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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Você pode cheirar tão bem quanto seu cachorro.

Há um duplo sentido no título, não estou me referindo ao seu cheiro, mas à sua capacidade de sentir aromas. Quando se trata de vinhos, sentir aromas deixa tudo mais gostoso.
A revista Science publicou essa semana, um artigo que questiona o conhecimento comum de que animais como cachorros e ratos, por exemplo, teriam um olfato mais apurado que os seres humanos. A matéria afirma que isso pode não ser verdade e que pode até ser o inverso, devido a, já comprovada, superioridade de memória e raciocínio dos humanos. Acontece que na prática, nós deixamos de utilizar este sentido devido a fatores culturais, sociais e de desenvolvimento. O olfato deixou de ser tão importante para nós e apenas perdemos o jeito.
 
Quem bebe vinho com mais frequência já deve ter ouvido falar, lido em um rótulo ou carta de vinhos a respeito dos aromas do vinho: Aromas de frutas vermelhas, frutas negras, trufas, cítricos, ervas, madeira e uma infinidade de outros. Porém, poucas pessoas dizem ter capacidade de identificar tais aromas nos vinhos, muitos até desconfiam se eles realmente existam. Mas eu garanto para você que os aromas estão lá e são importantíssimos para definir o estilo do vinho. Os aromas podem até ser o fator responsável por gostarmos ou não de um vinho, sem que percebamos isso, de forma inconsciente. Se você tem curiosidade e gostaria de notar melhor os aromas do vinho, o segredo é apenas um: treinar.
Para reconhecer um aroma no vinho, precisamos primeiro cheirar o vinho e na sequência pensar sobre o que estamos sentido. Pensar é importantíssimo! Pensando sobre o aroma, passamos a identificar, lembrar, dar nomes e reconhecer. Essa atividade trabalha o que chamamos de memória olfativa, ou seja, nossa capacidade de sentir um aroma e saber do que se trata, qual a sua referência. É comum termos muita dificuldade em reconhecer um aroma  sem uma referência visual, por mais conhecido que ele seja. Se sentirmos cheiro de maracujá, mas não enxergamos o maracujá, ele pode nos parecer confuso. É aí que entra o treino, o desenvolvimento da memória olfativa. Parece brincadeira, mas faça o teste e cheire coisas sem ver ou pegar. Talvez você precise que alguém te ajude preparando os testes escondidos de você...
Uma dica que dou para todos que querem apurar o olfato é criar a hábito de cheirar tudo no dia-a-dia. Não somente vinho, mas comida, roupa, produto de limpeza, madeira, papel, tudo mesmo. Tudo tem cheiro. Mas lembre de sentir o cheiro e pensar sobre ele, memorize! Na antiguidade o homem usava do seu olfato para decidir se comia ou não algo que encontrava, assim como fazem os animais. Hoje, essa capacidade um tanto quanto desnecessária, ainda pode nos salvar de algo esquecido dentro da geladeira ou dedurar um vinho fora dos padrões de qualidade.
Escrito por Carlos Mayer, 18/05/2017 às 10h27 | carlos@casamayer.com.br

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