Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - continuação

                  Naquela tarde, a nutricionista veio conversar com eles. Simpática, Patrícia começou com um bate papo gostoso, perguntando sobre o que Beatriz gostava de fazer, onde estudava, em que ano, essas coisas. Depois, questionou como era feito o lanche na escola, se a escola fornecia, se ela levava de casa, se costumava comprar... Propôs, então, um teste de memória, onde Beatriz teria que dizer tudo o que comeu nos últimos três dias, em todas as refeições.

                Beatriz achou tudo divertido, pois a nutricionista tinha um jeito especial para lidar com crianças e colher as informações necessárias para o tratamento. Assim, quando Patrícia pediu a ela que a acompanhasse à sala de nutrição para pesar e medir, ela nem reclamou. Aliás, dar uma voltinha fora do quarto parecia ser uma ótima ideia, conhecer um pouquinho daquele ambiente que ela nem tinha notado no dia anterior, quando internara.

                Na sala da nutricionista, Beatriz se encantou com quantidade de alimentos de silicone, tão bem feitos que pareciam de verdade. As frutas, tão lindas que até dava vontade de comer! Patrícia pegou um gráfico e começou a anotar os dados: peso, altura... Explicou que este tipo de avaliação seria frequente, já que a menina estava em fase de crescimento, e qualquer alteração do crescimento também poderia indicar necessidade de melhor controle da glicemia.

 

                Com sono, Beatriz voltou para o quarto enquanto Cauê ficou para receber a orientação nutricional.

A criança é como uma casa em construção, necessita de todos os nutrientes na medida certa para poder crescer. É necessário o fornecimento de energia, proteínas, gorduras essenciais, sais minerais e vitaminas para que se atinja esse objetivo. Por isso, a insulina deve ser adequada à alimentação e não se deve fazer dietas restritas em calorias ou carboidratos, explicou a nutricionista. Por isso, a necessidade de um inquérito alimentar como Patrícia havia feito, de três dias, a fim de poder verificar os hábitos e preferências alimentares dos pacientes.

                Nestes casos, o ideal é que a dieta contenha cerca de 50% de carboidratos (preferencialmente complexos: integrais, in natura), 30% de gorduras (saturada, monoinsaturada e poli-insaturada) e 15 a 20% de proteínas. De forma ideal, recomenda-se seis refeições diárias: quatro principais e duas menores (colação e ceia), a fim de evitar o jejum prolongado e a consequente ingesta abusiva na refeição seguinte.

                Explicou também que existe uma opção de dieta que é a contagem de carboidratos, mas que teria que ter um controle mais rigoroso da glicemia, com o uso de insulina de ação ultrarrápida ou rápida, ou mesmo o uso de bombas de infusão contínua de insulina. Claro que isso daria maior flexibilidade na dieta, mas também haveria o risco da obesidade e da dislipidemia (descontrole nos níveis de colesterol e triglicerídeos) no caso de algum descuido na dieta ou na dose de insulina. Além disso, o acompanhamento de uma nutricionista seria mais rigoroso.

                No entanto, o mais importante é que a alimentação não poderia aprisionar a criança, privando-a de ter uma vida social, ir a festinhas de aniversário, por exemplo. Cuidados deveriam ser tomados, verificando os níveis de açúcar antes e após as festas para correção, mas a vida deveria seguir dentro da rotina normal tanto quanto possível.

                Patrícia alertou também para cuidar com o exagero no uso dos produtos dietéticos, que muitas vezes não contem açúcar, mas são ricos em gorduras, por exemplo, ou contém quantidades excessivas de edulcorantes (adoçantes artificiais).

 

... continua na próxima semana.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 15/07/2017 às 10h58 | cereshmrc@gmail.com

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