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Animação russa 'O Reino Gelado: Fogo e Gelo' não sai do morno
Divulgação.

MARINA GALEANO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A franquia russa "O Reino Gelado" chega ao seu terceiro longa-metragem após um caminho de altos e baixos.

Baseada no conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, a primeira animação do estúdio Wizart sobre a temida Rainha da Neve estreou quase um ano antes do estrondoso sucesso "Frozen" (2014), da Disney, também inspirado na obra de Andersen.

Com um enredo cuidadosamente costurado, personagens carismáticos e um aspecto visual digno de elogios, "O Reino Gelado" (2013) foi bem recebido pelo público e pela crítica.

Mas a continuação da história, lançada em 2014, não manteve o fôlego. Pelo contrário. Basicamente se afogou ao jogar o protagonismo da trama nas costas do troll Orm e forçar a barra no quesito "lição de moral".

A lição, no fim das contas, serviu ao próprio estúdio, que não insistiu nos mesmos erros e -ao menos em parte- recuperou o fio da meada em "O Reino Gelado: Fogo e Gelo".

De volta aos holofotes, Gerda e Kai ganham o status de lendas depois de terem derrotado a Rainha da Neve. Apesar da fama, eles enfrentam dificuldades financeiras e a ainda sonham em encontrar os pais.

O período de vacas magras desencadeia uma série de conflitos entre os irmãos e introduz o mote da narrativa: a importância da família.

Contrariado com as decisões de Gerda, Kai decide trilhar seu próprio rumo. Já a menina se mete na maior enrascada ao cair na conversa do pirata revoltado Roni sobre uma tal pedra do desejo.

A dupla adquire poderes mágicos (ela de gelo, ele de fogo) e acaba colocando o mundo sob uma grande ameaça. Obviamente, quando descobre que a irmã está encrencada, Kai dá meia-volta para tentar salvá-la.

Embora com problemas de desenvolvimento, um tanto inocente e superficial, o roteiro prende a atenção especialmente das crianças pequenas.

A narrativa segue o ritmo de uma fábula e equilibra momentos de aventura e emoção. As porções de humor ficam a cargo de Orm, bem melhor no papel de coadjuvante.

Em termos técnicos, o filme sobe um degrau. Os contrastes entre o gelo e o fogo rendem imagens de encher os olhos e levantam a produção.

Há de se admitir que os pontos positivos colocam o novo longa muito à frente do dispensável "Reino Gelado 2". Entretanto, ainda não são suficientes para transformá-lo num programa imperdível.

Nem o fogo nem o gelo conseguem fazer essa animação sair do morno.

O REINO GELADO: FOGO E GELO
(Snow Queen 3 - Fire and Ice)
DIREÇÃO Aleksey Tsitsilin
PRODUÇÃO Rússia, 2017, livre
AVALIAÇÃO Regular 


Quinta, 10/8/2017 13:59.




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