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Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Vamos falar de saudade?

                   Hoje, eu estava vindo para o trabalho, passando na avenida das Flores, e ouvindo rádio como faço todos os dias. Normalmente, utilizo o trajeto casa-trabalho para organizar meu dia, checar as pendências e definir as prioridades. O rádio fica ligado mas nem sei em que estação está sintonizado, e só presto atenção as vezes, quando alguma noticia referente ao trabalho é mencionada (isso se eu não estiver totalmente concentrada em meus pensamentos e conseguir captar). No trajeto trabalho-casa, a situação é bem diferente: utilizo os primeiros 2 a 3 km fazendo um check list mental das atividades do dia, e o restante do tempo "desvisto" a médica, e, com o rádio alto, canto pra relaxar e chegar em casa mais leve.

                   Acho que adquiri este hábito quando fazia plantão em uti (unidade de terapia intensiva), em que saía do plantão emocionalmente exausta. Sim, médico sofre, viu? A gente põe uma máscara de profissionalismo quando fala com os familiares, e a gente quase se convence de que sabe separar as coisas. Mas não é bem assim. Muitas vezes, a equipe chora em silêncio quando perde um paciente. Muitas vezes alguém da equipe se emociona ao ver alguma história, até se identificando com alguma situação.

 

E, pode parecer história de rede social, mas eu já atendi um familiar meu em parada cardíaca. Isso aconteceu há muito tempo, durante o transporte entre clínica e hospital.  No primeiro segundo, eu gritei: "Tio"! mas em seguida a médica surgiu, tomou conta da situação e reanimou o paciente, entregando ele estável ao hospital de destino.

 

                      Nessa época, eu chegava em casa, descia do carro e sentava na calçada de casa, olhando a grama, mexendo nas flores, catando matinho. Eu precisava destes minutos para poder entrar em casa e ser a mãe que minha filha precisava. Para poder diminuir meu nivel de estresse e brincar com ela, rir das coisas de criança, ver desenho animado... Até pra poder dar aquele abraço apertado sem a dor sentida pelas mães que não podiam mais abraçar seus filhos.

 

Mas voltando ao hoje, do nada, uma propaganda me chamou atenção. A música da propaganda de uma joalheria me transportou imediatamente há uns 15 anos atrás. Olhei pelo retrovisor e cheguei a ver no banco de trás do carro a Ju, a Duda e a Teo. Rindo, ou melhor gargalhando enquanto cantavam junto a música da propaganda.

                    Por isso hoje falo de saudade. E, sem querer fazer propaganda, hoje percebi que a música da tal loja fala a verdade. "Se você quer magia, a ... tem.".

 

 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 26/09/2017 às 13h49 | cereshmrc@gmail.com

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