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Prefeito milionário desponta em Minas para eleição de 2018

CAROLINA LINHARES, ENVIADA ESPECIAL
BETIM, MG (FOLHAPRESS) - Vittorio Medioli (PHS), 66, prefeito de Betim (MG), avalia que poderia ter gastado menos em sua campanha. Ele foi o candidato do país que usou o maior montante de recursos próprios para se eleger: R$ 4,48 milhões, o que representou 99,94% de sua arrecadação e quase alcançou o teto de R$ 4,52 milhões estabelecido para a terceira maior cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

Medioli ajudou a financiar a campanha de vereadores de 11 partidos e tem a maioria absoluta na Câmara. Somente Daniel Costa (PT) é de oposição e mesmo assim votou para aprovar medidas do prefeito, eleito no primeiro turno, com 61,64% dos votos.

Uma campanha mais barata não viria, porém, por necessidade. Com bens declarados de R$ 352,6 milhões, a despesa na eleição representou 1,27% de seu patrimônio. João Doria, prefeito de São Paulo, por exemplo, acumula R$ 179,8 milhões e gastou R$ 4,44 milhões –35,7% de sua receita de campanha.

Com isso, Medioli ganhou a pecha de "prefeito rico" –e defende a classe. "Rico não pode ser excluído da possibilidade de fazer política. Uma pessoa que se dispõe a prestar seu tempo, sua dedicação e sua vontade não faz mal ao país", afirma.

Dono do Grupo Sada, que vai da siderurgia a um time de vôlei, passando por autopeças e uma editora, ele faturou R$ 3,2 bilhões em 2016. O italiano naturalizado brasileiro, que ainda guarda o sotaque de Parma, chegou a Betim aos 25 anos para prestar serviços de logística à fábrica da Fiat instalada na cidade. Hoje, um total de 40% da logística de automóveis no país é feita pelo Grupo Sada.

Assim como Doria, Medioli renunciou ao salário (R$ 21,5 mil), negociou doações de remédios com a iniciativa privada e tem o nome ventilado para 2018. "Pode ventilar, estou bem fincado aqui."

Apesar de também ter sido beneficiado pela onda antipolítica, Medioli foi deputado federal de 1991 a 2006 pelo PSDB. Deixou o partido, segundo conta, por "disputas internas". Escolheu o PHS por ser inexpressivo. Trouxe ao partido o amigo Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético Mineiro e hoje prefeito de BH, mas diz não se envolver em decisões da sigla.

LAVA JATO

Nascido no país da Mãos Limpas, operação que inspira a Lava Jato, Medioli concorda em anistiar os ex-colegas de Congresso, mas não como eles gostariam. "Não adianta prender, tem que sair do país. Devolve o que foi roubado e suma daqui."

A solução Medioli daria uma opção: ser processado ou vender o patrimônio ilícito e viver 20 anos fora. A receita valeria para empreiteiros. "O Brasil não precisa dessas quatro, dez famílias que estão infestando o país. As obras que eles fazem qualquer outro faz."

Medioli aprovou o veto às doações empresariais por "não haver controle que impeça a promiscuidade dessa relação". Contudo, não defende financiamento público nem lista fechada. Para ele, a nova legislação, que limita doações de pessoas físicas, mas não a autodoação, é "entre os males, o menor".

Não foram as novas regras, entretanto, que alçaram o prefeito ao poder. Ele está por trás da política de Betim desde 2000, quando ajudou a eleger Carlaile Pedrosa (PSDB), eleito novamente em 2004 e 2012.

No último mandato, eles romperam. Afastado para uma cirurgia no coração em 2014, Carlaile voltou à prefeitura antes do previsto para dar fim ao governo do vice, ligado a Medioli.

O próprio Medioli esteve internado em 2011, quando transplantou o fígado. "Eu morri. Tinha me despedido dessa vida. Voltei para cumprir algo. O que apareceu foi reparar os prejuízos que dei a Betim apoiando políticos que arrebentaram o município."

Seu desafio na prefeitura é fazer a folha de pagamento caber no Orçamento. Medioli cortou horas extras e cargos comissionados. Ainda assim, Betim sofre com a queda de receita: de cerca de R$ 1,6 bilhão em 2013 (em valores corrigidos), a previsão para 2017 é R$ 1,4 bilhão.

"Betim tinha um polo de fornecedores automotivos e isso desmoronou. Hoje tem 30 mil desempregados", diz.

JORNAL E CONDENAÇÃO

Em 1996, quando o Grupo Sada era criticado por parte da imprensa mineira, Medioli comprou o jornal "O Tempo", que tem uma edição para Betim e outra para Belo Horizonte. A de Betim é semanal e gratuita. Além disso, a Sempre Editora, presidida por sua mulher, Laura Medioli, veicula o tabloide "Super Notícia", que chegou a ter a maior tiragem do país.

Medioli reconhece que há conflito de interesses em "O Tempo", mas afirma que não é beneficiado pela publicação "mais isenta do Brasil". Questionado se já houve reportagens críticas a ele, responde: "Ninguém ousa, mas eu vou pautar uma matéria".

Em 2015, Medioli foi condenado a cinco anos de prisão por evasão de divisas e manutenção clandestina de depósitos. Segundo a Justiça, usou doleiros para enviar US$ 595 mil à Suíça em 2002. O prefeito pediu a anulação da sentença, alegando que suas testemunhas não foram ouvidas.

Para o prefeito, o caso foi intriga política, já que outros 90 parlamentares investigados se safaram. "Foi uma covardia. Essa operação representa zero alguma coisa do meu patrimônio. Só em filantropia eu faço US$ 2 milhões por ano há 20 anos." 


Sábado, 17/6/2017 6:56.


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