Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - capítulo 1

Quando Beatriz voltou da escola, o pai, Cauê, notou que havia algo errado com a filha. Criava a filha sozinho, desde que a mãe tivera complicações na gravidez do segundo filho, e infelizmente, morrera. Os avós quiseram ficar com Beatriz, ou pelo menos que ele morasse com eles a fim de facilitar a vida do filho. Mas Cauê decidiu que iria enfrentar mais este desafio do destino, e dedicava-se a ela com todo o coração.

Há alguns dias notara que a filha estava meio abatida, sempre com sede e emagrecendo apesar de comer o tempo todo. Desta vez, retornou da escola mais cedo e muito pálida. Abraçou Beatriz com angústia, e não teve dúvidas, ligou para o pediatra e pediu para encaixar uma consulta para ela. Dr Marcoti cuidava da menina desde que nascera, e marcou para que ela fosse ao consultório no início da tarde.

Com seis anos incompletos, cabelos loiros iguais aos da mãe, Beatriz era uma menina bastante ativa, esperta, que surpreendia a todos com seu desempenho acima da média. Ultimamente, porém, estava com fraqueza, e vinha apresentando alterações de humor com frequencia. Dr Marcoti recebeu a menina com o carinho habitual, pois havia acompanhado Beatriz desde a sala de parto, onde a recebera logo após o nascimento. 

Ao vê-la, imediatamente percebeu que a angústia de Cauê não era em vão. Examinou a menina, conversou com ela e então solicitou exames com urgência. Felizmente a clínica contava com um laboratório que fazia os exames imediatamente, o que facilitava em muito a vida dos pais e dinamizava o atendimento.

Embora meio chateada, Beatriz não reclamou da coleta dos exames. Nem a picada da agulha parecia incomodar a menina. Durante a espera pelos resultados, foram alguns copos de água e algumas idas ao banheiro. Depois do que pareceu ser uma eternidade, Dr Marcoti os chamou para o retorno.

Pela expressão do médico, Cauê viu que algo de sério estava acontecendo. Segurou forte a mão da filha e entrou na sala do médico. Sem rodeios, Dr Marcoti explicou que os exames de Beatriz estavam bastante alterados. Que uma parte importante das células ddo pâncreas tinha deixado de funcionar , e que isto estava causando tudo o que a menina vinha apresentando.

Cauê ficou esperando a palavra, o termo que iria definir o diagnóstico da filha. Com os olhos úmidos, ouviu o médico dizer que Beatriz estava com Diabetes, que o exame de glicose no sangue tinha dado acima de 200, o que fora confirmado com a repetição do exame.

Com uma sensação de desespero e impotência, ele tentou imaginar que não entendera direito, que estava tendo um pesadelo. O medo de perder a filha fez com que a apertasse forte. A compreensão do médico acabou por tranquilizar Cauê, que questionou o que iria acontecer de agora em diante, qual seria o tratamento.

Diante da situação, Dr Marcoti explicou a ele que era melhor internar a menina por alguns dias a fim de ajustar a medicação. E então, falou que Beatriz teria que iniciar o uso de insulina. Cauê questionou se isso era temporário, se não tinha outra opção, se não tinha um comprimido, se não dava para usar células tronco, se não tinha qualquer outra coisa que pudesse fazer pela filha.

O médico permaneceu em silênci, dando tempo para que Cauê assimilasse a situação. Então, depois de algum tempo, começou a preencer os papéis para a internação de Beatriz, que permanecia alheia a tudo que estava acontecendo no consultório. Depois da parte burocrática pronta, foram para casa preparar o que iam precisar levar para o hospital, roupas, artigos de higiene, etc. Avisou também em seu emprego, que teria que acompanhar a filha na internação, e seus pais para que não se preocupassem. Lembrou ainda de avisar a senhora que cuidava de Beatriz enquanto ele trabalhava.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 16/06/2017 às 06h42 | cereshmrc@gmail.com

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