boas práticas de pesca e cultivo, um braço da organização não governamental que mantém o Aquário de Monterey, na Califórnia, Estados Unidos. Não se trata de um selo de certificação ambiental, e sim de cadeia monitorada.

A Seafood Watch faz o mesmo trabalho para outras redes de varejo e restaurantes nos EUA há cerca de 20 anos, no movimento de pescados sustentáveis. Com pesquisas regionais, indica métodos responsáveis de proteção da vida marinha.

Segundo o Carrefour, é a primeira parceria da ONG com uma rede de varejo no Brasil. Para trabalhar com as duas empresas, foi contratada a consultoria de sustentabilidade Paiche, que integra a Aliança Brasileira pela Pesca Sustentável.

Na França, quem monitora a rede Carrefour é a WWF.

Segundo o diretor de sustentabilidade da rede no Brasil, Paulo Pianez, a primeira fase do projeto com a Seafood Watch será de mapeamento, diagnóstico, identificação de riscos e de medidas de mitigação. Numa segunda fase, a implementação das medidas.

"Já em 2019 começa o mapeamento e o objetivo é ter de 30% a 40% do fornecimento mapeado em 2020, para ter a cadeia sustentável em 2025", diz Pianez.

"A ideia é desenvolver práticas junto com os produtores, para que sejam bons fornecedores", diz. O processo é "inclusivo". "Vamos identificar os problemas e o que se pode fazer para mitigar os riscos".

Além dos riscos, se espera que o estudo da cadeia aponte alternativas de espécies diferentes para exploração.

Pianez diz que desde 2009 a rede vem mapeando as cadeias consideradas críticas como carne, soja, têxtil, carvão vegetal e agora, o pescado.

No começo deste mês, anunciou parceria com a Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH) para produção sustentável de bezerros no Mato Grosso em 450 fazendas. Segundo a empresa, o objetivo é estabelecer produção justa, com suporte técnico também para legalização fundiária e ambiental.


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Página 3
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Seafood Watch vai monitorar riscos ambientais do pescado no Brasil

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Sexta, 27/7/2018 13:51.

MARA GAMA(FOLHAPRESS)

Apesar dos mais de 8 mil quilômetros de costa e uma enorme bacia hidrográfica, o Brasil não consome grande variedade e nem quantidade de peixes. O brasileiro da estatística consumiu 10 kg de pescado no ano inteiro de 2017, sendo que a média mundial é de 20 kg.

O consumo tem crescido mundialmente. Segundo estimativa da ONU, pode aumentar 33% até 2030 na América Latina e no Caribe. A produção pesqueira da região pode crescer 24,2%, passando de 12,9 milhões de toneladas para 16 milhões de toneladas neste período.

O crescimento, porém, não elimina problemas antigos e não previne contra os mais recentes, como a poluição marinha causada pelas redes e pelos resíduos da atividade econômica depositados diretamente no mar.

A cadeia do pescado é considerada crítica. Isso quer dizer que há potenciais riscos ambientais e sociais em vários elos dessa operação econômica. Entre os sociais, estão o trabalho análogo à escravidão e aquele que é danoso para a saúde do trabalhador.

Entre os ambientais, pesca de espécies ameaçadas, aquela que não respeita períodos de resguardo, e a pesca de arrasto, a mais insustentável das práticas, que mata e desperdiça a maior parte dos peixes e frutos do mar retidos. Além destes, na aquicultura, a criação com o uso de antibióticos.

Para desenhar o mapa desses riscos entre seus fornecedores, a rede Carrefour firmou um acordo com a Seafood Watch, empresa especializada na elaboração de boas práticas de pesca e cultivo, um braço da organização não governamental que mantém o Aquário de Monterey, na Califórnia, Estados Unidos. Não se trata de um selo de certificação ambiental, e sim de cadeia monitorada.

A Seafood Watch faz o mesmo trabalho para outras redes de varejo e restaurantes nos EUA há cerca de 20 anos, no movimento de pescados sustentáveis. Com pesquisas regionais, indica métodos responsáveis de proteção da vida marinha.

Segundo o Carrefour, é a primeira parceria da ONG com uma rede de varejo no Brasil. Para trabalhar com as duas empresas, foi contratada a consultoria de sustentabilidade Paiche, que integra a Aliança Brasileira pela Pesca Sustentável.

Na França, quem monitora a rede Carrefour é a WWF.

Segundo o diretor de sustentabilidade da rede no Brasil, Paulo Pianez, a primeira fase do projeto com a Seafood Watch será de mapeamento, diagnóstico, identificação de riscos e de medidas de mitigação. Numa segunda fase, a implementação das medidas.

"Já em 2019 começa o mapeamento e o objetivo é ter de 30% a 40% do fornecimento mapeado em 2020, para ter a cadeia sustentável em 2025", diz Pianez.

"A ideia é desenvolver práticas junto com os produtores, para que sejam bons fornecedores", diz. O processo é "inclusivo". "Vamos identificar os problemas e o que se pode fazer para mitigar os riscos".

Além dos riscos, se espera que o estudo da cadeia aponte alternativas de espécies diferentes para exploração.

Pianez diz que desde 2009 a rede vem mapeando as cadeias consideradas críticas como carne, soja, têxtil, carvão vegetal e agora, o pescado.

No começo deste mês, anunciou parceria com a Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH) para produção sustentável de bezerros no Mato Grosso em 450 fazendas. Segundo a empresa, o objetivo é estabelecer produção justa, com suporte técnico também para legalização fundiária e ambiental.


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