Jornal Página 3
Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Aniversário do vinho

Neste mês de março que está quase terminando, completei mais um ano de vida, não há como escapar, o tempo passa para todos, tudo muda, inclusive o vinho.
 
Mas o que realmente importa quando pensamos na idade do vinho?
 
 
 
Para começo de conversa, vamos esquecer aquela famosa frase que diz: “vinho, quanto mais velho, melhor”.  A verdade é que nenhum vinho vai melhorar eternamente, todos em algum dia, irão virar vinagre ou algo parecido que não vai ser gostoso de beber. O interessante no vinho é que não existe um tempo padrão para isso acontecer, para o vinho perder qualidade. Todo vinho, repito, cada garrafa de vinho, tem sua própria história e seu próprio tempo.
 
Os vinhos têm o que podemos chamar de ciclo de vida. Assim como as pessoas, o vinho nasce, amadurece e morre. Alguns vinhos podem ter décadas de vida, mas a grande maioria morre em poucos anos.
 
 
 
O gráfico acima ilustra um pouco esse comportamento. O VINHO TINTO CARO FRANCÊS, atinge sua qualidade máxima entre 6 e 8 anos, depois começa a decair. O VINHO TINTO RESERVA BRASILEIRO, com 6 anos já perdeu suas qualidades, para melhor aproveita-lo deve ser bebido com 4 anos de idade. O VINHO BRANCO BARATO, passando de 2 anos já não está bom, deve ser bebido entre seu primeiro ou segundo ano de vida. Todo vinho tem sua própria linha.
 
Os principais fatores que ditam esse comportamento são: qualidade e variedade da uva, do terroir (região onde a uva é cultivada), a qualidade da safra (ano de colheita), se o vinho foi bem feito, técnica de vinificação utilizada, graduação alcoólica, quantidade de açúcar residual e condições de armazenamento.
 
Para saber em que fase da vida o vinho está, não existe mágica, é preciso abrir a garrafa e beber. Com o tempo, à medida que você vai provando e conhecendo mais e melhor os diferentes tipos de vinho, já é possível tem uma noção de como eles estão, a partir do ano da safra.
 
Como um apoio inicial, pontuei algumas dicas importantes para não errar na hora de escolher a garrafa, no que diz respeito à idade do vinho. Tomo por base a regra geral, pois sempre há exceções.
 

Procure a safra do vinho. Normalmente está na frente, no rótulo principal, mas pode estar também no contrarrótulo. É o ano em que as uvas foram colhidas. Por exemplo: 2014, 2015 ou 2016. 

Quanto mais novo melhor: para vinhos tintos, prefira com até 5 anos de idade, brancos, 3 anos já estão no limite. 

Quanto mais barato, mais jovem: vinhos mais baratos não possuem as características necessárias para fazê-lo durar mais, pois fazer um vinho com elas custa caro. Logo, se é barato a intensão é vendê-lo logo, se não vende, estraga. Não significa que o vinho é ruim, se for consumido ainda jovem, como se propõe, o vinho pode surpreender! 

Vinhos mais caros podem ser mais velhos: vinhos que custem, no varejo, mais de 50 ou 100 reais, podem ser guardados por algum tempo, não mais que 10 anos. Nos rótulos, podem aparecer palavras como “Reserva”, “Gran-Reserva”, “Especial” “Premium” ou outras que indicam ser um vinho de qualidade superior. 

Promoções de vinho: atenção a promoções muito atrativas, elas podem estar te empurrando um vinho que já passou do momento de consumo. A dica é comprar uma garrafa para provar antes de sair comprando várias. Comerciantes honestos não tentarão fazer isso, mas se acontecer, com certeza substituirão a garrafa sem prejuízo ao consumidor.

 Vinhos com mais de 10 anos de guarda: Fique à vontade, experimente! Com certeza você irá se divertir e se surpreender. Para diminuir o risco de comprar um vinho que não está bom, se informe antes, pesquise, ou peça ajuda a algum especialista, que pode até ser o vendedor da loja ou supermercado.

Novamente, assim como para nós, a idade do vinho é algo relativo. Existem pessoas de 20 ou 30 anos que parecem que tem 70! E tem um monte de setentões que parecem garotos e garotas de 20 aninhos de tão bonitos, saudáveis e dispostos. Com os vinhos é a mesma coisa, mas assim como as pessoas, é preciso conhecê-los para saber qual é sua idade “espiritual” e não cronológica, se podemos assim dizer.

Escrito por Carlos Mayer, 27/03/2017 às 09h48 | carlos@casamayer.com.br

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