Depois de muita ansiedade e nervosismo, consegui fazer contato com meu grande amigo Beto Diaz (foto), que sofreu com o terremoto que literalmente destruiu a costa chilena. Felizmente ele está bem, apesar de ter perdido quase tudo que tinha, assim como meus irmãos Masi e Pocha.
Segundo Beto, que mora na praia de Puertecillo, o grande temor começou pouco depois das três horas da madrugada. Ele estava dormindo numa barraca de camping em frente ao mar quando sentiu tudo tremer de maneira assustadora. “Eu logo percebi que era um terremoto e sabia que viria algo em seguida. Sai correndo e subi no alto da montanha para me proteger”, disse se referindo a enorme onda de seis metros que varreu tudo o que encontrou pela frente.
“A lua estava cheia e de certo modo foi isso que nos salvou, já que ao menos conseguíamos ver o que estávamos fazendo” disse em depoimento emocionado. “Depois de pouco tempo em que estava no alto do morro, uma grande onda de espuma de cerca de seis metros de altura varreu absolutamente tudo o que encontrou, inclusive algumas pessoas”, completou.
Os chilenos têm uma noção muito grande de como se proteger de situações como essa e foi isso que salvou milhares de pessoas.
Na cidade de Constitución, onde vou regularmente há doze anos, a destruição foi ainda maior. A casa do meu amigo Masi que sempre me abrigou com carinho, não existe mais e o restaurante do meu amigo Pocha também não resistiu. Ainda não consegui falar com eles, porque estão sem telefone, internet e luz. As informações foram passadas por um amigo de Beto, que conseguiu, não sei como, se comunicar com o Pocha que diga-se de passagem tem uma história incrível para contar.
A região do Maule estava em festa. Era semana de festas maulinas, e durante o sábado à noite dezenas de barcos e centenas de pessoas comemoravam no Rio Maule, bem próximo a desembocadura, com muita música e pisco. Pocha estava em um barco, dançando com alguns amigos quando uma onda enorme invadiu o rio. Surfista há vinte anos, ele se salvou nadando, mas disse que muitas pessoas não tiveram a mesma sorte.
Algumas embarcações foram levadas a quatro quilômetros para dentro do centro da cidade que ficou em baixo d’água por cinco horas. Agora imaginem além de tudo isso, somar uma água gelada que facilmente pode causar uma hipotermia.
Já estou planejando uma nova ida ao Chile, mas agora com um objetivo bem diferente. Não vou em busca de ondas perfeitas e sim de meus amigos de verdade. Ainda não sei como, mas irei ajudar a quem sempre me recebeu de coração aberto. Peço a todos que lerem esse texto, que se sensibilizem e ao menos orem pelo povo chileno.
FUERZA CHILE!
