Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Sobre os modismos em saúde

                Vamos começar deixando bem claro: não sou nutricionista, nem nutróloga. Fiz uma especialização em Nutrição Parenteral há muitos anos atrás, mas isto se aplica apenas a uma dieta especial, que é administrada na veia, em pacientes gravemente enfermos que não podem receber a dieta por via oral.

                 Eu não sei vocês, mas eu ando achando que este nosso mundo anda muito cheio de extremismos, de excessos. Qual a dieta da moda? Low carb? Paleo? E aquela dieta do tipo sanguíneo? Restrição de gluten... jejum intermitente... Não sei como as pessoas não precisam de ansiolíticos cada vez que vão ter que escolher um prato num cardápio.

                 Talvez eu já esteja muito velha (26 anos de formada podem caracterizar velhice?), mas continuo achando que na alimentação, como em tudo na vida, o que a gente precisa mesmo é ter bom senso. Embora este não pareça ser um item em moda ultimamente, me atrevo a dizer que é o que mais está faltando no mundo.

                    Quem já assistiu alguma palestra minha sabe o que sempre falo: Deus nos fez perfeitos num mundo perfeito, certo? Cada alimento no mundo que Ele criou tem a quantidade certa de sal, de açucar, de água... E nós, eternamente insatisfeitos, criamos as compotas, as frituras, modificamos todos os alimentos e ainda criamos a roda, e com ela, o sedentarismo e a obesidade. Daí a conclusão óbvia: nós inventamos as doenças! Com todos os nossos modismos, de fast food, de comidas industrializadas, de cada vez mais adição de produtos quimicos...

                     E tudo isso começa cedinho: quando os bebês nascem. A criança nasce sem paladar, e este é desenvolvido com base no que ofertamos a ela. Então, pra que adicionar açúcar na mamadeira? Aliás, bebê tem que mamar no peito, com amamentação exclusiva pelo menos até os seis meses de idade. É ele que fornece as informações e os anticorpos que a criança vai precisar para se proteger, e até mesmo evitar alergias futuras. É o leite materno que dá as primeiras informações para a maturação do sistema imunológico.

                    Vindo na contramão de todo este processo, a agricultura orgânica vem começando a se destacar no mercado alimentício. Os alimentos orgânicos não são perfeitos na estética, a exemplo das modelos de capa de revista: na vida real, não tem fotoshop. Posso até ilustrar isso com uma situação que ocorreu lá em casa. Comprei uns tomates no mercado e deixei na geladeira. Fui passar uns dias fora, e quando voltei (duas semanas depois) eles estavam intactos. Isso é normal? Você há de convir que não, né? Mesmo na geladeira, ele deveria ter se deteriorado. Mas ele estava intacto. Usei? Óbvio que não. No meu corpo não cabe mais agrotóxicos, conservantes, estabilizantes, etc.

                    Então, meus amigos, vamos aderir a uma nova dieta: a do bom senso. Não é natural, não pode ser bom. Junto com o amor, a natureza ainda nos oferece as melhores opções. Cultivem uma hortinha em casa, ensinem a seus filhos de onde vem os alimentos. Lembrem que a nossa maior responsabilidade é com o futuro que deixaremos para nossos descendentes.

                    Boa semana!

Escrito por Céres Fabiana Felski, 18/09/2017 às 09h46 | cereshmrc@gmail.com

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É como se fosse doce - parte 13 - FINAL

Epílogo

Vendo Beatriz entrar no salão, vestida com a beca preta com a faixa verde do curso de Farmácia e Bioquímica, Cauê e Fernanda não conseguiram conter o choro. Linda, com uma maquiagem que realçava seus belos olhos, e com uma sandália de salto altíssimo, sua beleza se tornava ainda mais estonteante. Se todos ali presentes viam uma mulher maravilhosa, eles viam a menina vitoriosa, que conseguira superar todos os obstáculos causados pela presença do diabetes na sua vida.

Junto deles, Gustavo, o namorado de Beatriz, estava mais do que empolgado. Iria aproveitar aquela ocasião para pedir formalmente a mão dela em casamento para Cauê. A aliança que trazia escondida no bolso do paletó parecia ter vida própria, e querer saltar direto para a mão da sua eleita.

Os planos para a vida a dois já estavam sendo feitos há algum tempo, e incluíam uma pausa antes de pensarem em ter filhos para, talvez, pensar em um transplante de pâncreas. Talvez porque, já que tudo estava indo tão bem, sem nenhuma complicação, e com eles tão adaptados, o transplante era realmente apenas mais uma opção.

Fernanda sorriu, entre as lágrimas. Seu pequeno menino, Cauê, tinha lhe surpreendido mais uma vez. Sentiu seu coração de mãe feliz ao ver o filho realizado, principalmente tendo que cumprir o papel de pai e mãe. Beatriz iniciava uma nova jornada em sua vida hoje. Cauê também.

A partir da próxima semana, novos temas em saúde. Se você quiser participar, envie sua dúvida para o email cereshmrc@gmail.com.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 09/09/2017 às 11h38 | cereshmrc@gmail.com

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É como se fosse doce - parte 12

Entre risadas e brincadeiras, a tarde passou voando, e quando Cauê chegou para buscar a filha, encontrou uma menina de faces coradas e lábios levemente lambuzados de chocolate. Quando ia falar algo, Fernanda se adiantou e entregou à menina um pedaço de bolo diet que elas haviam feito para que servisse ao pai.

Realmente, ele teve que dar a mão à palmatória: o sabor era idêntico ao bolo normal. Isso deixou seu coração mais tranquilo pela filha, e vê-la sorrindo e pulando ao redor da avó, apenas confirmou. Viu as balas que Fernanda havia comprado e mais uma vez orientou a filha que, mesmo sendo diet, não podia ser consumido em exagero, pois também poderia causar mal ao seu organismo.

Tinha medo de se tornar um pai chato, daqueles que ficam só chamando a atenção o tempo todo, mas tinha muito mais medo de perder o melhor presente que a vida havia lhe dado: a pequena Beatriz.

Depois de três semanas, como planejado, retornaram ao Dr. Marcoti. O médico, feliz por ver a menina tão bem, deu-lhe um abraço enorme e um pirulito. Diet, claro. Depois de avaliar o peso e a altura de Bia, ele explicou a Cauê que ela havia recuperado bem o que havia perdido durante o estágio inicial da doença, em que não estava sob tratamento.

O importante agora era manter o desenvolvimento adequado. Monitorar com rigor não apenas o ganho de peso, mas também o desenvolvimento do aparelho reprodutor, por exemplo. Assim, deveriam estar atentos ao início do surgimento das mamas, dos pelos, etc.

Tudo isso seria igual se fosse num menino, o aparecimento dos caracteres sexuais inicia em torno dos oito aos nove anos, e deve ser monitorado em todos os pacientes que possuem diabetes, a fim de que possam ter uma vida adulta normal.

Cauê e Fernanda ficaram felizes. Tudo estava correndo como esperado. Só o que os deixou levemente preocupados foi o fato de que isso poderia a vir a afetar a vida da menina no futuro. Mas, um passo de cada vez, como disse o Dr. Marcoti. E, se o diabetes estivesse bem controlado, dificilmente ela teria com o que se preocupar.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 01/09/2017 às 09h51 | cereshmrc@gmail.com

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É como se fosse doce - parte 11

Todos conversaram alegremente, e a menina provou e escolheu os alimentos que mais tinha gostado. Pediu para a avó os nomes das folhas que não conhecia, e disse que preferia o arroz branco, mas do jeito que a avó tinha feito o integral, tinha ficado bem parecido. Fernanda olhou feliz para a neta. Tinha conversado com Cauê para que eles almoçassem com ela sempre, pois estava aposentada, tinha tempo para ficar fazendo refeições coloridas e cheias de graça para atrair a atenção da neta.

Sem dúvida, almoçar na casa de Fernanda facilitaria muito para todos, inclusive para ela que estaria segura do alimento fornecido à neta e feliz de estar participando do tratamento. Desta forma, Cauê não se opôs, enquanto se servia de mais uma porção de arroz integral com legumes, disse que então, até que tudo se estabilizasse, almoçariam ali.

A sobremesa veio na forma de uma salada de frutas bem gostosa, com as frutas bem picadinhas como só a vó Fernanda sabia fazer. Pena foi não poder repetir, mas para evitar a tentação, Fernanda já havia feito a dose ideal e trazido a mesa somente a taça de cada um. Não havia sobras para um segundo tempo.

Bia pediu, então, para ficar com a avó durante a tarde, e pediu com uma carinha tão meiga que Cauê não teve como negar.  Ligou para casa e pediu para sua ajudante que aproveitasse para dar uma boa limpeza no quarto de Bia, para preparar para seu retorno à noite.

Já Bia, naturalmente, tinha más intenções ao pedir para ficar com a avó. Assim que o pai saiu, ela correu para os braços de Fernanda e pediu para que ela fizesse um bolo de chocolate. Fernanda deu uma parada para pensar e correu para a internet. Pediu à Bia que a ajudasse a achar uma receita de bolo de chocolate diet. Achada a receita, fizeram a lista do que tinham que comprar e foram ao mercado.

Como o mercado era bem pertinho de casa, não precisavam nem ir de carro. E, afinal, era pouco o que faltava, apenas açúcar diet, ou adoçante culinário. Mas Fernanda queria caminhar um pouco com a neta no mercado e mostrar a ela a quantidade de coisas que havia que ela podia comer, com moderação, mas podia.

Bia ficou feliz. Tinha até bala sem açúcar! Gelatina! Pudim! Tinha chocolate diet, mas este a nutricionista tinha falado para evitar devido ao excesso de gordura. Neste caso, melhor comer chocolate normal (com alto teor de chocolate, não achocolatado) em menor quantidade.

Depois de comprar umas balas diet para a neta e o necessário para o bolo, foram para casa felizes. A casa e a cozinha foram inundadas por risos e gargalhadas que nem de longe lembravam o stress vivido há pouco mais de dois dias, quando Bia ainda estava internada.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 28/08/2017 às 11h40 | cereshmrc@gmail.com

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É como se fosse doce - parte 10

Pediu à professora que tomasse um cuidado especial com a alimentação, evitando ao máximo possível os refrigerantes e dando preferência aos sucos naturais. Também deveriam ser evitados os alimentos industrializados e processados, como presuntos, requeijões, etc. O lanche ideal deveria conter uma fruta, uma fonte de carboidrato (que poderia ser pão integral), e proteínas, que poderia ser queijo branco ou ricota, por exemplo.

Claro que nos aniversários ficaria difícil limitar muito, mas seria interessante até mesmo trabalhar com o resto da turma a fim de estimular uma alimentação saudável para todos. Na verdade, as cantinas das escolas já possuem por lei a obrigação de oferecer somente salgados assados, já visando uma melhora na qualidade dos alimentos ofertados.

Mas lembrou também à professora que, conforme tinha sido explicado para ele pela equipe, o fator emocional era muito importante, então tanto estados de tristeza como os de muita alegria poderiam desencadear uma descompensação. Por isso a importância de ficar de olho principalmente nas variações de humor, bem como na quantidade água que ela ingeria e na frequência com que ia ao banheiro urinar.

Com vários anos de experiência no magistério, a professora Sandra apenas sorriu, tranquila. Tinha visto várias, inúmeras vezes, pais preocupados irem conversar sobre alguma particularidade dos filhos. Ela mesma tinha história de diabetes na família, e não era segredo para ela os cuidados necessários. Também conhecia sua turma, e sabia que cada vez mais os pequenos buscavam uma alimentação mais natural, como que instintivamente. Os últimos aniversários já tinham sido mais lights, com frutas, sucos, sanduíches naturais. Claro que sempre havia espaço para o bom e velho brigadeiro, mas não havia exagero.

Quando Cauê chegou na casa da mãe para almoçar, encontrou Fernanda atarefada na cozinha. Tinha feito um almoço especial para a neta, com um pouquinho de tudo para que ela pudesse provar vários alimentos. Uma salada bem colorida encontrava-se no centro da mesa, com folhas de vários tipos e cores. Outro prato com tomates, cenouras, pepinos... couve-flor cozida bem quentinha. Couve-manteiga refogada com alho e cebola bem picadinhos. Arroz integral, feijão bem cheiroso. E um frango grelhado daqueles que fazia a neta ficar com a boca cheia de água!

Bia não se conteve e deu um abraço apertado na vó. A mesa estava linda, e iria provar os alimentos, afinal estava morrendo de fome! Fernanda notou o apetite da neta e um leve tremor nas mãos. Falou para o filho que imediatamente fez o teste de glicose e verificou que estava baixo. Conforme orientação da nutricionista, como já estava próximo do horário do almoço, resolveram antecipar a refeição e sentar logo à mesa. 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 18/08/2017 às 08h44 | cereshmrc@gmail.com

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É como se fosse doce - parte 9

               

                 Dr. Marcoti chegou no quarto no início da noite, quando todos já estavam ansiosos achando que ele não viria mais. Olhou para Beatriz de vestidinho e com a boneca no colo, e perguntou onde ela achava que ia sem dar um beijo nele! Beatriz sorriu e deu um beijo tímido no médico.

                Mais uma vez ele explicou a Cauê os cuidados que teria que ter, que deveria ligar em qualquer dúvida, e que gostaria que voltassem em seu consultório em uma semana com a agendinha com os resultados dos exames. Lembrou da importância de conversar sobre a situação na escola de Beatriz, orientando as professoras sobre como agir e para entrar em contato com a equipe do hospital, se necessário.

                Explicou que o hospital mantinha um grupo de apoio à criança diabética, onde tinham acompanhamento de enfermeiras, nutricionistas, psicólogas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfim, o que fosse necessário para auxiliar a criança e a família a lidar com a situação. Neste contexto, a equipe da escola poderia entrar em contato com o grupo a fim de obter informações também.

                Dito isto, apertou a mão de Cauê, abraçou Fernanda e jogou um beijo para Beatriz. Deixou a receita da insulina e um bilhetinho atrás dela: “Não se esqueça que tudo tem uma compensação, agora você vai ter tudo especial para você! ”

 

 

                Naquela noite, Cauê colocou o relógio para despertar às 3 horas para fazer o teste de glicose, que felizmente estava de acordo. Assim, puderam voltar a dormir tranquilos. Acordaram cedo, no horário habitual, e primeiro fizeram o teste, depois, Cauê aplicou a insulina em Beatriz. Feito isto, a menina foi se arrumar enquanto o pai arrumava o café da manhã.

                Iriam juntos à escola para poder conversar com as professoras sobre os cuidados que ela teria a partir de agora. Passariam na farmácia e comprariam um outro aparelho de teste que ficaria sempre na mochila de Bia, assim não teria risco de esquecerem em casa.

                Bia estava ansiosa. Muita coisa havia mudado e queria mostrar para a professora e para os colegas como ela sabia fazer os testes e até aplicar a insulina sozinha. Cauê havia explicado que ela poderia aplicar sozinha, mas sob supervisão, ou seja, um adulto teria que ver a dosagem necessária e preparar a seringa para que ela aplicasse. Na verdade, Bia aplicava a insulina com uma caneta, o que era bem mais fácil, mas mesmo assim, somente podia aplicar com um adulto perto.

                Isto porque havia todos os cuidados, aplicar no local correto, cuidar da dosagem para não ter riscos de ficar com a glicose muito baixa ou muito alta, e até cuidar para não se machucar. Cauê explicou tudo isto à professora, mas também explicou que ela só teria que fazer um teste na escola após o lanche do intervalo, e que não seria necessário corrigir caso ela seguisse as orientações dadas pela nutricionista.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 11/08/2017 às 11h42 | cereshmrc@gmail.com

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