Jornal Página 3
Coluna
Ponto de Prosa
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - continuação

 

             Cauê saiu meio tonto... era muita informação de uma única vez. Ficou pensando... lembrou do que o Dr. Marcoti tinha dito, que a incidência de diabetes em crianças estava aumentando muito, e que a participação da família era fundamental. Todos os cuidados exigiriam supervisão, e as consultas com os membros da equipe (médico, nutricionista, enfermeira, psicóloga), seriam uma rotina no tratamento.

                Parou, pensou, e seus olhos se encheram de lágrimas. Lidar com a perda da esposa tinha sido difícil. Criar Beatriz sozinho todos estes anos também. Embora tivesse uma ajudante em casa, sabia que a mãe fazia falta na vida da filha. Seu trabalho como advogado por um lado lhe dava flexibilidade com os horários; por outro, raramente chegava em casa antes das 20 horas, devido às audiências.

                Morar com Fernanda, como a mãe havia sugerido, também não estava nos seus planos. Não queria que a vida da filha fosse alterada desta maneira. Talvez a solução fosse encontrar alguém para trabalhar em casa em período integral. E essa pessoa teria que aprender também os cuidados com Beatriz...

               Abrindo a porta do quarto silenciosamente, Cauê viu a filha dormindo relaxada. Suas bochechas estavam rosadas, e seus lábios estavam úmidos. Sinais de que o diabetes estava controlado. Ao lado da cama, na mesinha, uma cestinha de flores do campo com uma bonequinha, presente de Fernanda para a única neta.

                Sorriu ao pensar na mãe. Imaginou o sofrimento dela vendo o filho criando a neta sozinho. Imaginou a angústia que ela devia estar sentindo agora, sabendo o que o aguardava e ao mesmo tempo, respeitando seu tempo para tomar as decisões. Com certeza, não teria conseguido chegar até aqui sem a ajuda dela. Quantas vezes havia ligado para a mãe no meio da noite para pedir alguma orientação sobre uma febre ou uma dor da filha?

                Fernanda sempre estava disposta. Sempre tinha uma palavra certa. Mãe 24 horas por dia, avó umas 48 horas por dia... Mesmo assim, seu sorriso deixava entrever uma nota de preocupação. Como se Cauê não a conhecesse!

 

... continua na próxima semana! 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 21/07/2017 às 11h01 | cereshmrc@gmail.com

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