Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

O BRASIL AO AVESSO

 

 

“TEM QUE SER UM QUE A GENTE MATA ELE ANTES [ ...]”

Um turbilhão de sentimentos invade meu âmago e acredito de todo povo brasileiro em meio as notícias que afetam o coração da democracia e desafiam a nossa lógica. Entre gravações, áudios, flagrantes e prisões, máscaras caem e novos protagonistas entram em cena sob o comando (estranhamente) da Rede Globo.

 Para aqueles que proclamavam que a corrupção era invenção e prática de um partido - o PT- hoje talvez, o sentimento seja de abandono e de orfandade -  afinal, perderam os personagens santos proclamadores da ética e da anticorrupção. Parte significativa da população foi levada a olhar o cenário político por apenas uma perspectiva:  incitadora de ódio e da divisão de classes.  Esta perspectiva também levou a crença que as cores verde e amarela e a bandeira do Brasil pertencia a um grupo social e, sobretudo, que a solução de todos os males seria banir o partido e o governo da presidente Dilma.

 Para aqueles que apontavam que a raiz dos problemas da corrupção está alicerçada na cultura e no sistema político brasileiro, afetando cotidianamente governos e a governabilidade, portanto, histórica e sistêmica – talvez o sentimento seja de certo conforto, pois neste cenário, encontram  visibilidade das suas crenças, particularmente, quando olham  para o número de partidos políticos envolvidos, para os  homens públicos defensores dos interesses privados, num mecanismo em que os financiadores ditam a agenda do parlamento e do governo com grave ofensa à República.

 No entanto, hoje o sentimento de todo brasileiro não pode ser revanche. É preciso construir um sentimento de pertencimento, de união de esforços e jamais aceitar a conduta antirrepublicana e criminosa, como a revelação do áudio da gravação autorizada pela Justiça em que o povo brasileiro ouviu o Senador Aécio Neves do PSDB, dizer " tem que ser um que a gente mata ele antes de delatar. ”

 Não há mais tempo para divisões do povo brasileiro, não há mais espaço para ideias massificadoras da mídia, dos que defendem a concentração de riquezas, de figuras públicas que estão a serviço do capital privado e do seu próprio bolso. O sistema democrático foi e está cotidianamente sendo golpeado – não podemos ficar calados, mediante aos defensores da ditadura, da exclusão social das diferenças, dos usurpadores dos direitos básicos que tem ampliado a pobreza e a violência social.   Não há mais espaço para repetir expressões e inundar as redes sociais com piadas e (des) informações que revelam o que não sabemos ou preferimos não saber.  

É necessária a reação:  delatemos, enfrentemos – antes que nos matem!

Imagem: José Guadalupe Posada - El Jicote (1871)

 

 

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 01/06/2017 às 15h04 | marisazf@hotmail.com

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