Jornal Página 3
Jovem que diz ter sido agredida por PMs foi detida por desacato

A jovem de 23 anos supostamente agredida por policiais militares na madrugada de domingo (16) no Speedway Music Park, foi detida na noite de ontem (18) por suposto desacato.

Entenda

A confusão com a polícia começou no final de uma festa no Speedway na madrugada de domingo (16). O evento, que era terceirizado, não possuía alvará da Polícia Civil, prefeitura e Corpo de Bombeiros. Houve denúncias de menores de idade consumindo bebidas alcoólicas e drogas no local. Por isso, a PM foi até lá e encerrou a festa.

Após a interdição, a PM impediu que mais pessoas acessassem o local. O cunhado da jovem (Paloma Gabriela Goulart, 23 anos), tentou entrar, dizendo que tinha ingresso. Ele teria investido contra os policiais. Paloma se juntou a ele e também investiu contra os PMs, ‘partindo para a agressão’ – de acordo com o comandante Evaldo Hoffmann.

“Isso gerou tumulto e tivemos que fazer um cordão de isolamento. Usamos da força necessária para conter as pessoas. A mulher se feriu porque os policiais tiveram que revidar a agressão. Se a ordem não é acatada, os PMs têm direito de usar de força”, declarou o comandante.

A versão de Paloma é que o cunhado teria tentado se informar se o valor do ingresso seria ressarcido quando um policial o agrediu com um tapa na nuca, ordenando que saísse de lá. Paloma então gritou com o policial, reclamando de abuso de autoridade. Ela disse que o PM revidou e a agrediu com tapas e empurrões. Um boletim de ocorrência foi registrado.

Mais confusão ontem

Segundo a Polícia Militar, por volta das 19h30 de ontem (18), policiais do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) faziam rondas pela Quinta Avenida, no Bairro Vila Real, quando um Peugeot de cor prata e placas de Itajaí emparelhou ao lado da viatura.

Nele estava Paloma, que dirigia o carro. Ela teria xingado, dizendo ‘vocês são os covardes daquele dia, vocês vão se foder na minha mão’. Diante disso, os policias ordenaram que a mulher parasse o carro, mas teria desobedecido.

Um vídeo repassado pela PM não mostra os alegados xingamentos, só é possível ver o momento em que os PMs tentam fazer a moça parar o veículo.

Em nota enviada à imprensa, a Polícia Militar relata que Paloma fugiu por várias ruas, ‘conduzindo o veículo de forma perigosa’. Ela foi abordada no condomínio Pedras Brancas, na Rua Biguaçu, no Bairro dos Municípios, onde reside com a família. Dentro do carro também estava a mãe dela, Luciana Maciel, e o irmão, de apenas sete anos. Paloma estava com a CNH vencida e não podia estar dirigindo. Ela foi conduzida à delegacia.

Mãe de Paloma nega

Um vídeo da jovem na delegacia também foi divulgado pela polícia. Nele, Paloma aparece dizendo que um dos policiais que estavam no recinto não poderia se aproximar dela, já que ela tinha um boletim de ocorrência contra ele. Ela diz, “eu não tenho calma, ele não pode ficar perto de mim, eu tenho um B.O. contra ele. Eu não quero ele perto de mim. Eu tenho um advogado, você não pode ficar aqui, sabia?”.

Ela diz nesse vídeo que apanhou novamente dos policiais.

A reportagem conseguiu contato com a mãe de Paloma, Luciana, que contou estar indo ainda hoje (19) à Corregedoria Geral da PM, em Florianópolis. Ela nega que a filha tenha xingado os policiais, destacando que não faria sentido isso acontecer, já que tanto Paloma quanto ela estão com medo.

“Minha filha está doente, ela já tem problemas de ansiedade e isso está piorando tudo. Ela está muito nervosa, perdendo cabelo... ela não tinha passagens pela polícia, é uma menina direita”, explica.

Luciana diz acreditar que os policiais ficaram com raiva e que as estão perseguindo. Ela explica que foram os mesmos PMs que atenderam as duas ocorrências. “No domingo eles estavam em quatro, ontem em três. Mas são os mesmos e com a mesma viatura, a 2531 do Tático”, acrescenta.

A mulher admite que a filha estava com a CNH vencida e que mesmo assim dirigiu, alegando que isso aconteceu porque ela (Luciana) estava muito nervosa e sem condições de assumir o volante. “Só saímos porque precisávamos buscar meu filho na escola. Ele estava junto e viu tudo.

Não paramos o carro quando eles ordenaram porque ficamos com medo, em pânico. Meu filho, que é apenas uma criança, gritava apavorado”, desabafa.

A mãe de Paloma conta que a abordagem aconteceu no condomínio onde eles residem. Lá, os policiais teriam pegado a jovem a força e a empurraram. “Eles foram muito agressivos. Ela foi algemada e forçada a entrar na viatura. Ainda deram várias ‘voltinhas’ com ela pelo bairro. Bateram nela, socos no estômago e nas costelas. Na viatura a Paloma disse que eles falaram mal da Polícia Civil, dizendo que eles não tem medo. Eles ameaçaram a minha filha de morte, disseram que só vão parar até matar ela, pra ela aprender a não ser ‘bocuda’”, salienta.

Na delegacia, Luciana conta que a filha foi vítima de ‘terrorismo’. Por isso, ela teria ficado tão exaltada como aparece no vídeo. “Eles provocaram ela até ela ficar naquele estado. Ela é nervosa, mas eles apelaram. O delegado Vinícius Ferreira foi maravilhoso. Ele salvou a minha filha, se não os PMs teriam batido ainda mais nela”, conta.

Luciana e Paloma já registraram dois boletins de ocorrência contra os policiais – ambos por agressão, um no domingo e outro ontem. Paloma passa bem, mas está medicada (tomou calmantes).

O que diz o comandante

O comandante Hoffmann também falou ao Página 3 na manhã de hoje e defendeu que ‘os vídeos falam por si’. “Ela passou do lado da viatura e xingou os policiais. Foi ela que começou tudo. Os PMs estavam fazendo o patrulhamento quando foram surpreendidos por ela. Eles não iriam sair caçando essa mulher. Tem tanto vagabundo para prender, não iríamos perder tempo fazendo isso”, esclarece.

Hoffmann lembra ainda que, para a polícia, a ocorrência havia encerrado no Speedway, e agora encerrou novamente após esse episódio de desacato. “Não ficamos perseguindo e revivendo esse tipo de acontecimento”, afirma. Evaldo não soube informar se foram os mesmos policiais que atenderam as duas ocorrências, mas disse que ‘pode ter sido’.

Um inquérito foi instaurado para apurar os acontecimentos e será encaminhado para a 5ª Vara Criminal da Comarca de Florianópolis, que julga possíveis crimes militares.


Quarta, 19/4/2017 12:04.




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