A longevidade é hoje! 1º de Outubro – Dia Internacional do Idoso

Por Robson Ramos

Uma revolução no significado da longevidade é o que pede este 1º de Outubro – Dia Internacional do Idoso.

Balneário Camboriú precisa descobrir o tesouro da chamada “Melhor Idade” presente em nossa cidade. Por causa da limitação de espaço mencionarei dois exemplos apenas, embora saiba que haja centenas de outras pessoas, homens e mulheres, que merecem ser lembrados. O primeiro deles é um vizinho, amigo e parceiro de boas conversas, que vou chamar aqui de “Beto”. Beto tem 65 anos, é engenheiro, empresário, artista plástico renomado, designer, atuando nas áreas do desenvolvimento de produto e inovação. Não bastasse isso, nosso amigo tem como hobby pilotar Kart.

A outra figura de destaque é uma pessoa que chamarei de “Maria”. Uma empreendedora do ramo de alimentos e Corretora de Imóveis. Formada pela UFSC em Ciências da Informação e em Gastronomia pela Univali. Com larga experiência na área comercial já atuou no ramo de móveis, decoração, e acredita na necessidade de se reinventar e redesenhar a vida, enfrentando os desafios de frente.

Para que pessoas como o Beto e a Maria possam compartilhar conosco suas experiências e conhecimento é preciso criar um ambiente que valorize a contribuição que pessoas como eles têm para oferecer.

Em vez de ficarmos falando do Idoso como um “coitadinho”, precisamos posicionar as pessoas da Melhor Idade como protagonistas de nossa sociedade balneocamboriuense. A colaboração do Beto e da Maria, que representam cerca de 30 % da população, no processo da escolha e realização de ações para o desenvolvimento de uma Balneário Camboriú mais acolhedora, certamente trará benefícios para Melhor Idade dos dias de hoje e das gerações futuras.

A população de idosos no Brasil aumenta mais rapidamente do que em qualquer outro país.

O número de pessoas com mais de 60 anos – que hoje representa 13,5% dos brasileiros deve dobrar até 2042, segundo o IBGE. Um salto para 24,5% nas próximas duas décadas.

A diversidade de talento em nossa cidade é muito rica, e não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar essa riqueza. Há gente da Melhor Idade disponível na hora e do jeito que o desafio se apresentar e em que área for. Entretanto, é preciso criar os mecanismos para que esses talentos, conhecimento e experiência possam ser otimizados.

Com a colaboração do Setor Privado e do Poder Público, famílias podem se organizar e criar estruturas de apoio e reciclagem profissional para idosos em seus círculos de relacionamento. Tais estruturas poderiam muito bem ser de grande utilidade na ressignificação do papel dessas pessoas. Para que haja uma integração dos idosos no mundo atual, é preciso uma mudança de postura tanto pessoal como social. Todo idoso precisa ter condições de, na medida do possível, levar uma vida feliz, interessante e participativa na sociedade e, dessa forma, reencontrar nela seu lugar.

Conforme tenho escrito em artigos anteriores nesse mesmo Portal é imprescindível que os atores que representam essas esferas em nosso município adotem uma abordagem sistêmica e passem a partilhar uma mesma visão em relação à longevidade.

Graças a fatores tais como a demografia concentrada, a boa mobilidade, as distâncias relativamente pequenas de nossa cidade, podendo nos locomover rapidamente e sem dificuldade de um lado a outro na cidade, Balneário Camboriú oferece todas as condições para que construamos um ambiente de diálogo propositivo, positivo e dinâmico com vistas à conscientização e engajamento de todos os moradores na construção de um ambiente de colaboração intergeracional e multidisciplinar.

Somente assim será possível desenvolvermos uma cidadania compartilhada e apresentar respostas para uma população que envelhece rapidamente.

Conforme escrevi em artigo nesse mesmo Portal (29/11/2019): “A fim de que haja avanços reais temos que fomentar o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade social. Isso implica, dentre outras coisas, forjar líderes socialmente engajados na busca e implementação de soluções que tragam melhor qualidade de vida, educação e empregabilidade para todos, inclusive para os Idosos”.

Outro paradigma a ser rompido é o de pensar que o impacto do envelhecimento da população nada tem a ver conosco. Chega de pensar ou dizer que os governantes é que devem resolver o problema. Somos corresponsáveis. Devemos coproduzir em vez de ficarmos andando para trás amarrados a disputas bairristas de cunho político-partidário.

Por um lado os políticos têm que atuar em prol da sociedade e, por outro, a sociedade – em especial os membros da Melhor Idade – tem que assumir seu protagonismo, exigindo atenção aos seus direitos, participando ativamente da construção de caminhos com melhores perspectivas, desenvolvendo uma sociedade onde todos, jovens e adultos, entendam que “respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito”.

Considerando o presente cenário seria bem-vinda a criação de um Think Tank – expressão da língua Inglesa comumente traduzida por “laboratório de ideias” – que é um grupo dedicado a gerar e divulgar informações e propostas sobre pautas específicas, objetivando trazer luz ao debate público, influenciar a sociedade e tomar decisões assertivas na esfera política.

Um laboratório de ideias voltado para o debate sobre o Envelhecimento Ativo teria por finalidade o aprofundamento das informações e parâmetros legais disponíveis e a aplicação desses conhecimentos no contexto socioeconômico no qual estamos inseridos. Sua contribuição tem sido observada em situações em que gestores de instituições tradicionais tendem simplesmente a reproduzir práticas tradicionais e ineficientes. O resultado imediato mais evidente é o enriquecimento do debate público que sai do monopólio de órgãos governamentais e de agentes públicos que, não raras vezes, fazem uma gestão tendenciosa privilegiando uma agenda que não atende aos interesses da população.

Um grupo com essas características, em parceria com o Setor Privado e com o Poder Público, pode inclusive promover intercâmbios com cidades de países mais desenvolvidos, trazendo conhecimentos, experiências e inovações para a região.

Balneário Camboriú tem na Melhor Idade – em número crescente e cada vez maior – pessoas com ótimas ideias, com grande experiência e muito conhecimento para compartilhar com os jovens de hoje, que farão parte da Melhor Idade amanhã.

Unidos, jovens e idosos, pessoas capazes, inovadoras e competentes como o Beto e a Maria apresentados no início da matéria, podemos abrir caminhos juntos, explorar novas ideias e novas possibilidades para a geração atual e as gerações futuras. A Melhor Idade merece muito mais.

Robson Ramos é IDOSO, advogado, mediador, atuante na solução de conflitos familiares. Foi presidente do Conselho Municipal do Idoso de Balneário Camboriú. É Membro da Academia de Letras de BC. Seu quarto livro – Cidadania Compartilhada – está com lançamento previsto para este mês!