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Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

"O EXÍLIO DO LEPROSO E A PRISÃO DA PESTE": o projeto

 

A educação nos últimos tempos tem sido alvo de ataques de toda ordem: como se não bastasse ser cotidianamente culpabilidade pelas mazelas sociais, pela violência dos jovens, pelo baixo desempenho escolar, muitos (sem ter estudado o campo educacional), se acham no direito de dizer o que ela deve ensinar e como deve ensinar.

Como professora há 30 anos, não me recordo de ver outra profissão ter com tanta frequência a interferência dos “especialistas” em meter o bedelho na vida da escola e de seus profissionais.

A autoridade pedagógica, tão necessária para a realização do trabalho docente de qualidade,  é atacada com assombroso desrespeito por muitos cidadãos e, sobretudo, reforçada pela mediocridade de vereadores que usam o espaço e o dinheiro público, não só para se promoverem eleitoralmente, mas para enganar os menos atentos com legislações que promovem o exílio do  professor como se ele fosse leproso, alguém do  mal que além das câmeras que vigiam seus atos, agora pretendem vigiar suas posições, imponde-lhes a amordaça.  

O projeto de lei que institui o programa “escola sem partido” –  se transveste da tarefa de salvaguardar a família e os bons costumes, livrar as crianças da doutrinação -  é um sinal, entre tantos, do movimento conservador e neofacista que tem no seu âmago a posição política clara: atacar a democracia e   a escola como espaço estruturante da cidadania.

O referido projeto além de ferir a Constituição Brasileira - Artigo 5º, inciso IV que diz “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”;   o capítulo que trata da educação, Artigo 206, que determina que “o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios, entre outros os da liberdade de aprender, de ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e saber; o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas - coloca os professores e os gestores escolares no banco de réus.  Promove um ambiente de desconfiança e confronto entre professores, alunos e famílias estimulando-os a se instituírem como delatores.  Incita um movimento coercitivo, de controle disciplinar marcando o exilio do leproso e a prisão da peste” (Vigiar e Punir - FOUCAUT) e fazendo funcionar os mecanismos homogeneizantes, dogmáticos em que todos já conhecem as consequências: a tirania!

Atrás dos dispositivos disciplinares desta lei, se lê o terror que assola a sociedade da intolerância, do ódio, da hierarquização de ideias. É preciso retirar as máscaras e este é o oficio de PROFESSOR.

(crédito imagem:Vik Muniz - Marat - Sebastião/1961) 

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 22/08/2017 às 13h44 | marisazf@hotmail.com

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