6 em cada 10 moradores de favelas no Brasil vivem em ruas sem arborização

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Cerca de 6 em cada 10 moradores de favelas no Brasil viviam em trechos de vias sem qualquer arborização em 2022, segundo dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (5).

De acordo com o instituto, 64,6% dos moradores de favelas e comunidades viviam em ruas sem árvores, ou 10,4 milhões de brasileiros. Isso é mais do que o dobro da população fora de favelas que vivia em vias sem arborização (31%).

O IBGE classificou arborização como a presença de árvores em área de uso comum ou em anexo externo a domicílios e condomínios —não conta, por exemplo, árvores em quintais. O instituto considerou árvores na calçada, passeio ou canteiro com altura mínima média de 1,70m.

No recorte dos moradores de favela, 17,8% deles estavam em trechos de ruas que possuíam de uma a duas árvores; 7,1% da população de favelas estava em trechos com três a quatro árvores; e 10,5% em trechos de vias com cinco ou mais árvores.

A região Centro-Oeste foi a que apresentou maior percentual de moradores de favelas vivendo em vias com arborização (68,3%). A maior desigualdade foi registrada no Sudeste: dentro das favelas a chance de ter árvores era 39,5 pontos percentuais menor do que fora.

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Apresentou contraste os municípios do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O IBGE identificou uma relação entre a arborização e o tamanho das favelas. Comunidades com até 250 moradores possuíam 45,9% da população próxima de arborização, e quanto mais populosa a comunidade, menor a quantidade de árvores.

“As favelas menores são aquelas que apresentaram maior percentual de moradores em vias com árvores.”, afirma Leticia Giannella, Gerente de Favelas e Comunidades Urbanas.

Na análise das 20 maiores favelas segundo o IBGE, as mais populosas possuíam os menores percentuais da lista: Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, tinha apenas 3,5% da população com árvores por perto. Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, em Manaus (12,0%), Paraisópolis, em São Paulo (12,0%), Rocinha, no Rio, (12,3%) e Heliópolis, em São Paulo (18,0%) também estavam na lista.

A exceção é Sol Nascente, em Brasília, que possuía 70 mil moradores e uma taxa de 70,7% em ruas com arborização.

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O IBGE também divulgou dados sobre a presença de bueiros ou bocas de lobo. Segundo o instituto, 45,4% dos moradores de favelas viviam em 2022 em ruas com essa estrutura, o que representa, em números absolutos, 7,3 milhões de pessoas.

Fora das favelas, 61,8% das pessoas (61,9 milhões) vivem na mesma situação.

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