Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - continuação do capítulo 2

                       

 

                       Como Fernanda já estava durante o dia com a neta, ele disse que passaria a noite com ela. Fernanda ainda questionou se ele não queria ir para casa descansar, e voltar pela manhã, já que nada seria feito durante a noite.

                   Cauê negou e preferiu ficar com Beatriz, já que ela faria vários testes durante a noite e ele sabia que ela ficava mais tranquila na presença do pai. Hesitante, Fernanda foi embora, prometendo que voltaria pela manhã para que o filho pudesse descansar um pouco.

                   Realmente, as picadinhas do glicosímetro (aparelho que mede os níveis de glicose no sangue), foram realizadas praticamente a noite toda. Cansada, Beatriz nem reclamava, apenas esticava a mãozinha cada vez que a enfermeira entrava.

                   Numa das vezes, Cauê pediu para medir a dele também, até para saber se doía a picada. Beatriz olhou para o pai quando ele esticou o dedo e disse a ele para ficar tranquilo, que não doía nada. Realmente, a picada era insignificante. Ficou mais tranquilo, então.

                  Como cada vez que o teste estava alto era aplicada insulina (que Beatriz disse também não doer), ela praticamente não levantou para urinar e, não fossem as picadas, teria tido um sono absolutamente tranquilo. Aliás, a face dela já parecia estar diferente, voltando ao tom rosado que tinha antes. Ao beijar mais uma vez o rosto da filha, Cauê notou que até seu hálito havia mudado.

 

 

                   Quando Dr. Marcoti chegou, pela manhã, encontrou uma Beatriz mais parecida com a que ele conhecia, sorrindo. Reclamou apenas do café da manhã, com pão integral e com adoçante. E cadê a geleia? Um docinho pelo menos? Vou ter que comer ISTO todo dia?

                  O médico sorriu, era essa a menina que ele conhecia, espontânea, ativa. Olhou os resultados dos testes feitos durante a noite, e calculou a quantidade de insulina que ela começaria a tomar todas as manhãs. Sem perder tempo, Beatriz imediatamente perguntou se, tomando as injeções, poderia voltar a comer tudo o que gostava.

                 Cauê sentiu um aperto no peito. Ela era jovem demais para absorver o que estava acontecendo. Para entender que sua vida iria mudar. Que a vida de todos que a amavam iria mudar. Para sempre. Explicou à filha que não era bem assim, que teria que fazer as injeções para não passar mal de novo. Mas que se comesse tudo o que queria, teria que tomar cada vez mais insulina.

                 Triste, ela olhou para Dr. Marcoti buscando consolo nos olhos do médico, que apenas confirmou o que o pai tinha dito. Mas disse a ela que existiam vários produtos diet que ela poderia consumir.

-- Diet? Mas eu não sou gorda, e já emagreci bastante... – choramingou a menina.

                Dr. Marcoti então explicou que diet é um produto do qual foi retirado totalmente um nutriente, por exemplo, no caso, o açúcar. E que poderia comer brigadeiro feito com adoçante, bolos com adoçante, etc. Claro que tudo isso sem exagero, de qualquer forma. E, embora pareça, nada disto tem gosto ruim.

                Nesta hora, Cauê disse a ela que iria comprar alguns produtos para que ela pudesse sentir o sabor. Conversou então com o médico e disse que havia notado a melhora importante da filha, até mesmo no hálito, que havia mudado.

               Quando ele mencionou o hálito, Dr. Marcoti falou que este é um sintoma de diabetes descompensado, quando o odor fica “frutado”, um cheiro de fruta mesmo. Quando isto acontece, deve-se procurar o médico o mais breve possível.

              Cauê perguntou quanto tempo ainda ficariam no hospital, e o médico disse que o tempo necessário para definir a dose de insulina, ou seja, mais um ou dois dias. Neste período, teriam também que aprender a aplicar a insulina corretamente e sozinhos. Além disso, seria necessário fazer a consulta com a nutricionista, e mudar o estilo de vida, aumentando as atividades físicas.

 

 

 

 

Continua na próxima semana...

Escrito por Céres Fabiana Felski, 29/06/2017 às 23h16 | cereshmrc@gmail.com

publicidade





publicidade









Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br