Jornal Página 3
Polícia apura motivação para recentes tentativas de suicídio no Rio e no PR

CAROLINHA LINHARES, JOSÉ MARQUES, LAURA LEWER E LUIZA FRANCO
SÃO PAULO, SP, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Ao menos dois Estados -Rio de Janeiro e Paraná- investigam se adolescentes que tentaram suicídio foram motivados pelo jogo da Baleia Azul, que circula em redes sociais. A "brincadeira" consiste de uma série de desafios, que culminam na tentativa de suicídio.

Há, segundo as polícias locais, dois casos confirmados em cada Estado e boatos de situações similares em outras regiões do país.

A Secretaria de Segurança e a Polícia Civil do Paraná decidiram montar, nesta quarta (19), uma força-tarefa para investigar responsáveis por incitar essas tentativas de suicídio no Estado. Até agora, ninguém morreu, mas dois adolescentes que tentaram se matar na última semana -um em Curitiba e um em Pato Branco (a 440 km da capital)- participavam do jogo.

O adolescente de Curitiba chegou a pedir aos colegas de escola que o filmassem enquanto ele pulava do alto de um prédio. A polícia foi acionada para impedir a tentativa.

"Houve um surto de ontem para hoje", disse o secretário de Segurança, Wagner Mesquita. Além dos dois casos, outros quatro adolescentes tentaram se matar tomando remédios. Há ainda outras três suspeitas.

Todos os episódios aconteceram com jovens de 13 a 17 anos com sinais de automutilação. "Há um mesmo padrão de comportamento", disse Mesquita.

Caso os possíveis identificados como responsáveis pela incitação sejam maiores de idade, podem ser indiciados por induzimento ao suicídio -a pena é de um a três anos se a instigação resultar em lesão corporal grave. Se forem menores de 18 anos, podem ser punidos com medida socioeducativas.

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná diz que está elaborando uma nota técnica para orientar a conduta dos profissionais de saúde diante desse tipo de situação. Segundo a pasta, uma rede de serviços estará à disposição para dar suporte a estes casos, tanto com assistência clínica quanto psicológica.

"A recomendação é que, ao identificar algum comportamento suspeito de seus filhos, a família leve a criança ou adolescente à unidade de saúde mais próxima. Caso haja algum sinal de automutilação, o encaminhamento deve ser feito já para o pronto socorro, de um hospital ou de uma Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA)", diz a pasta, em nota

No Rio de Janeiro, a polícia identificou cinco possíveis vítimas entre 12 e 15 anos -duas foram confirmadas, uma foi descartada e outras duas ainda serão ouvidas até o fim da semana. Segundo a delegada Fernanda Fernandes, da Delegacia de Repressão a Crimes de Internet, um dos adolescentes estava no estágio final do jogo e chegou a tentar suicídio, mas foi impedido pela mãe.

"Nesta etapa da investigação estamos nos concentrando em identificar vítimas. Até para alertar os pais sobre a existência do jogo e para que procurem a delegacia", disse. "Fazemos um apelo aos pais para, caso notem um comportamento diferente, mais introspectivo, depressivo, que procurem a polícia o mais rápido, porque pode não dar tempo."

A delegada diz que a polícia ainda não recebeu denúncias ou colaborações para a investigação, e que vem fazendo um trabalho solitário de identificação pelas redes sociais.

Fernandes diz que, a princípio, as vítimas negam participação no jogo e até as famílias custam a acreditar. Uma das mães tomou um choque ao descobrir, na delegacia, o corpo do filho mutilado.

"Os pais devem monitorar as redes sociais dos filhos e entrar em contato com colegas e com a escola. Às vezes outras pessoas perceberam algum comportamento diferente", afirma.

A polícia já tem indícios de pessoas que podem estar por trás dos jogos, mas mantém essa parte da investigação em sigilo. Os adolescentes são ameaçados e coagidos a não abandonarem a série de desafios que leva ao suicídio.

A secretaria de Estado de Saúde do Rio não informou se pretende desenvolver alguma ação específica para responder a esses casos.

ABORDAGEM

Para a coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção ao Suicídio da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) Alexandrina Meleiro, as pessoas próximas a esses adolescentes não podem abordá-los de forma agressiva, sob o risco de afastá-los ainda mais.

"A primeira coisa é observar os sinais, verificar se o adolescente está diferente, isolado. Algumas vezes eles mudam até as roupas para cobrir os braços e pernas cortados. O passo mais importante é que os pais, professores e amigos tenham compreensão, carinho e se disponham a ajudar sem censuras ou críticas", diz.

A melhor forma de ajuda, segundo Meleiro, é a conversa. "É preciso saber o nível de comprometimento do adolescente em relação ao jogo e buscar, dentro do possível, um profissional que possa ajudar de fato. Alguns só precisam de uma conversa em casa, outros precisam de medicação e, nos casos extremos, uma internação para tirar todo o tipo de tecnologia", afirma.

Como os jovens escolhidos para o jogo já estão vulneráveis, as pessoas próximas não devem invadir seus espaços, confiscar os celulares e computadores e usar a violência para tirá-los do jogo. "Muitos pais chegam com inabilidade, como se fossem detetives, quando o que precisam é fazer o adolescente perceber que terá ajuda. A ideia é resgatá-los para que isso não aconteça". 


Quinta, 20/4/2017 6:32.




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